domingo, 5 de abril de 2009

Passeios de Marte Pelo Mapa

Vejamos agora como Marte vai despertando os astros em nosso mapa natal. Quando o Guerreiro Celeste faz sextil (ângulo de 60°) e trígono (ângulo de 120°) com pontos do nosso mapa, geralmente essa energia pode ser utilizada sem maiores esforços, e não precisa da consciência para ser aproveitada. Aliás, isso é válido para qualquer trânsito. Vamos dar algumas dicas apenas para os aspectos desafiadores formados com o mapa, ou seja, as conjunções, quadraturas (ângulo de 90°) e oposições (ângulo de 180°), lembrando de pensar neles à partir de uma órbita aproximada de 10 graus, ou seja, uns 10° antes e depois do aspecto exato.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com o Sol Natal
Com uma intensa vitalidade, onde o eu é enfatizado, esses são períodos que trazem consigo muita energia; tanta que pode nos tornar ativos demais, e trabalhamos demasiado, nos divertimos demais, ou simplesmente nos acidentamos por causa da pressa excessiva. É mais fácil ficarmos encolerizados e com certa suscetibilidade nessas épocas, sendo comum nos irritarmos por coisas pequenas e somatizar quando nos sentimos feridos. É sempre bom ter mais cuidado e atenção com questões profissionais e tentar evitar julgamentos precipitados, além de cultivar mais paciência com as pessoas que achamos muito “lentas”. Se o Sol natal tem aspectos difíceis, o trânsito de Marte irá ativá-los também, por isso é necessário pensar nesses períodos como épocas em que se deve ser mais prudente e tentar controlar a forma pela qual agimos sob pressão. Mas mesmo em condições mais difíceis, Marte energiza nosso Sol, que é nossa essência vital, e, se conseguimos evitar os exageros, podemos aproveitar essa energia para criar coisas novas e ir atrás do que queremos.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com a Lua Natal
Super sensibilidade é a marca desse trânsito, que costuma ser dos mais turbulentos de Marte. Sendo a Lua o símbolo de nossas respostas emocionais e de como sentimos e reagimos à vida em torno de nós, esses trânsitos marcianos combinarão a cólera e a imposição do eu com nossas reações emocionais, resultando numa reação hipersensível e altamente impressionável. Isso pode resultar numa distorção que transforma qualquer comentário ou sugestão em crítica pessoal, nos fazendo reagir de maneira extremamente dramática a situações que nos teriam feito rir uma semana antes do trânsito. Uma boa imagem desse trânsito, dada por Lundsted, é a de uma pessoa com o coração na mão tentando abrir caminho no meio da multidão. Ficamos com a cabeça cheia de sentimentos feridos e acabamos atacando o outro por medo de sermos atacados. É fácil perceber que esses não são bons períodos para se tomar decisões a respeito de nossas vidas pessoais, pois ficamos meio malucos mesmo, criando condições para nos arrependermos de atitudes que tomamos depois que o trânsito passar. A melhor forma de expressar as raivas dessas épocas é através de trabalho físico. Antes de discutir a relação, vá fazer uma bela faxina em casa.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com o Mercúrio Natal
Conversas demais são característica desse trânsito, pois Marte é o planeta da ação e ativa nossos ouvidos e bocas quando forma aspecto com nosso Mercúrio. Isso pode fazer com que não tenhamos cuidado com o que falamos, ouçamos de forma incompleta o que nos falam, escrevamos cartas confusas, e tenhamos nosso cérebro super acelerado, o que geralmente significa que tendemos a supor que as pessoas compreendem mais ou que são mais competentes do que realmente são. Como a mente está funcionando de maneira mais rápida que o normal, a pressa pode se juntar com certa dose de agressividade, nos tornando muito lógicos mas pouco racionais. Nessas épocas também é bom tentar adiar a resolução de assuntos importantes, pois é fácil pularmos partes de contratos, esquecermos datas de vencimento ou discutirmos por bobagens. Nesses trânsitos é comum se sentir mais esperto que os outros, e se acaba ficando com raiva por que os outros não nos compreendem - por que se fala tão rápido que se perde o principal - ou não se ouve o que o outro falou por que se está com muita pressa. Em vez de ficara com raiva é melhor estar pronto para repetir algo que se falou a cinco minutos e aprender a pedir para o outro repetir o que disse para nos assegurarmos de ter ouvido corretamente.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com a Vênus Natal
Esse trânsito traz a natureza emocional romântica para a linha de frente, e os relacionamento amorosos costumam ser particularmente energizados, seja através da expressão para com quem se está relacionando, seja na busca desse alguém. Podemos dizer que esses são períodos em que se fica apaixonado pela idéia de estar apaixonado e isso pode ser bem divertido mas também criar algumas confusões, como se dar um ultimato num relacionamento que ainda não está suficientemente sólido, ou se dedicar amorosamente a alguém que não merece ou não quer isso. Os antigos diziam para não se ficar namorando no portão por que o amor podia ser cego, mas os vizinhos não são, o que é uma forma popular de se dizer para tomar cuidado. Isso não significa um pudor puritano, mas sim que as vezes as outras pessoas podem ver coisas que não conseguimos enxergar quando estamos envolvidos em certas situações: as vezes é mais fácil ver de fora que escolhemos uma pessoa que não é nosso par, ou alguém que não está interessado em nós tanto quanto estamos nela. Esse trânsito é ótimo para fazermos maus julgamentos amorosos. Vênus indica nossa forma de nos divertirmos, e os trânsitos de Marte por esse ponto pode ser bem direcionado para esse lado, sendo esses períodos muito bons para se tirar férias. Como os outros aspectos da Vênus também são ativados, precisamos sempre estar levando em conta suas restrições para podemos desfrutar das coisas que nos dão prazer e termos bom humor quando as coisas não saem do modo que esperávamos.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com o Júpiter Natal
Essa costuma ser uma época de más compras, pois as atrações de uma vitrine bem feita costumam ser irresistíveis, e é quando fazemos compras maiores que o normal, adquirimos coisas que não precisamos, pagamos mais caro pelo que precisamos, compramos coisas que depois precisam ser trocadas e entramos no cheque especial para comprar bobagem. Com essas indicações não é preciso dizer que se deve evitar compras importantes, pois provavelmente se comprará um carro lindo com o motor pronto para ser fundido, ou uma casa maravilhosa que depois precisa ter todo o encanamento trocado. Júpiter mostra a forma que nos relacionamos expansivamente com o mundo, e quando Marte em trânsito vêm ao seu encontro, nossa tendência é de agir ou responder aos estímulos de forma exagerada, dizendo “não me importa, quero isso de qualquer jeito”, ou “não me importo, vou fazer isso de qualquer jeito”. As necessidades futuras podem ser esquecidas pois a “necessidade” presente parece ser a única importante. Isso muitas vezes dificulta os relacionamentos, pois aquilo que consideramos tão importante pode ir contra aquilo que o outro acha importante e, em vez de tentarmos um acordo, dizemos que aquilo que o outro quer não nos interessa. Quando começamos a dizer “não me interessa”, estamos prontos a tomar o caminho errado, e essa energia precisa ser refreada para ser bem aproveitada em coisas que realmente valem a pena, como fazer a subida daquela montanha que sempre sonhamos, ou para descer um rio de bote, mas com salva-vidas. Nesses períodos precisamos manter as finanças em cheque e tentar ser menos egocêntricos com as pessoas importantes com que nos relacionamos, para que possamos, depois que o trânsito passar, ter ainda algum dinheiro no bolso e sem muitas prestações a pagar, além de não precisarmos fazer uma pilha de roupas e utensílios que não queremos e resolver as mágoas em nossos relacionamentos.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com o Saturno Natal
Problemas com autoridade, com questões legais e com figuras masculinas de nossa vida costumam ser os temas que vêm à tona com esses trânsitos, pois quando Marte transita pelo Saturno natal as restrições, advertências e problemas internos que geralmente são projetados nas autoridade precisam ser resolvidos. Marte costuma revelar muito da nossa atitude interior a esse respeito provocando uma resposta desagradável das outras pessoas. Esses trânsitos costumam trazer boas idéias e grande capacidade de concentração de energia para realizar nossas ambições, mas, como estamos “certos”, acabamos nos comportando feito um tanque de guerra, querendo provar para todo mundo o quanto estamos certos, despertando a antipatia e fazendo com que os outros não nos escutem. Pedidos de sugestão e de cooperação não costumam dar muito certo nessas épocas, sendo possível, inclusive, que uma figura de autoridade seja exatamente aquilo que nos impede de avançar. Ônibus se atrasam, entramos em engarrafamentos ao tentar escapar de enchentes, aviões não chegam na hora e se perde as interligações, horários não combinam, e, sabendo que essas coisas podem acontecer, é bom sair mais cedo de casa, contar com um tempo extra nos planejamentos e se conceder um pouco mais de paciência para não se sentir derrotado quando as coisas se frustram. As questões legais que envolvem burocracia também não costumam ter bons resultados nesses períodos, pois o papel sempre fica preso mais tempo em algum lugar, ou se extravia por alguma viela escura, e não adianta ter uma gastrite por que a incompetência do serviço público é um absurdo. As restrições e adiamentos desses trânsitos são muito frustrantes, mas passam, e é importante nessas épocas tentar evitar as atitudes do tipo “estou coberto de razão”, pois apresentar nossas certezas e boas idéias de maneira despótica afasta as pessoas que de outro modo cooperariam. Tome nota das boas idéias que surgirem e as apresente depois que o trânsito passar, pois o Saturno natal precisa de um tempo de maturação antes que a idéia se transforme em algo que se possa realizar.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com o Urano Natal
Há extrema impulsividade nesses períodos, pois Marte ativa nosso lado mais excêntrico e impetuoso quando faz aspectos desafiantes com o Urano natal. É bom exercitar a prudência nesses períodos, pois podemos ficar muito teimosos e obstinados, jogando pela janela nossos planos a longo prazo e cedendo à tentação de termos uma deliciosa explosão de mau humor. É comum um desejo irresistível de perder o controle e, assim, acabamos ficando numa situação vulnerável que pode realmente ser desestruturadora. Esses são períodos que precisamos exercer a reflexão para vermos o que realmente está em jogo quando agimos, pois, como no xadrez, cada movimento tem que refletir a posição de nosso rei: uma coisa é fazer um movimento ousado com o pião para obrigar o adversário a movimentar uma peça, outra é deixar o rei vulnerável por querer comer o pião adversário.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com o Netuno Natal
Esses trânsitos costumam indicar períodos em que realmente não sabemos o que estamos fazendo, o que pode ser bem engraçado se não nos desesperarmos. Existe certa perda da autopercepção quando Marte se conecta com nosso Netuno natal, e ficamos esbarrando nos móveis e nos enchendo de hematomas, batemos de raspão nos carros dos outros quando estacionamos, e ficamos meio “bêbados”, surpreendentemente não reagindo da maneira habitual. São períodos em que abandonamos regimes, bebemos demais e, muitas vezes, as fofocas e boatos se voltam contra nós. Mas podemos, também, conseguir melhores sintonias com nossos sonhos, objetivos e aspirações, por isso ficamos mais crédulos e mais sensíveis. É um bom tempo para meditações e trabalhos espirituais, mas temos que tomar cuidado com as coisas do dia a dia, pois ficamos tontos com meio copo de cerveja, falamos de coisas muito íntimas com estranhos, e somos facilmente enganados. Desenhar, dançar, ouvir e tocar música podem ajudar a utilizar o universo nebuloso netuniano ativado por Marte.

Marte em conjunção, quadratura ou oposição com o Plutão Natal
Esses são períodos em que somos facilmente invadidos por sentimentos de cólera, pois desperta memórias inconscientes e faz com que sintamos medo de sermos enganados ou abusados, nos tornando desconfiados. Plutão guarda motivações inconscientes dentro de nós, as memórias de vulnerabilidade da infância que geralmente queremos esquecer. Quando Marte em trânsito ativa esse ponto, ficamos irritadiços e nos sentimos um pouco - às vezes mais do que admitimos - fora do controle, e uma palavra ouvida ao acaso pode encolerizar-nos ou ferir-nos e, a despeito do que pensamos conscientemente, ficamos com bastante raiva. Esses períodos podem ser excelentes para quem deseja se tornar mais consciente dos aspectos negativos e melindrosos da personalidade, pois trazem à memória as vezes em que pontos sensíveis foram desprezados e humilhados na infância, como aquela brincadeira cruel de que se foi vítima na família. Essas épocas podem atrair situações mórbidas ou atividades destrutivas que dizem respeito às formas inferiores das energias plutonianas. Quando percebemos isso, o melhor remédio é procurar ficar quieto e se manter longe de confusões até acharmos uma forma de estar canalizando essas energias de maneira mais saudável, seja através de terapias ou de vivências de cura. Evitar experiências desagradáveis e destrutivas nos mantêm bem conosco mesmos, o que é importante para termos força para olhar nosso próprio lado escuro.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Trânsitos de Marte

“Ogum, filho de Odudua, sempre guerreava, trazendo o fruto da vitória para o reino de seu pai. Amante da liberdade e das aventuras amorosas, foi com uma mulher chamada Ojá que Ogum teve o filho Oxóssi. Depois amou Oiá, Oxum e Obá, as mulheres de seu maior rival, Xangô.
Ogum seguiu lutando e tomou para si a coroa de Irê, que na época era composto de sete aldeias. Era conhecido como Onirê, o rei de Irê, deixando depois o trono para seu próprio filho”
Reginaldo Prandi - Mitologia dos Orixás.

A partir de Marte começamos a observar trânsitos mais prolongados, com efeitos mais significativos e mais fáceis de serem conscientizados. O deus da Guerra fica cerca de 2 meses em cada signo, e simboliza o princípio ativo do mapa, indicando o modo de agir pessoal, nossa energia vital e também a energia sexual. À medida que Marte faz conjunção, quadratura ou oposição com pontos do mapa natal, eles vão sendo energizados, e é muito produtivo quando conseguimos focalizar e canalizar essa força.
Marte leva dois anos para dar a volta completa pelo zodíaco. Isso significa que nos nossos aniversários pares teremos um retorno desse planeta, e sendo esse um símbolo da nossa energia vital, ganhamos uma nova disposição nesse momento. Nos nossos aniversários ímpares, Marte entra em oposição com nosso Marte natal, o que também é energético, mas de uma maneira mais desafiadora e que precisa de maior consciência para ser administrado. Ouço de algumas pessoas que as coisas vão melhor em suas idades pares ou em suas idades ímpares, e, se você tem esse tipo de preferência, é bom olhar os desafios de expressão do seu Marte natal e o que é ativado com os trânsitos marcianos.

Cada casa em que Marte passa é também energizada e dinamizada. Marte tem um efeito detonador e muitas vezes é exatamente durante um trânsito desse planeta que começamos a entender como funciona pontos do mapa que pareciam “adormecidos”, sem ação em nossas vidas, e que de repente se tornam ativos quando o vulcão marciano passeia por lá. O trânsito de Marte por nossas casas de Fogo - Ascendente, casa V e IX - dá força para expressão da nossa identidade, sendo momentos em que ganhamos energia para ir atrás daquilo que queremos e gostamos de fazer. Nas casas de Terra - II, VI e Meio do Céu - Marte traz dinamismo para nossas questões materiais, podendo ser usado para enfrentarmos nossos desafios profissionais e conquistar mais valor e reconhecimento concreto. Nas casas de Ar - III, VI e XI - Marte energiza nossas relações sociais e ajuda a trazer à tona questões mal resolvidas que precisam ser enfrentadas, além de fazer nossa mente ficar mais rápida e afiada. E quando Marte agita as águas de nossas casas IV, VIII e XII, muitas coisas que estavam comodamente adormecidas no inconsciente podem ganhar força para vir à tona de modo a serem conscientizadas e enfrentadas.

Mas, assim como Vênus fazia par com Júpiter na ala “benéfica” da astrologia tradicional, Marte faz par com Saturno na ala “maléfica”, e realmente ele pode trazer muitos estragos se o deixamos solto por aí. Esse é o planeta que traz nossa energia mais agressiva e bruta, que precisa da orientação consciente para não se transformar em uma violência destrutiva simplesmente. Então, é bom saber que a nossa “expressão sincera” não pode ser justificativa para magoar os outros e a conquista de nosso lugar no mundo não significa eliminar a concorrência, ou seja, o resto da humanidade. Quando estamos sob influência marciana é bem importante perceber quando essa energia yang está nos deixando irritados demais para, assim, conseguir tirar o pé do acelerador antes de criar algum acidente. Teremos que enfrentar as conseqüências de nossos atos marcianos depois que ele for embora, então é bom usá-lo de maneira consciente, pois sempre que Marte faz sua entrada não há como voltar atrás, e pedir desculpas pode não ser suficiente. Claro que dizer que a culpa é do Marte e não sua vai fazer as coisas ficarem bem piores. Podemos aproveitar essa força para fazer uma limpeza completa na casa, começar a praticar boxe, sair para dançar a noite inteira ou sair no fim de semana para fazer uma trilha nas montanhas. Um sentimento facilmente associado a trânsitos marcianos é raiva, que quando direcionado para fora pode criar brigas grandes por coisas pequenas e quando direcionado para dentro pode gerar depressão. Assim, se você anda muito irritado e brigando com o caixa do supermercado ou se tem entrado em estados depressivos e não tem vontade de sair da cama, dê uma olhada no que Marte está ativando no seu mapa e busque saídas mais criativas para ele. Afinal, o planeta dá a energia, mas o que fazemos com ela é problema nosso.

Marte pode trazer em si uma alegria aventureira e uma possibilidade de libertação de muitas das amarras que precisamos de coragem para deixar, mas é importante que os frutos dessas batalhas estejam a serviço de nossa consciência, senão seremos responsáveis por deixarmos nossa criança solta com uma arma nuclear nas mãos. É assim que destruímos o reino onde deveríamos ser senhores.

Semana que vem vou dar umas dicas sobre como Marte ativa nosso mapa natal e como aproveitar essa energia extra disponível.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A Vida Moderna

Caríssimos
Estou com problemas no computador e com todos os meus arquivos sob ameaça de desaparecerem da face da Terra. Em missão heróica, Maria, a super-técnica, está tentando salvá-los do aniquilamento total. Assim que terminar essa aventura, espero poder voltar a publicar. Que os deuses sejam benevolentes!

quinta-feira, 5 de março de 2009

Trânsitos de Vênus

“Ogum estava cansado da cidade e de seu trabalho duro de ferreiro. Queria voltar a viver na floresta, voltar a ser o livre caçador que fora antes. (...). Logo que os orixás souberam da fuga de Ogum, foram a seu encalço para convencê-lo a voltar à cidade e à forja, pois ninguém podia ficar sem os artigos de ferro de Ogum, as armas, os utensílios, as ferramentas agrícolas. Mas Ogum não ouvia ninguém e permanecia no mato. (...) Sem instrumentos para plantar, as colheitas escasseavam e a humanidade passava fome. Foi quando uma bela e frágil jovem veio à assembléia dos orixás e ofereceu-se para convencer Ogum a voltar à forja. Era Oxum a bela voluntária. Os outros orixás escarneceram dela (...). Ela seria escorraçada por Ogum e até temiam por ela, pois Ogum era violento, poderia machucá-la e até matá-la. Mas Oxum insistiu (...). Obatalá, que tudo escutava mudo, levantou a mão e impôs silêncio. Oxum o convencera, ela podia ir à floresta e tentar. Assim, Oxum entrou no mato e se aproximou do sítio onde Ogum costumava acampar. Usava ela tão somente cinco lenços transparentes presos à cintura em laços, como esvoaçante saia. Oxum dançava como o vento e seu corpo desprendia um perfume arrebatador. Ogum foi imediatamente conquistado pela visão maravilhosa (...). Ela dançava, o enlouquecia. Dele se aproximava e com seus dedos sedutores lambuzava de mel os lábios de Ogum (...). E ela o atraía para si e ia caminhando pela mata, sutilmente tomando a direção da cidade. (...). Quando Ogum se deu conta, eis que se encontravam ambos na praça da cidade. Os orixás todos estavam lá e aclamavam o casal em sua dança de amor. (...). Temendo ser tomado como fraco, enganado pela sedução de uma mulher bonita, Ogum deu a entender que voltara por gosto e vontade própria. E nunca mais abandonaria a cidade. E nunca mais abandonaria sua forja. (...). Oxum salvara a Humanidade com sua dança de amor.”
Reginaldo Prandi - Mitologia dos Orixás

A deusa do amor também se detêm pouco nos pontos do mapa para poder criar algum efeito muito duradouro. Apresentando a órbita mais circular de todos os planetas, com uma excentricidade menor que 1%, e com ciclo de 224,7 dias – movimento médio diário de 1°12’ -, esse planeta fica cerca de 18 dias em cada signo. Vênus sempre está próxima do Sol, como Mercúrio, e, se não está no mesmo signo, estará no anterior, no posterior ou em até dois signos antes ou depois, pois se afasta no máximo 46 graus da nossa estrela, sendo que cada signo tem 30 graus. O planeta Vênus é a nossa Estrela Dalva, vista ao entardecer ou ao amanhecer, e pode trazer uma visão agradável que melhora nosso dia. Vênus é muitas vezes chamado de “pequeno benéfico” nos manuais astrológicos - em contraposição a Júpiter, o “grande benéfico” -, e apesar do conceito de “maléfico” e “benéfico” ser hoje questionado, acompanhar os trânsitos venusianos pode ajudar quando precisamos de um pouco de beleza e prazer para aliviar o peso de processos mais difíceis que estivermos vivendo. Afinal, ver um campo florido no caminho para um dia difícil no trabalho pode muito bem nos relaxar e ajudar a melhorar as coisas.

O transito de Vênus costuma harmonizar e suavizar o fluxo das experiências e a expressão das energias pessoais, por vezes correspondendo a notícias agradáveis ou uma sensação de relaxamento. Podemos dar uma olhada nas efemérides e verificar onde Vênus estará atuando por algumas semanas quando estamos planejando uma viagem, uma festa ou mesmo uma aplicação financeira ou a compra de uma casa. É bom observar, principalmente, quando este planeta está próximo de alguma configuração de peso na carta pessoal, pois podemos receber algum tipo de cooperação que ajude a experimentar aquele ponto do mapa de maneira mais harmoniosa. Quando retrógrado, Vênus cria algumas complicações nos relacionamentos, e podemos entender errado os sentimentos dos outros, ou então entenderem errado os nossos. Isso ocorre a cada 16 meses, mais ou menos, e dura cerca de 40 dias, e não é a melhor época para se “discutir a relação” ou fazer jogadas arriscadas com dinheiro. Vênus fala de nossos valores mais pessoais e íntimos, e nos momentos em que esse planeta está retrógrado isso fica um tanto confuso.

A casa em que Vênus está passando no nosso mapa pode mostrar em que área de nossa vida podemos seduzir e/ou ser seduzidos para realizar algo. Nas casas da identidade - Ascendente, casa V e casa IX -, ganhamos um carisma extra para nos expressarmos e atrairmos os outros; nas casas materiais, casas II, VI e Meio do Céu, sentimos mais prazer em estar em um corpo físico e realizar tarefas concretas; nas casas mentais III, VII e XI, o encontro com outras pessoas e as trocas ficam mais divertidas e agradáveis; e nas casas da alma, IV, VIII e XII, as intuições internas e as relações afetivas ganham beleza e podem trazer momentos de inspiração e harmonia. Mas, exatamente pelas facilidades que Vênus traz, sempre corremos o risco de levar as coisas de maneira superficial quando lidamos com esse planeta, e aí, todos os elementos “benéficos” desse trânsito podem se traduzir como exibicionismo, preguiça, falsidade e perversão, gerando mais perdas, dramas e confusão do que proveitos reais.

Através dos trânsitos de Vênus podemos ver que área de nossa vida está ganhando energia para ser adornada e embelezada, onde podemos estar investindo para nos tornarmos mais Belos e Harmoniosos. Nosso livre arbítrio é a base em que se assenta qualquer previsão astrológica, e ter consciência de nossos valores reais é importante para se aproveitar beneficamente essa força venusiana. E para quem acha que beleza e prazer não são importantes, eu recomendo que fique alguns dias em um lugar - interno ou externo - que seja sombrio, com mal cheiro e sem conforto para ver como fica sua existência. A deusa do amor, com sua dança sedutora, pode resgatar coisas importantes em nossas vidas se prestarmos atenção consciente nela.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Trânsitos de Mercúrio

“Exu não tinha riqueza, não tinha fazenda, não tinha rio, não tinha profissão, nem artes, nem missão. Exu vagabundeava pelo mundo sem paradeiro. Então um dia, Exu passou a ir à casa de Oxalá. (...) Na casa de Oxalá, Exu se distraía vendo o velho fabricando os seres humanos. Muitos e muitos vinham visitar Oxalá, mas ali ficavam pouco (...). Exu ficou na casa de Oxalá dezesseis anos. Exu prestava muita atenção na modelagem e aprendeu como Oxalá fabricava as mãos, os pés, a boca, os olhos, o pênis dos homens, (...), a vagina das mulheres. Exu não perguntava. Exu observava. Exu prestava atenção. Exu aprendeu tudo.”
Mitologia dos Orixás - Reginaldo Prandi

Se você olhar para um esquema do sistema solar, vai ver que Mercúrio parece um satélite do Sol, e no céu está sempre ou no mesmo signo, ou no anterior ou no posterior da nossa estrela. Em seu movimento direto caminha 1°30’ por dia, mas a cada 3 meses ele vai, aparentemente, parar e “andar para trás” - o que chamamos de movimento retrógrado - por cerca de 20 dias. É por isso que, apesar de seu movimento ser mais rápido que do Sol, ele completa seu caminho em torno do zodíaco mais ou menos junto com ele.

O mensageiro dos deuses é rápido demais para que possa ter alguma influência mais profunda em seus passeios pelo zodíaco. Mas, assim como o Sol e a Lua, a observação do seu movimento sobre nosso mapa pode ajudar na compreensão do nosso funcionamento cotidiano e ajuda muito no planejamento do dia-a-dia. A palavra chave para Mercúrio é comunicação, e seu trânsito estará trabalhando nessa dimensão. Quando em Fogo, esse planeta excita a mente a ficar mais extrovertida e direta, deixando as conversas entusiasmadas e acaloradas; quando em Água se conversa mais sobre relacionamento e disposições emocionais; quando em Terra os planejamentos e ambições concretas ganham maior destaque; se em Ar, as especulações e teorias mais abstratas e o encontro social parecem ter maior interesse. De forma bem semelhante à Lua, Mercúrio acaba refletindo as disposições gerais, o que pode ser levado em conta quando se planeja um dia específico. Esse deus é o protetor dos ladrões, do comércio e das encruzilhadas, e prestar atenção nele pode ajudar a entender muitos dos truques que nossa mente nos prega. Assim, por exemplo, se você precisa “discutir a relação” com alguém em um dia que Mercúrio está em signo de Fogo, seria bom que antes fosse à academia malhar bastante ou ao estádio assistir o jogo de futebol do seu time do coração, pois aí pode gastar um pouco dessa energia mais individualista que Mercúrio estará irradiando, evitando discussões inúteis. Do mesmo modo, se, por exemplo, é preciso tomar uma decisão sobre mudança de emprego em um dia que Mercúrio está mergulhado em signo de Água, é bom conversar antes com alguém sobre suas motivações inconscientes e suas necessidades emocionais para ter um pouco mais de clareza a respeito do que se está fazendo. Observando por onde anda esse planeta, você poderá aproveitar sua estada em Terra para analisar e colocar em movimento suas necessidades concretas ou aproveitar os momentos em que ele passeia pelo Ar para se dedicar à parte mais complexa da sua tese de mestrado ou se encontrar com amigos e conseguir novas motivações mentais.

Esse planeta tem muito do Mago do Tarô, e isso quer dizer que ele tem muitos truques. Um momento particularmente importante de se observar isso é quando ele está retrógrado, pois a comunicação se torna confusa, as ordens são mal interpretadas, os planos dão errado, as cartas postas no correio não chegam no destino, se fala sem pensar, somos mal compreendidos e também compreendemos mal os outros, fazendo com que muitos mal-entendidos ocorram por motivos fúteis. Saber quando Mercúrio está retrógrado pode nos ajudar a evitar alguns desses problemas, já que temos consciência de estarmos num momento potencial de mal-entendidos e devemos dedicar mais tempo no planejamento de uma viagem, ler com mais cuidado os contratos, assim como levar em conta a possibilidade de ser inevitável certas confusões na comunicação. É bom contar com atrasos e com ter que refazer alguma coisa nesses períodos. Os movimentos parecem truncados quando Mercúrio está retrogrado, e não vai adiantar tentar fugir do engarrafamento pegando um atalho, pois a rua paralela está mais parada ainda. Então, ligue o rádio, relaxe e tenha paciência.

Outra coisa interessante de observar no movimento mercuriano no céu é quando ele entra em aspecto com algum planeta de nosso mapa natal, pois sua energia comunicante pode nos mostrar como aquele ponto funciona em nós e criar sincronicidades que permitem vislumbrar novas soluções para as tensões internas representadas pelos planetas em conflito no mapa. Lembre-se que Mercúrio é rápido, e os aspectos com os pontos de nosso mapa duram apenas 4 ou 5 dias, então é sempre bom registrar os insights que vêm à mente nesses momentos para não perdê-los.

Observar Mercúrio nos ajuda a perceber os movimentos de nossa mente e como criamos a partir dela. Mercúrio é análogo a Exu, o mais jovem dos Orixás na mitologia dos povos iorubás, mas que é o primeiro a ser saudado. “No princípio era o Verbo“, nos conta São João. A curiosidade, a capacidade de compreender e de comunicar ligadas a esse planeta podem nos ajudar a construir nosso cotidiano de maneira mais consciente. Nossa mente pode não ser a única coisa responsável pelas nossas criações, mas é uma auxiliar muito importante. Aqui vai uma história para ilustrar isso:

“Bem no princípio, durante a criação do universo, Olofim-Olodumare reuniu os sábios do Orum para que o ajudassem no surgimento da vida e no nascimento dos povos sobre a face da Terra. Entretanto, cada um tinha uma idéia diferente para a criação e todos encontravam algum inconveniente nas idéias dos outros, nunca entrando em acordo. (...). Então, quando os sábios e o próprio Olofim já acreditavam que era impossível realizar tal tarefa, Exu veio em auxílio de Olofim-Olodumare. Exu disse que para obter sucesso em tão grandiosa obra era necessário sacrificar cento e um pombos como ebó. Com o sangue dos pombos se purificariam as diversas anormalidades que perturbam a vontade dos bons espíritos. Ao ouvi-lo, Olofim estremeceu, porque a vida dos pombos está muito ligada à sua própria vida. Mesmo assim, pouco depois, sentenciou: ‘Assim seja, pelo bem de meus filhos’. (...) Exu foi guiando Olofim por todos os lugares onde se deveria verter o sangue dos pombos para que tudo fosse purificado e para que seu desejo de criar o mundo assim fosse cumprido. Quando Olofim realizou tudo que pretendia, convocou Exu e lhe disse: ‘Muito me ajudaste e eu bendigo teus atos por toda a eternidade. Sempre será reconhecido, Exu, serás louvado sempre antes do começo de qualquer empreitada’.”
Mitologia dos Orixás - Reginaldo Prandi

Esse é um planeta que, em seu caminhar pelo zodíaco, pode nos dar preciosas dicas para entender o que perturba os bons espíritos que nos ajudam a criar nosso mundo.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Sua Vida em 12 Casas II

Para entender melhor o tipo de vivencia ligada a cada casa podemos associar a expressão vivida em cada área com as modalidades dos signos. Assim, as casas angulares , ou seja, o Ascendente, o Fundo do Céu (casa IV) -, o Descendente (casa VII) - e Meio do Céu (casa X) serão análogas aos signos Cardeais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio); as casas sucedentes (II, V, VIII, XI) serão análogas aos signos Fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário); e as casas cadentes (III, VI, IX, XII), análogas aos signos mutáveis (Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes).

As casas angulares são aquelas que ficam após os quatro ângulos do mapa: a primeira casa começa com o ascendente (Asc.), a quarta com o fundo do céu (FC), a sétima com o descendente (Desc.) e a décima como o meio do céu (MC). Como em uma bússola, essas casas funcionam como pontos cardeais, e é através delas que todo o mapa é calculado e desenhado. Os signos cardeais geram e desencadeiam novas energias e, do mesmo modo, as casas angulares nos estimulam para a ação e representam áreas básicas da vida, tendo forte impacto sobre nossa noção de individualidade: identidade pessoal (Asc), o lar e o ambiente familiar (FC), relacionamentos pessoais (Desc.), carreira e projeção social (MC). Os signos que formam essa cruz se enquadram ou se opõem figurativamente uns com os outros, pois essas casas representam quatro esferas da vida que estão potencialmente em conflito umas com as outras. A oposição (separação de 180°) entre Asc e Desc. mostra que alguma condição de identidade e liberdade pessoal tem que ser sacrificada para funcionar num relacionamento, ou seja, mostra o equilíbrio que precisa haver entre nossa própria identidade (Asc) e o quanto precisamos nos ajustar àquilo que os outros necessitam e querem de nós (Desc). A oposição entre FC e MC mostra o conflito entre participar da união familiar e sair de casa para se tornar alguém no mundo. Já as quadraturas (separação de 90°), mostram uma pressão moral e emocional entre as casas. Assim, a quadratura entre Asc e FC mostra que o impulso para a independência e a liberdade pessoal (Asc) é inibida pela pressão do que é seguro e conhecido (FC), muitas vezes representada pela família. Na quadratura entre FC e Desc. vemos que problemas mal resolvidos com os pais ou padrões estabelecidos na família (FC) podem obscurecer nossa habilidade de ver claramente o parceiro ou outras pessoas com quem nos associamos (Desc.). Quando olhamos para a quadratura entre Desc. e MC percebemos que o tempo dedicado ao crescimento de uma parceria e o crescimento da própria carreira podem exercer pressões distintas e criar conflitos internos. A quadratura entre o MC e o Asc mostra que muitas vezes somos classificados somente pelo que fazemos no mundo, deixando de lado outras qualidades que temos, pois aquilo que a sociedade acha válido e aprova e a autodisciplina necessária para desenvolver uma carreira (MC), limita nossa liberdade e espontaneidade pessoal, restringindo o que somos naturalmente inclinados a fazer (Asc).

As forças colocadas em movimento nas casas angulares são concentradas, adornadas e desenvolvidas nas casas sucedentes. Essas casas (II, V, VIII e XI) são associadas aos signos fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário), que consolidam a energia gerada nos signos cardeais. A casa II adiciona substância à identidade pessoal gerada pelo Asc, definindo nossas posses, recursos, condições e limites pessoais. Na casa V nos afirmamos e reforçamos o sentido de quem somos e de como impressionar os outros a partir da purificação feita no lugar de onde viemos (FC). Na atividade de nos relacionarmos com os outros do Desc., nos aprofundamos em nós mesmos e aumentamos nossos recursos através dos outros na casa VIII. Participando da manutenção e do funcionamento da sociedade no MC, ampliamos o conhecimento de nós mesmos como seres sociais e formamos a base para expandir nosso sentido de identidade através da casa XI, e desse modo englobamos maior e mais livres noções de ser. Aqui também teremos esferas da vida potencialmente conflituosas. Vamos exercitar um pouco os neurônios agora: a casa II mostra o valor explícito das coisas e a casa VIII os valores ocultos: como e porque isso pode entrar em oposição? Na casa V descobrimos o que queremos fazer e na casa XI como ajudamos o grupo a crescer: faço o grupo concordar comigo ou aceito o consenso dele? Na casa II temos nossa necessidade de segurança material e de entrada regular de dinheiro e na casa V nossa necessidade de sermos criativos, de nos divertirmos, de plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho: que tipo de situação cria um conflito interno dessas áreas na vida de alguém? Se na casa V compreendemos a necessidade de sermos vistos como pessoas brilhantes, positivas, criativas e especiais, na casa VIII temos necessidade de sermos profundos e de aceitar o lado sombrio de nós mesmos: como as crises associadas à casa VIII podem incomodar o entusiasmo de viver da casa V e vice-versa? Se na casa VIII vivemos fortes emoções e paixões, na casa XI temos a visão de uma sociedade humana maior e melhor, onde temos nossos amigos e nosso grupo de afinidade: quando é que essas duas vivências entram em conflito? E finalmente, quando é que nossas necessidades pessoais concretas e nossas fronteiras individuais reais de casa II contradizem nossos ideais sociais e nossas esperanças de uma sociedade mais justa e equânime?

Enquanto as casas angulares geram energia e as casas sucedentes concentram energia, as casas cadentes (III, IV, IX e XII) distribuem e reorganizam a energia, e por isso são análogas aos signos mutáveis de Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes. Em casas cadentes nos reconsideramos, reajustamos e reorientamos, baseados no que vivemos na casa sucedente anterior. Na casa III aprendemos mais sobre o que somos, comparando e contrastando-nos com aqueles que nos cercam, pois à medida que as capacidades mentais se desenvolvem entramos em um mundo que vai além dos sentidos corporais e das necessidades de sobrevivência da casa II. A casa VI refletirá o bom ou mal uso das criações da casa V através dos cuidados com o próprio corpo e da aplicação dessa criatividade no trabalho prático. As explorações interpessoais e as lutas da casa VIII conduzem às reflexões da casa IX, criando leis mais profundas e nos fazendo conhecer os processos que governam a existência e as regras que nela se emaranham. A amplitude de visão criada para o indivíduo na casa XI é aumentada ao infinito pela casa XII, fazendo com que se perca completamente o significado da vontade pessoal. As estatísticas de Gauquelin sugerem que essas casas são mais importantes na determinação de caráter e de carreira, no mapa pessoal, do que as angulares, como prega a astrologia tradicional. Isso por que as casas cadentes mostram a ânsia de nos ligarmos a algo maior e de dar significado a nossas existências (casas IX e XII) e a ânsia de caracterizar nossa identidade específica (casas III e VI). As cadentes se opõem e enquadram por que mostram visões de vida e métodos diversos de se adquirir e processar informações. A casa III descreve a natureza da mente analítica e concreta, que procura o significado das partes, enquanto a casa IX mostra o processo de pensamento abstrato e intuitivo que olha primeiro para o todo. Como essas duas compressões podem se opor na vida de alguém? Na casa VI somos discriminativos e seletivos, buscando formas para utilizar nossos recursos de modo prático e direcionado para a realidade do dia-a-dia da vida. Na casa XII incluímos tudo que nos cerca, as fronteiras são dissolvidas e transcendemos tudo que é mundano, pois lá estamos cientes das ilusões da vida, e compreendemos que ela é desconhecida e misteriosa em suas bases. De que modo o planejamento da vida da casa VI pode entrar em oposição com a vida que flui pela casa XII? Nas quadraturas dessas casas veremos os conflitos e pressões internas na busca dos diversos conhecimento que precisamos na vida. Na casa III gostamos de saber um pouco de tudo, enquanto na casa VI queremos saber o máximo de algo para poder utilizá-lo com eficiência na prática. Como essas duas buscas podem se atrapalhar? Na prática casa VI, que olha cada coisa em particular para achar seu lugar adequado, buscamos formas indutivas de investigação científica, e na expansiva casa IX buscamos a verdade que aflora da fé, da habilidade que temos de perceber os significados cósmicos das coisas. Quais as maneiras que ciência e religião se pressionam? Tanto na casa IX quanto na XII perdemos os limites que restringem as fronteiras mundanas, abrindo nossos olhos para realidades além do alcance da vista dos pensamentos cotidianos. Mas na casa IX buscamos modelos e princípios básicos que nos façam compreender a vida e a existência, nos fazendo escalar novas alturas, enquanto na casa XII sentimos que há muitas coisas insondáveis e desconhecidas, encontrando inspiração não só nas alturas, mas também nas profundezas, pois percebemos que êxtase e dor, bem aventurança e sofrimento, estão intimamente ligados. De que modo essas inspirações transpessoais podem divergir? Na quadratura entre casa XII e casa III podemos falar das complicações geradas pela mente inconsciente, dominada por aquilo que é desconhecido e invisível, em contraponto com a mente consciente, que percebe aquilo que é imediato e está disponível no ambiente, mostrando que podemos ter uma compreensão gerada por aquilo que vemos e ouvimos (casa III) e outra gerada pelo que sentimos e percebemos (casa XII). Que tipo de brigas internas isso gera?

Outra forma de agruparmos as casas é por sua analogia com os elementos: há três casas de Fogo (Asc, V e IX), três de Terra (II, VI e MC), três de Ar (III, VII e XI) e três de Água (FC, VIII e XII). Elas mostram o desenvolvimento significativo e seqüencial dos princípios de cada elemento ligados a cada grupo de casas. Essas casas geralmente criam trígonos (distância de 120°), mostrando que as casas angulares trazem a natureza de um elemento a tona e o personifica, a casa sucedente diferencia e define esse princípio, e a casa cadente organiza, universaliza e dá expressão ao princípio.

As casa de Fogo mostrarão as ânsias de querer ser e de se exprimir num mundo externo, e são chamadas casas da Identidade. O Asc, enquanto casa angular, mostra o movimento inicial de sermos uma pessoa separada e distinta, e desenvolvê-la significa se vitalizar e vivificar. A segunda casa de Fogo é a sucedente casa V, onde a energia gerada para se ser uma pessoa única é focalizada, fixada e direcionada: reforçamos o senso de identidade dado pelo ascendente, criando soluções e interesses que nos façam sentir mais vivos e estampando nossa individualidade naquilo que fazemos e criamos. A casa cadente de Fogo (IX) reajusta e reorienta a maneira como focalizamos nossa energia de ser, de modo que nosso senso de identidade possa se expandir em um contexto mais amplo, e assim incorporamos nossas criações pessoais às leis que orientam toda a vida.

Nas casa de Terra teremos o plano da existência material, onde o espírito de Fogo se incorpora a formas concretas, sendo chamadas de casas da Produtividade. A casa II é a sucedente de Terra, mostrando a matéria em busca de segurança e estabilidade através dos próprios recursos e de um corpo concreto. Podemos dizer que aqui entendemos como lidamos com o nosso capital pessoal. Na casa VI temos a área cadente desse elemento, onde o princípio da matéria é reajustado e reorganizado de modo a aprimorar e aperfeiçoar nossas habilidades pessoais. Essa casa nos fala da saúde e do trabalho, já que o corpo físico necessita de atenção para funcionar de modo eficiente (quando adoecemos podemos observar as tentativas do corpo se reajustar), e é no trabalho que transformamos nossos capitais e recursos físicos na produção de força de trabalho - como diria o taurino Carl Marx. A última casa de Terra é o MC, uma casa angular, onde há a necessidade de gerar matéria, de produzir algo concreto no mundo material, por isso podemos dizer que essa casa representa as forças que ativamente organizam e supervisionam o capital e o trabalho, mostrando o capitalista de nós mesmos que todos temos. Por isso o MC está associado à carreira, ambição e a forma como queremos ser vistos pelo mundo, pois mostra como estruturamos e direcionamos propositadamente nossos recursos e habilidades para resultados concretos e definitivos.

Nas casas de Ar teremos a triplicidade do relacionamento humano, mostrando nossa capacidade de destacar e comparar as idéias pessoais e ver as coisas objetivamente à distância e em perspectiva. Essas são as casas relacionais e de interações. Começamos esse trígono com a casa cadente (III), onde o movimento e o desenvolvimento intelectual nos capacita a reajustar e redefinir nossa posição pessoal de modo a compreender o que nos cerca. A mente e a perspectiva de vida pessoal da casa III encontra a mente e perspectiva do Outro na angular casa VII e cria um relacionamento gerador de energia, sendo que os fracassos e sucessos dos relacionamentos pessoais irão influenciar enormemente o modo como nos entendemos e como compreendemos o mundo que nos cerca. Na casa XI teremos a forma, a estabilização e o reforço de nosso ponto de vista olhando para os outros que compartilham de nossas idéias, pois será a aqui que as mentes se encontrarão para que os relacionamentos sejam ampliados e aplicados à sociedade mais geral de modo a atingirem o maior número possível de pessoas, terminando esse triângulo com uma casa sucedente.

Já as casas de água são conhecidas como triângulo da alma, ou berço da identidade, onde vemos as razões sentimentais e as emoções criadas abaixo da superfície. A primeira das casas de Água é o angular FC, que descreve o ambiente e as influências familiares que geram nossa identidade e nossos condicionamentos afetivos e sentimentais de infância. Na casa VIII encontraremos o ambiente sucedente de Água, onde nosso sentimentos diferenciados e reconhecidos na casa angular fluem para dentro de outra pessoa e vice-versa, concentrando nossa energia emocional de modo a explorar os pontos obscuros de nossa alma. Na casa XII nossas energias emocionais são transformadas, diluídas e ampliadas de modo a progredirmos da união com uns poucos selecionados na casa VIII para um sentimento de unidade com toda a vida, de modo que, através da casa cadente de Água, tomamos conhecimento do coletivo do qual todos nós emergimos e que compartilhamos com tudo e com todos. Resumindo, no FC sentimos nossa própria alegria e dor, na casa VIII a alegria e dor do outro, e na XII sentimos a alegria e a dor do mundo.

É isso. Agora podemos voltar a falar dos Trânsitos á partir da próxima semana. Até lá.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Sua Vida em 12 Casas

Pelo retorno que ando tendo, vejo que é preciso compreender melhor o que são as casas astrológicas antes de retomar os trânsitos. Vamos começar com uma pequena introdução.

Os astrólogos não concordam entre si sobre vários assuntos, mas a questão da divisão das casas parece ser a que cria mais discussões. Isso por que existem mais de trinta formas de se apresentar essa divisão, e não há um sistema que seja mais “correto”, pois cada um tem seus méritos e suas desvantagens, sendo que cada astrólogo acaba escolhendo seu sistema conforme suas próprias idiossincrasias. Esses vários sistemas podem ser divididos em três tópicos: os sistemas eclípticos, os de espaço e os de tempo. No método de divisão de casas eclíptica a cúspide é determinada pela órbita aparente do sol em torno da Terra - órbita ecliptica -, e começa-se, a partir do grau do ascendente, a dividir-se as 12 casas em partes iguais de 30°. O bom desse método é sua simplicidade e sua forma clara de refletir a divisão em doze partes dos signos zodiacais, além de não apresentar signos interceptados. O problema é que nesse sistema há ênfase apenas no ascendente e no sol, perdendo-se muito do valor das outras casas e dos outros astros. Os quatro sistemas mais conhecidos desse método são: de Casas Iguais (o mais popular e antigo, datado de 3000 a.C.), de Casas Porphirius, de Casas de Graduação Natural e o Método M-Casa. Nos sistemas Espaciais, em vez de se pegar a eclíptica para determinar as cúspides, se escolhe outros círculos possíveis da esfera celestial - como o equador celeste, o horizonte ou a primeira vertical - e depois projeta-se essa divisão na faixa eclíptica zodiacal. Esses sistemas levam em maior conta a localidade, o espaço central em que o indivíduo se encontra, criando um mapa quase que tridimensional. Não sendo mais o movimento aparente do sol, mas o movimento da Terra, que orienta esse método de divisão das casas, a lua acaba tendo uma influência muito maior nos mapas assim construídos. O problema aqui é que o zodíaco em si acaba perdendo um pouco sua importância ao se aumentar o destaque sobre as casas e os astros. Os sistemas desse tipo de divisão de casas mais conhecidos são o de Casas Campanus, o Regionamontanus, o Morinus e o Ponto Leste. Nos sistemas de Tempo as cúspides das casas são traçadas à partir do tempo que determinado ponto (o Asc ou o MC) leva para perfazer um arco na esfera terrestre. Esse método é o mais complicado matematicamente de ser calculado, e constrói o mapa trisseccionando o tempo que qualquer grau da elíptica leva para ir do Asc ao MC - encontrando assim as cúspides das casas XI e XII e seus opostos - e depois o tempo que cada grau leva para ir do FC ao Asc e também trisseccionando para achar as cúspides das casas II e III e seus opostos. Esses sistemas enfatizam mais as metas de vida e dá respostas mais significativas quando se faz perguntas temporais e mundanas, sendo utilizados principalmente pela ala psicológica da astrologia. Os sistemas temporais mais usados são os de Casas Alcabitus, de Casas Plácidus, de Casas Knoch e Topocêntrico de Casas. A maioria utiliza o Sistema de Casas Placidus, onde é possível haver signos interceptados em algumas casas, ou seja, há signos que estão completamente contidos em alguma casa sem que nenhuma cúspide passe por ele. Quando isso ocorre teremos duas influências naquela área da vida, sendo que o signo da cúspide dará a cor da casa e o signo contido dará um tom diferenciado a ela.


Para entender como funciona cada casa, vamos construir uma estrutura mítica através dos signos para contar a história de um herói genérico. Áries é o nascimento do herói, o pioneiro que abre o caminho nunca dantes trilhado, matando dragões e enfrentando bruxas. Depois que o caminho é aberto, precisamos de Touro para nos estabelecer no novo lugar, construir um abrigo, cultivar a terra, para que as conquistas feitas não se esvaziem, já que a Terra é redonda e se sairmos abrindo caminhos infinitamente acabaremos no mesmo lugar que começamos e o caminho já terá nos esquecido. Gêmeos, então, nos ensinará a entrar em contato com os outros seres que vivem à nossa volta, aprendendo a língua local e fazendo trocas de informações com a comunidade vizinha, dançando com lobos e descobrindo quais plantas matam e quais curam. É possível, aí, criar raízes, estabelecer família, formar uma comunidade, como Câncer, numa uroxilocalidade que mostra de onde vem aquela nova existência, dando segurança, abrigo e a certeza de uma continuidade. Leão surge como a autoridade paterna que inicia os jovens heróis e lhes mostra a necessidade de criar algo novo, pois somos feitos à imagem e semelhança de Deus. Assim, o homem aprende a criar a si mesmo e a dar filhos ao mundo. Passamos então a Virgem, para aprender a trabalhar dando o melhor de si, cuidar da propria saúde e do corpo, e criamos os rituais de purificação. Com isso nos instrumentalizamos e conseguimos nos sustentar sozinhos. Só aí a criatividade e a expressão pessoal podem ganhar forma. Agora é possível separar-se do clã em que se foi criado, e o herói vai ao encontro do Outro, com quem ele se une através de Libra, não mais através da identidade que lhe era outorgada em sua comunidade, mas para crescer para além de si mesmo. Na intimidade com o outro de Escorpião ele descobrirá os demônios que eram impedidos de se manifestar na proteção infantil que tinha em casa, e ele terá medo, pois achará que será destruído. Mas quando não tiver mais para onde fugir, terá que enfrentar seus monstros e se tornará seu senhor. Com isso ele se sentirá mais forte e procurará horizontes maiores e mais divinos, onde Sagitário será o grande guia, e o ensinará a ser mais sábio e ver mais longe, podendo encontrar um sentido para sua vida. Em meio a essa viagem, Capricórnio lhe mostrará uma montanha que é só sua, que lhe foi destinado para subir desde todo o sempre. A montanha poderá parecer grande demais, mas ele acaba tendo que subi-la se quiser continuar seu caminho. Será muito difícil, e muitas vezes ele pensará em desistir. Mas quando vê que essa subida é o que ele precisa fazer nessa vida, entenderá também que se desistir dela nada mais fará sentido em sua existência. Ele aprenderá o valor do tempo e da paciência, e quando menos esperar, estará no topo. Então olhará para trás e verá todo o caminho percorrido, e entenderá o sentido dos sonhos que tinha quando criança. Se sentará com Capricórnio no topo daquela escalada e contemplará sua vida, seus esforços, sua história única, descobrindo outro segredo da vida: não se pode permanecer para sempre no topo. Lá de cima Aquário lhe mostrará a humanidade, sua evolução, sua capacidade heróica de construir um mundo melhor, e seu coração se encherá de esperança de que a humanidade, assim como ele mesmo, consiga criar um mundo em que todos cresçam, independente de sua origem, cultura, gênero, idade ou religião. Descendo de sua montanha e compartilhando a vida com seus irmãos, o herói percebe que faz parte de algo muito maior que ele mesmo. Então ele estará preparado para se despir de suas roupas, de suas pequenas vontades, de sua pequena razão, que ele acreditava terem-no guiado até ali, e seguirá com Peixes para um outro mundo, ampliando seu coração e ligando-se a Deus, pois agora já não é parte de algo, mas o próprio todo.


No mapa astrológico temos esse ciclo individual, que mostra o caminho de cada um para descobrir seu verdadeiro tesouro, através das casas astrológicas. Nelas, vemos como a pessoa atravessa cada uma dessas fases e como ela vivencia cada uma dessas áreas da existência humana. A analogia entre as casas e os signos é feita através dessa dinâmica simbólica, onde percebemos que a busca do signo é análoga à necessidade vivida na casa. No desenvolvimento seqüencial das casas observamos um movimento do pessoal para o interpessoal e desse para o universal. Se dividirmos o mapa ao meio à partir do eixo Asc/Desc., o lado Sul mostra nosso encontro conosco mesmos e o lado Norte mostra nosso encontro com o mundo. Por isso as casas de I a VI são chamadas de pessoais e as de VII a XII de coletivas. Se traçarmos também uma linha entre o MC e o FC observaremos quatro fases de desenvolvimento: no primeiro quadrante (casas de I a III) temos o autodesenvolvimento, onde o indivíduo cria o sentido de identidade pessoal; no segundo quadrante (casas de IV a VI) temos o desenvolvimento da auto-expressão, onde o indivíduo se molda e se mostra; no terceiro quadrante (casas de VII a IX) temos a auto-expansão, onde o indivíduo cresce à partir do encontro com o outro que lhe é externo; e no quarto quadrante temos as áreas de autotranscendência do indivíduo, onde se ampliam e superam as fronteiras pessoais para se incluir não só um outro, mas todos os outros. A concentração de planetas em um desses quadrantes fará com que o tipo específico de desenvolvimento representado tenha maior importância na vida da pessoa.


Esse é o primeiro olhar que devemos dar ao mapa. Olhe para o desenho do seu e veja onde há maior concentração, quais casas abrigam maior número de astros, pois ali estarão as áreas da sua vida mais dinamizadas. Se há muita força nas casas pessoais, a auto expressão exige maior consciência, e se há mais agitação nas casas coletivas, os desafios estarão muito mais concentrados na auto expansão.


Pense nisso essa semana, que na próxima publicação vamos deixar as coisas mais complexas um pouco.