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terça-feira, 2 de setembro de 2008

As Deusas - Mitos Para Virgem

Assim como Buda tem seu nascimento colocado durante o trajeto do Sol em Touro e Jesus Cristo em Capricórnio, o Avathar com o Sol em Virgem é a Virgem Maria, que tem seu nascimento comemorado dia 8 de setembro. O elemento Terra é aquele que concretiza, que traz para o plano material, e por isso esses seres iluminados são representados por esses signos. Mas enquanto Buda e Jesus Cristo têm que passar por um longo processo para se iluminarem, Maria é “concebida sem pecado” e se “eleva aos céus” no fim da sua vida, sem ter que passar pela morte. A missão de Maria é trazer Deus ao mundo, servindo de veículo ao Deus que quer se materializar. No capítulo 12 do Apocalipse de São João, a luta final entre o Bem e o Mal é representado por uma “mulher vestida com o Sol e com a Lua debaixo de seus pés“, com uma coroa de 12 estrelas que envolve sua cabeça. Ela está grávida daquele que “regerá o mundo com cedro de ferro”, e que tenta escapar de um dragão com 7 cabeças, 10 chifres e 7 diademas sobre as cabeças. A mulher e a criança são perseguidos pelo dragão que, em uma batalha cósmica, é finalmente vencido pelos anjos de Miguel. A criança foi levada para o céu logo após o nascimento, enquanto a mãe encontrou abrigo no deserto. Não cabe aqui analisar toda a simbologia astrológica que envolve essas - e outras - passagens do Apocalipse, mas interpretações antigas do signo de Virgem o colocam como “parteira do Cosmos”, que dá à luz o redentor divino, se reportando à história da Isis Egípcia, que também possuía o título de Rainha do Céu (Regina Caeli), como Nossa Senhora, e através dessa associação essa luta fica muito mais clara. A representação de Isis sentada em seu trono tendo seu filho Horus no colo também serviu de modelo para as posteriores representações icnográficas de Maria como o “trono” de Jesus menino. Os mitos associados ao signo de Virgem remontam a uma consciência muito antiga do Ser Humano, e resurgem de tempos em tempos com novas roupagens.
Como se pode notar, a simbologia ligada a Virgem é mais complexa do que a simplificação superficial se vê nos almanaques astrológicos. As representações mais antigas desse signo estão associadas à Mãe Terra, às Grandes Deusas pré helênicas, de seios fartos ou muitos seios, bem distantes da idéia de castidade distorcida posteriormente. Na verdade, o conceito de virgindade não está ligado à castidade sexual e sim ao controle que mantêm intacto. Um bom exemplo disso é a estátua de Ártemis de Eféso, com cinqüenta seios, mostrando a deusa virgem como símbolo de fertilidade, como aquela que nutre. Antes da invasão patriarcal helênica, a Deusa Mãe Virgem era aquela que não tinha seus poderes e sua posição ligados a nenhum consorte, pois ela reinava sozinha oferecendo sua feminilidade a quem escolhesse: ela era esposa da vida. Dessas deusas maternais ligadas à Terra, Deméter foi a única que conseguiu sobreviver na Antigüidade, graças à ligação que o mito, seu e de sua filha Core, tinha com os Mistérios de Eleusis. Divindade da colheita, a filha de Crono-Saturno e Réia é essencialmente a deusa virgem do trigo, e seria a responsável pelo conhecimento que o homem adquiriu para cultivá-lo, colhê-lo e fabricar o pão. Os segredos e significados mais profundos dos Mistérios de Eleusis acabaram se perdendo, mas sabemos que seus iniciados buscavam a possibilidade de, ao morrer, descer ao Hades sem perder a memória, que, para os gregos, é a alma do Homem, e sem a qual ele se torna um eídola, um fantasma. Os virginianos, normalmente, possuem duas características básicas que podemos ver nesses fragmentos: uma independência desconcertante e uma memória significativa. Assim, é comum vermos pessoas com forte presença desse signo capazes de permanecer independentes mesmo quando casados, e que esquecem seu nome, mas não esquecem a história que você contou sobre o enterro do seu cachorrinho na infância. As vestais, sacerdotisas da deusa Vesta, senhora da fecundidade e da reprodução feminina, nos dá outra pista desse signo: elas eram conhecidas como prostitutas sagradas e eram designadas pelo termo “virgem”, em seu sentido original, pois não podiam se casar e, comprometidas com o serviço à deusa, tinham sua feminilidade dedicada ao propósito superior de trazer o poder fertilizador da deusa para o contato efetivo com a vida dos seres humanos. Nas estatísticas de Gauquelin, as prostitutas têm grande incidência de Virgem, seja através do Sol, do Ascendente ou da Lua. Partindo desses dados poderemos entender o que nos diz o mito de Deméter e sua filha Core/Perséfone, denominadas nos Mistérios de Eleusis simplesmente as Deusas
A deusa da colheita tinha uma filha de Zeus chamada Core, ou seja “a eternamente jovem”, que, mesmo depois de adulta, vivia como uma menina, inocente e feliz. Seu tio Hades/Plutão a vê e a deseja, raptando Core quando ela se aproxima de um narciso colocado na beira do abismo por seu pai Zeus. Deméter corre ao encontro da filha quando ouve seu grito, mas não encontra ninguém e se desespera, passando a vagar pela Terra em busca da filha. Hélio, o condutor do sol, que sabe de tudo que se passava sobre a Terra, compadecido da pobre e desesperada mãe, conta-lhe sobre a rapto feito por Hades e da ajuda que esse recebeu de Zeus. Magoada e se sentindo traída, Deméter se refugia em um de seus templos e abdica de suas funções divinas, enquanto não devolvessem sua filha. Com isso a Terra perde sua vegetação, as colheitas se interrompem e o equilíbrio das estações acaba, gerando a fome entre os Homens. Zeus manda uma série de mensageiros à Deméter pedindo a ela que voltasse ao Olimpo, mas a deusa se recusava a voltar a conviver com os imortais e a permitir que vegetação crescesse. Vendo que a ordem do mundo estava em perigo, Zeus ordena que seu irmão Hades devolvesse Core. O senhor dos mortos tem que se curvar à vontade soberana do irmão, mas antes faz com que sua amada coma uma semente de romã - símbolo da sedução e da fertilidade -, e com isso a transforma em Perséfone, sua esposa e rainha, o que a obriga a ter que voltar para seus braços. É feito, então, um acordo, onde Perséfone passaria quatro meses com o esposo e oito com a mãe. Reencontrada a filha, Deméter retorna ao Olimpo e a Terra volta a florir. Antes de regressar, porém, as deusas ensinam seus mais profundos segredos ao rei Céleo e seus filhos, que abrigaram Deméter no templo construído em sua homenagem, nascendo, assim, os Mistérios de Eleusis.
O virginiano, homem ou mulher, vive uma relação complexa consigo, dominada principalmente pela figura materna, pois, logo que nasce, tem uma sensibilidade inconsciente para a relação corporal dessa mãe, em uma fase difícil fisicamente, cheio de mudanças, desgostos e depressões. Isso acaba por cindir profundamente esse signo, pois a forte sensualidade típica dos signos de Terra é bloqueada por uma sensação de inadequação. Como resultado, Virgem desenvolve uma racionalização que o afasta das vivências corporais, tentando, com isso, se manter imune aos apelos da vida. Com isso ele acaba dificultando o amadurecimento da sua sexualidade e de seu emocional, sendo comum encontrarmos pessoas adultas desse signo com um raciocínio brilhante, um físico saudável, mas com uma inocência de adolescente no campo afetivo. É desconcertante quando vemos essa criança que tem medo da vida por baixo da máscara adulta racional de Virgem. Mas sempre chega um momento do destino desse signo em que a vida, como Hades, irrompe do abismo e o obriga a enfrentar a experiência vital de forma mais plena, pois, assim como Core tem que se transformar em Perséfone, o virginiano tem que amadurecer plenamente para ser o adulto autônomo que almeja. O custo da recusa de crescimento geralmente é uma fase desértica que esse signo tem que passar, onde as coisas perdem o sentido e a capacidade de criar parece ter desaparecido. Podemos observar que homens e mulheres com forte influência de Virgem passam por três fases de amadurecimento: na primeira mantêm-se distantes da própria capacidade de amar e viver, tendo como pano de fundo um alto grau de crítica e de afastamento das próprias sensações corpóreas que fazem com que a pessoa duvide de si mesma e se incline para relações do tipo “muito trabalho e pouca paga” - seja na área profissional ou emocional-afetiva; a força da deusa, porém, pressiona por manifestar-se, levando esse signo a vivenciar o que Freitas chama de “papel da Sereia”, quando acaba se envolvendo num ritual narcísico de sedução em que o amor se confunde com desejo e não se consegue diferenciar a sua capacidade de amar do desejo que tem de que os outros o satisfaçam - por isso a analogia com as Sereias, seres míticos com corpo de mulher e rabo de peixe que passavam a vida a se olhar no espelho e a cantar para seduzir os viajantes, que acabavam morrendo nos rochedos na tentativa de amá-las; o amadurecimento virginiano virá quando houver coragem para passar pela terceira fase, onde entra em cena a sacerdotisa a serviço da Deusa, capaz de vivenciar a sexualidade e o instinto como coisas sagradas e cuja experiência é inestimável. Só aí Virgem conseguirá desempenhar seu verdadeiro papel de “parteira Cósmica” e fecundadora, apresentando-se como Ishtar (deusa Babilônica análoga a Deméter/Perséfone): “Uma prostituta compassiva eu sou”, pois compaixão é a verdadeira força de purificação que percorre esse signo, e é o que Virgem descobre ao se transformar em Perséfone. Aí sim ele conseguirá, em suas tentativas de ordenar e sintetizar o mundo, fazer a transmutação alquímica da vida. E a vida, se descobrirá no afinal das contas, é ele mesmo.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Virgem, O Purificador Do Zodíaco


“Eu sei que se tocasse
Com a mão aquele canto do quadro
Onde um amarelo arde
Me queimaria nele
Ou teria manchado para sempre de delírio
A ponta dos dedos.”

Ferreira Gullar - Poeta virginiano

Virgem e Escorpião são os signos que receberam mais rótulos errôneos em suas definições. Uma delas é de que virginianos são perfeccionistas, mas perfeição é uma idéia, portanto uma motivação de Ar. Esse é o signo de Terra Mutável, regido por Mercúrio e exílio de Netuno, onde Urano se exalta e a Lua está em queda. Essa regência mercuriana e exaltação uraniana mostram que esse é um signo que se dá bem com idéias e ideais, mas a queda lunar e o exílio netuniano mostram também que ele está bem longe de se sentir confortável com coisas muito emocionais ou nebulosas. Você conhece a piada do virginiano e do pisciano que encontram um bêbado sofrendo na sarjeta? Os dois sentem a mesma compaixão, mas o pisciano vai sentar com o bêbado e chorar junto, enquanto o virginiano vai encher o pobre coitado de livros de auto ajuda. Virgem aceita a realidade mundana como ela é como seus irmãos terráqueos, Touro e Capricórnio, o que nenhum perfeccionista jamais aceitou. Detalhista seria uma melhor palavra para definir esse signo. Ouço muitas pessoas - inclusive virginianos - reclamando desse gosto por detalhes, que teoricamente faz as pessoas desse signo perderem a noção do todo. Isso também não é uma verdade a priori, apesar de ser um risco real para muitos. Virgem adora detalhes, e isso significa que ele verá a beleza e a delicadeza do pequeno brinco que você está usando ou a elegância do seu discreto prendedor de gravatas, mas também que você saiu de casa sem passar a camisa direito ou que você comeu algo com molho, pela pequena mancha em sua roupa. Mas ele não irá julgá-lo nem pelo brinco nem pela mancha na roupa. Parece que Virgem olha para o mundo como se ele fosse um grande quebra-cabeças, e para encontrar os encaixes é necessário estar atento aos detalhes. Esse é a razão também da incrível memória desse signo. Outra coisa que os manuais astrológicos gostam de dizer é que Virgem tem mania de limpeza, quando temos muitos virginianos capazes de deixar a louça de uma semana sobre a pia e os móveis cheios de pó, enquanto estão tentando resolver alguma questão interna. É verdade que uma casa organizada, uma conta bancária equilibrada e uma cozinha limpa podem fazer um virginiano rir à toa, mas essa não é sua motivação básica. A energia fundamental de Virgem está em sua busca por discriminação. Assim como Sagitário, que tem sua energia impulsionando-o para o conhecimento do Homem, acaba se tornando um viajante ou um professor, por exemplo, o virginiano, em busca da discriminação das coisas, acaba se tornando um organizador.
Ninguém discrimina mais do que Virgem, e isso quer dizer que um simples “sim” ou um simples “não” não serão suficientes, pois esse universo preto ou branco é simples demais, e para esse signo raramente as coisas são simples. Alguns astrólogos colocam Virgem como o guardião e purificador do zodíaco, pois ele busca a síntese e a ordem que criam a consciência. Isso pode ser observado no discernimento com que ele faz suas escolhas, seja de amigos, amores, comida, idéias ou sonhos. Síntese é outra palavra chave para entender Virgem, pois ele está sempre tentando juntar coisas que parecem diferentes, compatibilizando fatos, idéias e aspectos da vida que a maioria poderia considerar excludentes. Tanto a compulsão quanto a doação virginianas residem nessa necessidade de síntese. Tudo tem que se ajustar, combinar, e isso implica em descobrir onde as coisas se encaixam, o que Virgem tenta dando nomes, aprendendo, catalogando, classificando. Mercúrio dá a Virgem, como a Gêmeos, um grande interesse pelo conhecimento e pela comunicação, mas enquanto Gêmeos gosta de saber de tudo um pouco só pelo prazer de saber, para Virgem o conhecimento tem que ser útil, e isso pode torná-lo arrogante e até intratável. A cada nova experiência ele vai se perguntar como sintetizá-la, para poder manejá-la, e depois como utilizá-la. Se não consegue alcançar a síntese ou ele dirá que ela não existe ou sairá correndo atrás de nomes e definições que a classifiquem. Se ele não consegue utilizá-la, a descartará como algo que não é prático. Isso pode ser bem triste, quando o virginiano resolve deixar de lado pessoas, idéias, carreiras ou outras coisas relacionadas à beleza e até ao amor por achar que não são aplicáveis àquilo que considera a realidade. Aí sim Virgem se transforma naquele tipo para quem a vida é só trabalho e tarefas maçantes, passando o dia a limpar cinzeiros, vendo o mundo com olhos cínicos e doentios. Quando encontrar um virginiano assim, você pode chorar.
Observando pessoas com forte presença em Virgem vemos que algumas delas podem até se mostrar obsessivas em sua necessidade de ordem e limpeza externas, mas todas têm uma tendência muito mais forte a ser obsessivos em sua ordem e limpeza emocionais. Isso pode transformá-los em grandes controladores de si mesmos, que nunca deixam transparecer sua fraqueza ou carência, e os torna muito sensíveis a críticas. O mesmo impulso que se externaliza com um ataque histérico se a camisa azul está no lugar das vermelhas, faz com que essa criatura analise tudo freneticamente para que não transpareça nenhum ferimento psíquico ou emoção “fora do lugar”. Esse impulso pode ser chamado de medo do caos. Virgem tem uma consciência profunda de todo o caos, desordem, sensibilidade emocional, romantismo e imaginação que sua alma abriga, mas acha que tem de lutar contra isso para poder tolerar a incerteza e a vacuidade das pessoas e do mundo que o rodeia. Por isso Virgem pode ser muito duro e rude - não há signo mais disposto a falar “não” - pois essa é a forma que tem para se proteger do mundo, assim como sua insistente compulsão em se ligar à realidade prática ajuda-o a fugir do que é místico em sua alma. Ele sabe que sem fronteiras bem delimitadas começa a autodesintegração, mas se não reconhecer que o que é útil nem sempre é vital e significativo, e que brincar, jogar e até se enganar faz parte da vida, ele nunca vai conseguir nem se equilibrar nem entender realmente a vida. A Alma virginiana busca autonomia para poder servir ao mundo como um veículo íntegro, mas tem que amadurecer para perceber que isso não tem nada a ver com a solidão que suas neuroses e medos o prendem.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Leão e a Busca de Si

"A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida..."
Mario Quintana - poeta leonino.

É difícil pensar nesse signo sem evocar a imagem do Leão com juba ao vento a la “Contos de Narnia”, radiante e seguro de si. Mas essa fantasia criada pelos almanaques astrológicos não corresponde aos leoninos e leoninas de carne e osso, mesmo que eles adorem essa evocação. Se uma pessoa tem muita coisa em Leão, isso apenas quer dizer que ela está tentando desenvolver confiança em si mesmo, tentando ser receptiva a tudo que a rodeia, tentando descobrir quem é e como expressar sua criatividade. O Leão pode até parecer confiante, mas o problema dele, em geral, é o contrário, exatamente por passar muito tempo pensando só em si. Afinal, se você olha no espelho e não vê ninguém, que significado pode encontrar na vida? Esse signo regido pelo Rei Sol e onde o Guerreiro Marte se Exalta, é o exílio de Urano e onde Netuno está em queda, mostrando que a facilidade de se expressar individualmente pode ter mais dificuldades do que se pensa quando exposto para o coletivo.
A preocupação dos signos de Fogo com as possibilidades do futuro também é compartilhado por Leão. Em Áries, como vimos, essas possibilidades dizem respeito à ação, liderança e desafio, e em Sagitário ao Caminho da Vida. Em Leão, estão ligadas à realização de sua própria personalidade, à seu próprio mito pessoal. Lembrando que no fundo de cada signo de Fogo há uma criança que mitifica o mundo, Leão, mais que Áries e Sagitário, mitifica a si mesmo, podendo ser tão idealista e romântico a ponto de ser comovente. Ele também sofre da clássica decepção de Fogo nos dias de hoje, quando descobre que a vida real não é tão mágica assim e que a linda princesa tem o mau hábito de não querer ser salva de jeito nenhum, uma vez que está aprendendo a fazer isso sozinha. O que estou querendo dizer é que Leão se colide frontalmente com alguns aspectos da vida que ele não aprecia muito. Só quando o leonino consegue se ater à imagem interior de si e abandona a exigência de que o resto do mundo siga seus ideais, conseguindo intuir que ele é mesmo um herói, é que seu grande amor à vida floresce, mesmo quando lhe é exigido algum ajuste à realidade comum. Esse, porém, é um processo de maturação e, enquanto isso não ocorre, é bem visível, principalmente para quem convive com um Leão, sua tendência a se apegar ao ideal e se enfurecer quando ele não se ajusta àquilo que o cerca no trabalho, no amor, na família ou nos amigos. Leão fará de tudo para superar a própria mesquinhez, ambigüidade, ou tudo o mais que ele identifique como mal (e que faz parte da psique humana, diga-se de passagem), e fará um grande esforço para ser honrado em seus contatos. Nada em que Leão se meter pode ser frio ou impessoal, pois ele tem necessidade de pintar um quadro com traços largos e irrestritos. Ele pode até parecer exibicionista, mas ser o mais distinto e pessoal é o que o faz feliz e tão carismático. Nesse largo e colorido mundo de gentleman, a intromissão de mesquinharias e banalidades não é bem vinda.
Os leoninos dão a impressão, embora quase sempre isso seja inconsciente, de que esperam que alguém cuide deles e limpe tudo após sua passagem, pois estão muito ocupados com coisas mais importantes. Eles não têm a intenção de tratar as pessoas como serviçais, mas é que passam tanto tempo nesse mundo imaginário de fantasias criativas, que acabam não percebendo as dificuldades que criam para as outros. As pessoas podem até fazer concessões por algum tempo à grandiosidade leonina, mas se cansam e, aí, o Leão terá que enxergar que o mundo lá fora não orbita à sua volta, como ocorre em seu mundo interior, e, além disso, a vida das outras pessoas continua sem ele. Leão é regido pelo Sol, é a Criança Divina do zodíaco, e, para a criança, o mundo é uma misteriosa extensão de si mesma. Por isso homens e mulheres de Leão têm dificuldade em compartilhar o palco, e muitas vezes encontrarão saídas, manifestas ou sutis (pois também existe o Leão sutil), para ocupar o espaço que lhe foi “usurpado”. Eles podem espezinhar o sentimento dos outros quando estão muito presos à sua fantasia. Nessas horas Leão pode se tornar insensível às emoções e necessidades das outras pessoas, a menos que lhe seja mostrado, de forma absolutamente clara, o que está fazendo. Embora goste de se mostrar e aparecer para os outros, como toda criança o leonino tem medo de ser mal amada, medíocre, subestimada e de passar desapercebida. Às vezes ele terá que enfrentar o afastamento de sua platéia para entender que o mundo é povoado de outras criaturas humanas, importantes e diferentes dele, para começar sua verdadeira aventura para dentro e, assim, encontrar-se com sua verdadeira origem divina.
Todo signo Fixo tem que fazer o caminho interno para aprender a lidar com a grande concentração de energia que dispõe e, na astrologia médica, o coração é o órgão leonino. O processo de escutar o coração é algo que aperfeiçoamos a vida toda, e Leão precisa aprender que só ali ele encontrará o que tanto procura.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Histórias para Caranguejo: Mitos de Câncer

(Essa vai prô Lenão, a irmã canceriana que sempre me pegava pelo coração e me levava de volta pra casa.)

Uma das imagens mais antigas de Deus é o Uroboros, o universo representado por uma serpente que engole a própria calda, mostrando a vida como um ciclo e uma unidade ao mesmo tempo, simultaneamente começo e fim de si mesmo. Câncer está ligado ao arquétipo da Mãe, mas uma Mãe urobólica, que cria a vida e a consome ao mesmo tempo. Essa imagem é representativa para uma criança recém-nascida, onde a mãe é o mundo todo, que a nutre e conforta ao mesmo tempo que é tão poderosa que o pode destruir. Câncer indica uma vivência profunda desse Deus Mãe - também simbolizada pela Lua em muitas culturas - onde, através de uma emocionalidade que lhe é irresistível, é exigido, como tarefa de integração interior, o resgate da própria identidade do regaço materno. Existem dois personagens nos mitos gregos que mostram esses difíceis caminhos cancerianos: o da deusa Tetis e o do caranguejo do Pântano de Lerna, um apêndice do segundo trabalho de Hércules.
Tétis era a mais bela nereida (filha de Nereu, o velho do mar) e estava sendo disputada por Zeus-Júpiter e Possêidon-Netuno quando um oráculo profetizou que o filho dela com um deus seria tão poderoso que se tornaria o novo senhor do mundo. Os dois deuses desistiram de Tetis e a obrigaram a se casar com Peleu, um heróico mortal, discípulo de Quiron. Inconformada de ter filhos mortais, Tetis acaba matando seis deles na tentativa de imortalizá-los pelo fogo. Quando nasce o sétimo, Aquiles, Peleu consegue tirá-lo das mãos da mãe enquanto ela o mergulhava no fogo sagrado, segurando pelo calcanhar da criança. Cheia de mágoa, a nereida foge para nunca mais voltar, mas sempre acaba protegendo o filho secretamente, nas aventuras que ele viveria. A primeira coisa que nos conta esse mito é que a deusa, vindo das águas do pai, é obrigada a direcionar seu enorme poder de criação e transformação para a união com um mortal, para o plano terreno, assim como Câncer precisa aprender a direcionar seu interior criativo e oceânico para a esfera concreta e para a realização de si no mundo. Tétis, tentando imortalizar os filhos, acaba matando-os, e esse é outro perigo que os cancerianos sempre correm, ou seja, de matar por amor, tanto quando se impede de crescer, pois isso significa se separar da mãe, quanto quando não quer que as pessoas próximas cresçam, porque isso também significa separação. É necessário que esse signo desenvolva um Pai que o retire desse ciclo destrutivo, salvando-o para sua real aventura individual, onde a mãe se retira para se tornar uma secreta protetora e não mais a razão da sua existência.
O Caranguejo do Pântano de Lerna retoma essa idéia com outros símbolos. No seu segundo trabalho, Hércules deveria destruir a Hidra, uma serpente de muitas cabeças que matava tudo ao seu redor com seu hálito, que vivia naquele pântano sob o comando de Hera, a mulher legítima de Zeus. Esse monstro é comumente interpretado como símbolo tanto da imaginação exacerbada quanto das ambições banais ativas. Enquanto Hércules tentava combater a serpente, que tinha o poder de fazer crescer duas cabeças a cada uma cortada, um imenso caranguejo surge por trás do herói (uma manobra típica de Câncer) e o prende pelas ancas e pelos pés, tentando imobilizá-lo. Hércules tem que, então, matar primeiro o caranguejo antes de terminar seu segundo trabalho. Assim também, Câncer tem que matar a autoridade da Mãe - real ou imaginária - que o imobiliza, para depois vencer seus vícios e ter acesso à toda criatividade e realização afetiva que é capaz. Câncer aprende, em sua jornada, que é Mãe e Filho ao mesmo tempo, que tem um ritmo misterioso e impossível de ser compreendido por uma lógica formal. Afinal, a natureza não deve explicações a ninguém, e, ou nós gostamos dela ou perdemos algo muito precioso.
Vale a pena darmos uma olhada em mais um mito para mostrar o caminho simbólico desse signo. Trigueirinho - médium brasileiro com muitos livros publicados sobre diversos assuntos - fala de Câncer através da aventura de Hércules na captura da Corça de Cerinia (Hora de Crescer Interiormente - O Mito de Hércules Hoje - Ed.Pensamento - 1988). Esse animal sagrado do bosque de Ártemis possui cascos de bronze e chifre de ouro e não podia ser morta por causa de seu valor sagrado. Nosso herói deve caçar o belo animal e não entregá-lo a ninguém nem ficar com ela. Essa corça era mais pesada que um touro e rapidíssima, e foi perseguida por Hércules por cerca de um ano, sem o menor resultado. O animal, então exausto, pára um momento para repousar, e Hércules consegue feri-la levemente, apoderando-se dele e colocando-o perto do próprio coração. Quando ele estava levando a Corça para seu primo Euristeu, o organizador de suas tarefas, aparecem Apolo e Ártemis tentando reivindicar a posse do animal, mas ele se recusa a dar sua tão dura conquista, e segue seu caminho para Micenas. Aqui temos tanto a razão (Apolo) como o instinto (Ártemis), reivindicando a posse da presa. A Corça de Pés de Bronze pode ter várias interpretações: os pés de bronze pode fazer referencia ao próprio metal, visto como sagrado e capaz de isolar o animal do mundo profano, mas que, enquanto metal pesado, o escraviza à terra, podendo pervertê-lo, fazendo-o se apegar a desejos grosseiros que a impedem de voar mais alto. Já Paul Diel diz que a corça, como o cordeiro, simboliza a qualidade do espírito que se contrapõe à agressividade da dominação. Sua captura, então, está ligada à paciência e esforço necessários para se apossar da delicadeza e sensibilidade sublimes representadas pelo animal, e também do vigor necessário para preservar esse tesouro da fraqueza espiritual, configurada em seus pés de bronze. As duas interpretações são válidas quando pensamos em Câncer como o possuidor potencial dessas riquezas sagradas, e seu crescimento vai exatamente na direção desse desenvolvimento. Trigueirinho diz que a busca de Hercules por um ano – um ciclo solar completo – persistentemente, sem desviar de seu objetivo, e vencendo os apelos do instinto (Ártemis) e as argumentações do intelecto (Apolo), o ensina a transformar obstáculos em estímulos. Quando chega no fim de sua caçada e entrega a Corça a Euristeu, que o devolve a Hera, a deusa com olhos de Corça e sua verdadeira dona, ele aprende a se desapegar das coisas que conquistou “colocando sobre seu coração”, assim como Câncer só pode deixar que aqueles que ama - e a si mesmo - crescer quando aprende a colocar tudo que o rodeia em seu precioso coração. Nesse processo, Câncer pode fazer sua grande, imensa, hercúlea liberação interior e descobrir que em seu coração cabe o mundo todo.

sábado, 21 de junho de 2008

Câncer e o Solstício de Inverno

Nosso Solstício de Inverno, quando temos a noite mais longa do ano, se dá com a entrada do Sol no signo de Câncer. Regido pela Lua e exílio de Saturno, em Câncer temos a exaltação da deusa da beleza, Vênus, e a queda do deus da guerra, Marte. Essa estranha criatura, que vive tanto na água quanto na terra, é a Água Cardinal do zodíaco, que direciona sua força emocional para fora, para que a conquista de seu mundo interno ganhe expressão externa.
Uma das primeiras características que se pode observar nos cancerianos, é seu costume de guardar coisas como os taurinos. Seja uma velha garrafa de plástico, um velho amante, uma velha casa, uma velha recordação ou uma velha crença, fique com ela, diz Câncer, você nunca sabe quando precisará dela de novo. Isso, porém, não tem nada a ver com o utilitarismo de Terra, mas sim com a necessidade de segurança que é dada por tudo que é conhecido e familiar. Câncer tem sempre uma caixa - real ou metafórica - cheia de coisas do passado, pois ele não deixa nada passar. Esse é um dos mais sensíveis e vulneráveis signos do zodíaco. Câncer está em constante mudança como seu regente, com marés de humores, desejos, sentimentos, temores e intuições percorrendo-o constantemente por baixo de sua aparência sólida e conservadora. E ele é conservador no sentido mais literal da palavra. O canceriano nutre e protege seus mais meigos sentimentos por trás de uma fortificada muralha de lembranças, apólices de seguro, fotos antigas e uma tendência a conservar o status quo da família. Tradicionalmente associado à família de uma maneira um tanto mafiosa, os cancerianos não precisam de uma família tradicional - e nem todos são caseiros - nem dos laços de sangue, mas sim do sentimento de continuidade com o passado. As raízes de Câncer são profundas por que só onde há passado poderá haver um futuro seguro; só com suas raízes profundamente fincadas na terra é que esse signo pode manifestar seu amor à exploração, seu instinto andarilho e sua mutabilidade, pois saberá que na volta há algo à sua espera. Ele sabe que descende de algo maior e que tem a responsabilidade de deixar descendentes, por isso há um ar dinástico em suas atitudes. Um canceriano sem raízes é algo triste, pois até que aprenda a lançar suas próprias raízes através de uma nova família, de um grupo de amigos ou de um projeto de trabalho, ele se enfiará dentro de uma carapaça até ficar prisioneiro de seu medo do futuro e do desconhecido.
Observando as atitudes de um caranguejo podemos aprender muito sobre Câncer. A primeira coisa que vemos é que esse animal anda de lado e nunca vai direto ao que quer, dando voltas ao seu redor como se estivesse indo em outra direção. A pessoa de Câncer raramente irá tomar uma iniciativa direta por medo de se expor a uma possível rejeição. Mas quando o caranguejo pega algo com suas garras possantes, você tem que, literalmente, matá-lo para que o solte. Ele não irá lutar, pois não é um animal agressivo, apenas agüentará absolutamente tudo - puxões, empurrões ou qualquer outro tratamento que lhes dê - e esperará que você desista. Câncer tem uma capacidade única de agir de modo sutil sobre os sentimentos dos outros e os próprios, operando com uma graça instintiva que o adapta a qualquer ambiente ou situação emocional. Por isso é tão fácil e gostoso o relacionamento desse signo com crianças, que se sentem seguras e à vontade no ambiente emocional criado por Câncer. Esse dom, porém, quando Câncer se sente inseguro ou ansioso com relação a alguém ou a alguma situação, se transforma em uma capacidade única de exercer uma pressão sutil de chantagem emocional para que se faça aquilo que ele quer, criando fortes sentimentos de culpa nas pessoas à sua volta. Muitos cancerianos são capazes de desenvolver doenças cardíacas ou enxaquecas insuportáveis quando se sentem ameaçados de isolamento ou de perda de algo que lhes seja querido. Câncer tem necessidade de ser necessário, de amar, nutrir e acarinhar, por isso tanto os homens quanto as mulheres desse signo adoram fazer o papel de mãe. Esse é seu impulso norteador na vida. É importante para as pessoas desse signo encontrarem saídas criativas para toda essa sensibilidade, gentileza e delicadeza - seja no trabalho, no cuidado da casa ou do jardim, seja em obras de arte -, pois se tudo isso for investido na pessoa amada o mais natural será receber de volta a hostilidade e a rebeldia do objeto de sua atenção, que, no fim das contas, precisa aprender a cuidar de si mesmo para se tornar adulto.
Outra característica do caranguejo é seu desenvolvimento cíclico, onde a cada crescimento ele tem que abandonar a carapaça que ficou pequena demais. Sua carne é totalmente indefesa e ele se torna absolutamente vulnerável, tendo que passar um período escondido na areia até a couraça crescer e endurecer novamente. Os cancerianos também passam por esses ciclos, onde precisam de um tempo de reclusão toda vez que sofrem alguma mudança ou crescimento em suas vidas. Se algo o surpreender ou se intrometer durante esse período íntimo, pode ocorrer um mal irreparável, e se esse dano se der na infância o canceriano pode entrar em uma concha pequena demais e não voltar a emergir, pois Câncer demora muito para esquecer um ferimento.
O caranguejo vive entre a areia e o mar, assim como Câncer tem necessidade da realidade das contas pagas, das responsabilidades e das propriedades tanto quanto das profundezas insondáveis do seu oceano imaginativo. Por isso precisa de tempo para construir um abrigo seguro no mundo real e de tempo para alimentar seus sonhos e desejos secretos. O mal humor característico desse signo ao acordar é significativo nesse sentido, pois ele precisa de um tempo para sair do mundo dos sonhos e voltar para a vida desperta. A essa complexa personalidade é quase impossível analisar ou revelar seus segredos mais profundos, mas ele sempre vai buscar uma maneira de expressá-los no mundo, e esse ritmo tem que ser respeitado. Ao contrário de Escorpião que cria cortinas de fumaça de propósito para encobrir sua sensibilidade, ou Peixes que simplesmente escapa para seu mundo interno, a introspecção de Câncer é natural e precisa ser entendido se quiser que esse universo interno venha para fora sem ser distorcido. Esse é um signo cheio de sementes meio germinadas que precisam de escuridão, segurança, quietude e privacidade. Os frutos criativos e afetivos que vão germinar são dignos de serem aguardados.

domingo, 25 de maio de 2008

Os Gêmeos Dióscuros

Na história mitológica da Humanidade, os pares de gêmeos ou de irmãos sempre aparecem como uma complementaridade de opostos: Inanna e Ereshkigal eram terríveis inimigas na Babilônia; para os zoroastristas do séc. VII a.C. Ormuzd era o princípio da luz e seu irmão Ahriman era o princípio das trevas; o Velho Testamento nos dá Caim e Abel; nos cristãos gnósticos Emanuel tinha como irmão Satanael; a civilização romana tem seu início mítico com a luta pelo poder dos gêmeos Rômulo e Remo. Os gregos nos deixaram o drama dos Dióscuros ("Dios" = Zeus, "Kouroi" = filhos) Castor e Polux, os filhos da ninfa Leda, que, apesar de casada com o mortal Tíndaro, foi seduzida por Zeus sob forma de cisne. Dessa união surgiram dois ovos: de um nasceram os mortais Castor e Clitemnestra e do outro os imortais Polux e Helena. Castor e Polux se tornaram inseparáveis, apesar de serem muito diferentes entre si, já que o primeiro era guerreiro, forte e impositivo, e o segundo era músico poeta e sensível. Porém, durante a expedição com os Argonautas para conseguir o velocino de ouro, os gêmeos enfrentam uma luta contra Âmico, rei dos bebrícios, e raptam as filhas de Leucipo – Febe e Helaíra – prometidas a Idas e Linceu (também irmãos gêmeos, herdeiros do reino da Messênia), com os quais travam combate. Pólux matou Linceu e Castor foi morto por Idas com um golpe fatal de lança. Ao morrer Castor, Pólux fica inconsolável, porque, sendo imortal, não podia acompanhar seu irmão ao Hades. Atormentado, Pólux suplicou ao seu pai, Zeus, que o matasse ou devolvesse o companheiro Castor. Comovido com tamanha fraternidade, o senhor dos deuses propôs a única solução para salvar o jovem: Pólux deveria dividir a sua imortalidade com o irmão, alternando com ele um dia de vida e outro de morte. Pólux não hesitou em dar a resposta afirmativa e, a partir desse instante, os irmãos passaram a viver e morrer alternadamente, e, no momento da troca, eles poderiam se encontrar e conversar. Para celebrar tamanha prova de amor fraterno, Zeus transformou os Dióscuros na constelação de Gêmeos, onde não poderiam ser separados nem pela morte.
A primeira coisa que podemos observar sobre os geminianos nesse mito é que eles têm muito de pássaros, e por tanto gostam de voar. Outro talento que encontramos nos gêmeos astrológicos e nos mitológicos é o de fazer pactos. Mas é na relação entre eles que encontraremos o significado mais profundo desse signo. Em Gêmeos há uma percepção de um mundo altamente espiritual, imortal e etéreo, e muitas pessoas desse signo possuem um sentido afinado do eterno e das correntes secretas que trabalham para criar a vida. Isso é parte da razão por que eles muita vezes parecem não levar a vida ou suas responsabilidades muito a sério, pois algo muito profundo dentro deles lhes diz que isso não é tudo. Como essas percepções não têm consistência e raramente são bem acolhidas, elas acabam criando problemas. É que enquanto um irmão está no Hades o outro vive na Terra, e muitas vezes a intuição de Gêmeos entra em conflito com seu espírito analítico cuidadosamente estruturado. Ele também é um estranho para si mesmo, não sabe se é um cientista ou um místico, e às vezes tenta bloquear um desses lados - qualquer um dos dois - causando a si mesmo muita angustia nesse processo. As alterações típicas desse signo, seus períodos de bons e maus humores, de extroversão e introversão, são tão curiosas para eles como para os outros, e acaba suscitando a questão de quem ele é de verdade. É claro que ele é ambos, e, de alguma forma, durante o curso de sua vida, o geminiano tem que aprender a traduzir o que se passa em uma esfera para a linguagem da outra, pois os dois são realidade para ele, mesmo que muitas pessoas com quem conviva não entendam isso. Assim, quando Gêmeos está em contato com seu lado divino, ele se mostrará como a colorida borboleta, a criança divina, cheia de brilho. Então, de repente, ele se aliena, se finca na terra e num corpo mortal, e vê que a vida é meio amarga, às vezes sombria e sarcástica, e ele pode se tornar cínico e desagradável, além de pensar bastante na morte. Enquanto o lado divino e brilhante desse signo é leve e agradável, sua mortalidade, o fato de que tem que envelhecer como todo mundo, pesa muito sobre Gêmeos. Isso pode levá-lo a um comportamento bastante instável, e ele poderia se ajudar muito se conseguisse diferenciar conscientemente quando está vivendo Castor e quando está vivendo Polux, tentando fazer com que eles se comuniquem, quando percebe que está passando de uma vivência para outra. Quando Gêmeos percebe que há uma polaridade viva dentro dele - intelectual e emocional, masculino e feminino, consciente e inconsciente - e começa a ver a confusão que faz toda vez que fica pensando se deve fazer um julgamento intelectual ou emocional, ou qual a imagem que deve ter - o que significa ter que anular uma das polaridades - a convivência com os dois lados da vida começa a se fazer mais clara. É por isso que esse signo tem fama de dar bons repórteres, escritores e relações públicas, pois são particularmente sensíveis às duas faces da vida e geralmente têm um bom estoque de idealismo e cinismo. Eles apreciam os dois lados e são os dois lados.
Mercúrio rege Gêmeos, assim como a Virgem, e aqui ele ganha seu aspecto mais claro, sendo fácil reconhecer o menor e mais veloz planeta do sistema solar na velocidade e mobilidade da percepção geminiana. Na mitologia, esse deus leva as mensagens entre os deuses e entre esses e os homens na Terra. Ele não tinha um templo ou um lugar de adoração, e era conhecido como ladrão e mentiroso, protetor do comércio e das estradas. Esse é um deus amoral, inconstante e flexível (guardando algumas semelhanças com o Exu das religiões de origem Iorubá), sempre ligado à comunicação, seja em forma de idéias ou de dinheiro, por canais de comunicação tangíveis ou intangíveis. Vemos isso também na Alquimia, onde Mercurius aparece como símbolo do processo de entendimento, de conexão e de integração. Esses sábios diziam que quando entendiam algo e se fazia a luz, quando duas coisas que não tinham nenhum ponto em comum subitamente se revelavam como uma coisa só, o espírito de Mercurius estava trabalhando. Jung, que estudou profundamente a relação entre a simbologia alquímica e a vida psíquica, identificava Mercurius nos momentos em que o inconsciente pregava peças na pessoa, que, mesmo quando eram destrutivas, enganadoras ou terríveis, sempre tinham uma fonte ambígua e fértil. Gêmeos é o tradutor, o intérprete e o mensageiro, e aqui se encontra a chave que abre o verdadeiro caminho para a vida desse signo, principalmente para os que têm o sol nele. Isso pode até soar esotérico, mas sem dúvida alguma Gêmeos tem o potencial para ser o Grande Transformador alquímico. Para isso ele precisa primeiro encontrar os meios de ligar os opostos dentro de si, aceitando os pólos masculino e feminino, mente e emoção, espiritual e material, luz e sombra. O geminiano passa a maior parte de sua vida se sentindo dividido e dissociado, pois fica experimentando primeiro um oposto e depois o outro, até aprender que ele pode e deve ser os dois. Quando ele consegue se pôr no meio dos dois opostos verá que o que pensava ser um conflito, na verdade, era complementaridade, onde um lado ajuda e sustenta a outra, e por isso não são excludentes. É esse o equilíbrio que Gêmeos precisa encontrar.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Gêmeos

O Ar Mutável do Zodíaco, é regido por Mercúrio mas também é o lugar de exaltação de Plutão, e sempre que temos Plutão metido na história as coisas acabam sendo mais profundas do que parecem. Gêmeos é chamado por muitos de “a borboleta do zodíaco“, sempre voando e agradando a vista de quem as vê por um breve momento. Realmente geminianos podem ser reconhecidos por seu charme urbano, seu jeito espirituoso, por adorarem falar e por nunca se encontrarem onde você os deixou. As pessoas típicas desse signo se interessam por todos os assuntos, embora se aborreçam rápido quando acham que já sabem o suficiente para elaborar algo em sua superfície; afinal o mundo é vasto e há muito o que aprender, portanto não dá para gastar muito tempo com aprofundamentos. Mas os geminianos também são capazes de se aprofundar em um estudo específico, desde que não precisem abrir mão da diversificação e versatilidade naquilo em que se ocupam. Isso mostra que, apesar da fama de tagarelas fúteis que alguns almanaques divulgam, a mente geminiana pode ir bem fundo e se concentrar quando necessário. Na verdade, o que acontece é que Gêmeos tem uma forma curiosamente não linear de pensar, pois sua busca é por um largo e abrangente espectro de conhecimentos, e ele sabe que, se ficar muito tempo pensando sobre uma coisa só, vai acabar perdendo um monte de associações e conexões possíveis. A concentração e a memória geminiana não é confusa como pode parecer olhando de fora. Eles apenas se distraem facilmente, pois muitas coisas chamam sua atenção ao mesmo tempo. Sabemos hoje que nosso cérebro recebe muito mais informações do que temos consciência, e geminianos parecem ter mais consciência dessas informações que os demais.

Uma das maestrias de Gêmeos é a de encontrar o gesto e a expressão exatas que resumem uma situação inteira. Isso, às vezes, pode ser cortante e embaraçoso e, apesar de sua intenção não ser a crueldade, o geminiano geralmente não percebe as reações emocionais que o cercam. Gêmeos não costuma ser muito vulnerável e tem a capacidade de rir de si mesmo, sendo difícil para ele entender a pobre alma que se desmancha em lágrimas na sua frente por causa de uma brincadeirinha. Quando isso ocorre eles olham o relógio e decidem que é hora de ir embora. É que a pressa em entender e em comunicar desse signo faz com que ele tenha algo eternamente infantil. Se olharmos o ciclo zodiacal como símbolos do desenvolvimento humano, Gêmeos representaria o momento em que se começa o processo de pensar e de comunicar-se. Observe uma criança nesse estágio - principalmente por volta dos três anos - e você verá que seu interesse pelas coisas não dura muito tempo, mas, assim que descobre algo, tem que contar para todo mundo. Para Gêmeos, essa atitude é tão natural quanto respirar e, por isso, muitas vezes eles acabam monopolizando as conversas. Não que queiram uma atenção especial, como alguns leoninos, mas porque se sabem algo interessante o mais natural é contá-lo para todo mundo. Gêmeos endeusa a própria capacidade de pensar e não costuma gostar de ter que dar a outros o direito de tomar as decisões ou formular os conceitos. Isso quer dizer que ele não está muito interessado na opinião dos outros, pois seu grande prazer é descobrir as coisas, inventar e aprender sozinho. E ele é tão claro e brilhante que é realmente difícil vê-lo aceitando docemente as idéias de outros, mesmo porque ele está sempre tão bem informado que fica difícil surpreendê-lo ou sacudi-lo. Geminianos gostam muito de gente, mas a uma certa distância, que possibilite a observação de seus comportamentos, pois não são muito bons em longas e intensas discussões emocionais. Normalmente, quando o assunto é sentimento e emoção, Gêmeos fará uma piada ou uma graciosa ironia sobre o que sente e esperará que você ria e também ironize seus próprios sentimentos em vez de abrir sua alma. Manifestações muito grandes ou muito teatrais das emoções deixam nossa borboleta pálida de perplexidade e aí, geralmente, ela dá uma de Houdini e desaparece no ar.

Com tanto conhecimento sobre tantas coisas, algumas pessoas esperam que os geminianos tenham grande conhecimento sobre si, mas geralmente não é bem assim. Para preservar esse seu suave e polido conhecimento do mundo apenas arranhando a superfície de uma enorme variedade de experiências da vida, muitas vezes Gêmeos tem que sacrificar um aprofundamento nas próprias emoções e é aí que se perde. Sendo, talvez, o signo mais extrovertido do zodíaco, nosso ar mutável acaba tendo que passar por várias e dolorosas experiências críticas e difíceis para ser forçado a parar, entender e expressar suas motivações internas e emoções, mas isso, definitivamente, não faz seu gênero. Os geminianos costumam mergulhar em alguns amargos estados emocionais de mau humor que, porém, não duram muito tempo - afinal, nada dura para esse signo - que raramente ele analisa e compreende, pois se sente amarrado pelas emoções e ele precisa de liberdade tanto quanto de ar para viver. Mas quando Gêmeos resolve adentrar dentro de si e perde o medo de regiões mais obscuras de sua alma, ganhamos muito com isso, pois ele sempre sairá desses mergulhos contando para todo mundo como chegar, o que existe ali e - muito importante - como saímos de lá.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Nos Labirintos de Touro: O Mito

Júpiter se transformou em um imenso Touro branco para raptar Europa e levá-la para Creta, e lhe deu 3 filhos: Minos, Sarpedón e Radamanto. Quando foi embora, Zeus/Júpiter deixou para Europa um cão que não deixava escapar nenhuma presa, um venábulo que sempre acertava o alvo e um “robô de bronze”, eterno vigilante e guardião, que podemos usar como metáforas de características fortes desse signo. Europa acaba se casando com Astérion, rei de Creta, que, não tendo filhos, adota os do deus. Quando Europa morre recebe honras divinas e o touro em que Zeus havia se transformado torna-se constelação e é colocado entre os signos do zodíaco, marcado pelas Pléiades. Entre os anos 4000 e 2000 a.C. o Touro e a Vaca eram os animais sagrados das religiões e mitologias surgidas com as civilizações agrícolas, como aquelas à beira do Eufrates, Tigre e Nilo. Símbolos da fertilidade da terra, para os Egípcios, o renascimento do mundo se iniciava com a conjunção em Touro do Sol com a Lua. Eles chamavam essa constelação de Ápis, o boi consagrado a Osíris (o sol), que tinha, sobre os chifres, a lua, emblema de Ísis. Assim, vários mitos que tratam da fertilidade e do renascimento falam dos significados desse signo. Recorreremos aqui ao mito de Teseu e do Minotauro para ilustrar as principais dificuldade e maiores desafios da trajetória de Touro.
Quando o rei de Creta, Astério, morre, se inicia uma disputa para eleger seu sucessor. Minos, filho de Zeus/Júpiter com a mortal Europa, pede a seu pai que lhe mande do mar um touro como prova de sua ascendência divina, prometendo sacrificar em seguida o animal ao deus. Zeus manda-lhe um magnífico touro branco do mar, deixando a todos encantados e garantindo o poder para seu filho. O novo rei, porém, resolve enganar o pai e oferece outro touro para o sacrifício, guardando aquele ganho no seu rebanho. Indignado, o deus pede à Afrodite (a Vênus latina), que enfeitice a mulher de Minos, Pasifae, com um desejo irrefreável pelo touro branco. A rainha, incapaz de conter seu desejo, pede a Dédalo, o mágico arquiteto de Creta, que construa uma vaca de madeira para que ela possa se unir ao touro divino. O fruto dessa união é o Minotauro, um monstro com cabeça de Touro e corpo de homem, que se alimenta de carne humana. Nessa primeira parte do mito encontramos dois problemas característicos de Touro: a possessividade que pode torná-lo avaro e o desejo incontrolável que geram o Touro furioso, com sua humanidade eclipsada pelos desejos violentos.
O Touro de Minos (de onde vem o nome Minotauro) é a marca de sua vergonha, sendo escondido em um labirinto projetado pelo mesmo Dédalo, de onde era impossível sair, e onde eram jogados, regularmente, jovens filhos de vassalos de Creta, para saciar a fome do monstro. Teseu, filho do rei de Atenas, que já havia capturado o Touro que gerou o Minotauro, se junta ao grupo dos que iam ser sacrificados, com a intenção de acabar com aquela obrigação destruidora que sua pátria tinha para com Minos. Para isso conta com sua clava de bronze, conquistada de Perifeste, um malfeitor cruel e brutal que o cretense havia enfrentado. Ariadne, filha de Minos, se apaixona pelo herói e lhe dá um novelo de linha para que ele desenrole ao caminhar pelo labirinto e encontre a saída após matar o Minotauro. Com esse feito, Teseu liberta a Grécia do poderio de Creta e leva Ariadne consigo na volta para Atenas. A princesa acabará ficando na ilha de Naxos, onde desposará Dionísio, que, por sinal, tem muitas das suas aparições sob a forma de Touro.
Teseu também tem vários traços de Touro, e sua história nos mostra a forma que esse signo tem para escapar das trevas instintivas e libertar-se. O elemento básico a se considerar é o conflito que encontramos nos taurinos entre seu lado humano, heróico, e seu lado bestial, fruto de desejos irrefreáveis que podem torná-lo violento. O desejo é a força dominante em Touro - seja por sexo, comida, bebida, dinheiro, posição social ou qualquer outra coisa - e por isso ele corre o risco de se tornar cego quando essa força se torna obsessão. Touro demora certo tempo até descobrir o que quer e outro tempo até se decidir a ir atrás daquilo que quer, mas, uma vez começado o caminho, nada o fará parar. Se toda essa força for direcionada apenas para satisfação instintiva imediata, ele se transforma em um devorador da própria humanidade. Porém, se ele usar essa determinação contra a tentação perversa que o habita secretamente, se transformará em herói e sua clava de bronze, que destrói quando utilizada com crueldade, o fará acabar com o monstro. Na luta heróica que esse signo tem que travar consigo, não podemos esquecer do novelo dado por Ariadne, sem o qual sua missão seria impossível. Quando o taurino resolve entrar no difícil labirinto das emoções e motivações que o forma, sua maior arma é a capacidade que tem de traçar um plano e definir claramente a finalidade que irá guiá-lo. Seu gosto pelo simples e direto, que gera aversão a qualquer interferência, rodeio, meias palavras e ambigüidades, pode fazer com que se perca nos relacionamentos e em sua própria vida interior, porém, quando ele percebe o impulso amoroso que dá sentido ao desejo, ele irá conseguir uma idéia geral do mapa do local, e, então, esse mesmo gosto por coisas diretas o irá colocar no bom caminho e impedir que se desvie.
O touro mágico que Zeus mandou do mar para Minos também aparece nos 12 trabalhos dados a Hérules por Hera através de Eristeu. Depois de engendrar o Minotauro em Pasifae, o touro de Zeus se torna feroz, lançando chamas pelas narinas e destruindo tudo ao seu redor. Hércules é encarregado de levar o touro vivo para Eristeu, e não pode contar com a ajuda de ninguém, nem mesmo de Minos, que se recusa a auxiliá-lo. O herói pega o touro pelos chifres e monta em seu dorso como em um cavalo. Atravessa o mar e regressa a Hélade. Eristeu oferece o Touro a Hera, mas essa se recusa a aceitar qualquer coisa vinda de Hércules, e o solta de novo. O animal vai parar na Ática, onde Teseu irá capturá-lo e sacrificá-lo a Apolo, o princípio solar heróico. Aqui tratamos do mesmo tema, onde o herói, em seu processo de aperfeiçoamento e encontro consigo mesmo, doma e triunfa sobre a força bruta da tendência dominadora. Um detalhe importante dessa tarefa é o fato de que o touro, no fim, é solto, pois mostra o desapego por aquilo que se conquistou. Teseu, nosso herói taurino, irá capturar e sacrificar, finalmente, esse touro a Apolo, ao deus que preside a individuação.

domingo, 20 de abril de 2008

Touro e o Prazer da Matéria

O Sol começa sua passagem anual pelas terras fixas de Touro, signo regido por Vênus e onde a Lua se exalta. Muitos povos agrícolas iniciavam o ano à partir da Lua nova em Touro exatamente por conta dessa força vinda da Terra através desse signo. Aqui também temos o exílio de Plutão e de Marte, e a queda de Mercúrio, pois esse não é um signo que goste de movimento ou transformação.
Touro é tradicionalmente associado ao seu desejo de segurança e estabilidade material, pois realmente gosta de ter coisas que sejam palpáveis e imutáveis, como barras de ouro e propriedades em seu nome. Riquezas abstratas ou de natureza incorpórea - como beleza interior ou amizades atemporais - não são coisas que ele confie, pois mudam, podem ser corroídas ou podem deixá-lo sem que ele controle. Terra lida com a realidade concreta e tangível, e Touro, sendo a modalidade Fixa desse elemento, tem isso concentrado. Isso quer dizer que ele nunca é loucamente idealista ou ingênuo com relação à suas necessidades e exigências quotidianas, tendo sempre um olho fixo naquilo que é importante para sua sustentação e preservação. Isso faz dele um típico pragmático, que costuma desqualificar as idéias e os comportamentos que não se encaixam em suas fórmulas simples e confortáveis, pois geralmente leva em conta apenas os fatos que considera fundamentais para a sobrevivência: Touro pode mostrar uma total falta de compreensão quanto ao que é simbólico, emocional ou dramático demais, se as coisas não ocorrerem em uma área em que a realidade física aparente esteja envolvida. Esse signo preza pelas coisas de boa qualidade, mas Touro não gosta nem de enfeites complicados nem de muitas opções. Essa previsibilidade pode parecer um tanto aborrecida para signos mais aventureiros, mas sem dúvida é uma das maiores vantagens dos taurinos, pois os ajuda a não cometer tolices e estabelecer a veracidade absoluta de tudo que admitem em sua vida, seja com relação ao trabalho, aos relacionamentos ou aos projetos de vida.
Vênus, a deusa do amor, é a regente de Touro, e inegavelmente essa é a criatura mais sensual do zodíaco, apesar da fama maior de seu signo oposto, Escorpião. Não só por sua vida sexual, mas principalmente por seu prazer com tudo que agrada aos sentidos. Touro tem um gosto apurado para mexer com cores e música, além de um enorme prazer com o toque físico - não só em pessoas mas também em texturas macias como da seda ou do veludo -, com o paladar da boa comida e com o cheiro de boas essências - seja de flores ou de perfumes caríssimos. Os sentidos de Touro são tão apurados e intensos que ele pode achar insuportável ficar em um local que pareça sórdido, cheire mal, seja barato ou feio, e esse é o mais forte instinto taurino para a harmonia. Podemos chamar isso de bom gosto, mas, sendo um gosto de Terra, é algo que tem na consciência exigências sociais e tradicionais, ou seja, algo que prima pela qualidade mas também pela solidez e pela confiabilidade comprovada pelo tempo.
Taurinos adoram fazer coleções, de objetos, de dinheiro e de pessoas. Tudo que colecionam tem valor para eles, o que os fará guardar, cuidar, dar atenção e agarrar com todas as forças aquilo que lhes pertence. Os objetos inanimados parecem não se incomodar com isso, mas quando se trata de pessoas as coisas podem ser mais complicadas, pois, apesar da verdadeira segurança de um relacionamento estável e imutável que os taurinos proporcionam, às vezes são necessárias muitas brigas feias e conversas sérias para convencê-los que o outro tem uma individualidade própria e motivações diferentes. E isso tem que ser dito de forma direta, pois taurinos não se comunicam por telepatia nem entendem sutilezas e indiretas. As relações afetivas desse signo - com objetos e com pessoas - tem expressão corpórea, e isso quer dizer que Touro sabe - e tem medo disso - que nada é eterno, que tudo pode acabar, que a tendência natural das coisas é morrer. Quando esse medo se torna muito grande ele pode lutar contra a perda de forma realmente doentia, mostrando uma possessividade sem limites e um ciúmes assustador. Touro conhece os segredos da fertilidade da Terra, e sabe como fazer para que ela nos dê os frutos para que possamos nos alimentar, mas precisa descobrir e aceitar a transformação daquilo que fenece para fornecer adubo às novas vidas que virão. Quando os taurinos aprendem que a morte é um símbolo de mudança e que às vezes perdemos coisas para dar espaço a outras, então eles conseguem proporcionar a si e ao mundo aquilo que realmente sabem fazer com maestria: criar um ambiente onde sentimos prazer em estarmos vivos, em um mundo material e dentro de um corpo físico.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Guerreiro Mítico de Áries

Áries é o deus grego da guerra, e seu correspondente romano é chamado de Marte. Qualquer história de guerreiros corajosos, que têm que cumprir uma difícil missão e salvar o mundo, pode servir para ilustrar esse signo, de Robin Hood a Guerra nas Estrelas, de Joana D’Arc ao Cavaleiro do Dragão, Eragon. Aqui vou falar do mito clássico ligado a esse signo: Jasão e os Argonautas, que vão em busca do Tosão de Ouro.

O Tosão é o velo de ouro de um carneiro, o que vêm bem a calhar, pois esse animal é o símbolo de Áries. Podemos vê-lo como o objetivo final desse signo, seja como a realização da própria individualidade, o término de uma investigação ou a morte do dragão. Filho de Esão e Alcímede, Jasão havia sido exilado de sua terra com seus pais, pois o tio, Pelias, usurpara o trono de Iolco, destronando e ameaçando de morte Esão. Após sua educação e iniciação por Quiron, Jasão, volta a Iolco para retomar o trono de direito de seu pai, e, como bom ariano, faz um acordo de trazer o fantástico tosão de ouro guardado no bosque consagrado ao deus Áries-Marte pelo “dragão que nunca dorme”, sendo que a impossibilidade de achá-lo apenas o anima. Reúne seu bando de Alegres Companheiros - os cinqüenta heróis Argonautas - e vai para a Cólquida, onde passa por muitas aventuras e toma o tosão para si. Mas essa história não tem o final feliz de Robin Hood. Jasão conta com a ajuda de uma feiticeira, Medéia, filha de Eetes, rei da Cólquida, que se apaixona por esse herói tão intrépido, bravo, audacioso e nobre. Eetes, que não poderia simplesmente dar o tosão ao herói, impõe quatro tarefas impossíveis a um mortal: subjugar dois touros bravios, presente de Hefesto, com cornos e cascos de bronze, que soltavam fogo pelas narinas; atrelá-los a uma charrua de diamantes; lavrar com eles uma vasta área e nela semear os dentes do dragão de Cadmo; matar os gigantes que nasceriam desses dentes; e finalmente matar o dragão que nunca dorme, guardião do velocino de ouro; sendo que o herói teria um dia, do nascer ao por do sol, para fazer tudo. Jasão já estava começando a pensar na idéia de desistir, quando Medéia se apresenta e promete ajudá-lo a sair vitorioso, desde que ele se casasse com ela e a levasse para a Grécia. Ele aceita o acordo e deixa que Medéia faça, com sua magia, o que deveria ser o seu trabalho. O conjunto dessas tarefas preliminares representa a luta contra as tendências à dominação perversa, de que o aspirante ao trono terá primeiro que purificar-se. O herói tem que mostrar não apenas que tem méritos para apossar-se do velo de ouro e assumir o poder, mas ainda, em razão da força que o anima, de permanecer como digno detentor do troféu conquistado. “Arar a terra” significa torná-la fecunda, e fazer isso com a ajuda de touros domados é uma prova da força sublime, da sabedoria, que doma o perigo e a tentação do abuso brutal, inerentes ao poder. Os touros com pés de bronze retratam a tendência dominadora, a ferocidade e o endurecimento do espírito. Medéia dá a Jasão um balsamo para que cubra seu corpo e suas armas que o torna invulnerável. Esse bálsamo, assim como o fio que Ariadne dá a Teseu, é símbolo do amor, que converte o impossível em possível, desde que as intenções da alma sejam puras. A questão é: Jasão tem esse amor ou está se servindo dele? Medéia é de uma família ligada à noite e aos poderes malignos da terra, e somente um herói já purificado poderia fazer essa sizígia sem sucumbir ao egoísmo e à intriga perversa que alimentam os poderes ctônios. Jasão é dotado de força heróica, mas está se respaldando em forças obscuras, por isso não lhe basta dominar os touros, e a prova “se repete”, para que o herói mostre com exatidão sua verdadeira intenção. O poder “semeia” inveja, ciúme e intriga, por isso Jasão tem que matar os gigantes de ferro, que se erguem contra o pacificador em busca de uma dominação perversa à custa do governante. Em vez de usar sua força heróica nessa prova, ele aceita o conselho ctônio de Medéia, e joga uma pedra em meio aos recém nascidos gigantes, que acabam se massacrando entre si, pois um pensa que está sendo atacado pelo outro, já que num ambiente de intrigas cada um se sente ameaçado pela inveja exaltada do outro e espera tirar proveito da briga. A astúcia não pode vencer a violência de maneira definitiva, pois trata-se de um emaranhado perverso que reina sobre o mundo e que, incessantemente conduz às explosões de violência. Jasão percorre muito rapidamente as 3 primeiras provas, e aquilo que deveria fortificar sua intenção sublime ameaça arrastá-lo para uma futura realização banal. Apesar do mal presságio, essas foram apenas preparações para seu real objetivo, que é o velocino de ouro. Mas aqui também Jasão usará das artimanhas de Medéia em vez de sua força heróica. A filha de Eetes adormece o dragão que guardava o velo, e Jasão não mata o monstro, que é a imagem de sua própria perversão, em luta heróica, e sim de uma maneira inglória, apenas se apossando do velocino sem maiores dificuldades. Utilizando o poder mágico de Medéia para cumprir seus trabalhos, Jasão se torna insolente face ao espírito e suas exigências de aperfeiçoamento, e assim se prende às suas intenções mais exaltadas, à corrupção dominadora, graças ao desencadeamento inescrupuloso dos desejos egoístas, e isso equivale a vender a alma ao demônio. Assim sendo, o rei não pode deixar que lhe levem o tesouro espiritual, representado pelo velo, e isso ocorre não só no plano externo, mas também no íntimo de Jasão, através de um grande sentimento de culpa por se saber não merecedor do troféu que leva. A fuga de Jasão e Medéia é a tentativa de recalcar essa falta, e por isso a feiticeira trai o próprio pai, e, ao fugir da Cólquida com Jasão, esquarteja seu irmão e vai jogando os seus pedaços no mar para atrasar o pai que os persegue, assim como em muitos tempos e lugares se costuma sacrificar os “filhos da verdade”, por ser essa insuportável. Mas eles escapam e tudo parecia ir bem até a volta, quando a vitória sobe à cabeça de Jasão e, claro, ele passa a se comportar como um carneiro estúpido e não como o possuidor de um velo de ouro: ele tenta descartar Medéia para se casar com uma princesa mais jovem, Creusa, vaidosa e ambiciosa filha do rei de Corinto. Só que Medéia não é mulher de se deixar afastar, e Jasão terá que aprender que não se faz pactos com o lado obscuro do inconsciente de forma leviana. Em vez de deixar o caminho livre, ela trucida os dois filhos que teve com Jasão, envenena a nova favorita com um manto mortífero, fugindo em seguida em uma carruagem puxada por dragões. Jasão se torna rei, mas com uma tirania tão perversa, que acaba devastando seu reino até ser expulso. O ex herói morre quando descansava sobre a nau Argos, atingido por uma viga caída do próprio barco que deveria tê-lo conduzido a uma vida heróica.

Áries tem que aprender com a vida que não se pode subestimar ou negligenciar o poder e o valor yin, feminino, assim como o mundo povoado por heróis e nobres causas ariano tem que abrigar também o poder da gentileza, da paciência, do compromisso, da compreensão, da justiça e da concórdia, que lhe mostra seu signo oposto, Libra. Esse herói, para conquistar o reino que lhe é destinado, tem que usar sua força e audácia não para conquistar uma gloria aparente que justifique sua vida, mas sim para domar seus desejos egoístas que levam à banalização da violência e das suas tarefas mais profundas. Só quando Áries confronta o seu ditador interior - que quer tudo de sua maneira e já, sem admitir as fraquezas dos outros e as suas próprias, sem admitir nada que não esteja de acordo com seu universo mítico -, essa enorme força pode ser libertada de modo positivo. A derrota, como Áries tem que acabar aprendendo em sua vida e em suas relações, não está no fato de não conseguir alcançar sua meta, seja ela ter o Tosão de ouro ou qualquer outra coisa que Áries coloque como meta para si, e sim aprender a refletir sobre suas ações, reter sua mente crítica e muitas vezes cheia de preconceitos, levando em conta as verdades do Outro, como ensina Libra. Aí sim esse herói de capa e espada poderá amadurecer e não precisará buscar saídas fáceis nem matar aliados. Quando Áries se transforma no verdadeiro herói que é potencialmente, então todos nós poderemos aproveitar a nova trilha aberta que só esse guerreiro é capaz de abrir.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Áries e o Impulso de Ser

Todos os que militam
Debaixo dessa bandeira,
Já não durmam, já não durmam
Pois não há paz na terra.


Se como capitão forte
Quis Nosso Deus morrer,
Comecemos a segui-lo,
Pois damos a ele nossa morte,
Oh venturosa sorte,
Se o seguimos nessa guerra.
Já não durmam, já não durmam,
Pois falta Deus na terra.


Com grande contentamento
Se oferece a morrer na cruz
Para dar luz a todos
Com seu grande sofrimento.
Oh, gloriosa vitória!
Oh, afortunada esta guerra!
Já não durmam, já não durmam
Pois falta Deus na terra.


Não haja nenhum covarde,
Aventuremos a vida,
Pois não há quem melhor a guarde
Que aquele que a dá por perdida
Pois Jesus é nosso guia
E também o prêmio dessa guerra.
Já não durmam, já não durmam
Pois não há paz na terra.

Teresa de Jesus - Sta. Teresa D’Ávila - Amante ariana de Deus.

Com o Equinócio de Outono no Hemisfério Sul, o Sol entra em Áries e iniciamos o ano astrológico. O mais impulsivo dos signos de Fogo mostra exatamente a energia necessária para sairmos da força regressiva da massa emocional de onde viemos e afirmarmos nossa individualidade única. Além de ser regido por Marte, o deus da guerra, e ser o exílio de Vênus, a senhora da beleza, o Sol, princípio da individuação, está exaltado em Áries e Saturno, o estruturador, em queda. Dá para se notar que ordem e harmonia não são a praia desse signo guerreiro. Geralmente as pessoas se dão muito bem ou muito mal com arianos. Os que tiveram experiências ruins com Áries dizem que ele é egoísta e autoritário, incapaz de escutar os outros. Já os que ficaram amigos de arianos falam de sua enorme capacidade de lutar pelo que quer, da incrível velocidade mental e da generosidade com que compartilha suas conquistas. Pois Áries é tudo isso ao mesmo tempo.

A personalidade ariana tende a ser iniciadora e pioneira, mostrando alguém ambicioso, que luta por aquilo que quer ou acredita. Desta forma, os atos e decisões tomadas são coloridas com traços de espontaneidade, impulsão e impaciência, justificadas através de uma idealização das causas que defende. Colocando-se sinceramente (às vezes ingenuamente) como defensor dos injustiçados e oprimidos, os arianos conseguem lutar contra as próprias amarras, que impedem a independência e liberdade que anseiam para agir. O ariano realmente parece sofrer daquilo que Liz Greene chama de “Síndrome do Cavaleiro Andante” ou “Síndrome de Joana D’Arc”. Dê-lhe uma causa - que pode ser desde o combate ao fumo ou o direito ao aborto, até as grandes revoluções políticas, contanto que se refira ao bem estar geral - onde exista um mal a ser desafiado e se possa trucidar o inimigo - que o ariano logo saca sua velha armadura, devidamente limpa e polida. O elemento Fogo mitifica a vida e Áries necessita achar alguma causa para defender, pois assim pode mostrar todo seu gênio e coragem. Essa descrição pode dar a impressão de que Áries é um signo um tanto quanto anacrônico, porém o espírito cavalheiresco é decididamente uma das qualidades arianas. No fundo da alma do ariano a época do amor cortês ainda existe, e ele procura alguma Ordem que possa declará-lo Real e Fiel Cavaleiro e lançá-lo na aventura de caçar dragões e defender donzelas. Áries se portará sempre honradamente, seja como amigo ou como inimigo; será generosos e leal com os amigos e raramente se inclinará a revanchismos ou mesquinharias para com os inimigos. Isso faz com que haja sempre um forte traço de impaciência, no limite da arrogância em Áries, pois ele não suporta nada que considere bobagem, atraso, insubordinação, estupidez e indiretas; enfim, não suporta nada de boa vontade, mas sim com nobreza. Como todo signo de Fogo, Áries é, na verdade, uma criança, o que quer dizer que ele pode parecer infantil, mas também que tem uma inocência corajosa e de bom coração. Deslealdades, intrigas e maldades de qualquer espécie realmente o desnorteiam e ferem. E isso acontece sempre, pois, vivendo em um mundo de ideais nobres, ele tende a se esquecer dos fatos e situações reais, onde as coisas são diferentes do que poderiam ou deveriam ser. Áries não tem grandes preocupações com o status quo, pois sua maior necessidade é de ação, de algo que o desafie e que lhe permita colocar sua energia, estimulando e oferecendo novas possibilidades, de preferência com muita liberdade pessoal para dar andamento a seus projetos sem interferência. Nem todos os arianos tem a disposição física do deus da guerra, mas a maioria aprecia esportes e competições, pois aí encontram o espírito de desafio e vitória que procuram. Isso se dá com freqüência também no plano intelectual, onde a energia dinâmica que Áries possui é mostrada na sua impressionante vivacidade mental. Mercúrio, o planeta da comunicação, é considerado o regente de Áries na Astrologia Esotérica. Seja como estudante, filósofo, profeta, artista ou líder religioso, o ariano mais mental adora desafios intelectuais, problemas difíceis de resolver, textos impenetráveis que o faça batalhar.

O carneiro de Fogo é capaz de pensamentos profundos e considerável ternura, mas é também capaz de largar qualquer compromisso mundano para se embrenhar em alguma Cruzada. Isso quer dizer que Áries tem uma tendência a criar crises se não houver uma pronta para enfrentar. Ele poderá atormentar pessoas e abalar situações muito estáveis, que ele considere paradas e estagnadas, até a grande explosão final. Ele gosta de fazer o papel de Advogado do Diabo, mesmo que o preço seja o de que todos se aborreçam com isso, pois isso gera ação, e ação, para Áries é sinônimo de vida.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Barquinhos no Oceano: Mitos para Peixes



Muitas histórias falam de seres mágicos que vêm à terra para se unir a seres mortais, como a mulher-foca dos esquimós ou as ondinas - também chamadas de sereias -, que vivem nas profundezas do mar ou de um lago, se apaixonam por um ser humano de carne e osso, e buscam a união em um outro nível de realidade. Em todas as variantes dessas histórias, o encontro é cheio de dificuldades: existem condições a serem preenchidas e, normalmente, termina em desastre. Não porque estivesse condenado desde o princípio, mas por causa da inaptidão do mortal, que tenta impor suas próprias leis e valores ao parceiro misterioso. Como os dois peixes que tentam nadar em direções opostas mas estão presos um ao outro por um cordão de ouro, que simbolizam o signo, Peixes carrega em si o dilema de duas dimensões: o lado mortal, que precisa da realidade tangível do comer, beber, reproduzir-se e morrer; e o lado misterioso que habita as profundezas e, ocasionalmente, abana a calda acima da água, fazendo-a brilhar ao sol e encantando o mortal que passeia pela praia. O processo desse encontro é a vida de cada pisciano. Alguns simplesmente seguem a sereia, esquecendo que seus pulmões são humanos, e se afogam. Esses acabam experimentando a vida dos delinqüentes, drogados ou bêbados desse signo. Mas há aqueles que conseguem traduzir o ser mágico que avistam, mostrando o brilho de outros reinos e de um universo quase incompreensível à mente humana em sua majestade e imensurabilidade, gerando filhos que circulam pelos dois mundos e oferecendo à humanidade um mapa de universos desconhecidos. Então encontramos físicos como Einstein, músicos como Chopin e artistas plásticos como Michelangelo.
Os mitos gregos estão cheios de histórias que nos mostram como lidar com os perigos do reino de Netuno. No mito de Ulisses, por exemplo, ele faz sua tripulação tapar os ouvidos e se amarra ao mastro quando tem que atravessar o mar cheio de sereias. Essa história é brilhantemente analisada pelo filósofo e crítico literário Walter Benjamin em seu livro Kafka, (trad. e introd. Ernesto Sampaio, Lisboa, Hiena, 1994), e vale a pena ler se você quiser aprofundar mais o assunto. Walter Benjamim tinha o Sol em Cãncer e a Lua em Peixes, portanto entendia bastante desses reinos profundos. Na Odisséia de Homero há também um trecho onde Menelau, marido legítimo de Helena, conta sua volta para Esparta após a guerra de Tróia, e de uma parada prolongada que foi obrigado a fazer em uma ilha. Tendo lá parado para pernoitar, acordou no dia seguinte com uma enorme ventania na direção oposta da que precisaria para zarpar. E assim passou-se o dia inteiro na expectativa do vento amainar ou mudar de direção. Passaram-se muitos dias assim e a situação acabou se tornando crítica, pois as provisões chegaram ao fim e a pescaria era difícil por causa da agitação do mar. Menelau caminhava sozinho e preocupado pela praia, pois percebia que aquilo só podia significar algum desagrado dos deuses, quando subitamente apareceu-lhe um ser de beleza tão radiante que só poderia ser uma imortal. Era uma nereida, filha de Nereu, o Velho do Mar. Com a expressão severa, ela lhe pergunta o que ele fazia a tanto tempo em sua ilha. O rei de Esparta contou-lhe que estava preso pela tempestade e pediu que o ajudasse a descobrir o que queriam os deuses, que não o deixavam partir. Ela lhe conta que o único que poderia interpretar as mensagens dos deuses enviadas pela tempestade seria o próprio Nereu, habitante das profundezas do oceano, conhecedor dos segredos da terra, do mar e dos ventos. Explicou-lhe também que Nereu tinha o poder de se transformar no que quisesse, e a única forma dele dizer algo seria agarrando-o enquanto dormia e segurar firme, fosse qual fosse a forma que ele tomasse, até ele voltar à forma de Velho do Mar, pois aí ele seria obrigado a responder qualquer pergunta que lhe fizessem. A nereida mostra a caverna em que seu pai se deitava para descansar com os botos, e Menelau, junto com alguns de seus homens, se esconde à espera da estranha criatura. Quando Nereu chega e se deita para dormir, é agarrado pelas pernas e pelos pés e imediatamente começa a se transformar nas mais estranhas criaturas desse e de outros mundos. Mesmo com o coração cheio de medo, Menelau e seus companheiros seguram firmes e em silêncio, até que os encantamentos cessem e Nereu volte a sua forma de Velho do Mar. Então o imortal pergunta ao mortal o que ele quer, e Menelau questiona-o sobre a razão da tempestade que o impede de partir. Nereu diz que o rei de Esparta, na pressa de partir de Tróia, havia negligenciado seus deveres para com os deuses, esquecendo-se de fazer as oferendas necessárias para que tivesse paz e fosse guiado com tranqüilidade para casa. Então Menelau agradece à Nereu, presta suas homenagens aos deuses e consegue seguir seu caminho.
Esse parece ser o trajeto que Peixes precisa fazer toda vez que se vê paralisado pelas tempestades em sentido contrário que o envolve, se ele não dá as oferendas exigidas por seus deuses internos. Sua salvação está em conseguir segurar firme e em silêncio o senhor de suas profundezas e enfrentar suas transformações até conseguir a resposta que necessita. Quando se apavora e se solta, acaba sendo devorado. Se, porém, encara corajosamente a consciência que tem das duas dimensões em que vive - com toda a confusão que isso gera - todos nós seremos beneficiados. Afinal, Peixes representa o potencial desperdiçado, porém divino, de toda a humanidade, e é preciso coragem para poder encarar algo muito - mas muito mesmo -, superior à nossa compreensão humana.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Peixes



Regido por Netuno, o Senhor das Águas, Peixes é o último signo do zodíaco, e o mais complexo dos signos de Água, capaz de combinar coisas tão paradoxais quanto um Einstein e um sem-teto das ruas de São Paulo. Aqui temos a exaltação da Lua, o astro que rege nossas emoções, e também o exílio de Mercúrio e a queda de Urano, os dois planetas que falam de nosso raciocínio lógico e de nossas ideologias. Assim, não há como abordar Peixes através da mente racional e da lógica. Liz Greene chama esse signo de “senhor das latas de lixo da humanidade“, pois tudo que foi jogado fora, desdenhado ou não compreendido, Peixes acolhe. Ele está à procura de, nada mais nada menos, que o verdadeiro segredo da fonte da vida. Por isso é tão fácil ele se perder e se desiludir com o mundo, acabando por buscar uma via escapista. Peixes tem um pouco de cada um dos outros signos, e observando-o de perto se tem a impressão de estar diante de um ser camaleônico. Não se trata das várias personalidades vividas por Gêmeos, mas de uma espécie de empatia e identificação fluida e complexa com toda a raça humana, que faz com que ele se mimetize com qualquer um que lhe seja próximo, como o herói do filme Zelig, de Wood Allen. Isso trás bastante problemas para os piscianos, principalmente por que os outros acabam subestimando-os. Além disso, eles costumam ficar realmente muito passivos e inertes quando atravessam períodos de crise. O problema maior de Peixes é que lhe é difícil fazer escolhas rápidas, pois todos os caminhos são válidos e contêm alguma verdade, se olhado mais profundamente. Tudo para ele é relativo. Isso faz parte de seus dons, pois é a fonte da sua impressionante tolerância, mas pode gerar uma atitude incrivelmente vaga. Por isso alguns almanaques dizem que Peixes nasceu para servir ou para sofrer, pois é comum encontrar pessoas desse signo que continuam passivos enquanto as coisas ao seu lado desabam. Pode ser desconcertante observar essa total aceitação do infortúnio que Peixes tem, mas parece que ele sabe algo que nenhum outro sabe: que todo esse sofrimento significa pouco se você não estiver fortemente ligado à vida desse mundo.
Peixes é conhecido como signo do misticismo, e isso quer dizer um monte de coisas. Uma delas é um profundo sentimento religioso, não no sentido ortodoxo, mas na idéia de viver Deus, religando-se a uma outra realidade transcendental, mágica e intangível, que faz com que a vida normal seja amorfa, sem significado e um verdadeiro vale de lágrimas. “Morrer ou sofrer”, clamava Santa Tereza D’Ávila para seu Deus. Por outro lado, Peixes tem uma profunda sabedoria a respeito da futilidade de muitos desejos humanos, como ambição frenética, paixão pelo poder ou cobiça e avidez. Ele é tão capaz como qualquer outro de sentir essas emoções, mas no fundo ele não as leva muito à sério, pois sabe que é tudo ilusão. Como seus companheiros de Água, ele é profundamente sensível às correntes invisíveis que estão por trás das máscaras do comportamento das pessoas. É difícil enganar um pisciano. Mas, enquanto Câncer e Escorpião estão fortemente ligados às próprias emoções - por isso, quando acham que alguém não é confiável, Câncer protegerá a si e aos seus e Escorpião atacará o inimigo ou o deixará sozinho depois de mostrar seu desgosto -, Peixes vai olhar, sentir, ficar triste, perdoar e deixar que o outro se aproveite ou o destrate, apesar de toda sua perspicácia. Quando se busca a razão desse comportamento geralmente descobrimos que para ele isso não tem real importância. Esse parece ser um signo de outro mundo, inseguro e não acostumado com as leis que regem o nosso claro e frio mundo de matéria e fatos intelectualmente apreendidos. Peixes parece não conhecer os limites humanos, sendo comum vê-lo comer até passar mal, beber até cair, ou fazer tanta algazarra que ofende todo mundo e depois ficar tão quieto e esquisito que assusta todo mundo. Ele não entende como descriminar, limitar, escolher. Em compensação ele tem uma imaginação também ilimitada, sendo que muitos músicos, pintores e físicos modernos são piscianos. É como se ao nascer ele recebesse a chave para as portas da fonte da vida, do reino dos sonhos, podendo entrar e sair quando quiser. O problema é que às vezes ele não quer sair de lá. A realidade limitada por tempo, espaço, estruturas, fatos e outras pessoas geralmente é irritante para Peixes, fazendo com que ele deixe de ver coisas simples, como a conta de luz que tem de ser paga. Não que eles não tenham senso prático, mas, de vez em quando, podem se mostrar mesquinhos e ter idéias esquisitas de como ganhar dinheiro, se metendo em muitos rolos que deixam pessoas mais convencionais de cabelos em pé. Isso acaba lhes dando fama de irresponsáveis, o que é relativamente injusto, pois Peixes é muito responsável com aquilo que gosta; só que sua concepção de realidade difere, completa e radicalmente, da de outras pessoas. Vivendo tanto em sua imaginação, onde tudo se move constantemente, esse signo se aborrece facilmente com a banalidade do cotidiano em terra firme. Isso também o faz um romântico incurável, não só em relação à casos de amor, mas também à sua casa, que tem que ser um castelo, à sua família, cheia de pessoas nobres, ao carro, que é especial... Bem, tudo ao qual Peixes se ligar ganhará luzes coloridas e especiais. Esse anseio e a intimidade que tem com o mundo dos sonhos fará com que o conceito de realidade ligada ao bem estar social, da comida e teto sobre a cabeça, convênio médico e saída uma vez por semana para jantar fora, não signifique nada. Peixes é tremendamente adaptável, e pode muito bem viver num porão, pois porões são românticos, conjuntos habitacionais, não.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Trazendo Luz para a Humanidade: Mitos para Aquário



"Nós sabemos:o ódio contra a baixeza também endurece os rostos!
A cólera contra a injustiça faz a voz ficar rouca!
Infelizmente, nós, que queríamos preparar o caminho para a amizade, não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vocês, quando chegar o tempo em que o homem seja amigo do homem, pensem em nós com um pouco de compreensão."
Beltold Brecht - poeta aquariano


O destino e o significado de Aquário podem ser sintetizados pelo mito de Prometeu, um titã que ajudou Zeus-Júpiter a derrotar Crono-Saturno. Etimologicamente o nome desse titã significa “o prudente” ou “aquele que vê antes” (pro = antes; mathanein = perceber, ver), e era conhecido como benfeitor dos homens, enganando seu primo Zeus por duas vezes em favor da humanidade. Da primeira vez Prometeu pegou um boi que os homens haviam oferecido aos deuses e o dividiu em duas porções, uma contendo as carnes e entranhas cobertas pelo couro e a outra apenas com os ossos, mas cobertos pela gordura. As duas porções foram postas perante Zeus, que deveria escolher uma, e a outra seria dada para os homens. O deus dos deuses escolheu a porção com os ossos e, ao perceber que havia sido enganado, “a cólera encheu sua alma enquanto o ódio lhe subia ao coração”, como descreve Hesíodo. Ele castiga a humanidade privando-a do fogo, ou seja, do nus grego, a inteligência, a centelha divina, o espírito criador. Prometeu considera a atitude de Zeus errada e injusta, e, com a ajuda de Palas Atenas, devolve o fogo aos homens, reanimando-os. Zeus dá um castigo exemplar a Prometeu, amarrando-o em um rochedo e mandando sua águia se alimentar do fígado (símbolo da vida e da vontade divina) do titã durante o dia, que voltava a crescer à noite, tornando o suplício eterno. Para os homens, Zeus manda Pandora, uma mulher moldada por Hefesto e com vários atributos dados por todos os imortais, de modo a torná-la irresistível. Epimeteu (“o que vê depois”), irmão de Prometeu, a recebe e se casa com ela. Como presente de núpcias, Pandora dá para Epimeteu uma caixa que, ao ser aberta, deixa escapar todas as desgraças humanas: Fome, Insanidade, Vício, Doença. Quando Epimeteu percebe seu erro, pois seu irmão o havia prevenido para nunca aceitar presentes vindos de Zeus, olha para dentro da caixa desolado, e percebe que lá dentro ainda havia restado a Esperança.

O padrão de Aquário é bem prometéico, vendo à frente de seu tempo, buscando o bem da humanidade e desafiando a autoridade estabelecida. Mas esse impulso aquariano para ampliar o desenvolvimento do homem acaba lhe custando caro. Como na história bíblica do Jardim do Éden, o preço que Adão e Eva pagam por comerem da Árvore do Bem e do Mal, da árvore do conhecimento que os tornariam deuses - exitados pela Serpente-Prometeu - é serem expulsos do Paraíso e terem que conviver com as limitações da vida humana. Prometeu paga a afronta à autoridade com o próprio fígado - literalmente - e os homens, com a caixa de Pandora, e assim têm que aprender a viver com as desgraças de que antes eram poupados; ou seja, também são expulsos do Paraíso. O co-regente de Aquário (ou seu primeiro regente, antes de se descobrir Urano) é o Grande Estruturador Saturno, e, dentro desse signo nós iremos encontrar tanto a autoridade divina, mostrada em seus princípios e ideais rígidos, quanto o desafiador da autoridade, que busca a liberdade, a revolução e o crescimento humano através do conhecimento. O preço que os aquarianos geralmente têm que pagar por isso é um arraigado complexo de culpa, capaz de devorar sua vontade divina. Aquário tem uma enorme insistência em ver o conhecimento como superior à fé cega, não dando chance a nada que ele considere superstição nem tendo paciência alguma com a autoridade que ele ache arbitrária. Esse briga interna de Aquário pode se tornar um suplício eterno, como de Prometeu. Mas no fundo da caixa de Pandora os deuses também mandaram a esperança, assim como Aquário, apesar de todo o horror e destruição que ele vê na humanidade, continua a acreditar na capacidade que os homens têm de criar um mundo melhor. E, afinal de contas, o titã também acaba sendo libertado por Hércules, a mando do próprio Zeus.

É bom lembrar também do mito que fala da constelação de Aquário, que mostra o aguadeiro, um homem jorrando água para o rio de um cântaro, sem entreanto molhar-se nessas águas. Ganimedes era um belo adolescente, filho de rei, e que passava o dia a pastorear nas montanhas. Um dia Zeus o vê e se apaixona, mandando sua águia raptá-lo e levá-lo ao Olimpo. Lá ele passa a servir aos deuses o néctar que, junto com a ambrosia, dava-lhes a imortalidade. Quando Ganimedes morre, Zeus o transforma na constelação de Aquário, como mostra de seu amor. Simbolicamente o homossexualismo representa a negação do poder feminino, e isso é relevante para os aquarianos. Isso não significa que eles sejam homossexuais, mas que eles tem uma certa dificuldade com a base biológica da existência e também com o “irracional”, que fazem parte da simbologia do feminino. A imagem de homossexualismo do mito sugere, entre outras coisas, um mundo exclusivamente masculino, onde o feminino e o plano instintivo da vida não têm lugar, em uma união onde nada mais cresça senão o espírito e a mente. Aquário realmente se sente melhor em companhias e em ideais masculinos, seja homem ou mulher. O costume de algumas culturas separarem os meninos púberes de suas mães, formando grupos exclusivamente masculinos, é um paralelo antropológico que indica a necessidade de excluir o feminino para que se possa fortalecer o masculino. Esse também parece ser um padrão aquariano, embora geralmente se dê em outras esferas que não a da sexualidade. Esse signo é o campeão da Luz e do Espírito. A única divindade com quem Prometeu se envolve é Palas Atená, uma deusa que Hera - a “guardiã dos relacionamentos lícitos” e esposa de Zeus - odiava particularmente, pois era uma filha virgem do Pai, gestada e parida da cabeça do deus dos deuses. O mundo prometeico aquariano é um mundo masculino, sobre a qual se desenham as imagens do drama da luta pela evolução e suas inevitáveis repercussões.

Trigueirinho, um medium brasileiro, fala que a tarefa de Héracles limpar os Estábulos de Augias, rei primo de Eristeu, mostra a missão de Aquário. Possuidor de um imenso rebanho, Augias possuía imensos estábulos que a trinta anos não eram limpos, causando doenças e esterilidades em Élis. O herói promete ao rei que limparia seus estábulos em um dia, desde que ele lhe desse 1/10 do seu rebanho a ele. Pensando ser impossível a tarefa, Augias aceita a proposta. Caminhando pela terra pestilenta e malcheirosa, Héracles se depara com os rios Alfeu e Peneu, e desvia seus cursos para que passassem por dentro dos estábulos, carregando consigo todo o excremento de maneira rápida e precisa. Augias trai o trato com Héracles e o expulsa do reino junto com Fileu, amigo do herói que havia testemunhado o pacto feito. Héracles irá montar duas expedições para atacar Augias e conseguir sua parte do rebanho, e ainda mata o rei seus filhos e põe Fileu no trono. Segundo Diel a estrumeira significa a deformação banal, e irrigar o estábulo com as águas de um rio significa purificar a alma, o inconsciente, da estagnação banal, graças a uma atividade vivificante e sensata. Trigueirinho diz que essa tarefa faz de Héracles um servidor do mundo, livrando Élis do excremento que sujava a cidade e do tirano relapso e egoísta que a governava. Talvez essa Luz que as pessoas de Aquário tanto buscam trazer para a humanidade, possa realmente vivificar o coletivo, limpando a estagnação, de modo a que possa surgir a obra criativa. Mas os acordos com o tirano - seja ele interno ou externo - estão fadados à traição. Aquário precisa entender que, por mais nobre que seja sua causa, por mais lógica que seja seu olhar para o mundo, para completar sua missão ele tem que matar a tirania com que olha a Verdade e o Bem de Todos, libertando o indivíduo. Só assim ele poderá mudar o verso de Brecht:
“Com cuidado examino/Meu plano: ele é/Grande, ele é/Irrealizável.”

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Aquario: Como Ser Um no Todo?



Regido por Urano, personificação mitológica do Céu, local de exílio do Sol e de exaltação do senhor dos mares, Netuno, Aquário costuma ser associado à vanguarda e a uma Nova Era de Amor e Liberdade, onde todos viveremos harmoniosamente juntos. Sem dúvida o grito de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, proferido junto com a Revolução Francesa e com a descoberta de Urano nos céus, é o grande mote desse signo. Mas depois desse brado retumbante, a França passou a viver uma cruel tirania, e isso também tem muito a ver com esse complexo signo de Ar Fixo.
Aquário é um signo conectado com os ideais de grupo e com o bem-estar da humanidade e podemos dizer simbolicamente que os mais nobres anseios humanos se alimentam dessa constelação. Quando experimentamos esse signo mais profundamente vemos como o gênio humano pode ser levado aos limites extremos de modo a controlar a natureza e estruturar a humanidade de maneira a se construir civilizações. Aquário - tanto o signo quanto a Era - está ligado ao aumento da consciência de grupo e à comunicação entre os homens, e esse signo possui uma antena que o coloca muito além de seu tempo, fazendo com que vislumbremos todas as possibilidades de crescimento e expansão de que somos capazes como seres humanos. Sem ideal nenhum progresso poderia acontecer, mas sua realização concreta leva tempo, requer flexibilidade e sensibilidade quanto às limitações humanas, além de uma consciência profunda do lado inferior e obscuro de cada um de nós. Os aquarianos não costumam ser versados em nenhuma dessas coisas e são normalmente impacientes, querendo ver o ideal tomando forma imediata. Embora sejam amantes da Verdade - ou talvez por isso mesmo - não são muito flexíveis e possuem pouca compreensão ou paciência com os aspectos “inferiores” da nossa natureza. Aqui temos os maiores dons e os maiores problemas que constituem o dilema de Aquário.
Como signo de Ar, Aquário encontra sua realidade nas idéias, e, por estar mais preocupado com o que acontece no grupo do que no indivíduo, iremos encontrar o tipo mais tradicional sempre envolvido com direitos humanos e bem-estar geral, em campos como Ciências Sociais, Educação, Política ou Ciências Tecnológicas. Aquárianos, além de futuristas, querem pôr ordem no mundo. Esse é verdadeiramente o signo da liberdade, do socialismo, do anarquismo filosófico e da igualdade humana, e, geralmente, suas maiores qualidades são seu senso de justiça e sua integridade. Aquário tem uma consciência de grupo tão aguda e sensível que pode tornar sua própria vida algo insuportável. Entender que nem todas as pessoas com quem se envolve ou trabalha tem o mesmo código de conduta pode demorar e custar muito para as pessoas desse signo. Aquário muitas vezes tem aversão de ser chamado de egoísta, o que pode ser muito nobre mas não muito saudável psicologicamente. Ele deixa facilmente de lado suas preferências e necessidades pessoais por causa de suas inabaláveis convicções e sua dedicação a objetivos éticos e a princípios que acha que tem de seguir, e vai se relacionar com qualquer pessoa de forma íntegra. Afinal, por pior que alguém seja, não deixa de ser humano, e isso lhe garante direitos inatos. O problema é quando o que o liga ao aquariano é a afetividade, pois ele irá agir da mesma forma. Liz Greene cita o exemplo de dois famosos aquarianos: Abraham Lincoln e Thomas Edson. O primeiro declarou a igualdade entre brancos e negros em uma época de escravidão, o que acabou desencadeando a Guerra Civil Americana e seu próprio assassinato. O segundo foi um dos grandes pensadores e inventores de sua época, e sem dúvida suas descobertas não visavam satisfação ou ganhos pessoais, mas sim o benefício da humanidade. Aqui vemos os dois lados mais admiráveis desse signo - o revolucionário dos direitos humanos e o cientista que trás o progresso para a humanidade. Mas quando se pesquisa suas vidas pessoais não encontramos nada além do nome de uma esposa e dos filhos, como se toda a existência desses ícones americanos tivesse sido direcionada para o ideal que perseguiam. Isso também é muito aquariano. Quanto mais perto do fim do Zodíaco, mais complexo se torna o signo, e seus extremos ficam ainda mais extremos. Por isso o idealismo aquariano vai funcionar muitas vezes para alicerçar um fanatismo intelectual, como daquelas caricaturas de cientistas que inventam uma nova arma sem se preocupar com a maturidade psíquica da humanidade para manipulá-la, ou com a possibilidade de algumas pessoas morrerem por causa disso, afinal, dizem eles, o sacrifício de alguns poucos indivíduos é um preço baixo para o enorme progresso que a arma representa.
Por apreciar mais a humanidade do que as pessoas de carne e osso, ele muitas vezes pode ser brusco, frio e insensível quando lida com as sutilezas do relacionamento humano, sempre se atendo aos seus princípios mesmo quando esses são as últimas coisas que deveriam ser levadas em conta. Aquário acha as emoções algo de mau gosto, tanto no que se refere a si mesmo quanto aos outros. Podemos dizer que esse é um signo orgulhoso e controlado que considera as manifestações emocionais uma fraqueza. É claro que nem todos são máquinas de pensar insensíveis. As mulheres aquarianas, principalmente, têm uma imensa capacidade de devoção e lealdade a uma pessoa. Mas isso também está de tal modo ligado a seus ideais e sua moral, que nem sempre conseguirão se ajustar às flutuações de um relacionamento. Além disso, os aquarianos estão tão obcecados pelos direitos que se deveria ou não ter que esquecem de si, de modo que acabam pulverizando as próprias emoções. Isso pode até parecer nobre, mas com o tempo serão necessários alguns comprimidos para dormir. Não é raro encontrar aquarianos que abrem mão de sua carreira por ter feito um acordo no casamento para ajudar o parceiro e que depois se vêm traídos, ou que buscam trabalhos em grupo para compartilhar responsabilidades e acabam sobrecarregados com o que ninguém mais quer fazer. Aquário tem um precioso dom para a lógica, e sabe discutir racionalmente com muito brilho, principalmente quando o assunto é a análise do comportamento humano. O problema é que lhe é difícil criar espaços para a sua natureza emocional, que é tão profunda e complexa como sua mente. Hoje em dia sabemos, também, que a mente sozinha, desconectada do coração, das emoções e intuições não necessariamente lógicas, pode voar muito longe mas não é a melhor maneira de se encontrar as saídas.
Na verdade suas próprias emoções muitas vezes assustam Aquário, e ele, como verdadeiro signo de Ar que só confia naquilo que pode ser entendido pela mente, acaba relegando essa parte ao campo que chama de “imaginário”, no mau sentido. Por isso as coisas ficam tão difíceis quando o assunto é romance, pois ele é capaz de se matar pelo ser amado, mas tem vergonha de mandar flores. Sem dúvida o maior problema desse signo revolucionário e humanitário é conseguir equilíbrio em suas relações pessoais. Isso só é possível quando ele consegue reconhecer que em seu amor abstrato pela humanidade deve incluir o amor concreto por si mesmo e pelas pessoas, pois a generosidade de sentimentos para consigo e para com o próximo faz parte do ideal de amor. Afinal, só quando conseguirmos compreender e purificar o lado mais obscuro e inferior da humanidade é que poderemos vivenciar a grande utopia da Era de Aquário.