domingo, 29 de janeiro de 2017

Mercúrio e Alquimia





“Na verdade, a forma que corresponde ao intelecto do Homem é o começo, o meio e o fim do processo. (...). O ser humano é a forma principal e o maior no opus espagírico”
Gerardus Dorneus (1530 - 1584)


Dizem uns que a palavra "alquimia" vem da expressão árabe al-Khen (de raiz coreana, alkimya), que significa "A Química". Outros acham que está relacionado com o vocábulo grego chymba, que se relaciona com a fundição do elemento químico mercúrio. É, Mercúrio é assim de importante a ponto de ser colocado na denominação da Obra, por isso vamos começar por ele.

A Grande Obra alquímica é o processo de transformar chumbo (em alguns tratados são as fezes que vão ser transformadas) em ouro através dos vários procedimentos mostrados pelos signos. Muitos alquimistas afirmam que isso só seria possível quando se processasse a transformação interna do alquimista, que trabalha em si para evoluir e caminhar em direção ao ouro interno. “Como acima assim abaixo, dentro é fora”, dizia a Tábua Esmeralda, e por isso, trabalhando os elementos materiais se trabalha os elementos internos. Saturno é a representação do Chumbo, e Mercurius é o “brilho claro e argênteo” (Milio) que habita o coração de Saturno e precisa ser libertado para transformar e ser transformado nesse processo.

Tudo começa com o orvalho, utilizado para umedecer ou banhar os elementos mercúrio e enxofre que possibilitam a transformação. O enxofre é o princípio fixo, ativo, masculino, que representa as propriedades de combustão e corrosão dos metais, ligado a Marte. O mercúrio é o princípio volátil, passivo, feminino, inerte. Para a Obra é necessário utilizar tanto nossa natureza ativa quanto a passiva. Ambos, combinados, formam o que os alquimistas descrevem como o "coito do Rei e da Rainha", que vai gerar o novo ser. O sal é o dissolvente universal (também chamado arsénico), e é o meio de ligação entre o mercúrio e o enxofre, associado à energia vital que une corpo e alma. A ação transformadora desses três elementos (sal, mercúrio e enxofre) trazem à tona o espírito de Mercurius para que a matéria pesada se transforme em algo precioso.

O planeta Mercúrio está simbolicamente conectado à esfera mental da nossa psique individual, e no trabalho Alquímico age e acompanha todo o processo. É fácil compreender isso quando lembramos que a Tábua Esmeralda do sábio personagem Hermes Trismegisto (estou saindo do pressuposto que vocês sabem o que é a Tábua Esmeralda e seu “autor”, mas se alguém necessitar de maiores explicações, por favor, me avisem) tem o mental como princípio básico: "O Todo é Mente; o Universo é mental." O universo funcionaria como um grande pensamento divino, onde toda a criação principia como uma ideia da mente divina que continuaria a viver e a ter seu ser na divina consciência. É o mesmo que aparece no Evangelho de São João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus”. Jesus Cristo é o Mercurius alquímico que “(...) estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. ” (Evangelho de João, 1, 1 – 3)

Mercúrio é esse paradoxo que cria o mundo e é prisioneiro do mundo criado, e isso fala muito do nosso mental. Nossa espécie, a humana, se diferenciou dos nossos irmãos animais exatamente por essa curiosidade mental, essa capacidade de ir além da experiência concreta e construir abstrações que expliquem nosso mundo externo e interno: humanos, não os pinguins, descobriram que há gelo em Plutão; humanos, e não toupeiras, teorizam sobre os buracos negros. Nossa espécie trata isso como algo que não apenas nos diferencia, mas também nos torna superiores, nos fazendo semelhantes a um Grande Criador dono do mundo: assim como nós criamos cadeiras, alguém deve ter criado à nós e ao mundo. Essa concepção também é uma prisão onde não conseguimos avaliar corretamente o valor daquilo que não se enquadra em uma visão antropomórfica.

Em Gerhard Dorn (c. 1530 – 1584) encontramos que “através do estudo (...) adquire-se conhecimento; através do conhecimento o amor, que cria a devoção; a devoção cria a repetição e fixando-se a repetição cria-se em si mesmo a experiência, a virtude e o poder através dos quais o trabalho miraculoso é realizado; o trabalho na natureza possui essa qualidade” (Marie-Louise von Franz - Alquimia e Imaginação Ativa – pg 43). Essa é uma boa maneira de descrever o método científico utilizado até hoje e também de como adquirimos novos valores, novas visões de mundo, novos saberes e como isso nos modifica e se torna parte de nós.

As Neurociências nos confirmam que é através daquilo que pensamos da vida que nossa vida acontece, que aquilo que cremos ser a realidade se transforma em um filtro de percepção que nos faz viver naquilo que acreditamos. Nesse sentido, aquilo que conhecemos cria o mundo em que vivemos ao mesmo tempo que nos aprisiona nesse “cercado” conhecido.

Mercurius como símbolo do processo de entendimento, de conexão e integração, que liga o masculino ao feminino e permite ao Grande Transformador completar a transmutação das substâncias, tem primeiro que se libertar do aprisionamento que ele mesmo criou no coração de Saturno, com todas as crenças errôneas e limitantes que cristalizaram seu mundo.

Nossa busca primeva então é de como fazer para libertar Mercurius. Nossa matéria pesada e densa deve passar por quatro fases para que aconteça a transformação do chumbo em ouro, e nesse processo Mercúrio vai se libertando e guiando as mudanças. Lembrando que muitas vezes é preciso voltar a fases anteriores para que o processo possa continuar, pois o caminho é espiralado e não uma reta sem fim. C.G.Jung e outros analistas junguianos viram nessas fases o processo psíquico de individuação. Como cada fase está ligado a um astro diferente, quando falar de cada dos planetas vou aprofundando o processo. Aqui vou falar de cada fase tendo em vista a busca pela libertação e evolução de Mercúrio usando como pano de fundo os conceitos junguianos.


A primeira fase é o NIGREDO, palavra associada à cor negra, a Saturno, ao chumbo. Ou à merda. É o pesado, difícil e causa sofrimento. Então o primeiro passo do trabalho alquímico é verificar a merda em que você se meteu e aceitar isso. Jung diz que essa fase corresponde ao encontro com a Sombra, que é a parte da personalidade que foi enterrada por não poder ser aceita e que se transforma em nosso Inimigo. Sabe aquele dom artístico que você tinha quando pequeno, por exemplo, e que desapareceu de tanto você ouvir que arte é coisa de vagabundo (ou o prazer em se arrumar e se exibir que foi considerado superficial e errado, ou o interesse por matemática visto como coisa de cdf idiota, etc. ad infinitum)? Então, esse dom vai para a sombra inconsciente e toda vez que você cruza com um artista você se irrita, acha que ele deveria trabalhar em algo bem burocrático e pouco criativo para ser respeitado, e ai de um filho seu que queira tocar piano. Essa Sombra vai te encher de cobiça, raiva, inveja, melancolia e te convencer a abandonar ações positivas. Quanto mais inconsciente ela for, mais julgamos o mundo como um lugar triste, sem esperança, onde as pessoas não são confiáveis. Uma merda, mesmo.

Essa é uma fase considerada muito perigosa, pois o chumbo ao ser manipulado solta gases venenosos que podem enlouquecer, quando não mata o alquimista. É recomendado que esse trabalho seja feito de maneira protegida e acompanhado de alguém mais experiente. O risco que corremos ao encarar todas as coisas pesadas que fazem parte de nós é a de esquecermos do Mercurius que habita o coração de todo Saturno, deixando que a sombra tome conta de tudo e nos destrua sem que nada novo nasça. Qualquer pessoa que experimentou depressão profunda pode dar testemunho das dificuldades e dos perigos do Nigredo, de como é estar envenenado pelos vapores do chumbo. Enlouquecedor e muitas vezes fatal. Esse é um momento de introversão e também de incubação, onde encaramos nossos limites, fraquezas, frustrações e negatividades para reconhecermos que isso também faz parte de quem somos, e ao nos juntarmos com nossa Sombra realizamos o “coito entre o Rei e a Rainha”. Reconhecemos como sendo nossa responsabilidade cuidar dessa parte que por qualquer motivo mantínhamos escondido em um quarto escuro e fechado do inconsciente. Eva Pierrakos, que canalizava o Guia do Pathwork, dizia que quando o mal é compreendido como fluxo de energia divina momentaneamente distorcido devido às ideias errôneas, a conceitos e imperfeições específicos, ele não é mais rejeitado em usa essência. Com o reconhecimento da Sombra, trazendo-a para a luz, sua força diminui e podemos aprender a não nos deixar dominar por ela ao mesmo tempo que nos tornamos mais inteiros. É Mercurius se revelando no coração de Saturno, que de quebra ainda nos traz os dons que estavam sendo guardados pelo Inimigo.

ALBEDO é o branqueamento da matéria: fase lunar, onde se usa a prata e a água para purificar e clarificar. Entramos na segunda fase, onde as impurezas são filtradas, analisadas, separadas, destiladas, organizadas e algumas até dissolvidas. É uma fase passiva, onde os conteúdos emocionais e inconscientes contaminados que vão aparecendo podem ser analisados e conseguimos separar as emoções das memórias e entender como somos, como nossas vivências foram nos construindo, quais são nossas motivações mais profundas. Mercurius descoberto no coração de Saturno começa um trabalho de destilação que resulta na purificação da matéria pesada, que pode agora ser entendida através principalmente do olhar sobre o próprio universo emocional e inconsciente. É a construção do Cálice Sagrado. Sabe aquela sensação depois de um workshop terapêutico de imersão, ou um fim de semana xamânico, ou uns dias de retiro de silêncio, etc., que você se sente mais leve e um monte de coisas passam a fazer sentido? Isso é Albedo. Mas claro que não é uma fase totalmente isenta de perigos. Lembram-se que é uma fase lunar? Pois então. Aqui, estamos conectados com nossos estados emocionais mais primários, nossos mecanismos de sobrevivência inconscientes, e entre eles temos nosso precioso sentimento de clã. O perigo é começar a pensar que somos alguém iluminado e limpinho, passando a criticar todos que não seguem o mesmo caminho e que não fazem parte da nossa tchurma, caindo no maior pecado para os gregos e que já derrotou muitos heróis: a hibris, o orgulho. Essa é uma fase introspectiva e Mercurius tem que vencer a tentação de se animar demais com suas sacadas brilhantes sobre a própria história e passar a generalizar seu processo para toda a humanidade. Aí você pode começar a acumular rancores, raivas e mal-entendidos e tem que voltar uma casa para encarar mais um pouco de Nigredo. O que não é um grande problema depois de já conhecer o caminho. Essa é uma etapa de compreensão passiva, onde nosso eu mercuriano tem que ligar A com B, encaixando o quebra-cabeças de quem somos e passando pelas emoções que fazem parte da nossa história para deixa-las transparentes. As tentativas de ação aqui, seja entrando em uma análise sem fim achando que vai encontrar as leis universais ou querendo que todo mundo faça igual, ou mesmo querendo continuar por aqui quando essa fase já se esgotou, pode fazer com que seja necessário retornar à fase anterior por conta da putrefação que acaba gerando.

CITRINITAS, a terceira fase, é amarela, do enxofre, do trabalho com Marte. Aqui saímos da fase passiva para a ativa. A imagem que mais aparece nos tratados alquímicos dessa fase é a do Lobo ou do Leão que devora o Sol. Uma receita citrinitas fala de se pegar o Lobo, cortar suas patas e misturá-lo com o Velho Rei (que já não tem forças nem virilidade para fertilizar o reino) em um recipiente bem fechado e cozinhar em fogo lento até eles se misturarem e se transformem no novo rei. Os dois ficam se batendo ali e você tem que continuar firmemente mantendo o recipiente fechado até acontecer a transformação. Assim, temos o casamento de Mercúrio com Marte, que dá ao espírito de Mercurius uma força ígnea capaz de cortar o que prejudica seu desenvolvimento e possibilita nossa psique passar das questões pessoais para as questões mais amplas, que envolvem o mundo e as pessoas que estão além do nosso umbigo. O Velho Rei, em sua senilidade, é aquele que traz as crenças e verdades ultrapassadas, que já não servem se queremos avançar no caminho, ao mesmo tempo que possui a experiência e sabedoria adquirida com o tempo. O Lobo é a forma teriomorfa do ouro alquímico, que não pode morrer mas precisa ser contido para que sua força possa ser utilizada. Mercurius vai ganhar sabedoria e força nesse processo e assim se transformar. O enxofre, enquanto fogo alquímico, transforma o mercúrio feminino, volátil e frio, no “Mercúrio dos Sábios”, um Mercurius livre para explorar para além de si de maneira ativa. Essa fase é chamada de “morte amarela”, pois aquela noção de “eu” que tínhamos tem que morrer para que o novo ser possa nascer e entender o mundo além de si. Ao nos purificarmos nas duas primeiras etapas nos transformamos no “cálice sagrado” capaz de conter a nova vida que nasce da união de Marte com Mercúrio, da transformação do Velho Rei e do Lobo. Mercúrio passa a contar com a intuição e a conexão com o supra consciente para além da sua capacidade cognitiva, pois dizem os alquimistas que o Sol desce até ele para iluminá-lo. Nossa psique aprende, através das batalhas que agora pode enfrentar, a pensar por si mesma em vez de aceitar o que os “outros” (a família, a sociedade, a TV, a igreja, a Veja, etc.) dizem ser a verdade e passa a se basear em suas próprias percepções e experiências, não só externas, mas principalmente internas, aquelas que vêm do contato com o divino dentro de si e que mora em seu coração, representado pelo Sol que desce no recipiente puro que Mercurius se transformou. Aqui temos o ouro mas de uma maneira instável, que ainda precisa ser trabalhado para se fixar. Há uma busca por compartilhamento das experiências e nossa mente é capaz de entender o significado mais profundo de compaixão, o que irá possibilitar a passagem para a quarta e última fase.


O RUBEDO é a fase vermelha, de Vênus, que irá possibilitar que o Sol/ouro se estabilize. É o processo de síntese interna, unindo as forças opostas que atuam dentro da gente e que gera a Pedra Filosofal, aquela que transforma qualquer coisa em ouro. Uma boa imagem que resume essa fase é dada por Zózimo de Panópolis (meados dos anos 300 d.C): “Ele (o divino) aparece junto ao demiurgo, mas é um opositor das esferas planetárias; rompe o círculo das esferas e se inclina para a terra e a água (isto é, está prestes a projetar-se nos elementos). Sua sombra cai sobre a terra, mas sua imagem se reflete na água, incendiando o amor dos elementos. A imagem refletida da beleza divina o embevece de tal modo, que gostaria de habitar dentro dela. No entanto, mal desce, a Physis o envolve em abraço apaixonado. Deste abraço surgem os primeiros sete seres hermafroditas (que são os próprios astros). ” (C.G.Jung – Psicologia e Alquimia – pg 313). 

Na mitologia Afrodite/Vênus e Hermes/Mercúrio se unem e geram o Hermafrodita, que é masculino e feminino ao mesmo tempo. Esse é o coniunctio, a união do Céu e da Terra, do Sol e da Lua, do Deus e da Deusa, do Animus e da Anima, de Logos e Eros, quando o lado masculino e o feminino da alma se integram. Quando os opostos se apaixonam e se entregam um ao outro, algo maior e mais poderoso nasce, “rompendo o círculo das esferas”, pois a matéria (physis) e a divindade passam a ser uma coisa só. "Algo firme nasceu, algo que está além dos altos e baixos da vida, e simultaneamente nasceu algo muito vivificante, que participa do fluxo vital sem inibições ou restrições da consciência", diz Marie- Louise von Franz in Alquimia. “O psicanalista Carl Jung também descreve com poesia esse momento. Para ele, é como estar no pico de uma montanha, acima da tempestade. Vemos as nuvens negras, os relâmpagos e a chuva caindo, mas algo em nós paira acima de tudo e podemos simplesmente observar os elementos em fúria. Talvez esse momento ainda não seja definitivo - é provável que ainda caiamos sob a emoção de um estado negativo. Mas algo em nós já é capaz de dizer que essa cantiga é nossa velha conhecida e, de certa forma, não seremos tão capturados por ela. ” (Edson Cruz http://edsoncruzemquimica.blogspot.com.br/p/pagina-3.html).

Isso é ou não é a Pedra Filosofal, transformando sua vida em ouro?

Uma observação que a maioria dos tratados alquímicos traz é sobre a importância do meditatio e do imaginatio para que o Alquimista consiga lograr seu objetivo. Meditação e imaginação ativa (que Jung diferencia veementemente da mera fantasia) são uma maneira de fazer com que se conheça a própria mente e aos poucos se abra espaço para o Mercurius alquímico e sua transformação. Dos místicos cristãos aos sábios budistas, de xamãs Yanomami a guias espirituais das mais variadas vertentes, todos os que encontraram uma maneira de entrar em contato com a divindade interna, unindo o celeste com o terreno, falam dessa necessidade de trabalho com a mente para direcioná-la ao que há além do “eu”, da nossa pequena identidade, e utilizam para isso a meditação. O estado meditativo da mente possibilita a comunicação com o Eu divino através da imaginação.

Astrologicamente falando, tanto o Mercúrio pessoal, que encontramos no mapa astral (por signo, casa e aspectos), quanto os trânsitos de Mercúrio ao longo do seu ciclo pelo zodíaco, que o faz entrar em contato com os vários pontos de nosso mapa, podem nos mostrar caminhos para essa transformação se estivermos empenhados nessa direção. Esse planeta, sendo o mais próximo do Sol (o representante da divindade), está em sintonia com nossa estrela mais do que qualquer outro. Tenho visto que pessoas com os maiores desafios mercurianos no mapa (coisas como aspecto com Saturno ou com Plutão, ou o famigerado Mercúrio Retrógrado, por exemplo) acabam tendo um refinamento intelectual acima da média e histórias internas de dificuldades com a expressão mental que os levou nessa direção de introspecção e auto superação e lhes trouxe um tesouro afinal.

Um intelecto refinado, porém, não é o suficiente. Não é difícil encontrar pessoas refinadas intelectualmente que continuam com o coração de chumbo e que fogem do processo de Nigredo. Até Citrinitas conseguimos chegar através de esforço consciente e disciplina, porém a entrega à união dos opostos, que põe fim à dualidade em que vivemos, pensamos e construímos nossa identidade, só é possível através de nosso refinamento amoroso. Em Rubedo deixamos de pensar para sermos pensados pela “divindade que habita nossa alma”, como disse Sócrates a Fedro através de Platão quando lhe explica o que é o Amor. Esse é o Amor que precisa ser despertado na última fase. Ou, como diria Santa Teresa D’Ávila:

“Ó vida, que posso eu dar
A meu Deus, que vive em mim,
A não ser perder-te, a fim
De O poder melhor gozar
E não tenho outro querer;
Que morro de não morrer”

“Vida, qué puedo yo darle
A mi Dios, que vivi em mí,
Se no es perderte a ti,
Para mejor en El gozarle?
Quiero muriendo alcanzarle
Pues a El solo es el que quiero,
Que muero porque no muero”

Sim, Mercúrio também pode nos levar até o Amor maior, além de fazer a lista de compras do mercado. 

PS. O filme "A Revolução do Altruísmo" (2015), documentário de Tierry de Lestrade e Sylvie Gilman, traz boas informações para entender Mercurius. A Globosat oferece esse filme free pelo link http://globosatplay.globo.com/globosat/v/5399360/ 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Formação em Floripa

Uma formação que mistura Astrologia e Constelação Sistêmica Familiar, aqui em Florianópolis - SC. 

Serão vários módulos de astrologia, com muitas abordagens diferentes, com vários astrólogos. 

Eu vou falar sobre os planetas em 2 módulos. 

Para quem gosta de astrologia e/ou de constelação familiar, uma boa pedida.

A programação completa você consegue escrevendo para cabecadodragao@gmail.com 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Astrologia e Alquimia



"Sempre que os movimentos correlatos de Sol, Lua, planetas e estrelas são usados para trazer a ordem à confusão de nosso mundo cotidiano, existe astrologia”
Dane Rudhyar – Astrologia da Personalidade

Ando estudando Alquimia e parece que tenho material para me divertir por bastante tempo. O principal complicômetro é que a maior parte do material é iconográfico – feita através de imagens – e muitas vezes as descrições são “disfarçadas”, seja por medo de perseguições e proibições, seja para não mostrar os segredos para os não iniciados. De qualquer maneira, está sendo uma incrível viagem e estou entendendo melhor como é esse caminho de encontro com o Inconsciente e a maneira como a linguagem astrológica é usada aqui.

O Inconsciente trabalha e se comunica através dos símbolos, e ele é o nosso caminho para o Ser criativo que somos. Quando conseguimos criar em harmonia com o Inconsciente temos arte, intuições, sincronicidade, e quando brigamos com ele temos a loucura em suas diversas formas. Muitas vezes temos as duas coisas. E não brigar não quer dizer concordar: tem horas em que o Inconsciente vai falar que você é a rainha da cocada preta e é bem importante olhar para os próprios limites e dar uma risadinha de lado sabendo que não é bem assim. Isso também serve para o outro lado, quando a gente escuta que somos o verme do cocô do cavalo do bandido, e que também não é verdade. Essa é a razão dos gregos terem como seu maior pecado a hybris, que podemos traduzir como orgulho, arrogância. Não brigar é saber que o Inconsciente é muito maior que nossa consciência de eu, e assim, você pode criar, através da comunicação com essas manifestações, o Mundo Encantado da Cocada Preta com escritos, músicas, bordados, desenhos, danças e sei lá quantas outras maneiras, em um momento, e depois criar o Reino dos Vermes do Cocô de Cavalo - :$ - com os mesmos (ou outros que você acabou descobrindo) recursos, sem se identificar totalmente com esses mundos mas sabendo que eles fazem parte de você. Como explica Nancy Qualls-Corbett: “Podemos interpretar um mito subjetivamente, incluindo as imagens ou símbolos que o compreendem, a fim de descrever os atributos de uma função psíquica particular dentro de nós mesmos. Podemos perguntar, por exemplo: que parte de mim reflete o padrão de uma deusa ou de um demônio? Nesse sentido, os mitos, como os sonhos oferecem um ‘mapa rodoviário’ descritivo dos domínios inconscientes no caminho de individuação da pessoa, que é o movimento dela em direção à integridade. ” (A Prostituta Sagrada, 2002, pg 71). Para isso que Jung criou a técnica de Imaginação Ativa.

Nós enlouquecemos quando nos identificamos totalmente com o inconsciente porque ele é grande demais para que o ego o suporte, além de não ter valores como certo/errado, justo/injusto, bom/mau que normalmente nos orientam. Por isso são importantes nossas conexões com a realidade mortal limitada, para não se deixar arrastar. Trabalhar com materiais concretos ao se conectar com o Inconsciente pode ser de grande valia também. Era isso que os Magos, Bruxas, Alquimistas, Sacerdotes/isas e Xamãs em geral faziam desde sempre. E ainda fazem. 

Uma maneira bem eficaz do Inconsciente falar de seus Arquétipos (nome que Jung deu para a raiz que cria os símbolos no reino Inconsciente) é através das nossas emoções. Por isso quando o Arquétipo da Rainha da Cocada Preta surge nos sentimos tão grandes e melhores que o resto da Humanidade e quando é o Verme do Cocô quem surge nos sentimos tão abaixo de todos os Seres Viventes. Poder dar um passo atrás e olhar para o que se sente é realmente valioso nesses momentos.

Os estudos do movimento dos astros no céu e a busca por seu significado simbólico aqui na Terra está conectado a uma Ordem percebida através dos Ciclos que a Natureza nos oferece e de como o Humano se insere neles - já que ele não é algo solto ou diferente da Natureza -, assim como nossa consciência se liga ao nosso inconsciente. A Astrologia é uma ponte muito ampla e sólida entre a Consciência e o Inconsciente e por isso é usada por Alquimistas, Cabalistas, e outros especialistas em buscar uma ordenação maior na qual estamos inseridos. Durante tempos imemoriais chamamos a essa Ordem de Deus. Hoje temos muitos nomes para isso porque descobrimos muitas facetas importantes desse imenso Inconsciente, gigantesco como o próprio Universo que mal conseguimos vislumbrar. Aliás, começamos a teorizar a respeito de milhares de Universos paralelos ao nosso, então acredito que podemos multiplicar por muitos milhares o tamanho da nossa ignorância e daquilo que nos é inconsciente.

A Alquimia se diferencia de outros estudos por trabalhar sobre aquilo que se é para chegar ao potencial divino da matéria que já é também: o divino está ali, adormecido para alguns, escondido para outros, não algo que precisa ser introduzido ou buscado em outro lugar, pois o destino do chumbo é virar ouro, desde que trabalhado em harmonia com a substância vital universal que permeia tudo que existe. Em vez de buscar algo fora, no caminho árduo até uma alta montanha ou algum outro mundo espiritual, o alquimista trabalha a matéria para que ela se “conscientize” do ouro que é, assim como no processo de individuação nos conscientizamos de nossa integridade. Por isso o trabalho com a matéria a ser transformada precisa vir junto com a transformação da consciência do próprio alquimista, pois só quem conseguiu encontrar sua harmonia com o universo e alcançou o ouro em si pode fazer essa transformação no mundo. 

A Alquimia Ocidental teve seu momento áureo durante o século XVI, no Renascimento. São dessa época os mestres Agrippa (Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim – 1486/1535) e Paracelso (Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, conhecido como Paracelso - 1493/1541). A principal obra alquímica de Agrippa foi “De Occulta Philosophia”, Da Filosofia Oculta, e de Paracelso “O Sétimo Livro Supremo de Ensinamentos Mágicos”, o que mostra o quanto a Alquimia se integrava com a Magia e as Ciências Ocultas. Longe de ser o contrário de Ciência como hoje, ligado ao reino do fantástico, a Magia era exatamente essa busca por conhecimento da Ordem do Invisível: não só a Química, mas também a Física e a Biologia são filhotes das Ciências Ocultas.

Para se ter uma ideia de como era isso, “O Sétimo Livro (...)” de Paracelso, provavelmente o mais popular livro de Alquimia de todos os tempos (o meu comprei em uma banca de jornal a muitos anos atrás, mas ainda hoje você pode adquirir com facilidade e nas mais diversas línguas), começa falando de dores de cabeça e epilepsia, passando por efemérides planetárias e a vida longa do seu cavalo, para depois falar dos “segredos dos signos zodiacais”, dar receitas para acabar com as moscas e desvendar os tempos propícios para a transformação dos metais. E muuuito mais coisas interessantes e divertidas. Vale a pena adquirir o seu exemplar, caro leitor.

Nessas obras você encontra algumas associações básicas entre Astrologia e transformação Alquímica, e você vai ter que ter paciência para uma listagem de significados, pois aqui encontramos a base de pensamentos da Alquimia através da Astrologia.

Os planetas estavam ligados aos metais, de maneira que conhecer um planeta era conhecer o metal por ele regido e vice-versa:

    O Sol rege o ouro;
    A Lua rege a prata;
    Mercúrio, mercúrio;
    Vênus, o cobre;
    Marte, o ferro;
    Júpiter, estanho;
    Saturno, chumbo.

Isso significa que, não podendo pegar Saturno e manipulá-lo, você pode pegar o chumbo e ficar queimando, congelando, juntando com outros materiais, jogando ácidos e bases para ver como ele é internamente, e assim aprender mais sobre o planeta Saturno que anda em sua esfera no céu e trabalhar o Saturno do seu mapa natal, pois tudo compartilha da mesma natureza. E vice-versa: se você quer trabalhar o chumbo então precisa que Saturno no céu esteja em um bom posicionamento, em relação benéfica com os outros planetas e, dependendo do processo que você pretende fazer com ele, em determinado signo ou em associação benéfica com determinado signo. Depois falarei mais sobre cada um dos planetas e como eram utilizados na Alquimia.

Já os signos são usados para traduzir os processos de transformação alquímica, assim como traduzem os processos de transformação da Natureza através dos movimentos do Sol pelo zodíaco. Os 12 processos alquímicos são a base dos processos químicos modernos. Cada um destes processos é "dominado" ou "regido" por um dos doze signos do Zodíaco Ocidental como mostrado a seguir, com 3 tipos de decomposição, 3 de modificação, 3 de separação e 3 de união (as definições básicas, entre aspas, foram retiradas da Wikipédia, a menos que seja citada outra fonte):

  -  Decomposição através da Calcinação (Aries) – “a calcinação (lat. calx, calcinatio para o processo de se queimar substâncias diversas) é o nome dado a reação química de decomposição térmica, usada para transformar o calcário (CaCO3) em cal virgem (CaO), liberando gás carbônico (CO2) e outras reações análogas, nas quais esta transformação com remoção de gás está envolvida. Também é o nome dado ao processo realizado na fabricação de gesso, ou qualquer processo no qual a água (também chamada de água de cristalização) é removida de sais hidratados (por exemplo "soda calcinada"), bem como na fabricação de porcelana, na qual a água ligada as moléculas é liberada, durante o processo de sinterização. Na prática, o conceito calcinação é empregado de maneira ampla e descreve o tratamento térmico aplicado a quaisquer substâncias sólidas (por exemplo minérios) visando (...) a remoção de uma fase volátil quimicamente ligada a um determinado sólido, a decomposição térmica (de uma ligação química), a produção de um óxido (quimicamente semelhante à cal), a mudança de uma estrutura em substâncias cristalinas. ” 

Creio que é simples conectar esse processo com o signo de Aries, não? Um fogo que decompõe a matéria retirando toda a água e tudo que é volátil! Essa não parece uma descrição muito mais precisa do Fogo Cardinal do que a pequena chispa geralmente associada a esse signo?

    - Decomposição através da Digestão (Leão) -  “quebra dos componentes dos alimentos em moléculas menores, passíveis de absorção e posterior utilização pelo organismo, ou seja, os processos implicados na conversão de alimentos em substâncias adequadas à absorção e à assimilação. A digestão é o conjunto das transformações químicas e físicas que os alimentos orgânicos sofrem ao longo de um sistema digestivo, para se converterem em compostos menores hidrossolúveis e absorvíveis. Ela tem a função de manter o suprimento de água, eletrólitos e nutrientes do organismo, num fluxo contínuo. ”

Leão é exatamente esse Fogo sob controle que fornece o calor necessário para transformar os alimentos naquilo que necessitamos para viver bem transformando aquilo que ingerimos em compostos que supre as necessidades pessoais do meu organismo único. Não é à toa que o Plexo Solar se localiza na região do estômago. 

   - Decomposição através da Fermentação/Putrefacção (Capricórnio) – A Fermentação e a Putrefação são processos feitos por microrganismos sobre compostos orgânicos, mas no primeiro temos um processo controlado e no outro não. É como se a putrefação fosse uma fermentação com oxigênio que resulta na destruição dos tecidos em vez de transformá-lo em algo útil para nós. Fermentação é um processo de “liberação de energia que ocorre sem a participação do oxigênio (processo anaeróbio) que compreende um conjunto de reações enzimaticamente controladas, através das quais uma molécula orgânica é degradada em compostos mais simples, liberando energia. A glicose é uma das substâncias mais empregadas pelos microrganismos como ponto de partida na fermentação. (...). Para algumas bactérias anaeróbias o gás oxigênio pode ser letal, restringindo a ocorrência desses organismos a solos profundos e regiões em que o teor de oxigênio é praticamente zero. A esses organismos damos o nome de anaeróbios estritos. Há, no entanto, outros organismos que são considerados anaeróbios facultativos, uma vez que realizam a fermentação na ausência de oxigênio e a respiração aeróbia na presença desse gás, como é o caso de certos fungos (Saccharomyces cerevisiae - levedura) e de muitas bactérias. ” Como resultado da fermentação temos adubo orgânico, fermento para pão ou cerveja, por exemplo. Já “Putrefação é o quinto estágio da decomposição do corpo de um animal morto. Pode ser visto em termos amplos como a decomposição de proteína em um processo que resulta num eventual colapso da coesão entre os tecidos e a liquefação da maioria dos órgãos. É causada pela decomposição bacteriana que resulta em odores. Em termodinâmicas, todo o tecido biológico é uma loja de energia química, que, quando não seja mantido pela manutenção constante bioquímica do organismo vivo, começa a hidrolisar em aminoácidos quimicamente mais simples como componentes orgânicos. A repartição das proteínas de um corpo em decomposição é um processo espontâneo e a hidrólise de proteínas é acelerada com as bactérias anaeróbias do trato digestivo que são responsáveis por consumir, digerir e excretar as proteínas celulares do corpo. A digestão bacteriana das proteínas da célula enfraquece os tecidos do corpo. Como as proteínas são continuamente discriminadas em componentes menores, as bactérias excretam os gases e os compostos orgânicos, tais como o grupo funcional putrescina e cadaverina, que transportam o odor nocivo de carne podre. ” Aqui temos não só a decomposição dos corpos mortos, mas também o chorume do adubo orgânico, por exemplo, e tudo aquilo que conectamos com “cheiro de morto”. 

Desde muito tempo se associa Saturno, o regente de Capricórnio, com a Morte, assim maiúscula, como aquel@ que traz o limite à vida humana, presente em toda e qualquer tragédia e que se tenta enganar para continuar vivo. Saturno sempre foi o Grande Maléfico por isso. Apesar da fama de Escorpião, é Capricórnio quem nos fala da Vida e Morte dentro dos contornos da Sobrevivência. A mortalidade inevitável é um limite inegável, que coloca em dúvida a nossa participação do divino, que questiona os mais desenvolvidos santos e iluminados: uma das comprovações de que alguém era santo/iluminado sempre foi (e ainda é) a não putrefação do corpo físico. Aliás, muito interessante pensar nessas coisas e nesse processo capricorniano no momento em que Plutão transita por esse signo. E ainda tem gente que insiste em dizer que Capricórnio é simples. Mas aqui também vemos o outro lado da Morte, que é a fermentação, a possibilidade de se fazer pão e cerveja ou vinho, alimentos básicos do ser humano por todo o planeta a milhares de anos. É interessante notar que a diferença dos dois processos aparece para nós principalmente através do cheiro que os microrganismos produzem; o odor de fermentação nos atrai enquanto temos repulsa pelo odor de putrefação. Longa conversa com budistas, aqui...

- Modificação através da Congelação/Coagulação (Taurus) – Tanto a congelação quanto a coagulação tratam de transformar um líquido em um sólido, sendo que no primeiro processo fazemos isso através do resfriamento e no segundo através da adição de eletrólitos que vão provocar a aglutinação do sangue, por exemplo.

Touro, Terra Fixa, também é facilmente reconhecido nesse processo de transformar coisas fluidas, como água ou sangue, em coisas sólidas, não? Touro traz em si exatamente a concretização das intuições e sonhos que impede que a vida se esvaia por alguma brecha mal fechada e isso trará as mudanças de estado naquilo que vivemos. Processos taurinos exigem a consolidação das coisas. 

- Modificação através da Fixação (Gêmeos) -  O ato de fixar quimicamente algo pode ser usado hoje em dia tanto pela Engenharia (“operação que torna fixo um corpo volátil”) quanto pela Biologia (“operação pela qual um tecido vivo é morto por um fixador, com o fim de se realizar um exame microscópico”). Também chamado de “chumbador” e usado na construção civil, a fixação química coloca um composto líquido, através de injeção ou ampola, em lugares de difícil acesso ou muito pequenos para se colocar concreto e quando ela entrar em contato com o ar se solidifica. Quando se trata de fixação química para análise biológica celular, histológica ou patológica, fixação é um processo químico pelo qual “tecidos biológicos são preservados da decomposição ou alteração indesejada para fim de exame: a fixação elimina qualquer reação bioquímica em andamento, e pode também aumentar a resistência mecânica ou a estabilidade dos tecidos tratados”.

 Como associar fixação com o signo chamado de “borboleta do zodíaco”? Na utilização biológica de fixadores essa associação fica simples, pois apesar da “inconveniência” de se matar o objeto de estudo – como na história de Mercúrio e a tartaruga transformada em Lira -, o objetivo da fixação é impedir o movimento biológico natural, que levaria à putrefação, ao mesmo tempo que endurece o tecido para que resista aos tratamentos posteriores. Esse é um raciocínio geminiano, que busca o conhecimento “objetivo”, de preferência sem a influência daquilo que é muito vivo, emocional e/ou orgânico, que possa atrapalhar a racionalidade do saber. Quem já fez mestrado e doutorado sabe que chega uma hora em que você tem que “matar” seu objeto de estudo para poder escrever e descrevê-lo, senão você ficará eternamente colhendo dados. Essa é a base do conhecimento científico de laboratório com a qual trabalhamos ainda hoje.

   - Modificação através da Ceratização (Sagitário) – Na verdade a ceratização é um ciclo – também chamado cornificação – onde as células epiteliais se transformam em células córneas, mortas. “A pele elimina diariamente cerca de 6 a 14 mg de escamas ou células mortas, que são substituídas por outras células epidérmicas, as quais gradualmente se ceratinizam. No processo de corneificação, em que se forma a ceratina, há progressiva desidratação celular, com decomposição gradual do citoplasma e do núcleo. Essa camada de células mortas funciona como um envoltório impermeável, que protege a pele contra agentes mecânicos e químicos e constitui barreira contra a penetração de bactérias. Oferece resistência à penetração de água, mas certos gases e substâncias voláteis podem atravessá-la. Substâncias lipossolúveis, estrógenos, vitamina D e sulfonamidas são absorvidas com certa facilidade. Óleos e gorduras minerais podem penetrar na pele através dos folículos pilo-sebáceos. Quando a continuidade da camada córnea é prejudicada por afecções cutânea ou traumatismo, ela se torna menos impermeável. A pele assegura o equilíbrio interno do organismo. A epiderme, com a camada córnea, é a mais vital. Sem o revestimento de ceratina da camada córnea, o organismo perderia líquidos, secaria e morreria. Ao mesmo tempo, o tegumento protege o organismo contra a penetração de agentes tóxicos e bactérias. “ 

A pele é o maior órgão humano, o que já facilita a associação com Sagitário, mas é nesse processo de proteção e equilíbrio do organismo feito pela camada mais externa da pele que vamos reconhecer melhor os processos de Fogo Mutável: aqui temos a modificação através daquilo que absorvemos do mundo externo e também através daquilo que deixamos do lado de fora. O fato de se tratar de células mortas como no processo geminiano não é mera coincidência. Nossos valores culturais e religiosos (também os valores que muitas pessoas hoje estão chamando de “espiritualidade”) nos protege e dá significado para aquilo que vivemos, além de definir o que entra ou não na nossa vida. Interessante notar que a ideia de trauma cutâneo torna a pele mais aberta a agentes tóxicos, assim como a psicologia afirma que os traumas psíquicos nos tornam mais vulneráveis a pensamentos e emoções toxicas que muitas vezes resulta em Fundamentalismos religiosos e/ou ideológicos.

    - Separação através da Destilação (Virgo) – “A destilação é o processo de separação baseado no fenômeno de equilíbrio líquido-vapor de misturas. Em termos práticos, quando temos duas ou mais substâncias formando uma mistura líquida, a destilação pode ser um método para separá-las. Destilação é o processo de vaporizar um líquido para depois condensá-lo e recolhê-lo em um outro recipiente. Um exemplo de destilação que remonta à antiguidade é a destilação de bebidas alcoólicas. A bebida é feita pela condensação dos vapores de álcool que escapam mediante o aquecimento de um mosto (uma mistura açucarada) fermentado. Como o ponto de ebulição do álcool é menor que o da água presente no mosto, o álcool evapora, dando-se assim a separação da água e o álcool. O petróleo é um exemplo moderno de mistura que deve passar por várias etapas de destilação antes de resultar em produtos realmente úteis ao homem: exemplo gasolina, óleo diesel, querosene, asfalto e outros. “

Autoexplicativo do processo virginiano, não? Separando coisas aparentemente inseparáveis para torna-las úteis. Mas é bom observar que “Em teoria, não se pode purificar substâncias até 100% de pureza através da destilação. Para conseguir uma pureza bastante alta, é necessário fazer uma separação química do destilado posteriormente. ” Uma pequena provocação para os virginianos...

   - Separação através da Sublimação (Libra) – “A sublimação é a mudança do estado sólido para o estado gasoso, sem passar pelo estado líquido. (Poderia parar aqui para falar de Libra, mas vamos mais um pouco). O ponto de sublimação, assim como o ponto de ebulição e o ponto de fusão, é definido como o ponto no qual a pressão de vapor do sólido se iguala a pressão aplicada. Sublimação (as vezes chamada de ressublimação) também pode ser a passagem direta do estado gasoso para o estado sólido. A sublimação é característica de substâncias que possuem pressão de vapor no ponto de fusão maior que a pressão atmosférica. Dessa forma, na pressão atmosférica a substância desenvolve pressão de vapor suficiente para vaporizar completamente. A naftalina, assim como o iodo são bons exemplos de substâncias sublimáveis. A sublimação pode ser usada (também) para purificar sólidos. O sólido é aquecido até que sua pressão de vapor se torna suficientemente grande para ele vaporizar e posteriormente ressublimar numa superfície fria colocada logo acima. O sólido é então contido na superfície fria enquanto as impurezas permanecem no recipiente original. ”

Em suma é a técnica que se associa ao processo libriano por ser usado quando um dos componentes da mistura sólida sublima facilmente, isto é, passa diretamente do estado sólido ao estado gasoso, por aquecimento, e do estado gasoso ao estado sólido, por arrefecimento, ou, em linguagem simbólica, pode ser abstraído e depois retomar sua forma com facilidade. Assim como em Virgem, o processo libriano se associa a uma purificação da matéria, só que como é um processo de Ar não há nada líquido/emocional envolvido. Freud chamou de sublimação ao artifício do ego de transformar emoções proibidas e o impulso sexual (a energia da libido) em atividades aceitáveis socialmente. Importante na adaptação de um indivíduo no seu meio envolvente, porque possibilita o seu enquadramento social, mas também construtor de neuroses quando exagerado. Processos librianos sem dúvida.

   - Separação através da Filtração (Escorpião) - “Filtração ou filtragem é um método utilizado para separar sólido de líquido ou fluido que está suspenso, pela passagem do líquido ou fluido através de um meio permeável capaz de reter as partículas sólidas. A filtração é utilizada para realizar a separação do líquido de uma mistura sólido-líquido ou sólido-gasoso. O equipamento mais utilizado é o filtro de papel, como o usado para filtrar o café (um exemplo bastante prático do uso da filtração). Ele funciona como uma peneira microscópica onde somente o líquido passa pelos seus minúsculos orifícios, acumulando a fase sólida dentro do filtro. “

A filtração se associa a Escorpião porque nesse processo o material sólido fica retido e o que for líquido pode passar, mesmo que modificado. Assim são os processos de Escorpião, que vive intensamente as coisas para modificar, transformar e purificar as emoções. O destaque aqui é para a necessidade de um meio líquido para se fazer a filtragem, pois só quando deixamos o emocional passar é possível fazer a separação entre o que é real, sólido, e o que não é. Sim, o resultado pode ser um estimulante café matinal! Claro que alguns vão ficar sem dormir à noite também...

   - União através da Solução (Câncer) – A Solução pode ser caracterizada por formar um sistema homogêneo (a olho nu e ao microscópio), impossível de se separar o disperso do dispersante por processos físicos. As soluções são compostas por moléculas ou íons comuns. Podem envolver sólidos, líquidos ou gases como dispersantes (chamados de solventes – existentes em maior quantidade na solução) e como dispersos (solutos). A solução também pode apresentar-se nesses três estados da matéria. É importante destacar que soluções gasosas são formadas apenas por solvente e soluto gasosos. Em farmácia, uma solução é uma forma farmacêutica líquida, caracterizada pela formação de um sistema onde todas as substâncias sólidas presentes na formulação devem estar totalmente dissolvidas em um veículo adequado. Portanto a solução deve ser líquida e transparente. ”

Câncer, né? Que é capaz de dissolver as separações das relações e transformar tudo em família. E adorei essa solução ideal, líquida e transparente: quando câncer consegue agir de maneira líquida e transparente realmente pode ser algo muito curador.

   - União através da Multiplicação (Aquário) – Multiplicação não é um processo químico, mas matemático: em aritmética é a “operação entre dois números inteiros que tem por fim somar um deles tantas vezes quantas forem as unidades do outro” e em álgebra é a “operação definida no corpo dos números reais e que generaliza a multiplicação entre inteiros. ” Só por isso já poderíamos chamar de um processo aquariano, o Ar Fixo zodiacal, portanto o que tem concentrado as possibilidades de abstração e cuja melhor representação é mesmo a matemática. Mas derivado dessa definição matemática temos ainda que em Biologia chamamos de multiplicação à reprodução assexual e em jurisprudência o processo de multiplicação é aquele que “acontece quando ao titular de um direito se unem outras pessoas que passam a exercer conjuntamente com ele suas faculdades jurídicas. ”: quer coisa mais aquariana do que reproduzir-se sem troca de fluidos e multiplicando direitos?

  - União através da Projeção (Peixes) – A Projeção é resultado direto das descobertas de refração da Luz de Sir Isaac Newton (1642/1727) que criou uma geometria usada pela química para criar a “ estereoquímica, que é um ramo da Química Orgânica que estuda as diversas possibilidades de estruturas em três dimensões das moléculas de carbono e suas consequências, isto é, as propriedades químicas resultantes. Uma parte importante da estereoquímica é a estereoisomeria, que ocorre quando dois ou mais compostos são isômeros (palavra que vem do grego isoméres = “partes iguais”) ou, mais corretamente nesse caso, estereoisômeros, que são compostos com a mesma fórmula molecular, mas que se diferenciam unicamente pelo arranjo tridimensional de seus substituintes. Isso quer dizer que esses compostos pertencem ao mesmo grupo funcional, possuem a mesma estrutura esqueletal (quando se considera a fórmula estrutural plana), além de a insaturação, heteroátomo ou substituinte (se houver) e grupo funcional estarem no mesmo carbono da cadeia. A única diferença é realmente o arranjo dos átomos no espaço, o que resulta em propriedades totalmente diferentes. Por isso, a importância de estudar as características das figuras geométricas que apresentam duas ou três dimensões. ” Ou seja, lembrando aquelas aulas de química do colegial, a projeção é uma maneira de representar em 2D fórmulas químicas que se diferenciam em 3D, como na imagem abaixo:


Em psicologia a projeção é uma ferramenta onde o ego coloca para fora – para outra pessoa, situação, sociedade, time de futebol – aquilo que ele não tem controle ou que ele não sabe como lidar. Para Freud se trata de coisas que o ego não consegue reconhecer em si por questões morais, como o homem que desqualifica as mulheres e acha que todo homem que se aproxima de sua filha é um idiota que quer “se aproveitar”, por exemplo. Para os junguianos trata-se de material arquetípico que o ego não tem como reconhecer em si, como as divindades ou a sombra, por exemplo. Hoje podemos dizer que os dois estão corretos e que esse é um mecanismo muito usual e interessante, além de muito importante na nossa autoanálise. Aquilo que nos incomoda no outro com certeza é algo que nos incomoda internamente.

Das características mais marcantes de Peixes, a empatia é das mais interessante, pois essa capacidade de se identificar com o Outro, de sentir o que o Outro precisa e se sacrificar por isso costuma ser a maior reclamação e a maior benção desse signo. Claro está que esse é um signo que propicia a projeção – positiva e negativa – dos outros de maneira muito clara. O processo pisciano pode ser traduzido, por tanto, através da projeção de um campo, um conhecimento, uma ideia, um sentimento, ou seja lá o que você queira trabalhar, em outro campo distinto, de modo a produzir um conhecimento mais preciso e uma representação em outro campo de consciência. 

Longa postagem... obrigada a você que conseguiu me acompanhar até aqui. Aos poucos vou organizando meus estudos e dividindo com vocês. Agora começam as correrias de fim de ano e de um ano marciano que nos surpreende a cada dia. 

Para lembrar: 2016 será um ano regido pelo Sol e desejo a vocês todos uma alegre redescoberta da própria integridade. Se 2015 foi emocionante e nos obrigou a ver nossas beligerâncias de perto, com essa regência marciana, o ano solar promete ser mais rico ainda para nos conhecermos melhor e descobrirmos quem realmente governa nossas vidas. Aproveitem!!!