quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Astrologia de Boteco II - Tenha Fé e Descubra seu Júpiter


Mapa na mão, está na hora de você saber mais sobre a natureza da sua fé e da sua filosofia de vida através do posicionamento do seu Júpiter. Depois que ler sobre o seu signo jupiteriano, dê uma olhada também no signo correspondente à casa em que ele está (se no Ascendente leia Áries; se na 2ª casa, Touro; se na 3ª, Gêmeos, etc.), que é possivel ver mais um pouco sobre o assunto. Boa sorte!!!


Júpiter em Áries
A alegria jupiteriana por novidades e expansão em Áries chega a ser desnorteante. A agilidade mental típica do carneiro de fogo é expandida e a capacidade de auto-expressão ganha grande entusiasmo. As últimas tendências musicais e culturais que acontecem em torno do globo, os esportes mais malucos, a moda mais extravagante, o Júpiter ariano tem grande prazer em mostrar como ele é único e afirmar isso com alegria. Esse deus é capaz de inspirar e semear vida nova ao seu redor, e tem grande interesse por encontrar respostas novas às grandes questões da existência. Como paciência não é uma virtude nem de Júpiter nem de Áries, os problemas aqui vão aparecer quando se precisa esperar o tempo de maturação para que as grandes e inspiradas sementes brotem e cresçam. A tendência desse Júpiter é atropelar suas plantinhas recém nascidas porque já vislumbrou a frente um novo campo para explorar e fecundar.


Júpiter em Touro
O Júpiter taurino tem o toque de Midas, mas não vai pensar duas vezes antes de gastar tudo que ganhou em 5 minutos. A expansão através da matéria, proporcionado por esse deus taurino, dá grande habilidade para se levantar recursos mesmo quando parece que eles estão escassos. Há grande motivação para a aquisição de coisas preciosas e um verdadeiro prazer em encontrá-las. A busca filosófica aqui está em descobrir e divulgar o valor material da vida, mostrando que a matéria é algo tão sagrado quanto a alma. O contato com a natureza e todos os seus recursos e o prazer de se estar vivo nesse corpo material é o que dará um sentido religioso para a existência. Com tanto entusiasmo pelas coisas boas da vida, há sempre o risco de se exceder e passar dos limites, principalmente nos prazeres de cama e mesa. É sempre bom estar de olho para ver se não se está acumulando demais e buscar formas de se distribuir o que é mais que o bastante.


Júpiter em Gêmeos
O Júpiter geminiano vai buscar expansão através da mente, que será cheia de energia e inspiração na hora de se comunicar com os outros. A abundância de pensamentos sobre QUALQUER assunto desse deus confere um horizonte infinito a ser explorado, e geralmente a pessoa se torna um eterno estudante. A troca de conhecimentos é a grande alegria do Júpiter em Gêmeos, que vai querer trocar receita de bolo com a senhora analfabeta que encontrou no meio do semi-arido nordestino com o mesmo prazer que troca impressões sobre Kant com o professor doutor vindo da Alemanha. Esse deus também tem grande facilidade para aprender línguas e costuma ter curiosidade por todas as formas de se transformar experiências em linguagem humana. Como em qualquer lugar que Júpiter se coloca existe o problema do excesso, quando ele se instala em Gêmeos se corre o risco de que tantas idéias e informações se percam e confundam por não haver com quem dividir, ou então achar que todas as idéias que se tem são divinas e construir uma psicopatia grave. Esse Júpiter se beneficia muito escrevendo e encontrando grupos onde possa passar tantas informações recolhidas pelo caminho.


Júpiter em Câncer
O exaltado Júpiter canceriano vai transformar todos que encontrar pelo caminho em família. Na mitologia, a maioria dos heróis - de Atena a Dionísio, de Hercules a Perseu, de Minos às Musas - são filhos de Zeus-Júpiter e protegidos do deus em suas aventuras. O sentimental Câncer tem suas emoções expandidas por Júpiter de modo a abranger tudo à sua volta. A família nuclear de origem costuma ser vista como a base filosófica para se explorar o mundo, e a busca por um lar espiritual é a maneira de ampliar seus horizontes. O Júpiter lunar tem uma fé inata na vida e nos vínculos afetivos. Quando maduro, esse posicionamento de Júpiter proporciona vínculos duradouros mesmo que a distancia e o tempo afastem fisicamente as pessoas, pois há uma união de caminhos que dá a certeza do reencontro em algum nível. O exagero dessa visão tão abrangente de vínculo pode fazer com que se relaxe demais nos cuidados necessários para que os relacionamentos criem consistência e profundidade, o que não trará nem satisfação real nem envolvimento emocional com os outros, que é o que realmente fará com que os horizontes se ampliem e criem a ligação com o todo.


Júpiter em Leão
Willian Blake escreveu que “a estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria”, e para quem tem esse posicionamento de Júpiter nada é melhor do que o mais que bastante. Esse deus adora um palco, e quando em Leão sua entrada é precedida de fogos de artifício. Esse é um posicionamento que confere muita audácia e é comum o gosto por esportes radicais, aventuras e jogos, onde cada desafio tem que ser maior que o outro. Esse deus tem a certeza que seu próprio ponto de vista é o mais interessante e iluminado, sendo comum que mesmo quando recebe uma boa idéia de algum amigo, ele conseguirá amplia-la e elabora-la até que se torne sua. Claro que Júpiter, no romântico signo de Leão, será um grande conquistador, e a vida amorosa pode ser um verdadeiro parque de diversões. Os exageros aqui são comuns e é preciso de muito cuidado para não desenvolver a tendência a procurar saídas fáceis através dos relacionamentos e casos amorosos, ou justificar a falta de sensibilidade através da enorme necessidade criativa. Isso muitas vezes faz com que o Júpiter leonino perca as perspectivas filosóficas e religiosas que podem acompanhar toda a criação desse posicionamento, o que é uma pena.


Júpiter em Virgem
O Júpiter virginiano tem grande facilidade para compreender o significado simbólico de tudo que vive e adora montar quebra-cabeças. A autopurificação, a separação do que é veneno do que é saudável e o aprimoramento das habilidades práticas, trazem muito prazer e conhecimento a esse deus. Na mitologia Zeus-Jupiter foi pai da única filha de Demeter, a deusa que representa Virgem, e essa combinação tem um enorme potencial para criar curadores e mestres, que associam suas capacidades de compreensão ao prazer de ajudar os outros. O trabalho também é visto como uma forma de ampliar os horizontes, e não se terá muita paciência para aceitar lugares e pessoas limitadas na exploração da própria energia na busca profissional. Aqui o perigo de exageros está em se dedicar – e divertir – demasiado à exploração da vida profissional como escape da vida pessoal, podendo criar alguma doença para mostrar que é hora de parar. Como, porém, esse é um Júpiter que consegue compreender com facilidade as mensagens do corpo e o significado simbólico das doenças, o mais comum é que ele consiga fazer as mudanças necessárias na própria vida e aproveita-la de outras maneiras.


Júpiter em Libra
Sendo Libra o signo do relacionamento, Júpiter aqui vai poder usar os seus mais variados truques para capturar os parceiros escolhidos. A dinâmica do casamento de Zeus e Hera pode dar uma boa idéia de como costuma funcionar o Júpiter libriano. Zeus, para conquistar a esposa, aparece-lhe como um cuco durante o inverno, e ela, para agasalhá-lo, coloca-o no colo. Ele toma sua forma divina, mas Hera só cede depois que ele promete desposá-la. Júpiter em Libra também se diverte usando vários disfarces nos jogos de sedução. Esse casamento não é lá muito calmo devido aos arroubos apaixonados de Zeus e ao apaixonado ciúme de Hera, e é comum encontrarmos essa dinâmica com esse posicionamento, pois, como sempre ao se tratar desse astro, o exagero pode criar um antagonismo onde a necessidade de liberdade entra em oposição à necessidade de aprofundamento na relação. Tendo as associações como campo de exploração, esse Júpiter precisa de trocas filosóficas com os parceiros do caminho e acaba se decepcionando quando percebe que o Outro não é um deus capaz de dar toda a felicidade do mundo. O melhor desse deus libriano é sua capacidade de ver o outro como amigo e companheiro de aventuras, trazendo muita alegria para o encontro. Além disso, há uma certeza interna de que mesmo quando o relacionamento acaba outro melhor está esperando logo mais adiante.


Júpiter em Escorpião
O Júpiter escorpiniano procura expansão e maior significado na vida partilhando e trocando o que tem, o que acredita e o que dá valor com os outros. A intimidade é percebida em sua forma simbólica de união para algo maior do que cada unidade individual. É comum também dificuldades por causa de muita expectativa nos relacionamentos, pois nem sempre será possível ouvir sinos tocando ou ver fogos de artifício cada vez que se faz amor, e isso é sentido como decepcionante. Escorpião tem uma hipersensibilidade ao que é oculto e Júpiter sempre conseguirá ver sentido nos mistérios da vida. Períodos de crise e de transição são melhor suportadas e geralmente trazem à tona uma confiança e um otimismo inatos que a pessoa não sabia possuir. Esse é um Júpiter que sabe que pode confiar na própria sensibilidade tanto para transações no mercado financeiro quanto a respeito da direção que as coisas vão tomar em sua vida, e tem audácia suficiente para explorar isso.


Júpiter em Sagitário
Quando em seu próprio domicílio, Júpiter pode ser de arrasar... Literalmente. A separação entre os centauros dominados pelo delírio dionisíaco, com toda a sua brutalidade, e a consciência da dupla natureza de Quiron, fará toda a diferença aqui. Antes de Hera, Júpiter namorou Métis, a antiga representação da sabedoria. Quando ela ficou grávida, Júpiter recebeu a advertência de um oráculo de que seria destronado por qualquer filho que tivesse com Métis, e por isso devorou a deusa e a criança que ela concebia. Assim Zeus passou a personificar a suprema sabedoria em si mesmo. Mais tarde, depois de uma terrível dor de cabeça, ele dá à luz Atená, que se torna não só sua filha preferida como também ganha o título de nova deusa da sabedoria. Essa história tem muito a ver com o Júpiter sagitariano, pois nos mostra que a sabedoria não pode ter filhos quando apenas seduzida, pois torna-se ameaçadora. Ela deve ser digerida, pensada e repensada, para poder nascer num espaço que permite o amor e a existência. Um conhecimento limitado, que não se integra à personalidade como um todo, pode ser perigoso, e esse posicionamento pode gerar uma tendência a pensar que se sabe tudo, pois é facil esquecer as limitações da natureza humana. Mas quando o Júpiter sagitariano consegue ter o cuidado de manter sua consciência na ferida feita pelo encontro do divino com o humano em sua alma, suas idéias e inspirações cheias de luz podem realmente iluminar o caminho de todos.


Júpiter em Capricórnio
Ao contrário do que muita gente pensa, quando um planeta está em seu signo de queda é muito mais fácil aproveitá-lo, exatamente porque ele tem que ser trabalhado de maneira mais consciente. O Júpiter capricorniano costuma ter a virtude que mais falta em seus irmãos de outros signos, que é a paciência. Esse deus adora o papel de autoridade, que consegue assumir sem ser super protetor nem exigente demais com seus subordinados. As figuras de autoridade também são vistas de maneira positiva, e com isso se acaba atraindo ajuda das hierarquias superiores. Há uma grande facilidade para assumir as responsabilidades da própria vida e uma visão abrangente que gera um senso de discernimento apurado, além de uma boa capacidade de organizar os outros. Como qualquer Júpiter, ele não vai querer passar despercebido, e, apesar de mais comedido, será difícil não notar todos os símbolos de status que giram ao seu redor. O Júpiter capricorniano precisa de espaço e autoridade para poder fazer todas as suas manobras, e esse é um deus que consegue o reconhecimento necessário para isso.

Júpiter em Aquário
Clubes, organizações e associações que promovem o crescimento de todos é a praia desse Júpiter. De clube de línguas a ONGs para salvar a Amazônia, esse é um deus que quer cada vez mais amigos, e de preferência de culturas e nacionalidades diversificadas. A vida social de um Júpiter aquariano costuma ser bem agitada. Aquário é um signo que está voltado para o futuro e o Júpiter aqui costuma ter muitas metas e ideologias a alcançar. Há grande prazer também com todas as maquininhas modernas que aparecem no mercado. O mais difícil para esse Júpiter é selecionar quais idéias geniais valem realmente a pena seguir, pois muitas coisas boas podem simplesmente se dissolver por ele não saber em qual atirar primeiro. Como a fé jupiteriana é imbatível, existe também a certeza de que se irá realizar aquilo que se quer, já que se está querendo o que é melhor para todos. Nem sempre essa expectativa se mostra realista, mas isso não é motivo para o Júpiter aquariano se sentir desencorajado.


Júpiter em Peixes
A busca de expansão jupiteriana combinada com o mundo sem fronteiras de Peixes é algo que só se pode chamar de espiritual. Justamente quando as coisas parecem mais negras e sem esperança, o Júpiter pisciano aparece, não se sabe de onde, e salva a situação. Isso não tem a ver com sorte ou fadas madrinhas - apesar de muitas vezes tomar essas formas - mas com a fé na benevolência e no significado da vida que essa posição de Júpiter proporciona, tornando a pessoa aberta e disposta a receber qualquer coisa que lhe é trazido. O significado que Júpiter busca na vida é encontrado em Peixes através de eventos externos que correspondem aos estados internos, o que faz com que experiências negativas mostrem seu lado positivo e obstáculos se transformem em bênçãos. O Júpiter pisciano costuma ser um canal através da qual passam a inspiração e o dom da cura, por isso tem muito a oferecer aos doentes, aos prisioneiros e aos viciados, pois a visão ampliada que surge nos tempos de dificuldades traz esperança e inspiração não só para si, mas também pode guiar outros através de seus obstáculos.

domingo, 2 de dezembro de 2007

JÚPITER


Regente de Sagitário e com exílio em Gêmeos, exaltado quando em Câncer e em queda quando em Capricórnio, o planeta Júpiter é ligado ao crescimento e à expansão. Astronomicamente ele é considerado um gigante: todos os planetas do sistema solar caberiam dentro dele, que é 1300 vezes maior que a Terra. Além disso, ele não é como os outros planetas, pois emite 9 vezes mais radiação do que a que recebe do Sol. Seu ciclo é de 11 anos e 315 dias, ficando mais ou menos 1 ano em cada signo.

Na astrologia ele se associa à benevolência dos deuses e à expansão. Júpiter-Zeus da mitologia olha a vida na Terra de uma alta perspectiva olímpica, distribuindo o bem e o mal, sendo evocado para afastar catástrofes e pragas. Um dos maiores prazeres desse deus, apesar dos cerceamentos de sua esposa Hera, está em correr atrás de mulheres, belos rapazes e deusas, nem sempre com sucesso, mas sempre sendo criativo, se transformando num cisne hoje e em chuva de ouro amanhã, como um ator nato, que adora assumir os mais estranhos papéis. O resultado disso é uma infinidade de filhos, que ele sempre confiava a outros para criar. Na astrologia médica Júpiter está associado ao fígado, nosso maior órgão, que sabe quando recebemos alimentos e bebidas em excesso e regula isso: um fígado com bom funcionamento sabe quantificar excessos, armazenando o que precisamos e destruindo o que é a mais, enquanto um fígado doente luta deficientemente contra o excesso e não consegue eliminar as toxinas adequadamente. Júpiter é crescimento e dilatação e o fígado também se dilata quando comemos e bebemos em excesso para promover o equilíbrio, e, depois de anos de abuso, acaba doente por esgotar seus recursos e não conseguir mais voltar a seu estado normal. Em A Doença Como Caminho (Dethlefsen, Thorwald e Dahlke, Rüdiger – Ed. Cultrix – 1992 - SP), o fígado é descrito através de suas 4 funções: armazenador e gerador de energia, desintoxicador e metabolizador de albumina. Através dessas funções, podemos entender muito das representações de Júpiter. Energia, para o corpo biológico, quer dizer gordura, que em excesso cria a obesidade. Uma das dificuldades que temos com a idade é a de transformar gordura em energia, exatamente porque paramos de crescer e a expansão deixa de ser na vertical e começa a ser horizontal. A percepção de que as necessidades de crescimento estão se modificando – por causa da idade, da mudança da maneira de encarar o mundo, das novas conquistas, dos novos aprendizados, ou o que seja – é a diferença entre a expansão e o exagero: se aos 20 anos você consegue passar a noite bebendo e no dia seguinte ir trabalhar e ir para a aula de noite, aos 35 isso vai causar muitas dores de cabeça e aos 55 é a garantia de uma péssima semana. Assim é com relação ao nosso Júpiter astral também: se não aprendemos a utilizá-lo de maneira sábia, será essa a área de nossa vida em que teremos problemas ao extrapolar nossos limites. Mas o fígado, assim como Júpiter, também é um desintoxicador, e muitas vezes é olhando para a área regida por Júpiter no mapa que podemos encontrar a saída da negatividade que está nos paralisando, pois é ali que teremos um pouco mais de energia para sair para dançar, encontrar os amigos ou ir para aquele grupo de estudos que nos faz bem quando os problemas parecem irresolúveis e estamos desesperançados. E aí, quando voltamos, estamos melhores e os problemas não nos parecem assim tão grandes ou ao menos estamos com mais disposição para enfrentá-los e podemos olhá-los por outros ângulos. Outra das funções importantes do fígado é a transformação de proteína animal e vegetal em proteína humana - levando a uma “evolução” da proteína. O processo de síntese de proteína humana realizada pelo fígado, como descrito no livro “Doença como Caminho”, fala da função “filosófica” ou “religiosa” desse nosso grande órgão. Na síntese de proteína, o fígado quebra as proteínas animais e vegetais em seus elementos básicos - os aminoácidos - e depois reorganiza esse material de modo a construir uma estrutura humana, mudando a qualidade do resultado, apesar da quantidade de aminoácidos continuarem o mesmo. Religião é, literalmente, “ligação retrospectiva”, “ligar de novo”, e é nesse sentido que Júpiter é religioso, pois ele nos possibilita perceber que existe uma união com o todo, e que a diversidade que nos separa da Unidade Primordial é uma ilusão, fruto do jogo divino dos vários padrões básicos da mesma essência comum. É através da percepção e da brincadeira com o todo e as partes, e da tensão entre essas duas percepções, que Júpiter cria expansão para nos fazer evoluir de animais e vegetais para nosso destino humano. A área que Júpiter monta seu altar no mapa astral será onde podemos contar com a benevolência dos deuses e por isso será onde conseguimos compreender mais facilmente como transformar as coisas vividas em lições que nos levam mais além. Quando usamos nosso Júpiter com consciência aprendemos a nos divertir enquanto aprendemos e evoluímos, e também conseguimos ver o que nos faz mal e fazer as mudanças necessárias para viver com maior sabedoria. A casa e o signo do mapa astral em que encontramos Júpiter é uma área onde temos muita necessidade de espaço para preencher e explorar, onde não estamos contentes com rotina e monotonia e queremos experimentar a vida da maneira mais ampla e completa possível. É interessante notar que o Júpiter não é infeliz com o que tem, apenas quer mais, pois sempre há mais um passo a dar: ele não reclama do que tem por estar mais interessado naquilo que irá encontrar mais adiante. Os problemas da casa em que temos Júpiter estarão ligados aos excessos, pois é onde nunca sabemos o que é o bastante até que conheçamos o que é mais que o bastante. Onde somos otimistas ou entusiastas demais acabamos passando por cima dos detalhes, e corremos o risco de superestimar alguma possibilidade e depois não dar conta da concretizaração. É também na nossa esfera jupiteriana que corremos o risco de certa promiscuidade, onde semeamos o que há de mais criativo, mas não temos paciência para ver crescer. Júpiter era invocado como o Grande Preservador da vida e, embora ele possa distorcer nossa clareza e racionalidade, os negócios da casa onde ele se encontra nos oferecem a crença em algo maior, a esperança em algo melhor e o sentido de que a vida não é uma coleção de meros acontecimentos, mas tem um sentido cheio de propósito e significado. Quando nossa fé na vida começa a falhar, é olhando para os domínios de Júpiter que podemos renovar nossa inspiração para continuar.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Sagitário, O Mito


Na mitologia greco-romana existem dois tipos de centauros: os seguidores de Baco-Dionísio, ligados aos apetites do instinto, ao êxtase e ao entusiasmo divinos, e o filho de Crono-Saturno, Quiron, sábio mestre dos heróis e médico ferido. Os dois tipos nos falam da realidade vivida por Sagitário, e estão relacionados à história de Hércules (Héracles grego). Durante a busca do Javali de Erimanto, no seu terceiro trabalho, Hércules é atraído por Dionísio à casa do centauro Folo para ser iniciado nos mistérios desse deus. O centauro recebe muito bem ao herói e, quando esse lhe pede vinho, Folo abre a jarra dada a ele pelo deus. O cheiro do licor dionisíaco atiça os centauros da região que, armados de rochedos, árvores e troncos, avançam contra Folo e seu hóspede. Hércules contra atacou, matando dez centauros com suas flechas envenenadas com o sangue da Hidra de Lerna. Quando se ocupava em enterrar os companheiros mortos, Folo, ao retirar uma flecha do corpo de um dos centauros, deixou-a cair em seu pé, morrendo com a ferida. Hércules, desolado, rendeu-lhe as homenagens fúnebres e enterrou-o no monte que recebeu o nome de seu amigo. Nesse mesmo confronto, Hércules persegue o centauro Élato, que havia se refugiado junto a Quiron, e acaba ferindo também o mestre dos heróis. O filho de Saturno-Crono fica, então, com uma ferida incurável, já que a imortalidade dada por seu pai impedia o veneno de acabar com sua vida. Cheio de dor, Quiron pede a Júpiter para morrer. Prometeu, que nascera mortal, cede-lhe seu direito à morte, e Quiron pode descansar, subindo aos céus sob a forma da constelação de Sagitário, que tem como hieróglifo a flecha (sagitta em latim), que o feriu.
A primeira coisa que os centauros nos falam de Sagitários é sobre os perigos dessa embriagues que brutaliza, mostrada na tendência do signo de passar por cima de tudo e de todos na busca apaixonada para se sentir mais próximo da fonte que atrai ao mundo da consciência a gama de sensações da vida. Esse ímpeto pode ferir e até matar aquilo que deveria servi-lhe de guia em uma iniciação progressiva e gustativa, e não na brutalidade da embriagues. Em Quiron encontraremos o que há por baixo dessa correria desenfreada, o significado mais profundo de Sagitário. Filho do deus Crono-Saturno, aquele que limita e objetiva a vida humana, o centauro Quiron era amigo dos homens. Sábio, ensinava para seus discípulos e futuros heróis, música, artes da guerra e da caça, moral, e, sobre tudo, medicina. Como o deus Crono-Saturno havia fecundado sua mãe, Fílira, sob a forma de um cavalo, Quiron nascera com essa dupla natureza, recebendo o conhecimento tanto do instinto animal quanto da essência espiritual. A consciência dessa dupla natureza o fazia um filósofo e um professor, porém era a dor de se saber um ser estranho, diferente, que lhe dava a capacidade de ser o grande médico que era, pois o fazia compreender a dor dos outros. Esse é o significado retomado pela ferida feita por Hércules: Quiron, aquele que cura, tem uma ferida incurável. Sagitário também tem uma ferida incurável, que se situa entre seu lado mortal e seu lado divino. Esse signo, com sua intuição e visão apurada, entra em contato com muitos mistérios que lhe dão uma percepção profunda, muitas vezes inexprimível, de que a vida tem um sentido verdadeiro, o homem é divino, tudo tem um propósito, ensina uma lição e proporciona um engrandecimento. Mas a realidade do tangível, a vida física e sempre imperfeita, cheia de limites, é uma flecha envenenada que mostra a distância que existe entre sua busca luminosa e as demarcações do ser humano. Essa é a verdadeira ferida de Sagitário, que ele pode até tentar ignorar, lançando-se em uma corrida infindável de uma sensação à outra, evitando parar para não dar tempo e espaço à dor. Centauros andam em bando e se divertem juntos, mas a mitologia mostra que apenas aqueles que encontram uma caverna e conseguem passar um tempo na solidão adquirem a verdadeira sabedoria e podem ensiná-la aos outros. O comportamento agitado de Sagitário busca soterrar a ferida - do corpo e da alma - através de uma atividade incessante que visa divertir-se e divertir aos outros, tentando provar a si e às pessoas sua incrível felicidade. Mas aquele que tem coragem para enfrentar suas visões e a realidade da vida será o verdadeiro médico e mestre, pois aprenderá a ter compaixão - uma qualidade que falta ao mais ingênuo e cego desse signo. Só assim se terá acesso a um dos mais profundos segredos da vida e dos seres humanos: a dualidade deus/animal que está dentro de todos e de cada um de nós.
Trigueirinho, médium brasileiro, no livro Hora de Crescer Interiormente – O Mito de Hércules Hoje (Ed. Pensamento, 1988, SP) atribui uma das tarefas de Hércules a cada signo. A tarefa hercúlea dada a Sagitário é a de acabar com as Aves do Lago de Estifalo. Numa espessa e escura floresta da Arcádia, às margens do lago de Estifalo, viviam centenas de aves de porte gigantesco, que devoravam os frutos da terra e, segundo algumas versões, eram antropófagas e liquidavam os passantes com suas penas de aço, que serviam como dardos mortíferos. Haviam muitas dificuldades para acabar com esses pássaros, e o primeiro deles era fazer com que saíssem de seus escuros abrigos na floresta. Hefesto, o grande artesão olímpico, fabrica para o herói, a pedido de Atena, umas castanholas de bronze. Héracles tampa com cera seus ouvidos e começa a tocar as castanholas, que emitem um som ensurdecedor. Com o barulho, as aves levantam vôo e são mortas uma a uma com flechas envenenadas pela Hidra de Lerna, as mesmas que mataram os centauros. Com suas flechas certeiras, símbolo da espiritualização, Héracles liquida as Aves que viviam no Lago Estifalo. O lago é símbolo do portal do inconsciente, de onde os seres subterrâneos podem chegar aos homens e leva-los para seu mundo, e as aves que dele levantam vôo simbolizam o impulso de desejos múltiplos e perversos não trabalhados pela consciência. Saídos do inconsciente, onde se haviam estagnado, põem-se a esvoaçar e sua afetividade perversa acaba por ofuscar o espírito. Como sempre, a tarefa se realiza à partir da consciência do signo oposto, que, no caso, é Gêmeos. Sagitário costuma ter o hábito de falar e agir de maneira irrefletida e descontrolada, e na maioria das vezes faz isso dispersando energias e destruindo o que tem em volta. É preciso aprender a controlar essa compulsividade em falar e dar conselhos sobre o que é melhor para os outros e passar a ouvir mais e refletir sobre o que escuta – dentro e fora – antes de se pronunciar. Por isso Hércules tem que tapar seus ouvidos com cera, fechando a entrada para o barulho externo que ele mesmo cria. A tagarelice inconsciente, o falar continuamente de si próprio e a revelação de saberes de forma leviana, sem se preocupar com a possibilidade de compreensão do outro, pode levar Sagitário a cometer erros banais, que o impedem de percorrer seu caminho de maneira consciente. Sagitário precisa aprender que seu saber é sagrado e incluir nisso a possibilidade de compartilhar com o outro apenas aquilo que o outro tem capacidade de saber também. Só assim ele poderá entrar em contato com sua verdadeira fonte de sabedoria e compreender as dores e dificuldades humanas que ele mesmo carrega. Isso irá clarear o seu caminho heróico, fazendo com que pare de cavalgar às cegas, em círculos que só poderão levá-lo ao mesmo lugar.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A Aventura de Sagitário


“Sem paz, sem amor, sem teto,
Caminho pela vida afora.
Tudo aquilo em que ponho afeto
Fica mais rico e me devora”


Rainer Maria Rilke – poeta sagitariano traduzido por Augusto de Campos



Depois do mergulho iniciático às profundezas de Escorpião, o Sol agora busca os amplos horizontes de Sagitário, signo representado pela figura mitológica do centauro, cuja parte inferior do corpo é um cavalo e a parte superior é um homem que impunha um arco envergado e uma flecha pronta a ser lançada. Sagitário é uma força que gera o movimento ascendente a partir de um centro, porém retido por um peso que a liga à Terra. Sagitário e Capricórnio são as duas únicas figuras fantásticas e puramente míticas do Zodíaco; estamos entrando nas últimas constelações, onde as questões pessoais ganham cores coletivas. O Centauro é a união ou síntese da natureza animal e divina do homem, onde corpo e alma, baixo e alto, matéria e espírito, possessão terrestre e aspiração divina, inconsciente e supraconsciente se unem em busca da evolução humana. Seguindo a tríade de Fogo, vemos que o Fogo Cardinal, Áries, representa a chama original em toda sua força animal e instintiva, ao mesmo tempo criadora e destruidora, anárquica e indomável, o Fogo Fixo de Leão é a chama dominada e domesticada que se orienta em prol do eu divino, e o Fogo Mutável sagitariano será aquele que transforma os sacrifícios em oferendas aos deuses, purificando e redimindo a humanidade. Essa é a fonte tanto do otimismo quanto da fé sagitariana, pois ele sabe que toda dor, toda renuncia, toda ferida oferecida pela vida são parte do aprendizado, e a própria vida, em sua abundante generosidade, mostrará a cura, o consolo e a redenção se você continuar andando e acreditando na benevolência dos deuses que te protegem. Mesmo que se chame isso de “sorte”, a verdade é que a vida sempre mostra a Sagitário que ele está certo.
A atitude fundamental e inata em Sagitário é de se comportar na vida como se ela fosse uma aventura, uma viagem, uma busca, e o verdadeiro jogo da vida é fazer com que essa viagem seja o mais interessante, variada, expansiva e informativa possível. A chegada, a meta em si, não é importante. Na verdade ela é relativamente insignificante. A mitificação da vida e de si mesmo, formadores dos signos de Fogo, é um pouco mais complexa no último signo dessa tríade. Enquanto Áries e Leão se vêem como heróis, Sagitário tende a se enxergar como um dos deuses. Se os heróis são sempre bons - ou ao menos estão em busca dessa excelência - os deuses muitas vezes consideram essa referência demasiadamente humana, e, portanto, não precisam se preocupar muito com isso. Sagitário vai mostrar-se muitas vezes como uma figura imponente, nobre, digno e majestoso, mostrando sua face divina respeitosa, principalmente quando há uma boa audiência. Porém, quando a corte se dispersa, ele se transforma no grande libertino do Zodíaco, com toda a sua natureza animal, sempre correndo atrás de algo - geralmente amores -, não por causa de alguma paixão insaciável, e sim pela possibilidade de algo novo e excitante, a aventura, o mistério inexplorável, o inalcançável. Sagitário parece ter essa propensão de achar que está perdendo algo, seja uma paixão, um projeto, uma idéia, um livro, um filme, ou qualquer outra coisa realmente nova que ainda não foi explorada. Os mais extrovertidos serão encontrados nos bares recém fundados, nos restaurantes que estão abrindo, nos filmes de arte exóticos ou num grupo de estudos de qualquer espécie. Muitas vezes Sagitário irá ditar moda por que chega nos lugares primeiro, dando sua aprovação em alto e bom som, e os outros, sabendo que se não fosse bom ele não estaria lá, juntam-se a ele. Os mais introvertidos já terão lido o novo romance, entendido a nova filosofia ou o novo fenômeno cultural, pois o mesmo dom intuitivo que o tipo extrovertido usa para encontrar novos lugares, é usado aqui para encontrar novas idéias. Com tanta extravagância e impetuosidade, os sagitarianos possuem grande facilidade para criar problemas também. Sagitário muitas vezes vai parecer absolutamente insensível e indelicado, pois vai dizer na lata que você está horroroso com essa cara de choro e olheiras profundas, sem se preocupar em saber da história triste que há por baixo dessa aparência realmente terrível. E você não vai conseguir se sentir ofendido, pois essa honestidade sagitariana acaba te mostrando uma verdade que é só se olhar no espelho para comprovar. Como ficar com raiva de alguém que tem coragem de te falar aquilo que todos estão pensando? Nessa aparente brutalidade sagitariana existe uma profunda fé de que você também consiga superar o sofrimento em vez de cultivá-lo. Aquela idéia mundana que diz que os objetivos são atingidos com esforço e disciplina não interessa a esse signo. Mesmo por que, quando ele chega lá e ganha o tal prêmio, irá gastá-lo em cinco minutos.
Outra característica sagitariana é a de estar sempre mudando sua imagem. Assim como seu regente Júpiter se tornava touro, cisne e até chuva de ouro para seduzir suas mulheres na mitologia, o Fogo Mutável adora interpretar papéis, e quanto mais teatral, melhor. Nas estatísticas de Gauquelin, o planeta Júpiter era encontrado com destaque no horóscopo dos 500 deputados da Câmara francesa, dos 676 chefes militares (sic) e dos 500 atores que pesquisou. Sagitário adora grandes cenas, apesar de ter horror à cenas patéticas e muito melosas. Novas roupagens, novas poses, novas técnicas, novas maneiras de alcançar sua meta, Sagitário está sempre procurando estímulo mental para aumentar seu horizonte. Esse signo inflama seu coração para explorar a vida, e, nesse sentido, ele é profundamente religioso, pois desta forma busca se re-ligar ao divino que o originou. Nessa peregrinação, a vida é algo curioso e interessante, onde se deve brincar, explorar, apreciar, penetrar, para, finalmente, compreender e ensinar ao mundo como viver melhor e mais próximo da vida.

sábado, 24 de novembro de 2007

Viagem no Tempo com Plutão II – A Missão


Nem sempre o tempo e a vida andam no mesmo ritmo: o Sol já está em Sagitário e eu não consegui passear com Plutão por todo o zodíaco. Mas não poderia continuar sem falar da passagem de Plutão por Câncer, onde ele foi descoberto pelos astrônomos, honrando assim seu aprendizado. Então aí vai:

Plutão em Câncer cerca de 25 anos – de 1914 a 1939
Câncer nos remete aos símbolos da família, dos vínculos de passado e afetividade que criam nosso clã. Sua sombra aparece quando não se leva em conta as macro associações sociais que vão além daquelas que protegem a “minha gente”, representado por Capricórnio. Aqui começamos a ver as conseqüências de nossas emoções primitivas mal trabalhadas.

Só a História da Igreja Católica Apostólica Romana nesse período já daria subsídios suficientes para se fazer o roteiro de Plutão em Câncer, com o início das aparições marianas, os vários santos que nascem e vivem nessa época e a posturas e inciclicas dos dois papados desse período. Ainda não será dessa vez que vou fazer isso, mas é bom levar em conta que muitos dos acontecimentos marcados aqui tem a força religiosa do catolicismo. Podemos dividir esse período em três partes: a primeira de 14 à 19, marcada pela I Guerra Mundial, a segunda compreendendo os anos 20, e a terceira à partir do crash de Nova York em 29 até o fim do trânsito, em junho de 1939.

Nesse primeiro período muitos dos heróis da II Guerra estavam nascendo, a Teoria da Relatividade foi apresentada na Prússia, rompendo com a Física Clássica, e Carl Gustav Jung publica “Die Psychologie der unbewussten Prozesse”, seu primeiro livro depois do rompimento com Freud. É na finalização da I Guerra e na Revolução Russa em 1917, porém, que podemos ver a marca de Câncer/Plutão mais clara. A Mãe Rússia perde cerca de 4 milhões de filhos durante a I Guerra Mundial, sendo esse o estopim para a prisão do Czar Nicolau II e sua família (assassinados em 16/07/1918), e a tomada do poder pelos bolcheviques. A Russia se retira da Guerra e assina o Tratado de Brest-Litovski com as Potências Centrais (Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Bulgária e Império Otomano) em 3 de março de 1918, reconhecendo a derrota russa. Isso significou a perda dos territórios da Finlândia, dos países balticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Polônia, da Bielorrusia, da Ucrânia e dos distritos turcos e georgianos, onde estavam um terço da população russa, metade da sua industria e a quase totalidade de suas minas de carvão. A maior parte desses territórios vão se tornar parte do Império Alemão e, após a derrota da Alemanha na Guerra, a Finlândia, os países balticos e a Polonia se tornam independentes. A Bielorussia e a Ucrânia acabam se envolvendo na Guerra Civil Russa, voltando a ser anexadas e criando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas
Com a derrota eminente do Império Alemão na Guerra, os lideres militares alemães, conservadores e autocráticos, obrigam o Imperador Wilhelm II a abdicar e deixam para os democratas as negociações da derrota. O Tratado de Versalhes, que encerra a I Guerra Mundial, cria a Liga das Nações e impõe severas penas à Alemanha. A República de Weimar foi então instaurada, tendo como sistema de governo o modelo parlamentarista democrático: o presidente da república nomeava um chanceler, que seria responsável pelo poder Executivo, enquanto o poder Legislativo era constituído por um parlamento. Segundo alguns historiadores, nunca antes na história tantas mentes brilhantes se reuniram para construir um Estado. Um dos principais focos da Republica de Weimar foi a educação, que deveria ser gratuita e de boa qualidade para que se formasse um povo não apenas culto, mas principalmente capaz de pensar por si mesmo. A história do começo da Escola Waldorf, de Rudolf Steiner, é bem significativa nesse sentido. Em 1919, em Stuttgart, na Alemanha, Rudolf Steiner - filósofo, cientista e artista austríaco - foi convidado por Emil Molt, o proprietário da Fábrica de cigarros Waldorf-Astoria, para uma série de palestras para os trabalhadores de sua fábrica. Como resultado, os trabalhadores pediram a Steiner que fundasse e dirigisse uma Escola para seus filhos. Emil Molt não só apóia seus funcionários como se propõe a financiar a concretização da idéia. Steiner concordou, mas colocou 4 condições: a Escola seria aberta indistintamente para todas as crianças; seria co-educacional; teria um currículo unificado de 12 anos e, os professores da Escola seriam também os dirigentes e administradores da mesma. Queria que a Escola Waldorf tivesse o mínimo de interferência governamental e não tivesse a preocupação com objetivos lucrativos. Emil Molt concordou e em 7 de setembro de 1919, foi aberta a Die Freie Waldorfschule (A Escola Waldorf Livre).

Esses dois exemplos de nações “derrotadas” na I Guerra que buscam um caminho que abrigue seu povo, onde o poder patriarcal como o do Czar ou do Imperador é arrancado em nome do sofrimento que geraram, têm um caráter bem canceriano. Os acordos de paz que concretizam, porém, cria mais sofrimento por conta da desconsideração das necessidades práticas e econômicas que envolvem uma nação em reconstrução. Esse será o solo fértil para o nascimento tanto da Ditadura de Stalin quanto do Nazismo de Hitler, que irão crescer até se mostrar completamente durante a II Guerra. Em 1919 o mundo está caminhando para uma zona sombria e cheia de tensão: Benito Mussolini deixa o Partido Socialista e funda o partido fascista na Itália (Fasci di Combattimento) enquanto Adolf Hitler filia-se ao Partido Trabalhista Alemão (futuro Partido Nazista); estudantes chineses protestam contra o Tratado de Versalhes, em um manifesto que gera o Partido Comunista Chinês, e Rosa Luxemburgo é assassinada sendo que seu corpo é encontrado 3 dias depois; a Primeira Conferência Comunista do Brasil é realizada ao mesmo tempo em que a Organização Internacional do Trabalho se espalha pelo mundo; o Governo dos Estados Unidos proíbe que soldados afro-americanos desfilem em Paris e distúrbios raciais acontecem em Washington.

Os anos 20 ficaram para a história como uma época de grande efervescência cultural e comportamental entre duas Guerras Mundiais. Todos vão a Paris, onde é aberto Cabaré Lido. Isadora Duncan se apresenta na Cidade Luz, as melindrosas escandalizam dançando jazz com seus cabelos curtos e Chanel lança o seu perfume nº. 5. É feita a primeira coroação da Miss América nos Estados Unidos e em Genebra se realiza a I Convenção para a Repressão do Tráfico de Mulheres e Crianças e a Primeira Conferência Internacional Feminista. Temos a publicação de Psicologia Pedagógica de Lev Vygotsky, e de A Função do Orgasmo (Die Funktion des Orgasmus) de Wilhelm Reich junto com a nomeação de Jean Piaget como diretor do Departamento Internacional de Educação na França. O dirigível Zeppelin dá a volta ao mundo enquanto Diego Rivera se casa com Frida Kahlo e Scott Fitzgerald publica The Great Gatsby. André Breton se encontra com Freud e publica o Manifesto Surrealista. No Brasil temos a Semana de Arte Moderna de 22, o início da publicação semanal da Revista de Antropofagia e Tarsila do Amaral criando o ABAPORU para presentear o marido Oswald de Andrade. São fundadas as primeiras Escolas de Samba do Rio e os primeiros Clubes de Futebol Brasileiros enquanto Carmem Miranda monta seus balangandãs para mostrar ao mundo o que que a baiana tem. Chico Xavier participa de suas primeiras reuniões espíritas e Freud escreve a Durval Marcondes agradecendo a primeira tradução brasileira de seu trabalho. O Ser Humano perde seu pedestal de superioridade racional e os artistas caem de cabeça nas águas do inconsciente em busca de inspiração e expressão para essa nova face. Eu poderia preencher varias páginas com uma listagem infinita de coisas que estavam acontecendo nesses loucos anos 20, mas espero que seja o suficiente para entender o espírito reinante na cultura mundial.

A política mundial, porém, mostra os conflitos desse inconsciente emergente: Gandhi lança a campanha anticolonialista na Índia, a Irlanda é dividida em duas partes, Vladimir Lenin sofre um derrame e morre dois anos depois, pouco antes do início da Guerra entre Rússia e Polônia. Stalin sobe ao poder e condena Leon Trotski à deportação enquanto o México nacionaliza os bens eclesiásticos. Mussolini reivindica o poder em Nápoles ameaçando marchar sobre Roma, sendo então convidado para ocupar o cargo de primeiro-ministro. Os Fascistas marcham sobre Roma mesmo assim, e Benito Mussolini incorpora a milícia fascista ao exército italiano. Adolf Hitler tenta um golpe em Munique que fracassa. Ele é aprisionado ficando detido por 9 meses, quando escreve o livro Minha Luta (Mein Kampf), publicado no ano seguinte. No Brasil Getúlio Vargas toma posse no governo do Rio Grande do Sul e revoltosos tomam São Paulo destituindo seu presidente, Dr. Carlos de Campos. Lampião vence as tropas da polícia, Prestes caminha com sua Coluna e Olga Benário vem ao Brasil, se casa com Prestes, é presa e deportada estando grávida.

Nos anos 20, os Estados Unidos vivem um momento de afirmação do seu poder econômico frente ao mundo. Para se ter uma idéia, em julho de 1923 o dólar passa a valer 1 milhão de marcos alemães e no mês seguinte 3 milhões de marcos. Surge em Nova York a primeira emissora de rádio comercial e é feita a primeira demonstração pública da televisão colorida. Esse também é o período do auge de Al Capone e do primeiro congresso nacional da Ku Klux Klan, que anuncia ter 4 milhões de militantes. John Scopes é julgado por ter ensinado a Teoria da Evolução na escola e é concedido o direito de cidadania a todos indígenas americanos (SIC), enquanto Walt Disney recebe o registro da marca Mickey Mouse. Então, em outubro de 1929, temos a quebra da bolsa de Nova York e as coisas se precipitam para cair na II Guerra Mundial.

Começamos então esse último período de Plutão em Câncer, quando temos no Brasil a Revolução de 30, que coloca Getulio Vargas, o pai dos pobres, no poder até 1954 - com várias revoltas e reviravoltas -, a Guerra entre Paraguai e Bolívia e a Guerra entre China e Japão, a “Longa Marcha” de Mao Tse-Tung que percorre a China com 90.000 soldados, a invasão da Etiópia pela Itália, as lutas de Gandhi pela libertação da Índia, e uma série de outras brigas, articulações e curiosidades que precisariam de muitas páginas para ser enumeradas. Lembrando que essa é a época em que toda a estrutura nazista e fascista está sendo montada, vamos dar uma averiguada na Guerra Civil Espanhola para exemplificar o significado desses últimos tempos de Plutão em Câncer.

A crise econômica pós-queda da bolsa de NY abala o sistema tradicional espanhol, representado pelo ditador monarquista Primo de Rivera, e em 1931 é proclamada a Segunda Republica Espanhola sob o governo de Niceto Alcalá Zamora, pondo fim a uma longa história monarquista apoiada no poder da Igreja Católica, do Latifúndio e do Exército. A Esquerda Espanhola que sobe ao poder é formada por um saco de gatos que reúne socialistas, comunistas stalinistas, trotsquistas, anarquistas, sindicalistas e autonomistas catalãs, galegos e bascos. A Direita, por sua vez, reunia os latifundiários, monarquistas, tradicionalistas e os fascistas da Falange Espanhola. A tensa convivência entre os dois lados estava, na minha humilde opinião, coberta pela inocência racional da esquerda, exemplificada na Constituição do Partido de Esquerda Republicana, onde Manuel Azaña escreve: “Me espanta que a Espanha possa ser um país convulsionado. Isso é um fracasso político. Mas será assim. Querem nos varrer da face da política espanhola. Que vamos invocar frente a essa idéia? Simplesmente a necessidade que se fundamenta na paz, na liberdade, na justiça e na ordem, o que não vem das mãos do carrasco, mas do respeito ao regime de igualdade”. Ler isso depois da própria Guerra Civil Espanhola, da II Guerra Mundial, com as atrocidades nazistas, e mesmo dos horrores dos EUA no Oriente, soa como uma grande utopia futurista, comparada apenas às imagens espirituais da Nova Era que há de vir. É interessante notar que a peça “Bodas de Sangue”, de Federico Garcia Lorca, estréia exatamente na época da proclamação da República, mostrando como a sensibilidade artística já era capaz de prever toda a dor irracional, sofrimento e paixão que estavam prontos para explodir no inconsciente. Falangistas e anarquistas passam a se atacar passionalmente, como só os espanhóis são capazes, e o clima de turbulência cresce agravado pelos problemas econômicos mundiais. Então surge o “Generalíssimo” Franco colocando o exército contra o governo republicano e as milícias anarquistas e comunistas para combatê-lo. Começa a Guerra Civil Espanhola com uma matança generalizada, onde religiosos e donos de terra eram fuzilados do lado republicano e professores e sindicalistas do lado militar nacionalista. A Espanha é dividida em dois e o mundo também: fascistas e nazistas de Portugal, Itália e Alemanha irão apoiar militarmente Franco, e Stalin coloca a Rússia ao lado dos Republicanos. França e Inglaterra se colocam suiçamente neutros. Nas áreas republicanas as terras foram coletivizadas, as fábricas dominadas pelos sindicatos, assim como os meios de comunicação. Em algumas localidades, os anarquistas chegaram até a abolir o dinheiro. Milhares de voluntários esquerdistas e comunistas vieram de todas as partes (53 nacionalidades) para formar as Brigadas Internacionais, com 38 mil homens, para lutar pela defesa da República. A Guerra Civil Espanhola se torna a catalisadora de toda a tensão que paira no mundo, com a disputa entre o nazi-fascismo e o comunismo que buscam se afirmar como os caminhos “corretos” para a Humanidade. Stalin, porém, se assusta – para usar um termo educado - com a radicalização dos anarquistas e trotsquistas, e orienta o PC espanhol a suprimir essa parte da milícia. Esquerda dividida, a superioridade militar dos nacionalistas vence a Guerra, e em 1º de abril de 1939 a Guerra Civil Espanhola termina e o General Franco se torna ditador na Espanha. Plutão então vai para Leão e se inicia a II Guerra Mundial.

Câncer, o signo mais sensível do sensível elemento água, mostrou sua face mais sangrenta e criativa durante o trânsito de Plutão. A Humanidade perdeu a inocência de achar que bons sentimentos são suficientes para criar novas realidades. Perdemos nossa inocência infantil para adquirir responsabilidade sobre nossos sonhos. Em 2008 Plutão entrará em Capricórnio, o signo oposto de Câncer e o mais realista dos realistas signos de Terra. Com certeza estaremos presenciando a verdade escondida atrás das realidades que construímos para nos proteger. Quem viver, verá.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Viagem no Tempo com Plutão I - O Inicio da Saga


“Quando Plutão foi descoberto, havia no inconsciente ou no inconsciente coletivo uma atmosfera apocalíptica dos eventos estranhos, incontroláveis que saltavam por toda parte, forçando todos a comprimir-se e perguntar se estavam sonhando, ou se algo muito estranho tinha começado preferivelmente na maneira do mundo. Sempre desde esse tempo, muitos povos têm-se forçado para crescer se acostumado com este sabor apocalíptico em eventos contemporâneos”. Elias Lonsdale


No momento em que um planeta é avistado uma nova forma de consciência está sendo aberta para a humanidade. Plutão foi visto pela primeira vez em janeiro de 1930 na constelação de Câncer, ou seja, precedido pela crise da bolsa de Nova York de 1929 e ao mesmo tempo em que os 107 deputados nazistas eram eleitos na Alemanha. Nesse período tomamos consciência de todo o horror que envolve uma guerra, de toda a crueldade e obstinação cega que os seres humanos são capazes. Não que guerras e genocídios não fossem praticados antes – a própria Bíblia está cheia de guerras sangrentas –, mas é a primeira vez que isso é olhado sem as coberturas divinas ou culturais que as justificavam.
Como o ciclo completo de Plutão dura 248 anos, ainda não vimos tudo que ele tem a nos dizer, mas podemos olhar para o passado e para a nossa história e ver, com os olhos abertos por esse planeta, o que estava acontecendo enquanto ele passeava escondido pelo zodíaco. Quando olhamos para o céu estamos olhando para o passado, e a melhor maneira de aprender astrologia é olhando para o que passou para tentar intuir o que está acontecendo.

Plutão em Áries – cerca de 30 anos (de 1823 a 1853)
Áries é o signo da busca pela individualidade, que precisa de liberdade para sua ardente exploração dos recursos pessoais. O lado escuro de um signo é representado por aquilo que ele nega do signo oposto/complementar, que nesse caso é Libra. A sombra ariana surge quando a sua luta por expressão individual não considera o direito dos outros por essa mesma liberdade. Quando Plutão passou por Áries, muitas das lutas por afirmação de identidade dos países estavam sendo traçadas. Processos plutônicos fazem com que algo morra para nunca mais, e as individualidades conquistadas pelas nações ocidentais nesse momento histórico eliminaram definitivamente as identidades anteriores e ainda hoje fazem parte das nossas crenças sobre nação e raça. Para não me estender muito, coloco apenas alguns fatos significativos do início desse trânsito que dão uma boa idéia sobre o que isso significa.
O monarca espanhol Fernando VII, ameaçado por um levante liberal, tratou de se socorrer junto à Santa Aliança, associação reacionária estabelecida em 1815 para tentar garantir as prerrogativas das dinastias soberanas da Europa, que estavam acima dos Direitos dos Povos (princípio defendido pela Revolução Francesa). Em 1823 a Espanha é ocupada em nome da coligação legitimista dos soberanos europeus e Fernando VII recuperou seu trono e o poder graças às forças enviadas do exterior em seu amparo. A euforia reacionária estimula a Espanha a retomar suas colônias americanas, então em franca rebelião contra a metrópole. Foi nesse clima de ameaça da retomada de uma política de recolonização forçada e de brutais represálias contra os líderes do Novo Mundo, que o então presidente dos Estados Unidos, James Monroe, enviou ao Congresso americano uma mensagem que se consagrou como a Doutrina Monroe, onde os EUA opunham-se à coligação conservadora dos monarcas europeus. É de 1823 também a aprovação pelo Congresso norte-americano da Doutrina Monroe. Ela tornou-se a base das relações dos Estados Unidos para com o mundo daquela época e continua a nortear sua relação para com os seus vizinhos ainda hoje, colocando esse país como protetor das nações latino-americanas recém-emancipadas e servindo como pretexto para os mais variados intervencionismos norte-americanos. A mensagem era uma advertência às potências européias no sentido de que não tentassem reativar o domínio colonial sobre o continente, nem interferissem nos princípios republicanos do processo de emancipação: o Novo Mundo estava fechado a toda futura subordinação à Europa sob o comando americano. Até hoje os Estados Unidos carregam obsessivamente essa sombra ariana, que lhe dá super poderes capazes de intervir em qualquer nação que abrigue o “Mau” e ameace suas crenças de soberania e o que eles chamam de democracia.
É muito interessante olhar para o Brasil dessa época através dos olhos de Plutão para ver como foram as nossas lutas por individualidade enquanto nação. É de maio de 1823 o início dos trabalhos da nossa primeira Assembléia Constituinte, depois do Grito de Independência ou Morte (quer coisa mais ariana?) de D. Pedro I, em setembro de 1822. Mas como pensar num processo emancipatório feito pelo filho do monarca da Metrópole e que ainda por cima conseguiu ser coroado como Imperador? O opositor de maior peso contra D. Pedro I era o mais convicto dos monarquistas, José Bonifácio, que também era o incentivador para que colégios e Universidades fossem construídos em terras Tupiniquins, criando certa autonomia intelectual por aqui. Confuso? Não se pensarmos na idéia sombria de que a minha autonomia é o melhor para o resto da Humanidade, e a identidade brasileira estava sendo construída por portugueses, que queriam se livrar dos problemas com Portugal mantendo os privilégios dos europeus colonizadores. A justificativa para toda essa confusão estava na idéia de “manutenção da unidade nacional”, já que essa “unidade” arbitrária era dada exatamente pela colonização. Uma frase ótima dos radicais da emancipação: “a natureza não fez satélites maiores que planetas". Essa é a nossa construção de identidade nacional: somos um país grande e isso nos dá o direito de dizer que somos um grande país. Em nome disso muitos massacres e horrores foram cometidos, muitos direitos desrespeitados. Plutão em Áries ajudou a contruir individualidades, mas não poupou ninguém da sombra.
Só para acrescentar algo para se pensar, e tentando não me prolongar muito mais, a primeira publicação do Manifesto Comunista também é desse período, quando o espectro do Comunismo foi detectado rondando a Europa.


Plutão em Touro – cerca de 32 anos - de 1852 a 1884.
Touro é um signo ligado ao simbolismo da segurança, da estabilidade e do prazer da matéria. Sua sombra, representada por Escorpião, é a negação de que coisas devem morrer para que outras surjam, gerando uma possessividade que leva à estagnação. Por isso dizemos que Plutão em Touro está exilado. Quando se pesquisa esse período o primeiro que se vê é o que não acontece. Pessoas nasceram e morreram, governos subiram e desceram, mas as transformações, as lutas por mudanças, sempre enfrentam uma resistência que parece intransponível. É significativo notar que Vicent van Gogh nasce no início desse trânsito, em 30 de março de 1853, e Benito Mussoline no seu final, a 29 de julho de 1883. O que temos aqui são movimentos conservadores se cristalizando, apesar das várias correntes de pensamentos libertadores, ligados ao Iluminismo, que tentam se afirmar.
No Brasil esse é o período em que temos pensadores geniais como Joaquim Nabuco e eruditos como Rui Barbosa, mas também é o tempo do Ministério da Conciliação, formado por conservadores e liberais que tinham como único ponto comum serem a favor da escravidão. Graças a essa estabilidade e harmonia, tivemos a mais longa experiência parlamentar da nossa história, que durou 42 anos, e muito da infra-estrutura básica que necessitávamos pode ser construída.
Outro fato que ocorre reforçando essa idéia de conservação do status quo, foi a Criação da Índia Britânica em 1858, que apóia e reforça o poder tradicional dos Marajás indianos em seu governo autocrático.
È também desse período o primeiro movimento de independência de Cuba contra a Espanha, a chamada Grande Guerra, que durou de 1868 até 1878, conduzida por Carlos Manuel Céspedes, um latifundiários educado na Europa que defendia os princípios liberais do Iluminismo. Em 10 de outubro de 1868, à frente de duzentos homens, Céspedes levantou-se contra o governo espanhol, proclamando a independência de Cuba. Uma das primeiras providências de seu governo foi dar liberdade a todos os escravos que se unissem ao exército revolucionário. Como resultado imediato, seu exército passou a ter doze mil homens e todos os demais latifundiários, que se viram sem sua mão-de-obra, se tornaram oposição. A Espanha mandou suas tropas para a ilha, e depuseram Céspedes em 1873. A resistência ainda prolongou-se até 1878, quando as tropas espanholas retomaram definitivamente o controle da ilha.
A transformação mais significativa desse período é a abolição da escravatura nos Estados Unidos, mas para isso foi necessário uma Guerra Civil que durou 5 anos. Em 1861 sobe à presidência Abraham Lincoln, um ano depois de ter sido criado o Serviço Secreto americano, e no ano seguinte os estados do sul começam a declarar independência. Depois de todo um mandato, tendo sido reeleito e conseguido aprovar no Congresso a emenda que declara a ilegalidade da escravidão, Lincoln é assassinado antes de ver o fim da Guerra Civil, que acontece em 1866.
O que me parece é que toda a necessidade de mudança e frustração desse período foi se acumulando no porão da História para explodir no período seguinte.


Plutão em Gêmeos – cerca de 20 anos - de 1884 a 1914
Gêmeos é o signo da informação e da comunicação, e sua sombra, representada por Sagitário, fala do sentido que é dado para tantas informações. O saber é capaz de criar ideologias, crenças e verdades que justifiquem qualquer ação, e aí vemos como o pensar e o agir podem se unir para criar coisas maravilhosas e terríveis. Aqui a minha dificuldade foi exatamente estar separando tantas informações e acontecimento: esse período foi uma loucura!
A primeira coisa significativa aqui é a entrada em vigor em 1884, no Brasil e na Europa, da convenção de Paris da WIPO - World Intellectual Property Organization – que estabelece a propriedade intelectual, e que durante esse período se espalha pelo mundo. O saber começa a ter um poder diferente, e também existe um grande intercâmbio entre escritores de literatura e a política. Fatos pitorescos como, no Brasil, Machado de Assis ser acusado de monarquista ao mesmo tempo em que é publicado em jornal o Manifesto Monarquista, são comuns. Jose Martí, que é poeta e também mártir da independência de Cuba da Espanha, tem seu texto “La verdad sobre Estados Unidos”, que elogia esse país, publicado um pouco antes da Guerra entre EUA e Espanha. O resultado dessa libertação política da Espanha é a submissão econômica cruel de Cuba ao seu libertador.
A geração nascida nesse período também terá muito a dizer no século XX. No Brasil temos os nascimentos de Castelo Branco em 1897, de Costa e Silva em 1902, Geisel em 1908, e também os nascimentos de Luis Carlos Prestes em 1898, de Juscelino Kubitschek em 1902, de Tancredo Neves em 1910 e Carlos Marighella em 1911. Os nascimentos pelo mundo também são dessa ordem, pertencendo a essa geração de Plutão em Gêmeos: Alfred Rosenberg, líder intelectual do Partido Nazista e Mao Tse Tung, César Augusto Sandino, libertador da Nicarágura, e Fulgêncio Batista, ditador de Cuba, o ditador haitiano Papa Doc e o presidente chileno Salvador Allende. Nos Estados Unidos os presidentes Lyndon Johnson, Richard Nixon e Ronald Reagan formam parte dessa geração.
Em 1884 começam a vir para o Brasil os imigrantes trabalhadores, diferentes dos que vieram antes estabelecer colônias agrícolas. Eles vinham para substituir a mão de obra escrava, mas como não estavam acostumados à exploração do trabalho pelos senhores de fazenda, acabavam fugindo para os centros urbanos. Durante o trânsito de Plutão por Gêmeos, cerca de 3 milhões de italianos, espanhóis e portugueses trouxeram os pensamentos anarquistas e comunistas de luta de classes e união de trabalhadores para um país que relutantemente havia abolido a escravatura a apenas alguns anos e se transformará em República apenas em 1889. Esse é um período da nossa história onde a miscigenação cultural e ideológica gera movimentos rebeldes e conservadores por todo o país. Aliás, por todo o mundo.
No Azerbaidjão os petroleiros entram em greve e o Arcebispado de Zaragoza, Espanha, lança um boletim que orienta párocos a fundar Sindicatos Agrícolas. As mulheres ganham o direito de votar na Finlândia, e o movimento sufragista se espalha pelo mundo. No período em que Plutão esteve em Gêmeos, as idéias ganharam força e foram ao mundo criando novas maneiras de estar nele. Ateus criaram religiões políticas e religiosos resolveram trazer o Reino de Deus à terra através dos humildes. Idéias se bateram e debateram na certeza de que cada um tinha encontrado a verdade e valia a pena lutar por isso.
Para fechar, sem pensar em terminar o assunto, Freud publica a Interpretação dos Sonhos em 1899, dando início oficial à psicanálise e seu método de cura pela fala. A epígrafe desse livro é da Eneida de Vigílio: “Se não posso dobrar os poderes superiores, moverei as regiões infernais”. Estudando esse período com Plutão, podemos ver que as palavras realmente têm esse poder.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

PLUTÃO



Vamos começar falando de mais essa polêmica que algumas pessoas gostam de fazer entre astronomia e astrologia. Em 2006 a União Astronômica Internacional resolveu mudar a sua classificação de corpos celestes acrescentando a categoria “Planeta Anão” a ela. O que diferencia um planeta de um planeta anão é que nesse último “a vizinhança ao longo de sua órbita não é limpa de outros objetos celestes”. Ponto. Como depois de Netuno existe uma série de objetos celestes de difícil definição astronômica e que penetram na órbita de Plutão, resolveram chama-lo de planeta anão. Se você quiser saber mais sobre essas definições e resoluções, vá ao link http://www.astronomy2006.com/press-release-24-8-2006-2.php que fala do encontro em Praga onde se apresentaram essas definições e tem uma série de outros links para pesquisar.

A palavra planeta vem do grego planetés, que quer dizer errante, e foi como se começou a definir os corpos de luz que passeavam pelo céu. Astrologicamente essa definição continua válida, portanto aqui nada mudou com relação a Plutão: ele ainda tem uma rotação de 6,4 dias e uma translação de 248 anos, rege Escorpião, tem exílio em Touro, exaltação em Sagitário e queda em Gêmeos. Mas não é a toa que os astrônomos têm dificuldades para classificá-lo, pois seu movimento é absolutamente irregular, e, por sua órbita ser elíptica e estar tão distante do Sol, ele fica em Escorpião +/- 18 anos, e cerca de 30 anos em Touro, além de ter momentos em que está mais próximo da Terra do que Netuno, como ocorreu entre 1979 e 1989. Esse é um planeta realmente desconcertante em sua peregrinação ao redor do Sol. Bem, astrologicamente falando, ele também não é nada fácil.

Plutão, quer dizer “riquezas”, o que é a maneira educada usada pelos romanos para designar o senhor das profundezas para onde iam os mortos. Ésquilo o apresenta como: “Hades, o deus da morte, (que) preside o julgamento/ sobre as ações de um homem depois que ele morre./ O deus da morte, Hades, não se esquecerá das matanças e das dívidas de sangue”. Quando falamos de Plutão em astrologia o mais comum é usarmos as palavras “transformação” e “crise”, que também são maneiras educadas com jeito de profunda intenção espiritual ou psicológica, mas que não chegam a explicar realmente o que acontece ao se vivenciar algum aspecto desafiador ou trânsito/progressão difícil dele. Com esse deus tudo fica muito vago ou meramente intelectual para se falar do sofrimento envolvido em seus processos. A idéia de “sofrimento necessário” também não ajuda muito, já que os sentimentos mais comuns que ele gera são raiva e impotência. Aqui se trata de descobrir o que mantêm a vida quando a vontade pessoal não tem mais condições de fazer suas escolhas habituais e o discernimento não pode poupar o sofrimento, apenas evitar que ele seja completamente irracional. Os nossos sentimentos cotidianos não estão de acordo com a lei implacável de Plutão, e é bem difícil simplesmente assistir a toda perda e desintegração que ele gera.

Na mitologia, Hades vêm à superfície em duas ocasiões apenas: quando adoece e quando se apaixona. Paixão vem do latim passione, e quer dizer sofrimento. Daí a Paixão de Cristo ou dos Santos martirizados. É a paixão que aparece na literatura do movimento romântico, e seus finais são sempre trágicos. Esse sofrimento excessivo e afeto violento, que surge como uma alucinação ou um vício dominador, causador de mágoas profundas, aparece em nossas vidas como algo do Destino. Morte e paixão, os dois escudeiros desse deus, deixam mudanças irrevogáveis atrás de si, seja num nível físico ou psíquico, e o que findou não pode ser reposto de novo: “Às vezes pode-se ter a impressão de que a lei do destino concede algum bem positivo aos homens; no entanto, do conjunto de suas funções, não pode haver dúvida de que seu caráter não é positivo e sim negativo. Ela estabelece uma fronteira para limitar a duração, uma catástrofe para limitar a prosperidade, a morte para limitar a vida. Catástrofe, cessação, limitação, todas as formas ‘até aqui e não mais além’, são formas de morte (...), e a morte é ela própria o sentido primordial do destino. Sempre que o nome de Moira é pronunciado, o primeiro pensamento que surge é o da morte, e é na inevitabilidade da morte que a idéia de Moira está enraizada.” (cit. in A Astrologia do Destino - Greene, Liz – 1989: 43 - Otto, W.F. - “Os Deuses Homéricos”).

A casa onde encontramos Plutão em um horóscopo torna-se o lugar em que se tem de lidar com as limitações da natureza punitiva, associada à Ananque grega, a deusa da Necessidade. Os confrontos com o poder e a impotência, a perda e o desejo frustrado, mais a cura virtual que advém da aceitação da Necessidade, são características de Plutão em qualquer área da vida. Ananque significa um vínculo fisicamente opressivo de servidão a um poder inevitável. Os relacionamentos familiares e os laços que mantemos em nossos mundos pessoais são modos pelos quais vivenciamos a força da Necessidade, e nossas tentativas para nos livrarmos de obrigações pessoais são tentativas de escapar ao círculo fechado de Ananque. Quando se discute as várias posições de Plutão no mapa astral, o método psicológico de trazer elementos do inconsciente para a consciência não faz tanta diferença, mas se consegue interiorizar o dilema de modo a que esse deus não seja mais encontrado tão cegamente nas pessoas e nos acontecimentos exteriores. Quando desenterramos as experiências básicas que formaram a teia de dependência com relação ao passado, liberando uma sensação de significado, o destino não desaparece, mas a compulsão de busca das raízes de um problema acaba introduzindo a pessoa à realidade da Moira e das Erínias, que comandam o Destino. Isso quer dizer que, uma vez que se tenha ido até o fundo do poço, contatado os ultrajes, rancores, dores, venenos, separações e mágoas pessoais de infância, tendo-os expresso e inclusive perdoadoando-os, existe ainda o próprio poço: se se está preso a um destino e a cobertura da mãe e do pai, das condições e condicionamentos de infância, dos ensinamentos morais incutidos, etc., são retirados, já não será possível disfarçar a rígida e premeditada natureza da corrente que nos move.

Não se pode evitar ou escapar de uma força dessas. Atena, para proteger Orestes, consegue abrandar a cólera das Erínias concedendo-lhes um lugar de honra na hierarquia divina, ouvindo-as, sendo receptiva e aguardando sem julgamento. Essa parece ser a melhor maneira de se lidar com os processos de Plutão. Ele irá destruir velhos padrões para que se assuma a responsabilidade pela própria vida, fazendo com que os alicerces despenquem sobre nossas cabeças. Plutão não nos persuade a mudar, se assegura de que chegaremos lá, eliminando drasticamente as velhas formas até que não reste nada, ordenando que um velho ciclo termine e um outro comece, não nos deixando nenhuma escolha entre mudar ou morrer. Onde Plutão monta seu altar no mapa os acontecimentos não são fáceis, principalmente por que o ego - isolado e cheio de hibris - não está interessado em supervisionar sua própria destruição. Quando a onipotência do ego e da vontade pessoal é posto à prova dessa maneira, ficamos com medo de sermos destruídos e, de acordo com isso, tentamos nos proteger controlando cruel e deslealmente tudo que ocorre na casa de Plutão, sem saber que quanto mais compulsivos e obsessivos ficamos, mais força damos a essa misteriosa corrente, maior que nós mesmos, nos tornando catalisadores de nossa própria morte.