terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Contatos de Primeiro Grau: Primeiro Precisamos Entender os Aspectos


Estive verificando que não é possível falar dos Trânsitos antes de entender os aspectos entre os planetas. Então aqui vamos entender como os planetas em contato estarão tentando se comunicar. Isso é importante porque quando falamos de um trânsito sobre o Sol, por exemplo, se no mapa natal ele está em contato com outro astro, o aspecto será ativado, portanto é preciso olhar para esse diálogo para saber como se estará funcionando nesse momento. Então aproveite que você está com seu mapa à mão, e verifique como os astros estão se relacionando em sua carta natal. Esse olhar é um pouco mais trabalhoso, mas vale muito à pena entender como isso funciona em você.

Quando se olha o zodíaco através das modalidades astrológicas - Cardeal, Fixa e Mutável - os signos se apresentam em cruzes, sendo cada signo de um elemento diferente. Assim, na cruz Cardeal temos Áries (Fogo)/Libra (Ar) e Câncer (Água)/Capricórnio (Terra); na cruz Fixa, Touro (Terra)/Escorpião (Água) e Leão (Fogo)/Aquário (Ar); e na Mutável Gêmeos (Ar)/Sagitário (Fogo) e Virgem (Terra)/Peixes (Água). Cada dupla está numa relação de oposição no zodíaco. Podemos traduzir isso como vibrações do mesmo tipo, ações do mesmo tipo, mas com objetivos e motivações diferentes. Áries/Libra, por exemplo, agem em uma direção definida e criam de modo direto, mas Áries baseia-se em sua própria identidade e valor pessoal - Fogo -, enquanto Libra age em função de sua percepção e de sua elaboração mental das associações com as outras pessoas - Ar. No outro eixo de opostos temos Câncer/Capricórnio, o primeiro agindo de modo direto através de suas emoções e valores (Água), e o segundo agindo de modo direto através de sua percepção da realidade material (Terra). O que se opõe nos eixos, portanto, é o tipo de percepção da vida. Desse modo, quando dois elementos do mapa - envolvendo planetas, o Sol, a Lua, ou o Ascendente e o MC - estão em oposição, a pessoa terá características de uma mesma vibração percebendo o mundo através de pontos distintos. Isso fica mais claro quando notamos que Fogo sempre faz oposição a Ar e Terra sempre faz oposição a Água. O princípio motivador de Fogo é a fantasia a respeito do mundo e de si mesmo, a expressão pessoal, heróica, livre e única; o princípio da harmonia coletiva é que orienta Ar, que se motiva pela percepção ideal e abstrata que constrói do mundo e do relacionamento humano. Esses princípios se opõem na hora de agir, pois Fogo buscará as manifestações únicas de sua vida e o Ar buscará as manifestações coletivas e abstratas. Do mesmo modo, o princípio motivador de Água será a realidade emocional que percebe, fazendo-o buscar as verdades da alma em suas ações, enquanto a Terra agirá através da realidade concreta e prática que percebe no mundo compartilhado. Observando mais de perto vemos que, muito mais do que opostos, esses princípios são complementares. Quando uma pessoa tem elementos de seu mapa em oposição ela pode se sentir confusa entre dois tipos de percepção, pois suas motivações parecem se opor, e é preciso um trabalho de conscientização para que possa agir de modo equilibrado, nem tanto à terra, nem tanto ao céu. A oposição envolve elementos harmônicos mas que sofrem de sobrestimulação, criando falta de objetividade, já que a dificuldade de se conciliar opostos internamente faz com que se projete um dos pontos no mundo ao mesmo tempo que há uma identificação em excesso com o outro ponto. Por isso dizemos que a oposição é um desafio na área das relações pessoais, onde precisa haver um esforço extra para se distinguir o que é pessoal e o que pertence realmente ao outro, incorporando aspectos distintos da personalidade. A oposição acontece sempre que dois pontos do mapa estão à uma distância de 180°, com uma margem de 8° a mais ou a menos.
Já a quadratura (ângulo de 90°) é um aspecto entre elementos "desarmônicos" (Fogo e Ar com Terra e Água e vice-versa), exigindo muito mais energia para integrar aspectos tão divergentes, sendo que o sentimento mais comum envolvido é o de frustração. Se voltarmos às cruzes das modalidades, lembraremos que dentro de cada vibração existe um modo diferente de expressão, simbolizado pelos elementos. Na cruz cardeal, por exemplo, Áries se põe como único, Câncer como familiar, Libra como sócio e Capricórnio como autoridade. Se exigirmos de Áries, que quer ser único, que se oriente também pelos laços familiares, ele irá se frustrar; se exigirmos que ele se mostre como autoridade, que tenha sua identidade justificada pelo coletivo, teremos tensão. Vejamos Libra, que quer se associar de modo pessoal e igualitário com alguém de fora: a base emocional familiar pode prendê-lo e a ambição pessoal pode precisar de uma autoridade e determinação que tenciona a necessidade de relação entre iguais. Se pensarmos em Câncer e Capricórnio teremos os problemas contrários. As dores e dificuldades das quadraturas parecem estar ligadas a uma dificuldade interna para entender os erros e consertá-los, por isso acabam gerando repetidamente situações onde as coisas - dependendo dos astros e das casas envolvidos - parecem não funcionar como deveriam, e por isso se é forçado a agir de modo consciente para alterar as condições insatisfatórias - sejam interiores ou exteriores. Se não enfrentamos esse desafio, vivemos num estado conturbado de frustração que esgota as energias.
As dificuldades das oposições e quadraturas podem ser compreendidas através das formulações feitas por Jung a respeito dos arquétipos da sombra e do par anima/animus, que, em sua experiência, mais nitidamente influenciam e perturbam o eu, a personalidade consciente, e que, por não serem integradas, são projetadas no mundo: “uma pesquisa mais acurada dos traços obscuros do caráter, isto é, das inferioridades do indivíduo que constituem a sombra, mostra-nos que esses traços possuem uma natureza emocional, uma certa autonomia e, conseqüentemente, são do tipo obsessivo, ou melhor, possessivo. A emoção, com efeito, não é uma atividade, mas um evento que sucede a um indivíduo. Os afetos, via de regra, ocorrem sempre que os ajustamentos são mínimos e revelam (...) uma certa inferioridade e a existência de um nível baixo da personalidade. Nessa faixa mais profunda o indivíduo se comporta (...) não só (como) vítima abúlica (que sofre de patologia caracterizada pela perda da vontade) de seus afetos, mas revela uma incapacidade considerável de julgamento moral. Com compreensão e boa vontade, a sombra pode ser integrada de algum modo na personalidade, enquanto alguns traços, (...), opõem obstinada resistência ao controle moral, escapando portanto a qualquer influência. De modo geral, estas resistências se ligam a projeções que não podem ser reconhecidas como tais e cujo conhecimento implica um esforço moral que ultrapassa os limites habituais do indivíduo. (...). Suponhamos que um determinado indivíduo não revele tendência alguma para tomar consciência de suas projeções. Nesse caso, o fator gerador de projeções tem livre curso para agir, e, se tiver algum objetivo, poderá realizá-lo ou provocar o estado subseqüente que caracteriza sua atividade. (...) Não é o sujeito que provoca a projeção, mas o inconsciente. A conseqüência da projeção é um isolamento do sujeito em relação ao mundo exterior, pois em vez de uma relação real o que existe é uma relação ilusória. As projeções transformam o mundo externo na concepção própria, mas desconhecida (inconsciente). Por isso, no fundo, as projeções levam a um estado de auto-erotismo ou autismo, em que se sonha com um mundo cuja realidade é inatingível. O sentimento de incompletude que daí resulta, bem como a sensação mais incômoda ainda de esterilidade são explicados, de novo, como maldades do mundo ambiente e, com este círculo vicioso, se acentua ainda mais o isolamento”. Essa é a forma mais comum que as quadraturas e oposições acabam tomando e por isso o trabalho de conscientização se torna tão importante, pois, de outro modo, a pessoa irá sofrer um isolamento que pode ser esmagador.
Outro aspecto importante e desafiador em um mapa é a conjunção, principalmente se estão envolvidos planetas pessoais - Sol, Lua, Vênus, Mercúrio e Marte - ou o Ascendente, pois indica uma intensa fusão e interação de energias vitais. As conjunções com elementos pessoais irão caracterizar uma dimensão da vida muito mais consistente e que necessita mais de expressão significativa do que qualquer outro aspecto, sendo que a chave para isso costuma ser a ação e a autoprojeção, já que esse fluxo concentrado de energia se dará através da expressão pessoal. Esse, porém é o aspecto que mais depende daquilo que está envolvido, pois enquanto a conjunção de Vênus e Júpiter, por exemplo, pode significar um charme expansivo e uma fé nos relacionamentos afetivos, a conjunção de Vênus e Saturno poderá significar exatamente o contrário.
O quincúncio - também chamado de inconjunção - é a distância de 150° entre dois pontos do mapa e está ligado à experiências de compulsão com relação às energias envolvidas, que precisam ser disciplinadas para que a pessoa se transforme nas áreas indicadas. Com freqüência a expressão de um fator envolvido depende da expressão do outro, e a pessoa pode sentir que é difícil satisfazer uma necessidade sem ter que enfrentar também a outra. Para destrinchar essas energias é necessário um sutil ajustamento da perspectiva pessoal. Como esse aspecto, porém, age de modo mais discreto, é mais difícil de ser percebido, e a pessoa costuma não se dar conta, principalmente se houverem outros aspectos mais fortes. O quincúncio costuma ser um aspecto bem irritante, porque, de alguma maneira, acontece uma atração. Os signos em quincúncio têm, cada um, o que falta no outro, então, subitamente, eles passam a se repelir, mais ou menos como uma amizade em que duas pessoas tentam realmente se gostar e algumas vezes chegam até a conseguir, mas, de alguma forma, sempre restam algumas lembranças desagradáveis no fim da noite. Um bom exercício para se entender isso é imaginar uma conversa entre os signos em quincuncio: Áries com Virgem e Escorpião; Touro com Libra e Sagitário; Gêmeos com Escorpião e Capricórnio; Câncer com Sagitário e Aquário; Leão com Capricórnio e Peixes; Virgem com Aquário; Libra com Peixes. Eles até serão capazes de se compreender, mas sairão bem irritados da conversa.
Esses são os quatro aspectos considerados desafiadores ou dinâmicos, chamados maléficos pela astrologia tradicional por trazerem dificuldades. Eles correspondem à experiências de tensão interior e levam, regra geral, à construção de um tipo de ação definida ou, pelo menos, ao desenvolvimento de uma maior consciência das áreas envolvidas, pois é necessário assumir responsabilidades e trabalho consciente para absorver a intensidade total das energias libertadas. Daremos agora algumas linhas de orientação geral para os cinco astros pessoais e para Júpiter e Saturno em aspectos desafiadores, como indicadores de tendências, dependências e ligações que eles apresentam sob tensão:
- Sol : demasiada preocupação em ser alguém especial;
- Lua : demasiada ligação com o passado e com a família e ilusões no sentido de esperar que o mundo e as pessoas sejam perfeitas - Maia;
- Mercúrio: demasiado orgulho intelectual e mental, dificuldade de entender outros pontos de vista;
- Vênus: demasiada dependência do conforto físico, da satisfação emocional e dos outros em geral;
- Marte: demasiada tendência para a ação e para a competição com o outro, dificuldade para perceber quando parar e para desistir do que não vale mais a pena lutar;
- Júpiter: exagero, falta de humildade, ênfase exagerada na idéia de liberdade;
- Saturno: demasiada dependência da aprovação social, do poder, da autoridade e da reputação.
Na astrologia tradicional o trígono (distância de 120°) e o sextil (distância de 60°) são os aspectos entre dois pontos do mapa que fluem de modo benéfico, ou seja, funcionam como conservadores de formas (enquanto os aspectos “maléficos” são destruidores de formas). Isso significa que, enquanto os aspectos desafiadores e dinâmicos funcionam como libertadores de energia, que criam mudanças na vida das pessoas, os aspectos harmônicos de trígono e sextil trazem estabilidade no fluxo energético. Isso por que esses aspectos se dão entre pontos do mapa em signos do mesmo elemento (trígono) ou entre elementos compatíveis (sextil) - Fogo com Ar e Terra com Água. Um trino representa um fluxo de energia fácil (e às vezes indisciplinado) por canais estabelecidos de expressão, por tanto mostram onde não há necessidade de ajustamentos ou novas estruturas para se utilizar a energia de modo criativo. Os astros e pontos do mapa envolvidos em trino revelam dimensões da vida e energias específicas que são naturalmente integradas e fluem sem necessidade de maior consciência. Contudo isso pode significar muito mais uma forma de ser do que de fazer, já que, geralmente, a pessoa confia nas capacidades e talentos mostradas no aspecto de modo meio mágico, e não se sente estimulada para fazer o esforço necessário ao uso construtivo da energia envolvida, podendo permanecer completamente inconsciente da própria riqueza se não for encorajado pelos outros a usá-las. Essa facilidade de fluxo dão indicações sobre o que o indivíduo faz para se divertir e se tranqüilizar, e, para a astrologia kármica, mostra o que foi desenvolvido através de muitas vidas, o que explicaria essa facilidade no presente. Na prática, esse aspecto pode ajudar em momentos de crises ou acontecimentos muito difíceis na vida de alguém, pois quando estamos muito cansados dos esforços de conscientização, o trino mostra onde buscar energia e tranqüilidade. O sextil, por sua vez, é um aspecto de flexibilidade, de compreensão potencial e de abertura para o novo, sendo um aspecto basicamente mental, embora os planetas envolvidos devam ser levados em conta quanto a isso. O mais importante desse aspecto é que ele mostra áreas da vida onde a pessoa pode cultivar não só um novo nível de compreensão, mas também um profundo grau de objetividade a respeito de si e do mundo, o que leva a um sentimento importante de liberdade.

Resumindo, podemos dizer que as energias harmônicas são conservadoras das formas dadas pelos elementos compatíveis entre si (Fogo reforça Fogo e Ar, Ar reforça Ar e Fogo, Terra reforça Terra e Água, e Água reforça Água e Terra), pois se pensarmos em termos simbólicos os elementos, o Fogo dá mais energia ao Fogo e torna o Ar quente, ou seja, mais leve; o Ar ganha força com mais Ar e alimenta o Fogo; a Água ganha volume com mais Água e é canalizada pela Terra; a Terra se torna mais sólida com mais Terra e fica fértil com a Água. Já nos aspectos dinâmicos, quando envolvem signos Cardeais, a energia liberada manifesta-se em desassossegos e impulsos irrefreáveis para a ação e para o enfrentamento de crises, fazendo com que a pessoa se encha de planos e persiga uma direção até que consiga se definir. Quando estão presentes signos Fixos temos a indicação de modelos de hábitos profundamente enraizados que geram teimosia, mas também uma capacidade única de concentração e uma determinação invulgar para se resolver as coisas. Quando estão envolvidos signos Mutáveis a energia se liberará principalmente através da variedade de interesses e de experiências que são buscadas para satisfazer a ânsia individual de novos conhecimentos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Trânsitos - A Dança dos Planetas

Estamos de volta às postagens regulares, apesar de Mercúrio estar retrógrado e isso atrapalhar bastante atividades mentais, trabalhos com papéis e burocracias em geral, além de ter dado alguns problemas no meu computador. Mas são coisas que se resolvem com paciência e cuidado. Esse ano, depois de ter falado de todos os signos, planetas e da maioria dos pontos fixos, vamos fazer o mapa se mexer, vendo os trânsitos dos astros, as progressões e direções.

Os trânsitos nos falam dos movimentos dos astros sobre o nosso mapa, e, desse modo, como o “céu está agindo sobre nós”, influenciando nossas vidas e nos mostrando formas de crescimento. Quando olhamos para o passado e lembramos das fases de crise e/ou mudanças em nossas vidas, veremos que no céu havia um ou mais planetas ativando nossa carta natal e nos fazendo tomar consciência de partes de nossa personalidade mais energizadas naquele momento. Por isso os trânsitos marcam momentos de crescimento e de crise. A maioria das teorias pedagógicas e psicológicas, que pensam sobre o desenvolvimento humano, falam de fases de crescimento, dos “terríveis” 2 anos, das processos de 7 anos, da crise dos 30 e dos 40 anos, etc. Astrologicamente, falamos do ciclo de Marte ou de Saturno, quando Marte ou Saturno voltam a passar no mesmo ponto em que estavam no dia no nascimento, da oposição de Urano no céu com o Urano do mapa e da quadratura de Netuno no céu com o Netuno natal, etc. Além dessas fases pré-determinadas, que todos nós passamos e vamos passar nas mesmas idades, temos também nossas crises “individuais”, digamos assim, quando os astros ativam pontos do mapa diferentes deles mesmos, o que pode ocorrer em qualquer idade. Esse ano, por exemplo, temos Júpiter entrando em Aquário, energisando e expandindo qualquer coisa que se encontre nesse signo. Assim, os que têm Sol ou Lua em Aquário vão se sentir mais otimista e com mais fé na vida, que se traduz em necessidade de expansão e algum exagero também; quem tem Marte nesse signo pode sentir mais força para agir e conseguir superar os obstáculos para ação com maior facilidade; etc. Além disso, todos temos o signo de Aquário no mapa, e a casa onde esse signo se encontra também estará em expansão, mostrando uma área de nossa vida onde também teremos as influências desse planeta durante o ano.

O movimento celeste, então, mostra como os planetas, a Lua e o Sol, passando sobre a carta natal e fazendo aspectos (conjunção, sextil -30° -, trígono - 120°, quadratura - 90° - e oposição 180°) com elementos do nosso mapa, nos faz lidar com as energias em movimento dos processos de crescimento e de compreensão de nós mesmos e do mundo. Uma metáfora usada para mostrar a ação de um trânsito é a de uma plantação, onde primeiro se ara a terra, depois se espalha a semente, então cuidamos daquilo que está nascendo e colhemos seus frutos. Nesse sentido, utiliza-se uma órbita aproximada de 10 graus antes do aspecto exato para efeito de plantio, e uma órbita de 10 graus após o aspecto exato para efeito de colheita.

Os astros conhecidos como pessoais têm ciclos, ou seja, passam por todos os signos do zodíaco, rapidamente: A Lua tem um ciclo aproximado de 28 dias e o Sol de um ano. Mercúrio acompanha o Sol, e seu ciclo é de pouco mais de 1 ano. Vênus tem um ciclo de um ano e meio aproximadamente, e Marte completa sua volta pelo zodíaco em mais ou menos 2 anos.

Júpiter e Saturno são planetas que falam de nossa individualidade no contexto social, e costumam ser bem mais sentidos e mais conscientemente expressos por demorarem mais tempo em cada signo, o que dá tempo suficiente para se entender e trabalhar com eles: Júpiter fica cerca de 1 ano em cada signo, em um ciclo de 12 anos, e Saturno cerca de 2 anos e meio em cada signo, com seu famosíssimo ciclo de 29 anos.

Os planetas coletivos, Urano, Netuno e Plutão, têm ciclos bem longos, estão ligados à transformação de consciência de toda a humanidade, e são sentidos individualmente através de crises realmente transformadoras, normalmente acompanhadas de medo e insegurança do ego, pois se sente a necessidade de mudança mas não se sabe o que vai resultar disso. Apenas o ciclo de Urano, de 84 anos, é possível de ser acompanhado inteiro em uma vida humana. Tanto Netuno, com um ciclo de 168 anos, quanto Plutão, com ciclo de 248 anos, geram momentos únicos em nossas vidas. E garanto que são suficientes para mudar toda uma existência.

Então, à partir da semana que vêm, mapa na mão para entender o que está acontecendo na sua vida hoje e assim aproveitar bem as luzes planetárias.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

2009 - UM ANO SOLAR

“Além disso, não precisamos correr sozinhos o risco da aventura, pois os heróis de todos os tempos a enfrentaram antes de nós. O labirinto é conhecido em toda a sua extensão. Temos apenas de seguir a trilha do herói, e lá, onde temíamos encontrar algo abominável, encontraremos um deus. E lá, onde esperávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos. Onde imaginávamos viajar para longe, iremos ter ao centro da nossa própria existência. E lá, onde pensávamos estar sós, estaremos na companhia do mundo todo.”
Joseph Campbell - O Poder do Mito.

Depois de 2 anos encontrando nossos desafios externos, com a regência de Júpiter em 2007 e de Marte em 2008, vamos agora encontrar aquilo que nos dá vitalidade interna em 2009, com a regência do Sol para esse ano.

O Sol, como centro do sistema em que vivemos, é símbolo do nosso desenvolvimento mais pessoal, da nossa busca por expressar no mundo o que temos de melhor. Na consciência solar encontramos nosso herói, que se sabe único e destinada a algo especial. O herói, no início, não se reconhece heróico, apesar de uma sensação de ser diferente daqueles que o cercam. Mesmo assim, responde ao chamado da aventura e acaba desenvolvendo esse potencial durante o caminho. Olhando para o Sol, no nosso mapa, podemos ver que tipo de aventura e desafio nosso herói encontra nesse processo.

Em um ano solar recebemos “inspiração”, digamos assim, para tomarmos consciência dessa dimensão interna. Prestar atenção às situações em que somos chamados para a aventura de nos tornarmos nós mesmos e desenvolvermos o potencial criativo que nossos desejos intuem, é a melhor maneira de aproveitar essa inspiração.

Mas, mesmo com todas as promessas de Luz e encontro com o centro criativo que esse ano promete, o primeiro passo a ser dado para aproveitar essa força é aceitar a solidão que ela implica. Ser “especial”, significa compreender que estamos sozinhos quando decidimos seguir nosso próprio caminho. Recebemos muita ajuda de todas as dimensões para cumprirmos nossas tarefas, mas a decisão é solitária, e sem nenhuma garantia para o ego de que conseguiremos conquistar esse prêmio tão valioso, apenas uma vaga sensação de destino a ser cumprido. A percepção disso ajuda a diferenciar o impulso solar do impulso lunar: através da Lua nos sentimos fazendo parte do nosso entorno, da família, da sociedade, buscamos a segurança de nos sentirmos amados e protegidos, vamos atrás daquilo que nos nutre; através do Sol nos sentimos únicos e buscamos a aventura da vida, projetando o melhor que podemos dar ao mundo. Essa escolha de se separar daquilo que é conhecido por causa de algo que nos chama interiormente não é, portanto, um ato de rebeldia e sim um ato de amor, e é por isso que receberemos tanta ajuda e força para nossa jornada.

Aproveitemos esse ano solar para iluminar, ou seja, colocar consciência, em todas as crenças errôneas que nos enchem de medo de atender ao chamado da aventura da vida, da busca por nós mesmos. É sempre possível recusar esse apelo interno, pois a nobreza e integridade solar implicam em escolher livremente esse caminho e aceitar seus riscos, em vez de culpar os outros e/ou o mundo pelas dificuldades encontradas. Mas, como nos diz Joseph Campbell: “Com freqüência na vida real, e com não menos freqüência nos mitos e contos populares, encontramos o triste caso do chamado que não obtém resposta; pois sempre é possível desviar a atenção para outros interesses. A recusa à convocação converte a aventura em sua contraparte negativa. Aprisionado pelo tédio, pelo trabalho duro ou pela “cultura”, o sujeito perde o poder da ação afirmativa dotada de significado e se transforma em uma vítima a ser salva. Seu mundo florescente torna-se um deserto cheio de pedras e sua vida dá uma impressão de falta de sentido - mesmo que, tal como o rei Minos, ele possa, através de esforço tirânico, construir um renomado império. Qualquer que seja a casa por ele construída, será uma casa da morte; um labirinto de paredes ciclópicas construído para esconder dele seu Minotauro. Tudo que ele pode fazer é criar novos problemas para si próprio e aguardar a gradual aproximação de sua desintegração.”

Esse é um trecho do livro O Herói de Mil Faces - Ed. Cultrix/Pensamento - SP - 10ª edição - 1997 - e eu recomendo calorosamente a leitura e releitura desse livro para esse ano solar que vamos entrar. Aliás, ótima pedida para amigos secretos e demais demandas de presentes de Natal.

Esse fim de ano de Marte ainda pode ser aproveitado para energizar nossa psique e abrir os caminhos que faltaram. Sasportas chama Marte de “capanga do Sol”, e se conseguimos aproveitar 2008 para encontrar nosso inimigo interno e abrir novas trilhas de ação, em 2009 será mais fácil o Sol caminhar com toda a sua majestade para nossa aventura de ser. Então, que venha o Sol, tão aguardado aqui em Santa Catarina, e que possamos ser especiais, e, assim, fazer a diferença.
Em janeiro volto às publicações regulares, e esse ano pretendo falar mais sobre a dança dos planetas. Até lá.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Palavras de Sabedoria

Viver no agora é viver na onda do tempo. Nessa dimensão, o tempo flui em certo movimento e ritmo. Esse movimento pode ser determinado por estações, dia e noite, pela posição dos planetas em relação à terra, e pela posição da terra em relação aos planetas, todos em movimento no espaço. Esses movimentos criam certas ondas rítmicas. Em pequeno grau, o homem, no curso da história, sentiu algumas dessas leis do movimento rítmico do tempo, como, por exemplo, na astrologia. Somente uma compreensão muito limitada foi alcançada nessa questão. Mas todos sabem e sentem e até expressam isso em termos de possuir “tempos bons” e “tempos difíceis”. Haverá um período em que as coisas vão bem, em que tudo que se inicia dá certo e dá bons resultados. A pessoa se sente mais livre que o usual, com um panorama esperançoso, apesar de condições problemáticas existentes. E então há tempos da curva em baixa da onda quando tudo parece dar errado. Qualquer um que persevere com um desejo sincero de todo o coração de olhar para si mesmo na verdade irá, cedo ou tarde, chegar a um ponto em que esses “tempos ruins” – que são literalmente a manifestação da desarmonia que o homem criou na sua relação com a dimensão temporal – garantirão tal vitória, tal compreensão que ele não mais experimentará a curva descendente do movimento do tempo como um período depressivo, chato ou desvantajoso. Pois cada momento da vida, verdadeiramente experimentado na realidade do agora, proporcionará uma aventura e excitamento de forma harmoniosa e pacífica, digna da essência da vida. Mas isso não pode ocorrer, a menos que você primeiro aprenda a avaliar e compreender a negatividade em você, e assim os seus “tempos ruins”. Então você estará na sua dimensão temporal. Então você experimentará qualquer coisa na realidade. E essa paz, essa âncora em você mesmo, não é algo que possa ser descrito. Não pode ser substituído com qualquer outra realização, estado ou objetivos aparentemente nobres e desejosos. É uma riqueza, e há riquezas contidas em cada alma individual. Elas são suas, basta a solicitação. Geralmente é triste para nós notar como os seres humanos tornam na direção errada, procurando esse contentamento que vagamente sentem que existe. Como vocês perdem literalmente tempo procurando soluções e satisfação na direção errada. Pois apenas quando a pessoa encontra o valor da sua riqueza interior ela parará de fugir dolorosamente do agora, e não mais estará longe de si mesma. Então ela não procurará seu sustento de outras fontes. Enquanto ela estiver dependente dessa fonte de vida exterior, ela tem que passar por todos os tipos de meios que diminuem e enfraquecem seu eu real ainda mais.
Palestra do Guia Pathwork 113, não publicada - Tradução: Mauro de Souza Pinto.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

FÉRIAS

Estamos completando 1 ano, e eu estou saindo por um período mais longo de férias. Comecei esse blog para organizar minhas anotações e estudos astrológicos, para que amigos, alunos e clientes pudessem ter mais informações sobre astrologia. Pouco a pouco, porém, ele foi se transformando em algo mais, graças às críticas, comentários, elogios e principalmente aos conhecidos e desconhecidos que tiveram confiança para abrirem seus mapas e se colocarem como exemplo, pelo blog ou em particular, mostrando inclusive suas dificuldades. Isso foi importante para reforçar que a astrologia e a análise de uma pessoa é algo muito mais complexo e interessante do que aparece no horóscopo de jornal, além de me trazer boas ilustrações de como se vive o céu. A todos vocês meu abraço cheio de gratidão.
Passamos por todos os 12 signos e seus regentes, e, sempre que possível, ainda demos umas passeadas pela estrutura astrológica e por assuntos menos divulgados. Se você, leitor amigo, está chegando agora e está em busca do seu signo, saiba que aqui fizemos tudo meio que de trás para frente, começando por Libra, em outubro de 2007, e terminando por Virgem, em setembro de 2008. Os planetas estão junto aos signos que regem, sendo que Vênus ficou perto de Libra, mesmo regendo também a Touro, e Mercúrio de Gêmeos, mesmo regendo também a Virgem. Nas publicações de “Astrologia de Boteco” - sem dúvida as que fizeram mais sucesso nesse ano -, você vai encontrar umas dicas básicas sobre como os planetas se manifestam nos 12 signos, para incentivá-lo a ter o desenho do seu mapa na mão e descobrir o que significam aqueles símbolos todos. Mas lembre-se que essa é uma astrologia de boteco mesmo, típica de manual astrológico, que só serve como ponto de partida para se pensar quem se é e apontar portas do seu mapa astral.

Ainda tenho muitas anotações, estudos e interesses astrológicos para expor, além de ter que completar alguns capítulos publicados que não tive oportunidade de terminar. Assim que voltar dessa peregrinação pretendo continuar escrevendo. Só não sei quando será isso, pois a gente nunca sabe onde vai parar quando a estrada nos chama. De qualquer modo, vou dar um jeito de publicar algo sobre a regência do próximo ano, 2009, no fim de dezembro, e então espero já ter uma data para voltar a publicar com regularidade.

Novamente obrigada a todos, e conheçam seus mapas, abram as portas, apropriem-se desse conhecimento que pertence à Humanidade, e que, portanto, é uma herança que todos temos o direito de usufruir!
Ultreya!!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Astrologia de Boteco do SUS: Descubra Seu Quiron e Converse Com Seu Médico

Quirón está nos trazendo a possibilidade de reconciliar nossos instintos e nossa espiritualidade que, desde a Antigüidade, foram dissociadas. A cura prometida por esse planeta envolve nossa capacidade de agir de modo integral, com o coração, a mente e o espírito, através da compaixão. O signo e a casa onde se encontra nos mostra como essa dissociação nos tornou mais frágeis e, por isso abertos para a ferida incurável. Para se encontrar um equilíbrio onde temos Quiron, precisamos aprender a liberar o passado e ter coragem para nos abrirmos a uma nova consciência que se esforça para encontrar o caminho até nós. Só assim podemos deixar a dor para trás e encontrar a cura, para nós e para quem estamos conectados.


Quiron em Áries
Quando associado ao Guerreiro de Fogo, Quiron irá criar dificuldades para a afirmação pessoal, o que acaba causando medo com relação às coisas novas e à ambientes estranhos. Ao mesmo tempo, há um impulso para agir heroicamente, como se precisasse cumprir alguma missão para justificar sua existência. Nesse abismo que se abre entre o medo de se expor e a “obrigação” de agir se encontra a ferida e a dor intolerável de se saber sozinho e sem proteção para expressar o que realmente se sente e se deseja. Geralmente se tenta fugir desse buraco lutando pelos desejos e necessidades dos outros, o que só faz com que o vazio da falta de motivação interior cresça. Quiron em Áries ensina a pessoa a olhar para o Universo, descobrindo e aceitando o tamanho de sua insignificância. E como a cura de Quiron se apresenta sempre como um koan zen, é assim que se pode mergulhar no vazio e encontrar a imensa vitalidade que se encontra na essência existencial de Áries.

Quiron em Touro
Touro é o signo do prazer e da segurança que nos dá o plano físico, através do qual podemos concretizar nossos valores internos. Quiron aqui geralmente se associa a uma sensação de inadequação e fragilidade com relação ao corpo físico e aos recursos pessoais. Os instintos sexuais e territoriais parecem perigosos, e, na tentativa de controlá-los, a pessoa vai se afastando cada vez mais de seus instintos básicos e se sentindo mais e mais sem valor ao tentar corresponder aos valores de outras pessoas, estranhos à sua própria natureza. Uma dificuldade comum de se encontrar quando Quiron está em Touro é o da compreensão simbólica das coisas, o que leva a pessoa a ver tudo de maneira muito concreta e paralisante. E assim, a vida material e o corpo físico parecem ser fonte de dor e sofrimento, e a pessoa acaba se limitando porque tem que estar sempre acumulando recursos externos para sobreviver ou rejeitando o prazer que a vida material pode fornecer. Esses dois caminhos levam à avareza e aprofundam o vazio da ferida. É preciso que se aceite a dor por ser rejeitado ao não corresponder aos valores dos outros e por muitas vezes não conseguir concretizar as coisas exatamente como gostaria, para então reconhecer o valor dos diferentes dons ao seu redor e juntar vários recursos para construir algo no mundo material. Assim é possível se curar encontrando segurança interna por participar da construção de um mundo melhor e mais bonito e não por se possuir algo externo sem ressonância interna.

Quiron em Gêmeos
Quando Quiron encontra com os Dioscuros, ele separa os irmãos, não há alguém para conversar e a sensação de isolamento é profunda. Ninguém parece escutar ou entender a pessoa, e se busca desordenadamente absorver todas as informações ao redor na tentativa de compreender o mundo e ligar todos os fragmentos de pensamentos dispersos dentro de si. E assim, se perde tanto a percepção do que são pensamentos pessoais quanto do poder das palavras, deixando que padrões de pensamentos destrutivos confirmem crenças errôneas. Isso muitas vezes leva ao medo de se perder a cabeça e desenvolver algum tipo de patologia mental. Assim como Santo Agostinho teve que aprender que é impossível fazer com que o oceano caiba em um buraco na areia da praia, Quiron mostra em Gêmeos que por mais que se saiba, por mais que se compreenda, nossa cabecinha humana ainda é muito pequena para entender sequer a superfície do Infinito, mas, mesmo assim, esse é nosso principal instrumento para buscar a verdade. Ao aceitar a frustração e a dor de não poder expressar o que há de mais profundo e significativo da alma é possível conhecer o poder curador de expressar o que se sente, não para que os outros nos entendam, mas para podermos tocar a solidão dos outros com nossa expressão e pensamentos. A solidão compartilhada pode se tornar menos opressora.

Quiron em Câncer
Câncer mostra nossa capacidade de dar e receber amor, criando vínculos afetivos capazes de nos dar segurança emocional em nossa caminhada pelo mundo. Quando Quiron está em Câncer, as raízes não são capazes de nutrir, às vezes porque a própria raiz está doente, às vezes porque o solo onde nascemos já não tem mais nutrientes para oferecer. Como esse aprendizado em geral é feito através da mãe em uma fase do desenvolvimento em que ainda não temos consciência de sermos um ser separado daquilo que nos nutre, quando Quiron intervêm nessa relação a incapacidade nutritiva da mãe ou do ambiente em que nascemos é incorporada à alma, e assim a pessoa se sente sempre faminta, mesmo quando cercada de abundância. É comum achar insuportável entrar em contato com as próprias necessidades afetivas de nutrição, então se passa muito tempo aprendendo a controlar as emoções e sentimentos - que são vistas como “sentimentalismos” ou “bobagens” - ou criando vínculos pouco saudáveis por não conseguir diferenciar o que é veneno do que é nutrição real. Busca-se nutrir ao outro como maneira de fugir ao buraco nutritivo interno, mas qualquer ameaça de separação acaba fazendo com que a ferida doa ainda mais. É preciso de muito cuidado e carinho para se achegar à zona dolorida de Quiron em Câncer, encontrar a criança ferida e subnutrida e conquistar a sua confiança para que expresse seus sentimentos espontâneos e pueris de modo a que se possa começar um lento processo de auto nutrição verdadeira. O reconhecimento da própria fragilidade emocional aplaca a dor da solidão que existe em nosso âmago, e então é possível tocar e ser tocado pela sutil força da vida, capacitando a reconhecer e recuperar a magia da existência ao seu redor e em todas as pessoas que encontrar pelo caminho, sem apegos, com amor, pois se aprendeu o verdadeiro valor dos vínculos afetivos.

Quiron em Leão
Em Leão encontramos a força de sermos filhos do Deus, herdeiros legítimos de nosso lugar único no mundo, geradores de vida e de paixão pela vida. Quiron rompe dolorosamente a conexão com o centro divino e criativo, e não há como reconhecer-se naquilo que se cria, nem há um pai divino que proteja e mostre o caminho. Assim a auto expressão é sempre acompanhada por dor e insegurança, e se deixada livre pode gerar bastante destruição. O conflito interior gerado por essa ferida pode criar muito ressentimento, pois por mais técnica que a pessoa desenvolva para se auto expressar, sempre faltará a alegria, a espontaneidade e o amor pela vida que deveria acompanhar essa expressão. É preciso desenvolver coragem para expor a alma ferida para então descobrir como recriar essa conexão profunda com o Deus também ferido que habita sua alma. Então se será capaz de encontrar o divino em todos que encontra, e ajudar a que cada um descubra esse caminho interno.

Quiron em Virgem
Esse é o signo da colheita, onde se conquista a independência e a autonomia através do trabalho útil e da percepção inteligente de como aproveitar melhor a si mesmo para produzir bons frutos no mundo. Pois quando Quiron age através de Virgem, sempre há uma enorme inundação ou uma terrível seca quando o trigo está prestes a ser colhido. Assim, ao mesmo tempo que não se consegue parar de plantar, a esperança de conseguir usufruir do próprio esforço parece cada vez mais utópica, e, é preciso parar o trabalho automatizado e começar a escutar o que os deuses estão querendo, pois não vai adiantar tentar controlar a vida, por mais esforço que se dispense nisso. Através dessa ferida, Quiron mostra a diferença entre um emprego, automatizado e que visa apenas a sustentação física, e um trabalho vocacionado, onde a pessoa se dá por inteiro, aceitando as próprias imperfeições e dificuldades, além de todo o caos inerente aos movimentos da vida. As dissociações básicas de Virgem entre corpo e mente, puta e santa, espiritual e material, precisam encontrar sua síntese em nome de uma maior integridade para se encontrar alívio da dor. Nesse trabalho alquímico consigo é que se encontrará a compaixão capaz de fazer frutificar até as terras mais desérticas.

Quiron em Libra
A Balança, em busca de harmonia com aquilo que é diferente de si mesmo, tem que aprender a lidar com os conflitos inerentes à relação com o Outro quando Quiron está aqui. Esse planeta carrega em si a dor de conciliar opostos, e em Libra isso é feito através dos relacionamentos. O mais comum é que se atraia exatamente o oposto daquilo que se acredita ser: se a pessoa se identifica com a Vítima, vai atrair o Carrasco, se se identifica com o Salvador, vai atrair o Marginalizado, se se identifica com o Curador, vai atrair o Doente. Essas relações, porém, são desiguais, e a pessoa se sente solitária e infeliz, repetindo sempre o mesmo padrão de relacionamento até começar a perceber que está projetando no outro aquilo que não quer ver em si mesmo. Muitas vezes a pessoa com Quiron em Libra acredita que pode evitar a tensão emocional e a dor que acompanham o confronto desses relacionamentos se colocando como um observador neutro, o que só irá criar mais dor e fazer crescer o isolamento que se tenta escapar. A estratégia de diplomacia libriana para manter uma aparência harmônica não funciona aqui, e é preciso assumir os próprios sentimentos negativos, as raivas e medos, além de entender que é preciso momentos de solidão e encontro consigo mesmo quando envolvido em um relacionamento com um Outro, para poder ser honesto emocionalmente em lugar de projetar o que não se quer ver em si mesmo. O processo de construir uma relação onde as individualidades são assumidas e respeitadas pode fazer com que a ferida seja curada, pois o lado sombrio de cada um é entendido e honrado, em vez de se tentar, sem sucesso, simplesmente eliminá-lo.

Quiron em Escorpião
Escorpião traz em si os segredos de nascer e morrer inerentes à vida, e Quiron aqui trará as pulsões de Eros e de Thanatos para a consciência, nos obrigando a encarar toda a dor que a vulnerabilidade de nossa existência na dualidade causa. É comum em momentos de mudança, quando algumas coisas têm que morrer e ficar para trás para que algo novo comece, que a pessoa fique obcecada pela própria morte. Nos envolvimentos emocionais e sexuais Quiron em Escorpião também trará esse conflito doloroso de amor e morte, onde os impulsos destrutivos e os amorosos entram em combate e a pessoa tem que reconhecer toda a raiva, ciúmes, medo e outras coisas tenebrosas que surgem na intimidade com o outro, mesmo que apenas em fantasia. Escorpião é um signo hiper sensível ao lado mais obscuro do Ser Humano, e Quiron aqui exige o reconhecimento e a integração desse lado para aliviar a dor das feridas profundas causadas por abusos - físicas ou emocionais - sofridas na infância, e assim aprender a lidar com o poder dessas energias sem manipular nem se tornar impotente ao lado destrutivo do outro, pois as duas distorções causarão dor. Quando se consegue penetrar nas trevas sem se identificar com elas nem tentar modificá-la, é possível também entrar em contato com toda a alegria, esperança e positividade de maneira mais intensa sem o medo de perdê-la, pois se descobre que a vida é impermanente e enfrentar as dificuldades do nascer, morrer e renascer nos tornam mais profundos e inteiros. Ajudar outras pessoas a percorrer esse caminho faz com que a essa dor seja mais tolerável.

Quiron em Sagitário
A busca pelo significado da vida sagitariana é mostrada em toda a sua solidão quando Quiron faz seu altar aqui. Geralmente o ambiente religioso ou filosófico em que se cresce é muito distante da profunda devoção interna por algo maior que a consciência. As incoerências entre o que as pessoas pregam e a maneira como agem também vai criando a ferida de Quiron em Sagitário, e a pessoa se sente como que “ferida por Deus”. Não vai adiantar tentar divinizar algo externo - seja um deus, uma crença, um lugar, uma coisa ou uma filosofia -, pois isso só fará com que a ferida seja aprofundada. Não há como fazer barganhas com Deus quando precisamos passar por Quiron para chegar a Ele. Os aspectos limitadores e doloridos de nossa existência humana precisam ser incorporados à busca pelo significado da vida, se conscientizando de todos os preconceitos e sofrimentos que foram impostos ao Ser Humano em nome de Deus, todas as ameaças à vida que foram construídas pelos dogmas religiosos, toda a sombra humana que foi projetada no divino. A ferida que o Homem fez a Deus precisa ser reconhecida e sentida por Quiron em Sagitário para que, na compaixão por Deus nasça a compaixão por si e por toda a Humanidade, e se consiga alívio da dor.

Quiron em Capricórnio
Esse é o signo da Autoridade, do mestre que, através da experiência de vida, é capaz de mostrar o melhor caminho para se alcançar o alto da montanha. Com Quiron aqui, a figura de autoridade com a qual se cresce não pode mostrar o caminho e ter que se contrapor a essa figura traz toda a dor do planeta. O medo por essa figura de autoridade destrutiva acaba fazendo com que se despreze a própria vulnerabilidade e sensibilidade, que acaba tendo que se esconder em um quarto escuro, criando uma paralisia interna dolorosa. Essa perversão pode criar a fantasia de que assim se pode vencer a vida, seja endurecendo e acumulando poder a qualquer custo, seja se abstendo dos valores sociais aceitos. Assim a dor vai aumentando até se tornar insuportável e se tem que buscar o caminho interno da cura. Só quando se pode assumir a responsabilidade pela parte machucada e expressar toda a raiva e medo que estava guardado ali, é que se pode também construir a verdadeira estrutura que se busca, não mais para sobreviver, mas para crescer de verdade. Nessa busca interna se encontra a falta de amor e orientação que existe na base social que criamos, e só mesmo um Quiron em Capricórnio é capaz de assumir com seriedade a importância que isso tem para a transformação da nossa espécie.

Quiron em Aquário
Aquário é o guardião das nossas esperanças em um sociedade justa, livre e fraterna. Pois com Quiron aqui descobrimos toda a dor de não conseguirmos isso, e nos sentimos ameaçados pelos nossos iguais. Há uma hiper sensibilidade aos ideais do inconsciente coletivo com esse posicionamento, e isso significa que tanto os desejos coletivos de paz quanto a agressividade com relação ao que é diferente ou que ameace o status quo estarão se debatendo no interior da pessoa. Geralmente não há eco para as idéias inovadoras e se tem a tentação de se submeter àquilo que a sociedade acredita. Adotar alguma ideologia externa ou se transformar em um marginal social só fará a ferida ficar maior, como sempre. É no mergulho interno na própria mente, nas próprias ideologias, que se encontrará a ferida que não se cura no nível coletivo e que nos impede de sermos o que somos potencialmente. Estudar as várias sociedades humanas pode mostrar que cada grupo tem uma contribuição importante a dar ao todo, e então o “não se encaixar” perde a importância individual para ganhar a dimensão coletiva de que sempre vamos estar perdendo enquanto não respeitarmos as diferenças, que cada ser humano que morre em uma luta estúpida é um potencial a menos de crescimento que todos perdem. Carregar essa ferida na alma é sempre muito doloroso, mas pode ajudar a fazer com que da desilusão com a Humanidade nasça uma nova consciência coletiva, mais próxima das nossas novas necessidades.

Quiron em Peixes
Peixes traz o anseio emocional pelo retorno à Unidade, possível apenas através da transcendência daquilo que é individual em nós. Quiron aqui vai deixar bem claro que somos um barquinho sem motor em meio às tempestades de um oceano imprevisível. Não vai adiantar agarrar-se ao barquinho e se manter separado do todo, nem tão pouco se atirar ao mar e desistir da viagem. Aqui temos a ferida de Quiron, que não consegue se curar nem morrer. A dor só se alivia através do sacrifício da vontade pessoal, de modo a penetrar nesse oceano para compreendê-lo e não mais combatê-lo. Assim, tempestades externas podem ser reconhecidas internamente, e então acalmadas. Com isso, aprende-se a reconhecer e aproveitar os ventos favoráveis, a ter paciência nas calmarias, a ir mais fundo nas tempestades, acompanhando as tramas da vida com todo o seu caos e sofrimento. Se pode, então, deixar de ser a vítima da vida para ser co-criadora dela, pois podemos aceitar seus mistérios. Como disse o mestre pisciano, Jesus Cristo, quando a tempestade amedrontou seus discípulos, “porque esse medo, gente de pouca fé?” É só levantar-se, dar ordens aos ventos e ao mar para produzir a calmaria. A fração que somos carrega em si uma imagem preciosa do Todo, e a ilusão da separação tem que ser vivida sem se esquecer disso.

domingo, 7 de setembro de 2008

Quiron: A Visita do Sábio

Como já falei de Mercúrio quando tratei de Gêmeos, aqui vou expôr um pouco sobre Quiron, esse astro que chegou ao nosso sistema solar trazendo novidades do espaço exterior para astrônomos e astrólogos.
No dia 1 de novembro de 1977 o astrônomo americano Charles Kowal descobriu na constelação de Touro, entre Saturno e Urano, um pequeno corpo celeste muito brilhante e de cor avermelhada que recebeu o nome de Quiron. Primeiro os astrônomos o classificaram como asteróide, mas nos anos 80 descobriram que Quiron possuía uma névoa de gás ao seu redor e passaram a considerá-lo um cometa capturado. Mais tarde, com as observações do telescópio Hubble, verificaram que essa névoa de gás de Quiron estava firmemente preso a ele e não era empurrada para trás quando o corpo celeste se aproximava do Sol, como ocorria com os cometas. Além disso, Quiron era muito maior que um cometa comum, com cerca de 160 km de diâmetro (o cometa Harlley tem cerca de 10 km de diâmetro atualmente, para se ter uma idéia), e então criaram uma nova categoria de corpo celeste, os asteróide-centauros, que já possui cerca de 29 corpos registrados. Esse recém chegado também possui uma órbita bem excêntrica, se aproximando ora de Saturno, ora de Urano, em uma revolução em torno do Sol de aproximadamente 50 anos. Muitos astrônomos e astrólogos consideram Quiron um “visitante”, que não pertence realmente ao nosso sistema solar e um dia irá nos deixar como um cometa. Mas enquanto isso não ocorre, astrólogos estão constando influências muito interessantes desse asteroide-centauro nos mapas astrais.
Desde o avistamento de Urano constatamos que a descoberta de um novo astro está associado a alguma mudança na consciência humana. Como se trata de algo que surge do inconsciente e Quiron leva 50 anos para completar sua volta pelo zodíaco, ainda levará algum tempo para termos uma compreensão mais completa do seu real significado, mas observando o que estava acontecendo durante o fim dos anos 70 podemos começar a pensar a respeito. Em 1978 nasce o primeiro bebê de proveta, Louise Brown, e o vírus SV40 tem seu genoma determinado, começando a caçada atrás do genoma humano. A maioria dos astrólogos associam a chegada de Quiron ao desenvolvimento das terapias alternativas, da medicina natural e da visão holística da saúde com bases empíricas e científicas, diferente da visão holística do Renascimento, que o fazia sob uma base mais filosófica e mística. Isso mostra que Quiron nos trouxe uma necessidade de maior compreensão a respeito do que é o Ser Humano, penetrando em suas estruturas mais básicas.
A primeira questão que surge é a respeito de qual signo regeria o novo astro. Devido sua forma de centauro e sua condição de mestre, muitos associam Quiron a Sagitário, mas Júpiter ainda parece muito mais apropriado à natureza expansionista do mutável de fogo. Já vi argumentos ligando Quiron a Touro, por sua conexão com a natureza corpórea e instintiva, mas acho muito difícil ver na busca por prazer taurino, tão bem representado por Vênus, a dor e sofrimento de Quiron. E há aqueles que associam Quiron a Virgem, entre os quais tendo a me incluir. Além da associação mais imediata entre Quiron, a saúde e a sabedoria prática, o fato central que parece ligar o astro no mapa astral, a mitologia e a nova consciência que surge é a ferida criada por uma cisão entre nossa natureza corpórea e nossa busca por expressão divina, que também faz parte do processo de Virgem. Polêmicas à parte, para se saber algo sobre Quiron precisamos nos voltar para a mitologia tentando descobrir suas características arquetípicas, para então deduzir seus efeitos na astrologia e na carta natal.
Do grego Kheíron, seu nome significa “que trabalha ou age com as mãos”, que era a maneira como eram conhecidos os cirurgiões, e esse centauro era aclamado pelos poetas principalmente por sua capacidade médica. Filho de Cronos (Saturno) e de Fílira, uma das filhas de Oceano, Quiron é concebido quando o Titã assume a forma de um cavalo para se unir com a oceânida, e por isso a criança nasce com essa dupla natureza, metade humana, metade eqüina. Ao dar à luz, Fílira fica tão perturbada que roga aos deuses que a livrassem da responsabilidade pelo filho de qualquer maneira; e eles a atenderam levando a criança e transformando-a num limoeiro ou em uma tília, segundo outras versões. Educado pelos deuses, Quiron vivia em uma gruta, no monte Pélion, e se torna uma espécie de gênio benfazejo, amigo de deuses e homens. Sábio e mestre, ensinava música, mântica, arte da guerra e da caça, moral e, sobre tudo, medicina aos seus discípulos, sendo que todos os heróis, como Teseu, Jasão, Hércules e Asclépio, passaram por suas mãos. Ele sempre foi considerado um médico ferido - pela estranheza de sua forma, pela rejeição de sua mãe -, que compreendia seus pacientes por conhecer sua própria ferida. Mas é quando Hércules, sem querer, fere seu pé, que seu mito ganha a dimensão trágica que o caracteriza. Quando do massacre dos centauros feito pelo filho de Alcmea, Quiron acaba sendo ferido por uma flecha envenenada pelo sangue da Hidra, e, por mais que o centauro aplicasse ungüentos e tentasse utilizar seu conhecimento para se curar, a ferida se mostra incurável. Recolhido à sua gruta, ele deseja morrer, mas nem isso consegue, por ser imortal. Cheio de dor, Quiron roga aos deuses pela benção da morte, e eles concordam com que Prometeu, que nascera mortal e estava amarrado à uma pedra tendo seu fígado comido por ter dado o fogo aos Homens, fosse solto por Hércules e cedesse a sua mortalidade ao centauro, e assim ele pode finalmente descansar.
A primeira coisa que podemos tentar associar ao posicionamento de Quiron na carta natal, é uma maior sensibilidade à rejeição, onde fomos feridos ou machucados de alguma forma e que, através dessa experiência, obtemos uma sensibilidade à dor e um autoconhecimento que nos capacita a entender e ajudar os outros. Outra observação imediata é a respeito da dupla natureza de Quiron, metade humana, metade animal, que provoca estranheza e é a razão da perturbação materna. Simbolicamente todos nós possuímos esse conflito, entre uma natureza animal, física e instintiva - que fica doente, que tem necessidade básicas quotidianas, que tem raivas e paixões - e uma natureza humana ou divina, que se preocupa com a existência mais abstrata, que caminha pelas idéias e pela imaginação, que não se prende a espaço e tempo. Quiron pode estar mostrando, nesse sentido, onde a consciência de estar num corpo físico distinto, portanto com uma consciência separada da unidade total com a vida, pode ser conflituosa; ou seja, onde os desejos e anseios do nosso corpo terrestre e os impulsos da alma se encontram na forma de angústia. Em um livro sobre a formação do terapeuta - Poder e a Ajuda Profissional -, Adolf Craig afirma “que o paciente tem um médico dentro dele mesmo, mas (...) também o médico tem um paciente dentro de si”. Essa parece ser a melhor linha de raciocínio para a compreensão do Quiron na carta astral, onde ele é símbolo do curador que está em contato com a própria dor e fraqueza, e por isso é capaz de ajudar seus pacientes ao direcioná-los para o curador que existe dentro deles. Nas primeiras pesquisas sobre o novo planeta, muitas vezes ele foi encontrado com destaque em mapas de terapeutas e também em pessoas incapacitadas fisicamente que acabaram direcionando suas vidas para ajudar outras pessoas a superar as próprias limitações.
Outra característica do mítico centauro Quiron é a sua função de mestre formador dos heróis, não só quanto às habilidades práticas, mas também quanto à formação religiosa ou moral, ou seja ele era também um educador da alma. Isso nos faz pensar que uma das função do Quiron astrológico é de iniciador, fazendo nos passar por uma série de ritos que, assim como o futuro herói, fazem com que se adquira a indumentária espiritual necessária para poder enfrentar todos os monstros e criaturas que surgirão pelo caminho. Mitólogos como Junito de Souza Bradão, Joseph Campbell e Micea Eliade vêm nas histórias heróicas os reflexos dessa iniciação, onde temos coisas como o corte de cabelo, a mudança de nome, o mergulho ritual no mar, a passagem pela água e pelo fogo, a descida ao Hades e o penetrar no Labirinto, a hierogamia como alguns exemplos. Lembramos, então, que Quiron é um transaturnino, portanto um planeta que traz informações do inconsciente coletivo e nos mostra algo que vai além das ilusões individuais. Liz Greene observou que as crises e dificuldades da casa onde se encontra Quiron parecem estar totalmente fora do controle do indivíduo, e as mudanças que ocorrem em seus trânsitos e progressões acabam por expandir a consciência da pessoa que se encontra sob sua ação. Crise, para os chineses, é traduzida como uma combinação de perigo com oportunidade, pois envolve tanto elementos desconhecidos quanto a possibilidade de crescimento. A doença parece ser o fator mais freqüente nas crises regidas por Quiron, e geralmente o tipo de doença que pede uma compreensão profunda de suas origens e significados. É comum também crises religiosas e espirituais, e já se observou que algumas vezes Quiron está associado à morte dos pais. Essas coisas parecem estar ligadas diretamente à face de iniciador de Quiron. Nas iniciações sempre se perde algo - o cabelo, o nome de nascimento - e se é obrigado a enfrentar o medo - entrando no Labirinto ou indo ao Hades, mergulhando no mar ou atravessando o fogo - como formas de se adquirir uma nova personalidade capaz de enfrentar os perigos do caminho. Essa perspectiva simbólica mostra que os acontecimentos exteriores são mais reflexos de profundas transformações interiores do que causas, mas só podemos realmente compreendê-las quando a vivemos através de um acontecimento externo que transforma o padrão de vida. Quiron nos capacita a encontrar significado em nossas dores e sofrimentos de modo a nos tornarmos mais sábios, pois sentimos que há um profundo significado que precisamos entender para continuar caminhando. Com Quiron, porém, mesmo com esse aumento de consciência, a ferida, o buraco existencial que penetramos, não se fecha, e de tempos em tempos dói novamente e nos obriga a novo mergulho em nós mesmos. Esse processo de penetrar na nossa dor nos torna mais sensíveis à dor do outro, e desenvolvemos a verdadeira compaixão - que não tem nada a ver com pena - e podemos realmente ajudar o nosso próximo que sofre.
Certa vez li que o contrário de Morte não é Vida, é Nascimento: nascer e morrer fazem parte da Vida. Acredito que Quiron vem nos ensinar a vivenciar esses opostos sem julgamentos de valor, e isso pode nos ajudar a sair de uma existência dual em conflito para uma totalidade amorosa. Esse é o caminho para a Iluminação que anunciam os budistas, e talvez Quiron esteja nos fazendo trilhar o caminho do Bodisathiva, que fez o voto de, mesmo se iluminando, não entrar no Nirvana enquanto todos os seres não se iluminarem também, pois em sua Compaixão faz do sofrimento de todos os seres seu próprio sofrimento. Afinal, hoje sabemos que habitamos todos o mesmo planeta, e ou nos salvamos todos, ou nossa espécie pode ser extinta.