segunda-feira, 28 de abril de 2008

Nodos Lunares - Cabeça e Cauda de Dragão

Como já falei de Vênus, que rege tanto Touro quanto Libra, vou aproveitar o Sol em Touro e a exaltação da Lua desse signo para falar dos Nodos Lunares, também chamados de Cabeça e Cauda de Dragão. Aproveito para agradecer à Vânia, ao Mauro, ao Filipe e à Tatiana que me fizeram rever e lembrar as portas que a análise desses pontos podem abrir. E ao meu sobrinho Téo, que me ensinou a montar em dragões.

À medida que a Terra gira ao redor do Sol é definido um plano chamado eclíptico, que sai do Sol, passa através da Terra e se expande pelo infinito. Os nodos lunares são pontos imaginários em que a Lua atravessa o equador celeste cruzando esse plano eclíptico, sendo usados pelos astrônomos para os cálculos de distância astronômica, eclipses e fenômenos celestes. O ponto onde a Lua passa da latitude Norte para a Sul é chamado Nodo Sul (Cauda do Dragão), e o ponto onde ela passa da latitude Sul para a Norte, Nodo Norte (Cabeça de Dragão). Os eclipses ocorrem na conjunção da Lua e do Sol com os nodos, e esse fenômeno, que sempre representou presságios, parece ter sido o início da elaboração astrológica sobre os nodos lunares. A distância entre os nodos é sempre de 180° , por isso as efemérides só trazem a posição do NN, já que o NS estará em oposição exata. O movimento registrado dos nodos é retrógrado, andando “para trás” à razão de 3’ por dia, o que significa que ele permanece cerca de 19 meses em cada signo e demora cerca de 18 anos e meio para completar o zodíaco. O NN é conhecido tradicionalmente como Cabeça do Dragão (Rahu), e o NS como Cauda do Dragão (Ketu), e essas representações do Dragão sugerem a idéia de que pelo NN recebemos alimentação e pelo NS expelimos os excrementos. As tradições mais antigas, como a indiana, consideram os nodos maléficos ou prejudiciais, sendo que os hindus viam o NN como uma natureza de Marte e o NS como uma natureza de Saturno, contendo em si prenuncio de eventos kármicos. Os teosofistas também trabalhavam com os nodos a partir do karma, e, segundo essa linha, o NS significa o karma das vidas passadas e o NN o dharma, ou karma que você está desenvolvendo para o futuro. Um ramo menos dogmático dessa teoria afirma que o NS são as qualidades que você desenvolveu nas vidas passadas e o NN as que você precisa desenvolver na vida presente. Seja como for, essas linhas de raciocínio se mostram limitadas quando queremos refletir sobre algum tipo de orientação construtiva para a forma de agir, produzindo apenas um pressentimento de temor que transforma a idéia de karma numa caixa enfeitiçada, cheia de bugigangas, onde se colocam todas as coisas que não podemos ou não queremos entender sobre nós mesmos e nossas vidas, pois parte-se sempre do pressuposto de que estamos no lugar errado, já que, se entendêssemos de verdades as implicações das experiências da vida nesse plano, não estaríamos aqui. O que quero dizer com isso é que, numa época fast food como a nossa, especular sobre karma sem bom senso e sólida compreensão da metafísica pode fazer com que suas teorias sejam perigosas e justifiquem posturas equivocadas, transformando-as em um jogo de apertar botões da evolução ou em um meio de sentenciar vidas ao sofrimento. Isso posto, podemos começar a pensar sobre o que os nodos lunares representam.

A primeira constatação que podemos fazer é a de que os nodos estão em oposição, logo devem ter alguma coisa a dizer sobre relacionamentos, já que esse aspecto está diretamente associado a uma identidade e uma alteridade que precisam ser integradas. Alguns astrólogos definem os nodos lunares como um modo de entender o relacionamento da pessoa com o meio ambiente, onde o NN mostra onde a pessoa se afina mais com o meio e com os outros e o NS onde se perde o passo nesse encontro com o que está fora, e é possível, realmente, analisar algumas das influencias nodais através tanto do enquadramento social quanto da habilidade de tirar proveito das oportunidades. Podemos sentir que o NN e o NS se apresentam como um par de opostos entre uma identidade e uma alteridade, que pode ser representado por um Eu x Nós, Dentro x Fora, Futuro x Passado, Separado x Junto, Negativo x Positivo, Facilidade x Dificuldade, Sorte x Azar, Estagnação x Progresso, Vício x Virtude. Em todas as oposição falamos em encontrar a harmonia entre duas coisas que se mostram antagônicas na aparência. Como com qualquer dado do mapa, os signos dos nodos indicarão COMO os expressamos, e as casas ONDE expressamos essas energias. Um outro fator que sempre é interessante investigar é a posição dos regentes nodais (regente do signo do nodo), pois eles geralmente sugerem uma dimensão adicional da vida da pessoa através do qual os nodos podem ser canalizados. Vejamos agora os nodos em si.

Nodo Sul - Cauda do Dragão
Podemos considerar a Lua como o indicador na carta natal das formas de adoção e nutrição da pessoa, e, por tanto, os seus nodos devem ter alguma coisa a ver com isso. O NS se liga à comportamentos que são sentidos como familiares e habituais, que podem ser também compulsivos e rígidos, se tornando muitas vezes inadequados, principalmente quando se precisa de mudança. Assim como alguns consideram o signo lunar o signo do Sol de uma vida passada, essa familiaridade que temos com o NS é que faz com que o associem também à vidas passadas, pois geralmente ele mostra uma faceta com a qual nos sentimos seguros desde muito cedo na vida, e por isso expressamos esse nodo como uma maneira de enfrentar as tensões. Dane Rudhyar fala do NS como “o ego centrado na Terra”, onde temos uma "vontade humana” resultante do condicionamento individual por hereditariedade e meio ambiente. Em relação oposta teremos uma “vontade Divina” no NN, centrada em algo maior que ele chama de Destino (“plano ordenado cujo atendimento perfeito pode tornar a personalidade um fato da vida como estava potencialmente contido no momento-semente do nascimento do indivíduo - ou seja na ‘mônada’” – Astrologia da Personalidade, pg. 235 - Ed. Pensamento). Há uma tendência a nos agarrarmos ao NS, retornando a comportamentos inconscientes fáceis como meio de restaurar o equilíbrio e experimentar segurança emocional. Principalmente quando passamos por crises, o NS pode ganhar um status de sobrevivência, sendo o ponto onde nos fechamos sobre nós mesmos por medo de abandonar ou desviar nossa atenção do comportamento que ele representa. Esse é o motivo pela qual o NS ganha uma dimensão negativa, pois ele acaba revelando onde falta adaptabilidade a uma pessoa, o que pode torná-la insociável, ou onde ela pode estar envolvida em condutas anti-sociais. No NS temos uma série de talentos, habilidades e forças que sentimos como dons, e que muitas vezes utilizamos primordialmente para nos relacionarmos com as pessoas e com o mundo. Mas como os comportamento do NS são geralmente compulsivos e inconscientes, acabamos expressando sua energia não só nas situações que beneficiam a nós e aos outros, mas também nas situações inapropriadas ou de modo impróprio, exagerado ou inflexível, causando problemas. Com bastante freqüência manifestamos a dimensão negativa do signo e da casa do NS - pelo menos tantas vezes quanto a dimensão positiva - porque nossa possessão compulsiva torna difícil aprendermos pela experiência e cultivarmos novos e flexíveis modos de ser consciente. Esse automatismo torna-se negativo por que nada de novo pode ser acrescentado ou desenvolvido, e está diretamente ligado a uma decisão por adotar a linha de menor resistência; e essa decisão “covarde”, digamos assim, é normalmente escondida cuidadosamente de nós mesmos e dos outros, fazendo do posicionamento do NS uma configuração das características interiores que rejeitamos firmemente, evitando reconhecê-las, e muitas vezes projetando-as nas outras pessoas. É por isso que muitas vezes, a despeito de toda as nossas capacidades de NS, duvidamos dos padrões aqui representados por signo e casa, pois há uma constante sensação de incompletude, como se houvesse um estímulo interno que continuamente nos fizesse repetir os mesmos comportamentos, numa luta por aquela fonte de satisfação que esperávamos que fosse suprida. Por mais intensa e profundamente que nos expressemos pelo NS, a satisfação que ele nos dá tem sabor de ilusão, como se nossos corpos suplicassem por um alimento salgado e nós comêssemos chocolate; e então nos entupimos de doce por sermos incapazes de entender que precisamos de outra dieta. O NS pode, de fato, fornecer motivações, estabilidade e capacidades de valor real, mas se só trabalhamos sobre ele, provavelmente sentiremos muita desintegração, solidão e sofrimento, pois ficamos desequilibrados e perdemos o propósito e a conexão emocional com o mundo. Os alicerces dados pelo NS podem ser profundos e significativos, mas se nossa relação com ele se torna promíscua e dependente, tornando-nos inconscientes, automatizados, insatisfeitos e privados de objetivo, paramos de crescer e ficamos repetindo sempre as mesmas situações insatisfatórias. O símbolo do NS lembra um fone de ouvido em posição invertida e o do NN um fone de ouvido na posição correta, e Tracy Marks comenta: “quando nos voltamos para dentro e fazemos escolhas diárias que se relacionam com nosso direcionamento de energia, podemos perguntar: ‘os meus fones de ouvido estão na posição certa? O que exatamente estou ouvindo (...): a voz do passado, (...), ou a voz do futuro (...)’, daquilo que preciso desenvolver e potencializar?” (Astrologia da Auto Descoberta, Ed. Pensamento, pg. 72). Quando estamos presos ao NS as nossas realizações ganham valor negativo por pertencerem à repetição de coisas já aprendidas, e a pessoa nunca sai atrás de seus sonhos por que tem que arrumar a casa, ou cuidar das crianças, ou trabalho para fazer, ou dinheiro para juntar, pois onde temos o NS sempre há tarefas inacabadas, e nunca temos coragem para quebrar as próprias cristalizações psicomentais e dar um passo construtivo à frente. Quando conseguimos aceitar a realidade de que sempre há muito para fazer no NS, e esquecer isso, podemos passar a dirigir nossas atenções para o NN, pois o NS só pode ser bem utilizado se auxiliar o desenvolvimento potencial mostrado pelo NN, senão nos transformamos em escravos de nossas habilidades naturais em vez de as controlarmos.

Nodo Norte - Cabeça do Dragão
Assim como alguns colocam o NS sob a égide de mau agouro perpétuo, o NN muitas vezes se transformam num amuleto da sorte. Isso pode até funcionar algumas vezes, mas na maior parte do tempo podemos sentir o contrário, e nos parece que nada dá certo mesmo. O NN é um ponto de crescimento, de potencial não liberado, e por isso é realmente muito positivo. No entanto ele raramente é o que se reconheceria de imediato como o local onde o destino lhe sorri, pois sorte é visto geralmente como as coisas ocorrendo de maneira fácil, e quando começamos a olhar para o NN o fazemos com os olhos do NS, o que pode implicar em um não reconhecimento da sua positividade. Para realizar o potencial do NN precisamos dar um duro danado para, no final, quem sabe, descobrir que coisas boas estão realmente acontecendo. Não se trata, porém, de mera sorte, pois, consciente ou inconscientemente, se terá trabalhado para merecer isso. Muitas vezes superexploramos nosso NS às custas dos potenciais de NN, pois o signo e a casa do NN representam as qualidades pessoais que não puderam ser exploradas em determinada área da vida, e nos sentimos como bebês aprendendo a andar ou como adultos analfabetos tentando aprender a ler e escrever. Esse nodo precisa ser ativado através de esforço e determinação, e geralmente se passa por alguns períodos de luta para expressar sua visão de mundo, pois temos sempre consciência - clara ou mais subtilmente - de uma incapacidade muito antiga de viver da maneira que consideramos ideal. Nunca é fácil expressar as habilidades e qualidades nascentes, já que a falta de confiança e as restrições do passado acabam se tornando barreiras difíceis de se acreditar que possam ser ultrapassadas. Nos aspectos mais banais do cotidiano enfrentamos a escolha entre o NN, buscando expansão além dos limites existentes, descobrindo novas formas de ação e atualizando nossos dons e talentos para atingir uma perspectiva mais ampla e universal conosco e com os outros, ou permanecer do jeito que se está, achando que a vida e as coisas são imutáveis, cedendo às tentações do mundo familiar, e permanecendo no seguro NS, mesmo que ele seja sentido como limitante e restritivo. O apego ao status quo do NS trás solidão e sofrimento, por isso passamos a sonhar com alguém ou alguma coisa com as características do NN que irá nos dar aquilo que sentimos falta de presente, como mágica. No NN encontramos muitos de nossos sonhos “impossíveis”, e repetidamente nos damos conta de que nossos sonhos pessoais se relacionam com o signo e a casa desse nodo, e que isso implica numa mudança no estilo de vida e nas atitudes interiores para refletir essa positividade e abertura maior com relação ao mundo. Nossa capacidade de adaptação social e unidade com os outros também é intensificada através do NN, pois, enquanto no NS nos fechamos sobre nós mesmos, no NN nos abrimos à experiência com o outro. Quando consideramos o tipo de experiências mostrada por esse nodo descobrimos vários momentos da vida que nos forçaram a desenvolvê-lo constantemente, e que todo esforço feito naquela direção foram recompensados quando não nos aferramos teimosamente nas atitudes dadas pelo NS, ou seja, quando não dividimos o presente de modo desesperado entre o passado e o futuro, aquilo que eu tenho e aquilo que eu preciso ter. O NN muitas vezes aparece como algo que foi negado na infância (ou na “outra vida”), que “obrigou” a pessoa a se segurar no NS. Mesmo quando a história de vida da pessoa comprove essa afirmação, se é questionada sobre as razões atuais dela manter esse comportamento, geralmente a pessoa se justifica através de generalizações sem sentido ou desculpas que parecem querer enganar a si mesma. Um outro problema para desenvolver o NN é que ele indica também uma forma de não nos deixar explorar: no NS nossos dons são agradáveis aos outros e deixamos que eles o utilizem sem cobrar nada, por isso buscamos algo externo que represente o NN e possamos explorar no mesmo modo. Com o NN isso não ocorre, não só por termos trabalho para conquistá-lo, mas também por que nele encontramos nosso caminho mais individualizado, onde saímos da posição passiva para a ativa. Isso também contribui para que nos sintamos um tanto quanto desprezíveis ao tentar desenvolver o NN, pois esse progresso impede que todos quantos se dizem amigos o explorem. Mas depois de ter se encontrado o equilíbrio dos nodos, os problemas são atenuados, senão totalmente resolvidos.
Pense em seus sonhos mais impossíveis, e então dê uma olhada em seu dragão.

5 comentários:

Anônimo disse...

Oi, Te!! Eu estava procurando algo sobre nodo lunares na internet e seu blog veio como a primeira opção do Google e isso significa q o seu blog está sendo muito acessado pelos internautas por ai.. parabéns pelo sucesso!! Ah.. e o texto está excelente!!
Jacy
Brasília-DF

Anônimo disse...

olá TECA, adorei seu texto! Você poderia fazer um post ou indicar alguma bibliografia sobre os nódulos, mas que coloque sobre aspectos deles com planetas ou áreas? Tenho "Os nódulos lunares", de Martin Schulman, mas gostaria de outra indicação bibliográfica. Obrigada, Cláudia.

Teca Dias disse...

Oi Claudia
Como vc não me mandou seu e-mail, vou tentar te acessar aqui pelos comentários mesmo. O blog anda abandonado por conta de estar sem tempo pra escrever, pois sou bem prolixa e preciso de calma pra isso.
A maioria dos livros que tentam dar uma geral astrológica têm algo a dizer sobre os nodos. No post cito dois: Astrologia da Personalidade, do D.Rudhyar, e Astrologia da Auto Descoberta, da Tracy Marks. Olhando agora minha biblioteca, achei um outro que tem coisas interessantes, chamado A Força do Objetivo Espiritual, da Sandra Carvalho Alvim, de 2000, mas é de uma edição independente que ela mesma fez. Tenho aqui no livro o endereço do site dela: www.sandraalvim.com. Provavelmente vc encontra ali como conseguir o livro.
Boa leitura!

Ana Martin disse...

Teca! Novamente estou aqui apreciando sua maneira tão detalhista e caprichosa de escrever!
Parabéns por esse dom que você tem!
Gostaria de saber, se você fez algum curso de astrologia, e qual...
Eu sou autodidata no assunto, e adoraria se você pudesse, dicas de bons livros, para aprender melhor!
Obrigada!

Teca Dias disse...

Oi Ana, desculpe a demora em responder, mas esse ano está muito acelerado preu conseguir dar a atenção devida para o blog. Espero que vc consiga ver essa minha resposta... Eu sempre recomendo para meus alunos os livros da Liz Greene e do Howard Sasportas (Os Astros e o Amor, As Doze Casas, para o básico, e os seminários sobre os transaturninos e os sobre os planetas pessoais são maravilhosos). Mas eu sou bem avestruz na minha leitura astrológica, viu Ana, acabo lendo tudo que aparece pela frente. No site do Astro.com tem uns textos muito bons também. Foruns de astrologia (no astro.com tem um bacana também) costumam trazer bastante coisa boa, de estudos mais recentes. Eu atualmente estou com três grupos de astrologia aqui em Floripa, e ano que vêm devo abrir mais um. Se vc mora pelas redondezas, me manda um email que te dou as informações: tterecriss@gmail.com. Abraço e obrigada