sábado, 2 de agosto de 2008

O Caminho do Sol

A primeira postagem desse blog foi sobre o Sol, introduzindo a visão daquilo que pretendia falar aqui. A astrologia que faço busca exatamente o caminho para desenvolvimento do Sol, pois é lá que encontraremos nossa Luz e nossa capacidade amorosa mais profunda. Agora vamos tentar entender mais desse astro que, em seu caminhar anual, nos trás as estações do ano, os tempos de recolhimento e de exposição, organizando o calendário de nosso planeta. Esse mês ele está "em casa", iluminando a área de nossa vida em que temos o signo de Leão e, portanto, onde também estamos aprendendo a sermos nós mesmos.
O Sol ocupa 99,8% do nosso sistema, e mostra, na astrologia, nossa essência básica. Quando agimos de modo solar, estamos em harmonia conosco internamente. A palavra “sol” deriva do latim “solus”, que significa o Único, e a sua posição, por signo e casa, nos mostra como nos sentimos únicos e centro de nós mesmos. Uma das mais antigas representações do Sol é a da realeza, e o rei era tido como a incorporação terrena da divindade, ou seja, seu papel de governante era exercido juntamente com o papel de pontífice, o “construtor de pontes”, que fazia a mediação entre o céu e a terra. Enquanto o ascendente nos fala da forma que tomamos no mundo, da porta de entrada na nossa casa, o Sol dirá o que encontraremos lá dentro, portanto não é o que reconhecemos quando conhecemos alguém superficialmente. O ascendente, nesse sentido, é como um guia que nos acompanha em nossa jornada pela vida e nos leva a aprender certas lições e assimilar certos atributos que nos auxiliarão a nos tornarmos aquilo que é representado pelo Sol. Podemos dizer que o ascendente é o caminho onde encontraremos mais perspectivas e onde somos treinados a partir daquilo que encontramos na vida. Já o Sol nos mostrará quem trilha esse caminho, o herói que estamos tentando nos tornar. Os potenciais, as dificuldades, os dilemas e as experiências do Sol são dados pelo signo em que ele se encontra, e, conforme o tempo passa e ocorrem as transformações fisiológicas e psicológicas que as idades trazem, nos tornamos mais integrados ao signo solar.
Como vimos, a Lua simboliza uma dimensão inata e instintiva da personalidade, que tem como meta consciente o desenvolvimento de objetivos no mundo que garantam a segurança e a auto preservação, possuindo uma natureza regressiva que nos atrai para o passado e para o vínculo mãe-filho - já que nossas necessidades emocionais e corporais básicas não se alteram em sua essência. Em contraposição, o Sol simboliza nossa dimensão progressiva, sendo o princípio ativo e dinâmico que se desenvolve ao longo da existência sem nunca acabar de se desenvolver. Esse é o aspecto da personalidade que está sempre em processo de vir a ser, de rumar para um futuro. O herói sempre está representando um mito solar, pois sempre está prestes a se tornar algo. Não se nasce automaticamente herói; é preciso passar pelo processo de transformação para se tornar rei e também um veículo adequado para os deuses que são seus verdadeiros pais.
A primeira característica que encontramos no herói, portanto, é que ele é um “híbrido” de deus e mortal, o que sinaliza seu destino de pontífice. Na infância o herói não conhece sua verdadeira filiação, e acha que é igual aos outros, apesar de uma estranha sensação de ser diferente e da intuição de que um destino também diferente o aguarda. Um dos principais temas da jornada do herói é a descoberta de sua verdadeira origem, que é ao mesmo tempo mortal e imortal. Nesse tema mítico podemos notar um profundo sentido de dualidade, onde a dinâmica é dada pela convicção de que não somos feitos apenas de terra e fadados a comer, procriar e morrer; ou seja, de que não temos apenas uma natureza lunar, pois cada um de nós é especial, único, e tem um destino pessoal, uma contribuição individual a dar para a vida. O Sol em nós sente que há uma busca a se iniciar, uma jornada na direção do futuro desconhecido, um mistério profundo no núcleo do “eu”. Nossa face solar não se sente sujeita aos ciclos lunares e leis do destino ao qual têm que se submeter nossas naturezas, se recusando teimosamente a ser comum. A maioria das pessoas descobrem isso na metade da vida, quando a busca de segurança financeira, emocional e mundana parecem não trazer mais satisfação e a pessoa começa a pensar que deve haver um propósito maior para se estar vivo. Geralmente essa conclusão vêm de alguma crise que deixou um rastro de descontentamento e depressão, obrigando a pessoa a criar novas metas, difíceis de serem expressas em termos concretos, pois o Sol possui metas interiores, diz respeito à experiência da vida como algo especial e cheio de significados: o Sol nos diz que não somos coelhos, nem macieiras nem outra pessoa, mas sim nós mesmos e precisamos realizar nossos potenciais únicos. Podemos ignorar a força solar por nossa conta e risco, pois se não damos o salto solar e não oferecemos nossa contribuição única ao mundo, por menor que seja, estamos fadados ao incômodo tormento de um self não vivido, e teremos todas as razões do mundo para temer a morte, pois não teremos vivido de fato.
Outro elemento importante da jornada heróica é o fato dele ser invejado ou perseguido sem saber o motivo, às vezes pelo padrasto/madrasta, às vezes por um rei usurpador ou perverso que recebe a profecia de ser destronado pelo jovem herói, ou então por alguma bruxa ou ser mágico que resolve atrapalhar a jornada heróica. Podemos ver isso desde os mitos gregos até a história de Jesus Cristo. Esse tema da inveja e da ameaça do potencial que o herói representa para o governante estabelecido é algo que geralmente acompanha o despertar do Sol, pois a expressão especial e individual da natureza de alguém costuma despertar a inveja destrutiva dos outros e representa uma ameaça ao status quo. Muitas vezes isso é vivenciado através do pai ou da mãe real da pessoa, que fazem isso inconscientemente, pois a vida solar não vivida do progenitor se tornou amarga e invejosa, fazendo com que se experimente diretamente na infância essa perseguição do herói mítico. Se olhamos mais profundamente para nós mesmos, porém, descobrimos que o verdadeiro “inimigo” mora dentro e não fora de nós, por mais que cruzemos com ele no mundo externo.
O futuro herói pode se proteger por um tempo em sua mãe lunar, mas, mais cedo ou mais tarde, terá que aprender a lidar com o governador invejoso por sua própria conta, desenvolvendo certo realismo, já que a inveja faz parte da vida e da natureza humana, e nem sempre dá para sair correndo para casa e se esconder embaixo da saia da mãe. Assim é possível desenvolver firmeza, auto suficiência, “insight”, inteligência e amigos leais para sobreviver como indivíduo, senão se correrá sempre o risco de um regresso rastejante para o ventre materno através de mães substitutas que o protejam, como empregos insatisfatórios ou relacionamentos paralisantes, reprimindo assim seus próprios potenciais individuais para evitar o mundo lá fora. Em algum ponto do processo de crescimento, o herói recebe aquilo que Joseph Campbell se refere como “o chamado para a aventura”, seja através de uma intuição ou visão interna, seja através de uma aparente perturbação ou desastre externos, onde se olha a vida com um realismo e humildade que tocam a essência do ser. Quando o herói resolve empreender sua jornada, geralmente arranja um ajudante, ou recebe ajuda de divindades ou ainda recebe assistência de algum animal, que garantem o êxito da empreitada, confirmando o direito divino do herói: ele é posto à prova, mas recebe bastante colaboração - e não indiferença - para a conquista de sua meta. A questão da fuga e do erro pode fazer parte da história do herói - até Cristo pergunta se Deus não o abandonou. Apesar disso parecer uma fraqueza indigna do herói, retrata fielmente a maneira como as pessoas normalmente se comportam ao ouvirem a chamada heróica, pois parece que precisamos choramingar e sentir pena de nós mesmos um pouco quando nos preparamos para nos afastar do conforto lunar e atender as demandas de nossa essência. Como diz a piada judaica: “Obrigado senhor por fazer de mim um dos eleitos, mas não dava para escolher outra pessoa, só para variar?”. É possível não atender à chamada, mas o progenitor divino - a imagem mítica de algo maior, o “Eu Superior” que existe em nós - não vai nos deixar em paz só por que estamos com preguiça, e teremos sempre que pagar um preço por nos recusarmos a nos tornar nós mesmos, na maioria das vezes através de depressões, sensações insuportáveis de fracasso e um vazio profundo.
O herói realiza sua tarefa por ser compelido de dentro para fora. Se ele fizer isso apenas para agradar aos outros, por mais humanitário que possa parecer sua ação, vai acabar encrencado, pois não está sendo sincero consigo mesmo. Essa busca deve ser feita por causa da pressão interior, não para que as pessoas nos amem. Contudo, no ato de se tornar um indivíduo ele está dando sua contribuição aos demais. O Sol pode parecer profundamente paradoxal, pois quando nos tornamos nós mesmos temos muito mais a oferecer do que se nos esforçássemos para tentar salvar o mundo como forma de compensar um vazio interior. É dessa forma que o herói é capaz de atingir o que Campbell chama de “Travessia do Limiar”, onde encontramos alguma coisa bem desagradável que quer nos impedir de atingir nossas metas heróicas. Cada mito irá descrever o Inimigo, o Guardião do Limiar, de formas típicas, podendo ser um irmão sinistro, uma mulher fatal, a bruxa malvada, um monstro, dragão ou gigante. Cada uma dessas imagens tem seu significado próprio que pode ser associado com os aspectos e posicionamentos solares, e mostra o tipo de lutador que precisamos ser para vencer nosso próprio lado sombrio: às vezes precisamos matar a bruxa representada pela Lua que quer nos engolir, ou vencer as tentações geradas por Vênus, ou então vencer o monstro de nossos instintos cegos e primitivos ligados a Marte, ou nos livrarmos da prisão saturnina que impede de nos revelarmos ao mundo. Aspectos do Sol com planetas transaturninos costumam representar transformações muito profundas no trajeto heróico, assim como em muitos mitos vemos que às vezes o herói deve morrer para conseguir a ressurreição e a transformação necessária, como Jesus Cristo ou Dionísio. Diversos fatores do mapa astral podem descrever o dilema dessa travessia, inclusive o próprio signo e casa do sol, pois há tanto virtudes como fraquezas em cada um dos signos. Só depois desse enfrentamento é possível receber o prêmio ou tesouro que aguarda o herói. Esse prêmio pode ser uma jóia, a água da vida, a fonte da imortalidade, o domínio do reino, a mulher amada, o dom da cura ou da profecia, e também está ligado simbolicamente ao posicionamento solar. Sempre é algo altamente individual, que tem grande valor para aquele herói específico. O Sol, como corporificação do herói mítico, luta pela recompensa final guardado em um núcleo indestrutível de identidade que justifica e convalida a existência: o herói e seu premio são, na verdade, a mesma coisa, pois o tesouro é seu lado divino oculto em sua vida mortal. Por mais terrivelmente abstrato que isso possa soar, o sentido inerente de sermos um “eu” real e único, sólido e indestrutível é algo precioso e mágico, além de ser obtido a duras penas.
No estado nu e cru do “Eu Sou” não há uma casa para se voltar nem uma coletividade que possa nos oferecer um paliativo para nossas dores, e essa é a razão pela qual o Sol começa a emergir de fato na meia idade, quando a pessoa está suficientemente forte e formada para enfrentar o desafio. O problema da solidão, que sempre acompanha qualquer manifestação do self individual, é o significado mais profundo da travessia do limiar no mito heróico. Outra coisa que o herói sempre encontra no final de sua jornada é seu verdadeiro pai, que também sai redimido do mito, pois assim como a Lua representa a mãe arquetípica com a qual compartilhamos nossos instintos, o Sol reflete a visão essencial que compartilhamos com o pai arquetípico, no nível criativo que só pode frutificar após gerações de busca solar. Sendo a solidão e inimizade do coletivo o equivalente emocional aos perigos que defronta o herói, podemos perceber que a culpa - e o medo da represaria que a acompanha - é a principal manifestação de nossa dificuldade em roubar o elixir da vida que exige nossa jornada heróica, pois há algo ilícito em nos tornarmos nós mesmos, e quanto mais nos sentimos separados da coletividade, maior nossa sensação de culpa, que pode se tornar tão grande a ponto de nos paralisar como estatuas de sal. O furto da árvore da vida é um profundo rito de passagem, e uma vez consumado, as coisas não podem voltar a ser como antes, e esse é uma realidade que muitas vezes nos amedronta. Várias vezes na vida temos chamados heróicos para atender, e várias vezes temos que abrir mão do conforto do lar e da identidade com o grupo, e enfrentar os guardiões dos limiares coletivos, pois as ameaças que sentimos de represária não é mera paranóia, já que o coletivo retruca de fato, e precisamos ficar atentos para perceber que tudo aquilo que está sendo mostrado fora tem sua representação mítica interna, pois todos esses personagens estão dentro de nós.
Nunca concluímos totalmente nossa jornada heróica, pois sempre estamos tendo desafios para nos tornarmos nós mesmos. Mas, assim como Apolo no panteão grego, uma das funções do Sol é desfazer as maldições, o que significa que quanto mais nos valorizamos, menos precisamos satisfazer as expectativas dos outros, nos sentimos menos assustados com as obrigações da vida e ficamos menos ressentidos com os potenciais não vividos. Como diz Polônio em Hamlet: “Acima de tudo, isto: sê leal contigo mesmo,/ E seguirá, como a noite ao dia,/ Sem ser falso com ninguém.”

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Leão e a Busca de Si

"A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida..."
Mario Quintana - poeta leonino.

É difícil pensar nesse signo sem evocar a imagem do Leão com juba ao vento a la “Contos de Narnia”, radiante e seguro de si. Mas essa fantasia criada pelos almanaques astrológicos não corresponde aos leoninos e leoninas de carne e osso, mesmo que eles adorem essa evocação. Se uma pessoa tem muita coisa em Leão, isso apenas quer dizer que ela está tentando desenvolver confiança em si mesmo, tentando ser receptiva a tudo que a rodeia, tentando descobrir quem é e como expressar sua criatividade. O Leão pode até parecer confiante, mas o problema dele, em geral, é o contrário, exatamente por passar muito tempo pensando só em si. Afinal, se você olha no espelho e não vê ninguém, que significado pode encontrar na vida? Esse signo regido pelo Rei Sol e onde o Guerreiro Marte se Exalta, é o exílio de Urano e onde Netuno está em queda, mostrando que a facilidade de se expressar individualmente pode ter mais dificuldades do que se pensa quando exposto para o coletivo.
A preocupação dos signos de Fogo com as possibilidades do futuro também é compartilhado por Leão. Em Áries, como vimos, essas possibilidades dizem respeito à ação, liderança e desafio, e em Sagitário ao Caminho da Vida. Em Leão, estão ligadas à realização de sua própria personalidade, à seu próprio mito pessoal. Lembrando que no fundo de cada signo de Fogo há uma criança que mitifica o mundo, Leão, mais que Áries e Sagitário, mitifica a si mesmo, podendo ser tão idealista e romântico a ponto de ser comovente. Ele também sofre da clássica decepção de Fogo nos dias de hoje, quando descobre que a vida real não é tão mágica assim e que a linda princesa tem o mau hábito de não querer ser salva de jeito nenhum, uma vez que está aprendendo a fazer isso sozinha. O que estou querendo dizer é que Leão se colide frontalmente com alguns aspectos da vida que ele não aprecia muito. Só quando o leonino consegue se ater à imagem interior de si e abandona a exigência de que o resto do mundo siga seus ideais, conseguindo intuir que ele é mesmo um herói, é que seu grande amor à vida floresce, mesmo quando lhe é exigido algum ajuste à realidade comum. Esse, porém, é um processo de maturação e, enquanto isso não ocorre, é bem visível, principalmente para quem convive com um Leão, sua tendência a se apegar ao ideal e se enfurecer quando ele não se ajusta àquilo que o cerca no trabalho, no amor, na família ou nos amigos. Leão fará de tudo para superar a própria mesquinhez, ambigüidade, ou tudo o mais que ele identifique como mal (e que faz parte da psique humana, diga-se de passagem), e fará um grande esforço para ser honrado em seus contatos. Nada em que Leão se meter pode ser frio ou impessoal, pois ele tem necessidade de pintar um quadro com traços largos e irrestritos. Ele pode até parecer exibicionista, mas ser o mais distinto e pessoal é o que o faz feliz e tão carismático. Nesse largo e colorido mundo de gentleman, a intromissão de mesquinharias e banalidades não é bem vinda.
Os leoninos dão a impressão, embora quase sempre isso seja inconsciente, de que esperam que alguém cuide deles e limpe tudo após sua passagem, pois estão muito ocupados com coisas mais importantes. Eles não têm a intenção de tratar as pessoas como serviçais, mas é que passam tanto tempo nesse mundo imaginário de fantasias criativas, que acabam não percebendo as dificuldades que criam para as outros. As pessoas podem até fazer concessões por algum tempo à grandiosidade leonina, mas se cansam e, aí, o Leão terá que enxergar que o mundo lá fora não orbita à sua volta, como ocorre em seu mundo interior, e, além disso, a vida das outras pessoas continua sem ele. Leão é regido pelo Sol, é a Criança Divina do zodíaco, e, para a criança, o mundo é uma misteriosa extensão de si mesma. Por isso homens e mulheres de Leão têm dificuldade em compartilhar o palco, e muitas vezes encontrarão saídas, manifestas ou sutis (pois também existe o Leão sutil), para ocupar o espaço que lhe foi “usurpado”. Eles podem espezinhar o sentimento dos outros quando estão muito presos à sua fantasia. Nessas horas Leão pode se tornar insensível às emoções e necessidades das outras pessoas, a menos que lhe seja mostrado, de forma absolutamente clara, o que está fazendo. Embora goste de se mostrar e aparecer para os outros, como toda criança o leonino tem medo de ser mal amada, medíocre, subestimada e de passar desapercebida. Às vezes ele terá que enfrentar o afastamento de sua platéia para entender que o mundo é povoado de outras criaturas humanas, importantes e diferentes dele, para começar sua verdadeira aventura para dentro e, assim, encontrar-se com sua verdadeira origem divina.
Todo signo Fixo tem que fazer o caminho interno para aprender a lidar com a grande concentração de energia que dispõe e, na astrologia médica, o coração é o órgão leonino. O processo de escutar o coração é algo que aperfeiçoamos a vida toda, e Leão precisa aprender que só ali ele encontrará o que tanto procura.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Astrologia de Boteco Lunático: Descubra Sua Lua e Cuide-Se

O signo lunar descreve nossa natureza emocional, o modo como se responde instintivamente ou se reage a eventos e ao ambiente. Caso a Lua não esteja excessivamente inibida por outros aspectos - ou por um forte condicionamento cultural em sentido contrário - reagimos naturalmente à vida conforme seu signo. Por isso é mais fácil nos identificarmos com o signo lunar do que com o Sol ou mesmo o Ascendente, pois ele estará atuando em nosso cotidiano, em nossos hábitos e rotinas. Aqui encontramos tanto a maneira como somos filhos quanto a nossa capacidade de sermos mães, para homens e mulheres. A Lua mostra como nos sentimos seguros e confortáveis, como lidamos com o corpo físico, e também como fazemos para nos afastar de tudo quando precisamos descansar ou fazer uma pausa. É bem interessante entender quando estamos agindo através da Lua, pois esse costuma ser nosso comportamento mais inconsciente, onde nos falta objetividade, e muitas vezes nos coloca em situações um tanto duvidosas. É através da Lua que nos ligamos às outras pessoas e à vida em geral, mas deixá-la guiar sempre nosso caminho pode nos fazer extremamente carentes. O equilíbrio aqui é fundamental.
Tracy Marks, em seu livro Astrologia da Autodescoberta (ed. Pensamento, 1989), sugere uma lista de frases para cada signo lunar, e ao longo dos anos eu tenho feito minha própria coleção de frases correspondentes às sensações lunares. Como a Lua fala do nosso lado emocional, muitas dessas frases colocam situações que a Lua se identifica, e é mais fácil fazer a conexão. Então, divirta-se.

Lua em Áries
“Ou eu sou o primeiro cavalo do time, ou não sou nenhum” (John Fletcher)
“Eu posso prometer ser franco, mas não posso prometer ser imparcial” (Goethe)
“Nós somos odiados pelas pessoas que tentam dirigir nossas vidas em nosso lugar.” (Diane Wakoski)
Essa é uma Lua realmente independente, por mais que isso possa parecer contraditório. Crianças com Lua ariana vão mostrar muito cedo aos pais que pretendem bater a cabeça sozinhos e ficam bem felizes quando chega a hora de ir para a creche ou a escola. Impulsiva e valente, essa Lua se sente confortável quando tem liberdade e encorajamento para mostrar sua individualidade. Quando se sente desanimada ou frustrada, ela vai buscar novos desafios e atividades para se sentir segura. É preciso cuidado para que a busca do prazer e da excitação momentânea não domine a vida da pessoa, pois isso pode levar à falta de realidade e substância. Mas essa Lua sabe como fazer para se divertir quando a caminhada está muito pesada, e mesmo que sua franqueza possa trazer alguns problemas, ela sempre vai poder contar com a sinceridade de suas emoções.

Lua em Touro
“Firmeza é aquela qualidade admirável em nós mesmos que é detestável obstinação nos outros” (Anônimo)
“Ele é sempre o mesmo amigo: sempre bem humorado, sempre contente em vê-lo, sempre triste quando você parte... tão simples, tão bom e tão afetuoso” (Kenneth Graham)
“Se eles tentam me apressar, sempre digo: ‘tenho somente outra velocidade, e essa é mais lenta.’” (Glenn Ford)
A Lua está exaltada em Touro, portanto o sentido de segurança emocional é bem forte e concreta aqui. Essa é uma Lua que adora contato físico, carinhos e beijinhos sem ter fim, e possui grande confiança em seu corpo. Os sentidos são aguçados e a boa comida, a boa bebida e a boa companhia são ótimas maneiras de fazer com que ela se sinta confortável e segura. O perigo está em se manter escravizado por esses prazeres e por um pragmatismo que pode fazer a vida ficar bem estéril em nome de um conforto que acalma. É importante que a pessoa não se abandone a essa compulsão por segurança e por ter todas as formas de prazer externo que o dinheiro pode comprar, percebendo que o vazio da sensação de falta de valor não pode ser preenchido dessa maneira. Quando se consegue ter consciência das reações lunares em Touro, é possível controlar a compulsão e aproveitar a possibilidade mais profunda de dar e receber calor e devoção que essa Lua possibilita.

Lua em Gêmeos
“Eu penso que penso; logo, penso que existo” (Ambrose Bierce)
“Se você não pode confundi-los com agudeza intelectual; desconcerte-os com tolices” (Anônimo)
“Um homem deve viver somente para satisfazer sua curiosidade” (Provérbio Hebraico)
Essa é uma Lua falante, que precisa se comunicar e é receptiva a tudo que a estimule mentalmente. A comunicação e os padrões de pensamento terão um tom emocional, sendo comum a pessoa perceber que suas tentativas de decisão racional são falhas por que a resolução já havia sido tomada pela percepção emocional dominante na situação. Quanto maior for o conhecimento sobre o mundo e sobre as pessoas, maior será sua sensação de segurança e, apesar da mente ter uma tendência a devaneios e fantasias, há uma indicação de grande criatividade na comunicação. É através da reflexão e da reformulação que a pessoa se adapta às mudanças, num processo onde se adota a visão daqueles que estão próximos e reflete-a de volta. Essa capacidade receptiva e reflexiva possibilita à Lua se projetar imaginariamente nos outros e intuir o que eles sentem ou pensam e, com isso, a pessoa se sente ligada à vida através da descoberta, do conhecimento e do relacionamento empático. O perigo mais óbvio aqui é a hiper racionalização, onde se perde aquilo que realmente se sente em meio a tantas teorias a respeito. Os pensamentos compulsivos podem tornar a vida da pessoa uma eterna busca de estímulo intelectual, pois nessa área ela se sente segura. Mas quando se é cuidadoso com a Lua geminiana, ela pode proporcional uma verdadeira comunicação de almas.

Lua em Câncer
“Suponho que a coisa mais absolutamente deliciosa na vida é sentir que alguém precisa de nós” (Oliver Schreiner)
“Para se salvar os caracóis se encolhem no agasalho de suas conchas, onde aguardam salvos e pacientes até que os elementos se acalmem” (Isabella Gardner)
“Não posso viver sem aquele cobertor. Não posso encarar a vida desarmado.” (Linus - Charles Schultz)
Câncer é regido pela Lua, e isso quer dizer que nosso satélite está em casa aqui. A vida familiar e doméstica dará segurança emocional pelo sentimento de fazer parte de uma estrutura afetiva. O mundo inconsciente lunar se combina com a sensibilidade canceriana para criar um ambiente afetivo capaz de aconchegar até os seres mais endurecidos. O lar - principalmente o de origem - é o retiro e o santuário para onde se volta quando a vida pressiona demais, sendo comum pessoas com esse posicionamento reagirem à dor buscando as mesmas recompensas que tinham na infância. Há, porém, o perigo de os sentimentos que eram condenados pelos pais - ou que entram em desacordo com o estilo ideal familiar - acabem sendo negados ou reprimidos por causa do medo de instabilidade que causam. É importante a pessoa prestar atenção nas próprias reações quanto aos lugares e pessoas com quem convive, pois sua sensibilidade para a qualidade dos ambientes influenciam sobre maneira seu humor. Cuidado também é necessário para não conseguir as coisas se fazendo de vítima e enchendo o ambiente de culpa.

Lua em Leão
“Meu verdadeiro centro era uma enorme capacidade de amar tudo à minha volta” (Malvina Hoffman)
“Somos todos vermes, mas creio que sou um verme ardente” (W. Churchill)
“Qualquer um tem direito à minha opinião” (Anônimo)
A Lua leonina gosta de brincar e ser espontânea, e precisa de muito amor e devoção para se sentir segura. Como o grande perigo para Leão é se apegar a uma platéia, e a Lua é nossa maneira de lidar com o público, aqui o risco de se perder a majestade e se tornar um tirano é grande. A Lua em Leão precisa de maneiras criativas para expressar seus sentimentos, aprendendo a se alimentar emocionalmente de maneira saudável em lugar de ficar esperando que os outros a supram. Assim é possível parar de querer dominar as pessoas e passar a experimentar a grande satisfação emocional de se ter o coração aberto para a vida - com suas dores e alegrias - e viver intensamente o amor por si que se reflete no amor aos outros. A grande força que impulsiona qualquer coisa em Leão é o amor, e a capacidade dessa Lua criar um ambiente amoroso e criativo é enorme. Por isso vale tanto a pena aprender a se nutrir criativamente em vez de dar esse poder aos outros.

Lua em Virgem
“Quando estou ocupado com as pequenas coisas, não me pedem para fazer as maiores” (S. Francisco de Sales)
“Não agonize. Organize” (Anônimo)
“Você pode conter um mundo enorme num pequeno plano restrito” (May Sarton)
Virgem não é um signo que goste de emoções fortes, e a Lua virginiana geralmente tem bastante trabalho para não ficar criticando tudo que sente. Essa, porém, é uma Lua que tem muito prazer em cuidar de si, da sua alimentação, de fazer os rituais diários de higiene e consegue ouvir o próprio corpo de maneira muito precisa, o que facilita muito a sua cura em momentos de doença. A Lua em Virgem se sente segura quando está sendo útil, mas a ansiedade pode fazer com que ela se ocupe compulsivamente para não entrar em contato com sentimentos “fora do lugar”, ou com as “imperfeições” humanas, o que acaba fazendo com que, pela lei do equilíbrio, também não consiga acessar as emoções mais prazerosas e a própria divindade. A capacidade analítica e organizacional dessa Lua precisa aprender a valorizar todas as suas experiências emocionais de maneira amorosa, pois só assim ela será capaz de realmente nutrir de maneira idônea e eficaz como deseja.

Lua em Libra
“Ele precisava dos olhos dos outros para ver-se e dos sentidos dos outros para sentir-se” (Malcon X)
“O meio para se obter a resposta sim sem ter feito nenhuma pergunta óbvia é ser encantador” (A. Cammus)
“Não quero viver - quero primeiro amar e, por falar nisso, viver” (Zelda Fitzgerald)
A segurança e o bem estar da Lua libriana são buscados através da beleza e da harmonia. Essa é uma Lua que tende naturalmente à cooperar com os outros, a agradar e estabelecer relacionamentos diretos que sejam mutuamente gratificantes. Como toda Lua de ar, essa também tem um processo de desenvolvimento mental marcante, o que pode fazer com que se crie uma ênfase demasiada na aparência ou na harmonia superficial, sendo incapaz de admitir a discordância ou qualquer coisa que possa gerar confronto ou isolamento. Essa Lua pode até comprar brigas de outros, mas em seus relacionamentos se coloca em posição de dependência tentando conquistar os favores do parceiro. O conforto emocional que essa Lua necessita se dá através dos relacionamentos seguros com os outros, mas ela precisa aprender a primeiramente ter um relacionamento seguro consigo mesmo, e para isso precisa experimentar alguns momentos de desarmonia em nome de um contato mais autêntico e profundo. Assim, essa Lua poderá realmente honrar suas necessidades de beleza e harmonia criando ambientes e relacionamentos que acalmem e elevem de maneira genuína, mesmo que desacordos ocorram de vez em quando.

Lua em Escorpião
“Poucos homens chegam a qualquer lugar exaurindo os recursos que residem dentro deles. Há fontes profundas de forças que nunca são usadas” (Comandante Richard Byrd)
“Errar é humano, perdoar não é nossa política” (Anônimo)
“Aquilo que não me destruir me tornará mais forte.” (Friedrich Nietzsche)
A Lua está em queda quando em Escorpião, pois nosso satélite busca conforto, mesmo que isso signifique se apoiar em ilusões, e Escorpião quer intensidade e precisa da verdade para se movimentar. Isso faz com que a Lua escorpiniana busque privacidade e controle para se sentir segura. A capacidade escorpiniana de sondar abaixo da aparência superficial faz com essa Lua consiga construir um alicerce sólido e profundo para si mesmo, e assim ela pode utilizar os recursos próprios e dos outros em seus relacionamentos íntimos de maneira eficaz. Claro que uma Lua com todo esse poder emocional pode cair fácil na tentação de manipular os outros para suprí-lo daquilo que precisa. A criança de Lua em Escorpião geralmente entrou em contato cedo demais com as forças da morte e da sexualidade, criando um medo profundo de ser subjugada e fazendo com que se desenvolvesse uma desconfiança que ensina a esconder os verdadeiros sentimentos. Com isso, a habilidade natural de se receber nutrição e de se auto nutrir se tornam mais difíceis, e é necessário um trabalho consciente para que se aprenda a expressar as facetas mais suaves e vulneráveis de modo a se experimentar a verdadeira comunhão que procura. E, claro, isso tem que começar através do contato e do cuidado consigo mesmo, pois enquanto a Lua escorpiniana não conseguir confiar em si mesmo para cuidar de seus sentimentos mais profundos, ela sempre vai encontrar parceiros duvidosos que confirmem sua desconfiança.

Lua em Sagitário
“Aquele que tem um motivo para viver pode suportar quase tudo” (F. Nietzsche)
“Não avalie suas promessas rompidas como um crime. Ele queria cumpri-las como pretendia fazer, na ocasião” (K. Green)
“Se o céu não permitisse, quem poderia reconhecê-lo,/ E quem encontraria Deus se não fosse ele mesmo parte da divindade?” (M. Manilius)
Essa é uma Lua com coração generoso, que procura elevar-se acima das dificuldades através do bom humor e sendo uma boa companhia. Em Sagitário, a Lua, porém, não se adapta com facilidade à rotina e quando está insegura acaba se focando demasiado no futuro, adiando ou evitando ações imediatas e buscando atividades escapistas. Com isso ela só consegue aumentar o seu vazio interior, com brincadeiras inconvenientes e passando de uma atividade para outra, de uma pessoa para outra, numa busca infindável para se furtar da responsabilidade de sua própria vida. Em Sagitário, a Lua precisa aprender a direcionar seu prazer por explorar o mundo interno e externo para entender e aceitar seus verdadeiros sentimentos e conceder-se suas verdadeiras necessidades. Só assim ela será capaz de desenvolver a liberdade interior que tanto almeja, o que implica responsabilidade em suas relações e contato com o Deus interior que tanto a inspira.

Lua em Capricórnio
“A habilidade de resistir à frustração é que nos mantêm vivos” (Abbie Hoffman)
“Meus sentimentos não podem ser postos em jogo/ Estou cheio de memórias e dúvidas/ Penso que é melhor me acostumar com elas do que correr o risco” (Cryer e Ford)
“Agarre-se ao que for difícil” (Rainer Maria Rilke)
Essa é uma criança muito responsável desde muito cedo, e as histórias de infância que costuma contar são realmente bem difíceis. Capricórnio é o exílio da Lua, pois é um lugar onde ela precisa trabalhar conscientemente para poder se nutrir emocionalmente, já que isso lhe foi negado por aquilo que aparece como destino externo. A segurança aqui é dada pela sensação de auto-suficiência, e muitas vezes isso vai levar à falta de contato com as necessidades mais profundas de contato, afetividade e aceitação. Essa Lua precisa das estruturas sociais e tem grande prazer em ser reconhecida por sua capacidade de compromisso e de realizar seus objetivos. Por isso ela vai se sentir bem no trabalho, com muitas responsabilidades em suas mãos. Como tudo em Capricórnio, essa Lua tem que aprender a se afastar dos padrões de negação em que foi criada e desenvolver sua própria estrutura, fruto de sua experiência de vida. Para isso é preciso entrar em contato com os sentimentos de vulnerabilidade que tanto teme e descobrir que a verdadeira força e auto-suficiência que busca acolhe, em vez de negar, a grande sensibilidade da sua criança.
Lua em Aquário
“Ela parece dotada de uma mente forte que a protegerá da emoção excessiva” (George Sand)
“O único jeito de ter um amigo é ser um amigo” (Ralf Waldo Emerson)
“Eu sou um pouco surdo, um pouco cego, um pouco impotente e, coroando tudo isso, tenho duas ou três fraquezas abomináveis, mas nada destrói minha esperança” (Voltaire)
Aquário dá à Lua a capacidade de sentir-se parte da família humana, e cria um grande prazer de interagir com uma variada gama de pessoas. A sensação de conforto e integração é dada através dos amigos e dos grupos de interesse, que também são muito variados. Existe uma esperança na Humanidade que alimenta essa Lua profundamente, e faz com que ela busque se envolver em atividades que visem contribuir para o bem geral. A Lua aquariana adora se sentir singular e original e cultiva cuidadosamente suas habilidades mentais e sociais. A sensação de insegurança, porém, pode fazer com que ela se torne fria e distante quando se trata de relacionamentos íntimos, pois assim ela pode se manter segura em um amor geral por uma humanidade abstrata. Aprender a ser amiga de suas emoções e sensibilidade faz parte do seu aprendizado, pois só aceitando a variedade de sentimentos que possui da mesma maneira que aceita a variedade de opiniões que a cerca é que ela será capaz de nutrir de verdade a si e aos outros em vez de ficar criando interações sociais por não estar satisfeito consigo mesmo.

Lua em Peixes
“Eu sou eu mesmo e o que está ao meu redor e, se não salvar isso, não serei salvo” (José Ortega y Gasset)
“Sempre sinto vergonha de pedir. Assim, dou. Isso não é uma virtude. Trata-se de um disfarce” (Anais Nin)
“Somente com o coração se pode ver claramente; o essencial é invisível aos olhos.” (Antoine de St. Exupéry)
Essa Lua precisa de seus preciosos momentos de devaneio, onde possa vagar pelo mundo dos sonhos e da fantasia. A Lua pisciana estabelece vínculos de maneira empática e está sempre aberta às fontes de inspiração internas e externas. Ela irá se beneficiar particularmente com a música, a dança e as artes em geral, que propiciam um canal para suas vastas emoções. Um canal emocional tão amplo pode conduzir muitas vezes a estados negativos e destrutivos também, principalmente quando as fantasias e idealizações se tornam maneiras de escapar da insegurança e dos problemas concretos. Muitas vezes essa Lua irá se concentrar nos problemas e necessidades dos outros, cuidando do bem estar daqueles que a cerca, na ilusão de que isso substitui a vivencia dos próprios sentimentos e necessidades, e, quando isso não ocorre, a pessoa se sente vitimizada. Existe um descontentamento espiritual que essa Lua experimenta intimamente e que torna difícil a sua adaptação às necessidades terrestres cotidianas. É preciso aceitar que nem todas as visões interiores são passíveis de realização imediata, mas que alguns sonhos são possíveis de se concretizar quando transformamos inspiração em ação. Essa Lua é capaz de fazer uma ponte entre seu imenso universo inconsciente e sua vida cotidiana, não para cuidar dos outros e se sentir amada, mas para que esse mundo interno ganhe forma e, assim, beneficie a todos.

terça-feira, 1 de julho de 2008

A LUA

O satélite do nosso planeta é considerado desde sempre pela astrologia, como a Mãe arquetípica da nossa existência terrestre. O casamento do Sol e da Lua, para os alquimistas, era o princípio da formação do mundo. Regente de Câncer e exilada em Capricórnio, esse Luminar se exalta em Touro e fica em queda quando em Escorpião. A análise da Lua nos mostra como nos ligamos à nossa existência terrestre, em um corpo físico e com vínculos emocionais.
O ser humano é um dos únicos animais que nasce “antes do tempo”, inacabado, frágil e incapaz de obter sozinho o próprio sustento, precisando de uma mãe ou equivalente para que possa depender e assim sobreviver. Essa dependência física imediata e absoluta dá origem a uma ligação emocional profunda e duradoura com a principal fonte da vida, e é a matriz de nossa consciência lunar. Como no início a mãe é todo o universo, começamos a captar o mundo através dessa primeira luz que recebemos dela, e assim aprendemos a nos cuidar e sentir o mundo conforme o exemplo fornecido. Nossa mãe, então, nos dá o primeiro modelo concreto da instrutiva característica lunar de auto-preservação, e nosso primeiro exercício sobre o que podemos conseguir da vida. É por isso que a Lua, enquanto luminar interno, pode também nos ensinar como cuidar de nós mesmos de acordo com nossas necessidades individuais quando ficamos adultos, tendo, inclusive, a capacidade de nos mostrar como tratar as feridas se nossas primeiras lições de infância não tiverem sido suficientemente boas, de modo que seja possível confiar na vida, apesar de tudo.
Na Lua teremos os padrões de resposta inconsciente, condicionados, revelando, na prática, o estado em que nos sentimos inconscientemente bem e no qual buscamos proteção. Ela mostra o estado na qual nos identificamos mais rapidamente, e que pode ser bem diferente daquela mostrada pelo Sol. Enquanto nossa estrela mostra onde precisamos nos esforçar para nos tornarmos um indivíduo consciente, nosso satélite nos fala onde existe uma tendência natural para nos curvarmos e adaptarmos ao que é oferecido, onde somos mais facilmente moldados, dispostos a hábitos e condições do passado, e, portanto, a sermos restringidos pelas noções, expectativas, valores e padrões de nossa família e cultura. Temos nos padrões lunares muito da nossa auto imagem idealizada, dos padrões que desenvolvemos para sermos amados. Dessa forma, uma pessoa com o Sol em Gêmeos e a Lua em Escorpião, por exemplo, tende a se manter calado numa situação pouco familiar até descobrir onde está e quem são aquelas pessoas, passando a falar pelos cotovelos sobre sua própria atitude “misteriosa” assim que o assunto for resolvido. A reação da Lua é aquela que vem primeiro, seguida pelo Sol.
O padrão lunar é o primeiro a ser absorvido e ativado quando nascemos, pois é nosso instinto de nutrição, desenvolvendo seu papel a partir do primeiro alento materno. Ele permeia todas as nossas experiências de modo a mediar o passado com o presente. Os signos lunares indicam a energia específica que nossa criança interior precisa experimentar e expressar para se sentir segura e satisfeita, bem como a energia com que nossa mãe interior pode responder aos nossos sentimentos e carências. Por isso é importante respeitarmos e entendermos a Lua, pois ela nos mostra onde podemos nos refugiar quando precisamos de descanso, de uma pausa, de um santuário para o esforço de individuação e de crescimento da consciência. Mas conforme crescemos precisamos começar a tomar cuidado para não nos deixarmos dominar pelas necessidades lunares, pois ela tende também a nos prejudicar ou atrasar o progresso em novas e desconhecidas direções. Lembrando que é o Sol que mostrará para onde devemos ir e como achar nossas certezas e nosso brilho, a Lua só poderá refletir esse brilho, pois não tem luz própria. Por isso, quando estamos muito ligados nas necessidades lunares, acabamos encontrando situações duvidosas e ficamos passando por fases, ora mais abertos e vulneráveis, ora mais fechados e afastados, apresentando, inclusive, comportamentos regressivos, infantis e inseguros. Enfim, a Lua nos capacita a ser nutritivos e receptivos, mas também nos prende ao passado e cria medos do futuro. A Lua nos dá a sensação de continuidade espaço-tempo, o que pode ser observada no seu movimento no céu, que passa da lua nova para um crescimento gradual até a Lua cheia, e depois no seu recolhimento até chegar novamente à misteriosa lua nova. Esse movimento continuo e inexorável fez com que se associasse a Lua ao movimento da Roda da Fortuna do Tarô, pois tudo sob a luz da Lua segue um eterno padrão cíclico, onde o apogeu é seguido pela decadência e essa pelo nascimento de novos potenciais. Esse é um estado de consciência que podemos chamar de matriarcal, pois é basicamente orgânico e feminino, que reflete os processos de concepção, gravidez, nascimento, puberdade, maturidade, envelhecimento e morte. Essa consciência matriarcal está miticamente ligada aos ciclos naturais, pois priorizam a harmonização com a vida orgânica ao invés do desejo individual ou do espírito humano capazes de transcendê-la.
Os avanços desenfreados da vontade e do espírito humano acabaram criando desequilíbrios de dimensões planetárias, e é isso que nos faz hoje em dia produzir movimentos e expectativas lunares tão fortes - que vão do retorno das bruxas ao Green Peace - mas precisamos tomar cuidado com esse retorno da Grande Deusa por que a consciência puramente matriarcal subestima os valores individuais, dando importância primordial à família e ao clã, justificando a supressão e a destruição da auto-expressão individual em caso de ameaça do status quo do grupo, o que significa ausência de ética, princípios ou de qualquer uso disciplinado da vontade, já que tudo é justificado pela necessidade instintiva da preservação da espécie. Por esse motivo as deusas lunares eram consideradas não apenas protetora e nutridora de crianças, mas também engolidoras e castradoras. A Lua pode ser manipuladora, traiçoeira e inconstante, criando grande voracidade emocional, acabando com o bom senso e a cooperação pessoal. Ao mesmo tempo, se nos mantemos afastados da Lua, perdemos nosso senso de ligação e cuidado com o corpo, o que, ampliado, significa desligamento e falta de cuidado com a natureza e com a própria vida na Terra. O corpo serve para nos lembrarmos de que somos mortais, pois ele sofre dores, doenças, envelhecimento, mas também sente prazer. Também temos estados de humor corporais, pois nossos estados emocionais estão intimamente ligados aos nossos corpos. A não expressão lunar significa sofrimento do corpo e também prejudica nossa capacidade de vivenciar o presente, o que acaba fazendo com que muitas pessoas acordem de repente - muitas vezes em um hospital - percebendo que não haviam realmente vivido, pois não há lembranças nem sensação de continuidade, nem sensação de aproveitamento do passado. O corpo controla a si mesmo - não pensamos em respirar, ou fazer o coração bater ou fazer um óvulo amadurecer - e esse processo ainda hoje tem algo de mágico, pois apesar de nosso grande conhecimento sobre fisiologia do corpo, a verdadeira compreensão da natureza do princípio anímico da vida não progrediu muito nos últimos 6 000 anos. O corpo possui uma sabedoria interior que faz com que ele consiga se curar sozinho com muito pouco estímulo. As imagens míticas ligadas à Mãe Terra trazem em si o poder que a natureza tem de manter e perpetuar a si mesma: Gaia, Demeter, Ártemis e Hécade são retratadas nos mitos como deusas da concepção e do nascimento por representarem esse princípio inteligente, criador e animador dos veículos necessários para a continuidade da vida física nesse mundo. Da mesma forma, Eva, no Antigo Testamento, significa “vida” em hebraico, e é a mãe de toda a humanidade.
Os bebês nascem sem um ego capazes de pensar: “em primeiro lugar eu sou eu mesmo, apesar de encarnado em um corpo físico”. O senso de um “eu interior”, abstrato e independente do corpo, é refletido na astrologia pelo Sol, que desabrocha à medida que amadurecemos, mas a Lua está presente desde o início, já que a primeira experiência de uma criança é corporal, e durante as primeiras semanas de vida só existem sensações e necessidades físicas. Quando nossas necessidades instintivas e básicas são preenchidas, ficamos satisfeitos e a vida se torna um lugar seguro. Assim a capacidade de expressar a Lua de uma maneira saudável significa ter a possibilidade de vivenciar e expressar as necessidades e apetites da sobrevivência corporal, sem precisar justificá-los pela autoconsciência ou pelo raciocínio, que derivam do ego solar. Isso significa que o princípio psicológico representado pela Lua está ligado às necessidades básicas de segurança e sobrevivência, e o resultado da sua não expressão é principalmente ansiedade, pois esse é o resultado emocional da sensação de que a vida lá fora não é segura, de que seremos contrariados e de que algo terrível pode nos acontecer. Seja qual for o gatilho ativador desse estado na vida adulta, provavelmente suas raízes estão plantadas em antigas vivências do sentimento de insegurança na infância. Algumas pessoas ficam inseguras ao serem ameaçadas de rejeição ou abandono, outras por qualquer mudança de ambiente, outras ao começar qualquer coisas e outras por terminar qualquer coisa. Quando estamos ansiosos e precisamos recuperar nossa segurança, nos voltamos para a Lua e para coisas que a representem. No mapa natal, o signo e casa da Lua oferecem uma descrição bastante detalhada do tipo de coisas que nos proporcionam sensação de segurança. Nossa fome lunar é uma característica humana básica, apesar dos modos de expressão poderem variar. Se não soubermos como acolher e expressar nossa inata sabedoria lunar, a Lua não consegue operar diretamente através da personalidade, e vai se manifestar indiretamente, através dos mecanismos cegos que adotamos quando estamos inconscientemente ansiosos e precisamos recuperar a segurança, criando nossos comportamentos compulsivos. Todos nós temos certo grau de compulsão, pois a vida muitas vezes é realmente insegura, mutável e desconhecida, e ninguém consegue ter segurança suficiente para nunca ter medo. Se conseguimos, porém, conhecer, aceitar e respeitar nossa Lua, podemos aprender a nos nutrir com o tipo adequado de alimento, que por sua vez nos permita lidar com a ansiedade de modo mais sensato e criativo.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Histórias para Caranguejo: Mitos de Câncer

(Essa vai prô Lenão, a irmã canceriana que sempre me pegava pelo coração e me levava de volta pra casa.)

Uma das imagens mais antigas de Deus é o Uroboros, o universo representado por uma serpente que engole a própria calda, mostrando a vida como um ciclo e uma unidade ao mesmo tempo, simultaneamente começo e fim de si mesmo. Câncer está ligado ao arquétipo da Mãe, mas uma Mãe urobólica, que cria a vida e a consome ao mesmo tempo. Essa imagem é representativa para uma criança recém-nascida, onde a mãe é o mundo todo, que a nutre e conforta ao mesmo tempo que é tão poderosa que o pode destruir. Câncer indica uma vivência profunda desse Deus Mãe - também simbolizada pela Lua em muitas culturas - onde, através de uma emocionalidade que lhe é irresistível, é exigido, como tarefa de integração interior, o resgate da própria identidade do regaço materno. Existem dois personagens nos mitos gregos que mostram esses difíceis caminhos cancerianos: o da deusa Tetis e o do caranguejo do Pântano de Lerna, um apêndice do segundo trabalho de Hércules.
Tétis era a mais bela nereida (filha de Nereu, o velho do mar) e estava sendo disputada por Zeus-Júpiter e Possêidon-Netuno quando um oráculo profetizou que o filho dela com um deus seria tão poderoso que se tornaria o novo senhor do mundo. Os dois deuses desistiram de Tetis e a obrigaram a se casar com Peleu, um heróico mortal, discípulo de Quiron. Inconformada de ter filhos mortais, Tetis acaba matando seis deles na tentativa de imortalizá-los pelo fogo. Quando nasce o sétimo, Aquiles, Peleu consegue tirá-lo das mãos da mãe enquanto ela o mergulhava no fogo sagrado, segurando pelo calcanhar da criança. Cheia de mágoa, a nereida foge para nunca mais voltar, mas sempre acaba protegendo o filho secretamente, nas aventuras que ele viveria. A primeira coisa que nos conta esse mito é que a deusa, vindo das águas do pai, é obrigada a direcionar seu enorme poder de criação e transformação para a união com um mortal, para o plano terreno, assim como Câncer precisa aprender a direcionar seu interior criativo e oceânico para a esfera concreta e para a realização de si no mundo. Tétis, tentando imortalizar os filhos, acaba matando-os, e esse é outro perigo que os cancerianos sempre correm, ou seja, de matar por amor, tanto quando se impede de crescer, pois isso significa se separar da mãe, quanto quando não quer que as pessoas próximas cresçam, porque isso também significa separação. É necessário que esse signo desenvolva um Pai que o retire desse ciclo destrutivo, salvando-o para sua real aventura individual, onde a mãe se retira para se tornar uma secreta protetora e não mais a razão da sua existência.
O Caranguejo do Pântano de Lerna retoma essa idéia com outros símbolos. No seu segundo trabalho, Hércules deveria destruir a Hidra, uma serpente de muitas cabeças que matava tudo ao seu redor com seu hálito, que vivia naquele pântano sob o comando de Hera, a mulher legítima de Zeus. Esse monstro é comumente interpretado como símbolo tanto da imaginação exacerbada quanto das ambições banais ativas. Enquanto Hércules tentava combater a serpente, que tinha o poder de fazer crescer duas cabeças a cada uma cortada, um imenso caranguejo surge por trás do herói (uma manobra típica de Câncer) e o prende pelas ancas e pelos pés, tentando imobilizá-lo. Hércules tem que, então, matar primeiro o caranguejo antes de terminar seu segundo trabalho. Assim também, Câncer tem que matar a autoridade da Mãe - real ou imaginária - que o imobiliza, para depois vencer seus vícios e ter acesso à toda criatividade e realização afetiva que é capaz. Câncer aprende, em sua jornada, que é Mãe e Filho ao mesmo tempo, que tem um ritmo misterioso e impossível de ser compreendido por uma lógica formal. Afinal, a natureza não deve explicações a ninguém, e, ou nós gostamos dela ou perdemos algo muito precioso.
Vale a pena darmos uma olhada em mais um mito para mostrar o caminho simbólico desse signo. Trigueirinho - médium brasileiro com muitos livros publicados sobre diversos assuntos - fala de Câncer através da aventura de Hércules na captura da Corça de Cerinia (Hora de Crescer Interiormente - O Mito de Hércules Hoje - Ed.Pensamento - 1988). Esse animal sagrado do bosque de Ártemis possui cascos de bronze e chifre de ouro e não podia ser morta por causa de seu valor sagrado. Nosso herói deve caçar o belo animal e não entregá-lo a ninguém nem ficar com ela. Essa corça era mais pesada que um touro e rapidíssima, e foi perseguida por Hércules por cerca de um ano, sem o menor resultado. O animal, então exausto, pára um momento para repousar, e Hércules consegue feri-la levemente, apoderando-se dele e colocando-o perto do próprio coração. Quando ele estava levando a Corça para seu primo Euristeu, o organizador de suas tarefas, aparecem Apolo e Ártemis tentando reivindicar a posse do animal, mas ele se recusa a dar sua tão dura conquista, e segue seu caminho para Micenas. Aqui temos tanto a razão (Apolo) como o instinto (Ártemis), reivindicando a posse da presa. A Corça de Pés de Bronze pode ter várias interpretações: os pés de bronze pode fazer referencia ao próprio metal, visto como sagrado e capaz de isolar o animal do mundo profano, mas que, enquanto metal pesado, o escraviza à terra, podendo pervertê-lo, fazendo-o se apegar a desejos grosseiros que a impedem de voar mais alto. Já Paul Diel diz que a corça, como o cordeiro, simboliza a qualidade do espírito que se contrapõe à agressividade da dominação. Sua captura, então, está ligada à paciência e esforço necessários para se apossar da delicadeza e sensibilidade sublimes representadas pelo animal, e também do vigor necessário para preservar esse tesouro da fraqueza espiritual, configurada em seus pés de bronze. As duas interpretações são válidas quando pensamos em Câncer como o possuidor potencial dessas riquezas sagradas, e seu crescimento vai exatamente na direção desse desenvolvimento. Trigueirinho diz que a busca de Hercules por um ano – um ciclo solar completo – persistentemente, sem desviar de seu objetivo, e vencendo os apelos do instinto (Ártemis) e as argumentações do intelecto (Apolo), o ensina a transformar obstáculos em estímulos. Quando chega no fim de sua caçada e entrega a Corça a Euristeu, que o devolve a Hera, a deusa com olhos de Corça e sua verdadeira dona, ele aprende a se desapegar das coisas que conquistou “colocando sobre seu coração”, assim como Câncer só pode deixar que aqueles que ama - e a si mesmo - crescer quando aprende a colocar tudo que o rodeia em seu precioso coração. Nesse processo, Câncer pode fazer sua grande, imensa, hercúlea liberação interior e descobrir que em seu coração cabe o mundo todo.

sábado, 21 de junho de 2008

Câncer e o Solstício de Inverno

Nosso Solstício de Inverno, quando temos a noite mais longa do ano, se dá com a entrada do Sol no signo de Câncer. Regido pela Lua e exílio de Saturno, em Câncer temos a exaltação da deusa da beleza, Vênus, e a queda do deus da guerra, Marte. Essa estranha criatura, que vive tanto na água quanto na terra, é a Água Cardinal do zodíaco, que direciona sua força emocional para fora, para que a conquista de seu mundo interno ganhe expressão externa.
Uma das primeiras características que se pode observar nos cancerianos, é seu costume de guardar coisas como os taurinos. Seja uma velha garrafa de plástico, um velho amante, uma velha casa, uma velha recordação ou uma velha crença, fique com ela, diz Câncer, você nunca sabe quando precisará dela de novo. Isso, porém, não tem nada a ver com o utilitarismo de Terra, mas sim com a necessidade de segurança que é dada por tudo que é conhecido e familiar. Câncer tem sempre uma caixa - real ou metafórica - cheia de coisas do passado, pois ele não deixa nada passar. Esse é um dos mais sensíveis e vulneráveis signos do zodíaco. Câncer está em constante mudança como seu regente, com marés de humores, desejos, sentimentos, temores e intuições percorrendo-o constantemente por baixo de sua aparência sólida e conservadora. E ele é conservador no sentido mais literal da palavra. O canceriano nutre e protege seus mais meigos sentimentos por trás de uma fortificada muralha de lembranças, apólices de seguro, fotos antigas e uma tendência a conservar o status quo da família. Tradicionalmente associado à família de uma maneira um tanto mafiosa, os cancerianos não precisam de uma família tradicional - e nem todos são caseiros - nem dos laços de sangue, mas sim do sentimento de continuidade com o passado. As raízes de Câncer são profundas por que só onde há passado poderá haver um futuro seguro; só com suas raízes profundamente fincadas na terra é que esse signo pode manifestar seu amor à exploração, seu instinto andarilho e sua mutabilidade, pois saberá que na volta há algo à sua espera. Ele sabe que descende de algo maior e que tem a responsabilidade de deixar descendentes, por isso há um ar dinástico em suas atitudes. Um canceriano sem raízes é algo triste, pois até que aprenda a lançar suas próprias raízes através de uma nova família, de um grupo de amigos ou de um projeto de trabalho, ele se enfiará dentro de uma carapaça até ficar prisioneiro de seu medo do futuro e do desconhecido.
Observando as atitudes de um caranguejo podemos aprender muito sobre Câncer. A primeira coisa que vemos é que esse animal anda de lado e nunca vai direto ao que quer, dando voltas ao seu redor como se estivesse indo em outra direção. A pessoa de Câncer raramente irá tomar uma iniciativa direta por medo de se expor a uma possível rejeição. Mas quando o caranguejo pega algo com suas garras possantes, você tem que, literalmente, matá-lo para que o solte. Ele não irá lutar, pois não é um animal agressivo, apenas agüentará absolutamente tudo - puxões, empurrões ou qualquer outro tratamento que lhes dê - e esperará que você desista. Câncer tem uma capacidade única de agir de modo sutil sobre os sentimentos dos outros e os próprios, operando com uma graça instintiva que o adapta a qualquer ambiente ou situação emocional. Por isso é tão fácil e gostoso o relacionamento desse signo com crianças, que se sentem seguras e à vontade no ambiente emocional criado por Câncer. Esse dom, porém, quando Câncer se sente inseguro ou ansioso com relação a alguém ou a alguma situação, se transforma em uma capacidade única de exercer uma pressão sutil de chantagem emocional para que se faça aquilo que ele quer, criando fortes sentimentos de culpa nas pessoas à sua volta. Muitos cancerianos são capazes de desenvolver doenças cardíacas ou enxaquecas insuportáveis quando se sentem ameaçados de isolamento ou de perda de algo que lhes seja querido. Câncer tem necessidade de ser necessário, de amar, nutrir e acarinhar, por isso tanto os homens quanto as mulheres desse signo adoram fazer o papel de mãe. Esse é seu impulso norteador na vida. É importante para as pessoas desse signo encontrarem saídas criativas para toda essa sensibilidade, gentileza e delicadeza - seja no trabalho, no cuidado da casa ou do jardim, seja em obras de arte -, pois se tudo isso for investido na pessoa amada o mais natural será receber de volta a hostilidade e a rebeldia do objeto de sua atenção, que, no fim das contas, precisa aprender a cuidar de si mesmo para se tornar adulto.
Outra característica do caranguejo é seu desenvolvimento cíclico, onde a cada crescimento ele tem que abandonar a carapaça que ficou pequena demais. Sua carne é totalmente indefesa e ele se torna absolutamente vulnerável, tendo que passar um período escondido na areia até a couraça crescer e endurecer novamente. Os cancerianos também passam por esses ciclos, onde precisam de um tempo de reclusão toda vez que sofrem alguma mudança ou crescimento em suas vidas. Se algo o surpreender ou se intrometer durante esse período íntimo, pode ocorrer um mal irreparável, e se esse dano se der na infância o canceriano pode entrar em uma concha pequena demais e não voltar a emergir, pois Câncer demora muito para esquecer um ferimento.
O caranguejo vive entre a areia e o mar, assim como Câncer tem necessidade da realidade das contas pagas, das responsabilidades e das propriedades tanto quanto das profundezas insondáveis do seu oceano imaginativo. Por isso precisa de tempo para construir um abrigo seguro no mundo real e de tempo para alimentar seus sonhos e desejos secretos. O mal humor característico desse signo ao acordar é significativo nesse sentido, pois ele precisa de um tempo para sair do mundo dos sonhos e voltar para a vida desperta. A essa complexa personalidade é quase impossível analisar ou revelar seus segredos mais profundos, mas ele sempre vai buscar uma maneira de expressá-los no mundo, e esse ritmo tem que ser respeitado. Ao contrário de Escorpião que cria cortinas de fumaça de propósito para encobrir sua sensibilidade, ou Peixes que simplesmente escapa para seu mundo interno, a introspecção de Câncer é natural e precisa ser entendido se quiser que esse universo interno venha para fora sem ser distorcido. Esse é um signo cheio de sementes meio germinadas que precisam de escuridão, segurança, quietude e privacidade. Os frutos criativos e afetivos que vão germinar são dignos de serem aguardados.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Astrologia de Boteco Cabeça: Encontre seu Mercúrio e Descubra Muitos Pontos de Vista

De volta ao nosso papo de boteco, aqui coloquei algumas indicações de caminhos mercurianos pelos signos. Entender como a nosso raciocínio funciona pode ajudar a evitar alguns truques da nossa mente, que deve sempre servir a nossa essência e não desviá-la. Então divirta-se com esse deus que tem asas nos pés.

Mercúrio em Áries
Quando Mercúrio está no guerreiro ariano a vivacidade mental do planeta ganha em rapidez e no gosto por desafios mentais. Com um Mercúrio de Fogo Cardinal as atividades mentais se darão através do envolvimento com o mundo, onde o desafio de se saber mais serve como trilha para afinar e adestrar essa poderosa arma que é a mente. Essa combinação simboliza contatos rápidos, fáceis, francos e abertos, criando trocas curtas, aguçadas e resolutas. A combinação Mercúrio-Áries, geralmente, está ligada a pessoas com opiniões fortes e que assimilam idéias confrontando-as com aquilo que vivem, ou seja, são pessoas que gostam de criar polêmicas e só desviam de seu ponto de vista se as experiências pessoas provarem que estão errados. Tenho observado maneiras bem divertidas desse Mercúrio se manifestar em pessoas que adoram fazer jogos de palavras, falar de trás para frente ou inventar palavras que traduzem situações de maneira genial.
Mercúrio em Touro
As habilidades mercuriais se voltam para a construção e compreensão do mundo dos corpos concretos, quando esse planeta é encontrado na Terra Fixa de Touro. Por isso, a mente estará voltada muito mais para aquilo que é sensível e para o que pode ser realizado materialmente. A forma da pessoa se comunicar tende a ser calma e cautelosa, e a política adotada é a de esperar para ver, pois esse Mercúrio joga a sério. O Mercúrio taurino é particularmente interessado em negócios que exigem planejamento detalhado a longo prazo, pois nessa posição ele se torna um padroeiro de grandes golpes, nunca de batedores de carteira. Esse é um Mercúrio que se envolve com questões que merecem comprovação, e geralmente as novas idéias precisam de muita pesquisa anterior antes de serem aceitas, o que leva a argumentações muito sólidas e de difícil contestação.
Mercúrio em Gêmeos
A capacidade de comunicação e de pensamento organizado ganha destaque aqui, criando uma grande necessidade de estímulo mental e fazendo com que o caráter inquisitivo ganhe evidência. A pessoa busca tratar os fatos e teorias do modo mais lógico possível, pois, por mais que já saiba algo, estará sempre ansioso reorganizando o terreno para acomodar mais fatos e mais teorias. Como está sempre alertas para as novidades, o Mercúrio de Ar Mutável acaba tendo facilidade para encontrar novos pontos de vista e também de assimilar as observações mais apropriadas sobre as coisas. É preciso expressar essa capacidade de combinar e analisar as coisas e de usar a mente tão rapidamente, por isso esse Mercúrio costuma usar todos os recursos disponíveis para se comunicar, com gestos, caras e bocas, e tudo o mais que estiver ao alcance, inclusive, por vezes, falando tão depressa - para poder acompanhar com as palavras o veloz fluxo mental - que acaba dizendo muita coisa que parece sem sentido ou então tropeçando nas próprias palavras. Estando em casa, esse deus pode se comunicar de maneira muito confortável, mas é sempre bom lembrar de seus truques, e que se ele fica solto para fazer o que quiser, pode acabar se metendo em encrencas bem complicadas. Claro que sempre se pode contar com sua capacidade de encontrar saídas, mas é bom ficar atento para que a saída não leve a mais problemas.
Mercúrio em Câncer
Quando Câncer e Mercúrio se envolvem, a curiosidade e os talentos intelectuais se voltam para a base subjetiva emocional, ou seja, os desejos e analises vinculam-se aos próprios sentimentos e ao ambiente afetivo que se vive. Isso cria uma capacidade de descrição pitoresca dos acontecimentos, de provocar reações emocionais com as palavras e de pensar sob formas de imagens e de representações simbólicas, pois se utiliza de uma lógica que absorve com facilidade o conteúdo emocional das coisas, mesmo quando o que entra em seu campo de análise desafia as leis da lógica mais formal e abstrata. Isso pode criar alguns problemas a esse Mercúrio em grupos de lógica mais limitada, pois ele chega a conclusões a partir de sua base emocional e não matemática, e pode ser difícil entender a construção de sua racionalidade aparentemente confusa. Na verdade o que ocorre é que o caminho feito por esse Mercúrio, através das coisas e acontecimentos que o tocam emocionalmente, é mais cheio de sutilezas e mais difícil, porém absolutamente significativo. Acompanhar esse deus pelos canais das Águas Cardinais de Câncer é muitas vezes desconcertante e sempre surpreendente em sua capacidade de entender os subtextos.
Mercúrio em Leão
Aqui o prazer criativo se liga aos talentos mentais, e o pensamento costuma ser tão expansivo que passa por cima dos detalhes para alcançar as questões maiores, para além da situação concreta do momento. Há uma tendência a assimilar as coisas de forma um tanto inocente, e um desejo de descobrir todas as possibilidades de desenvolvimento possíveis, fazendo com que a pessoa olhe para além da aparência em busca de perfis mais amplos. É comum encontrarmos esse posicionamento em pessoas caladas que convivem internamente com um diálogo ininterrupto, pois Leão, como os outros signos fixos, tem sua maior motivação dentro de si. Como qualquer planeta em Leão, a habilidade tem que ser reconhecida, e Mercúrio aqui dará a capacidade de abordar os contatos superficiais e as conversações de forma afável e sincera, mas, se provocada, a pessoa pode reagir com ostentação e arrogância intelectual, já que a insegurança a faz desejar ser importante. A identidade pessoal dada a esse Mercúrio, porém, acaba criando idéias bastante cálidas, entusiastas e úteis.
Mercúrio em Virgem
Esse domicílio discriminativo de Mercúrio faz com que a pessoa busque coisas novas na tentativa de ver as antigas sob outro ângulo, para poder, assim, reestudar todo o material disponível de acordo com as transformações que vive. O analítico e planejador signo de Virgem faz com que Mercúrio goste de ordenar suas idéias, colocando os fatos em ordem, criando uma abordagem metódica e didática através de uma lógica prática e de distinções claras, tanto no pensar quanto na formulação do pensamento. Esse é um signo que se realiza servindo aos outros, e aqui Mercúrio buscará isso alargando seu conhecimento útil e procurando aplicações práticas para seu saber. Os talentos mentais muitas vezes se voltam para os aspectos da saúde, da vocação e/ou dos serviços prestados. Com o gosto que esse posicionamento dá por coleções e classificações, quando a energia mental se distorce existe o perigo de se exagerar nos detalhes para tentar dominar as incertezas, ou então se apegar demais ao que sabe, criando dificuldades para mudar e fazer as transformações necessárias em sua visão de mundo. Como aqui Mercúrio também está comodamente em casa, seus truques podem ser mais eficazes, principalmente quando cria generalizações para situações individuais.
Mercúrio em Libra
O processo de pensamento aqui são orientados no sentido de se entender e manter a harmonia e os acordos entre as pessoas. A mente geralmente se volta para o equilíbrio interior buscando a compreensão e a análise das situações, dos ambientes, das outras pessoas e de si mesmo que desestruturam e que restauram a harmonia. Geralmente a maneira como se comunica é amigável e atraente, já que esse Mercúrio escolhe as palavras com cuidado, dando o melhor de si para ser claro; não tanto no interesse da própria clareza, mas para não causar ofensas desnecessárias. Esse padrão pessoal de pensamento e esse cuidado nos contatos faz com que a pessoa ajeite situações difíceis - mais do que resolva - de modo a não haver confrontos reais. Isso pode levar a considerável vacilação quando se trata de fazer escolhas, pois cria uma tendência a se deixar influenciar pelas idéias dos outros, transformando a capacidade amigável de se relacionar com as pessoas e de aceitar as idéias dos outros em uma verdadeira tortura mental de dúvidas e indecisões. Muitas vezes também esse Mercúrio usa idéias dos outros como se fossem suas, como no mito do deus que rouba o gado de seu irmão, mas o faz de maneira tão encantadora que é difícil não se sentir lisonjeado por isso.
Mercúrio em Escorpião
No Hades, Mercúrio voltará sua curiosidade para o lado oculto dos fatos, das pessoas e de si mesmo, fazendo com que a capacidade de análise e os arranjos mentais busquem as profundezas da psique, trazendo discernimento das áreas que estão além da consciência. Com base nos sentimentos, pessoas com esse posicionamento são capazes de fazer narrativas bem detalhadas de pessoas e acontecimentos, pois quanto maior a incerteza da situação - algo típico quando se mexe com os labirintos inconscientes - maior será a necessidade de se saber das coisas, fazendo com que a análise seja levada cada vez mais adiante até que o assunto tenha sido profundamente esmiuçado. O aprendizado é feito “fermentando” as coisas, refletindo sobre elas e vivenciando-as emocionalmente, até que a luz se faça. Esse processo dá uma aparência de passividade e inércia externa, mas é um mecanismo absolutamente efervescente internamente, criando um conhecimento tão profundamente ancorado que o indivíduo terá grande dificuldade quando tiver que mudar de idéia. Isso cria certa escravidão, principalmente se a pessoa achar que pode usar os fatos coletados e analisados para conquistar poder pessoal sobre os outros, pois isso a levará a defender a todo custo suas opiniões, que, naturalmente, quanto mais emoções tiverem mais aferrada será sua defesa, e mais polarizada a pessoa se sentirá. Esse processo de compreensão e de organização mental cria pessoas muitas vezes cínicas, e os outros com quem convive têm que se acostumar com a habilidade dela cutucar feridas.
Mercúrio em Sagitário
No vasto horizonte sagitariano, Mercúrio se torna um pesquisador da verdade e se volta para os ensinos chamados superiores, aqueles que lidam com princípios e códigos de pensamento. A comunicação tende a ser animada e cheia de idéias entusiastas, e a forma de aprender será construindo sínteses que abarquem a totalidade da experiência humana e do que se vive. Assim, a pessoa costuma se mover por várias linhas de pensamento para comunicar suas idéias. O Mercúrio de Fogo Mutável faz isso com tanto dinamismo e mostrando tanta certeza, que fica difícil discutir ou discordar. Normalmente esse deus é sincero e bem pouco diplomático, pois sua curiosidade filosófica e teológica pode fazê-lo esquecer das necessidades mais sutis de uma comunicação pessoal. Quando a força mercurial se distorce aqui, a pessoa costuma adotar ideologias solidificas das quais não consegue se separar em suas análises, limitando a capacidade de aprender e de se aprofundar no conhecimento, criando uma ansiedade que a faz enfatizar demais o próprio ponto de vista e a recusar a visão dos outros. É importante estar alimentando esse Mercúrio com novas abordagens filosóficas para que ele tenha sempre um horizonte a descobrir e possa, assim, expandir sua vivencia em vez de se meter em encrencas.
Mercúrio em Capricórnio
O pensamento direto, concreto, orientado e planejado é a característica mais óbvia desse posicionamento de Mercúrio, assim como uma forma de se comunicar sóbria, reservada e um tanto tímida. Há um grande interesse intelectual pelas estruturas sociais e institucionais e também pela história, além de uma necessidade de construir um pensamento ordenado e realista. Capricórnio dá uma grande capacidade de concentração à Mercúrio e por isso ele se atêm muito à viabilidade de seus projetos intelectuais. A pessoa costuma saber se adaptar às prerrogativas das autoridades e como se expressar para que seja reconhecido socialmente. Quando confusa, a mente pode ser invadida por idéias pessimistas e de rejeição, pois esse Mercúrio é particularmente sensível a críticas, fazendo com que a pessoa se agarre ao pensamento formal e ao senso comum, muitas vezes abrindo mão de sua originalidade, e distorcendo sua capacidade de criar idéias sóbrias, lógicas e concretas para compreensão - e não só aceitação - do mundo exterior. Mas não se engane com a aparente seriedade desse Mercúrio em Terra Cardinal: esse é um deus capaz de ver, se divertir e tirar proveito das incoerência daquilo que costumamos chamar de realidade.
Mercúrio em Aquário
Aqui Mercúrio se diverte envolvendo-se com todo tipo de teoria que possibilite o desenvolvimento de análises lógicas e sistemáticas sobre as influências da vida no pensamento humano: tudo que ele encontra pelo caminho será trabalhado logicamente para formar um sistema compreensível das relações humanas. Por isso temas como “o Homem” ou “a Natureza” o fascinam, e qualquer área de tensão será abordada intelectualmente no sentido de aumentar seu entendimento desses temas. A mente aquariana é humanitária e igualitária, portanto esse Mercúrio não se confinará a um único indivíduo em sua necessidade de pensar, trocar idéias, construir seu ponto de vista ou fazer contatos, buscando sempre várias pessoas e situações ao mesmo tempo para ver o que deve ser feito e pensado para desenvolver o plano mais adequado. Essas pessoas têm os ouvidos e olhos muito abertos para as opiniões e teorias dos outros, fazendo com que tenham consciência da falta de sentido das defesas a qualquer custo das ideologias. Mas quando se trata das ações e relações pessoas, podem se mostrar bastante fixos em suas excentricidades, como, por exemplo, um macrobiótico com infecção generalizada que se recusa a tomar antibiótico. O Mercúrio aquariano, porém, terá sempre uma visão interessante do futuro e boas idéias de como podemos viver de maneira mais verdadeira e livre.
Mercúrio em Peixes
A vontade de arranjar, classificar e analisar as experiências dada por Mercúrio, quando ganha cores piscianas, segue padrões que podem ser considerados ilógicos, mas inegavelmente bonitos. Em Água Mutável, esse deus opera de modo não estruturado, governado pelos sentimentos e por um grande desejo de mudança. A tendência comum é de não analisar nem assimilar as coisas, mas de buscar a compreensão e a verdade da vida através do simbólico, que não é auto-evidente e precisa da vivência emocional para ganhar significado. Esse Mercúrio é absolutamente imaginativo e se guia por coisas que “não existem”, pois não se trata de uma realidade óbvia para todo mundo. Por isso esse Mercúrio não acha nada de estranho em acreditar-se em coisas fantásticas ou mágicas. A maneira de contatar e trocar idéias com os outros costuma ser reservada, simpática e cheia de compreensão, muitas vezes ajudando as pessoas através de conversas, mesmo quando o conteúdo informativo do que dizem seja pequeno. A vida se organiza muito ao redor das emoções, que entram no pensamento e na comunicação em geral, pois as qualidades reflexivas e a curiosidade mental estão voltadas para dentro e querem buscar respostas aos “por quê” e “para quê” das mais aflitivas condições de vida. Convivendo nessas condições intelectuais por si confusas, quando Mercúrio se vê frustrado aqui, sua tendência é a de se afastar mais ainda da realidade concreta e tentar construir formais muito primitivas para justificar os medos que paralisam seu racional, o que pode se tornar uma armadilha bem terrível. A melhor maneira de se contactar esse deus fugidio é através da comunicação artística, seja ela visual, poética ou musical.